10 de abr de 2007

Deixa que eu traumatizo

Ando numa fase sossegada e seletiva. Maneira elegante de dizer que não tô pegando ninguém. Eu sei que é fase e que vai passar mas o que acho desanimador é a falta de gente interessante por metro quadrado na face da Terra. É cada um que me aparece que simplesmente não dá. Ou melhor: não dou.
A maioria dos caras que se aproxima deve me confundir com a terapeuta e já mostra de cara que é traumatizado por algum motivo. Antes de você saber o que ele faz da vida, já sabe o quanto a vida dele anda difícil desde que saiu de um relacionamento de anos. Antes de dizer se quer dançar ou ir ao bar ele já adianta que não quer se envolver agora, que as últimas mulheres que conheceu olham para ele pensando em casamento. Antes que você sequer decida se vai continuar ali, se vai ao banheiro ou vai procurar suas amigas, ele já deixou muito claro que acha as mulheres de hoje muito agressivas.
Pára tudo: se é pra ter homem traumatizado por aí, deixa que eu traumatizo. É por essas e outras que a mulherada anda se divertindo cada vez mais com os caras mais novos. Uma “juventude promissora”, com o papo tão legal quanto o corpinho e muito, mas muito menos chatos. Sorry para as mulheres mais novas do que eu, que vão chegar aos trinta e poucos e conhecer uma nova geração de traumatizados, mas eu provavelmente terei alguma coisa a ver com isso.
E quanto a vocês, homens de trinta e poucos: que mania de achar que toda mulher está desesperada para casar. Fiquem sabendo que elas estão é viciadas em liberdade, isso sim. Que está complicado abrir mão dessa sensação de posso tudo em nome de um relacionamento, se o cara não for muito gente boa. Veja que eu não estou falando de beleza nem de nenhum pré-requisito que aparece na revista Nova. Meu amigo, presta atenção e segue o meu conselho: se é pra chegar numa mulher com esse papinho bizarro, não fala nada. Faz que nem na novela: não fala nada e me beija. Agora vê se beija direito.

4 de abr de 2007

Estatuto da Criança

Juro que não é instinto materno, que só daqui a uns anos vou pensar nisso, mas ando achando criança a coisa mais legal do mundo. Não consigo desgrudar os olhos delas no shopping, na fila do supermercado e no trânsito. E sei que fazer isso é papel delas e não de uma marmanja como eu. Adulto até pode ter comportamento de criança, mas o contrário é muito esquisito.
Ano passado fui para Lisboa e tinha ataques, chiliques de riso quando via e ouvia as crianças falando com sotaque português. Mil perdões aos nossos colonizadores mas esse sotaque foi feito para ser falado por homens ou mulheres de bigode. Nunca por crianças.
Outra coisa: criança tem que ter nome de criança. Quando morava em Porto Alegre, um dia estou no ônibus para o trabalho e uma mulher entra com um gurizinho fofo, cheio de roupas, casacos e gorros. Ela paga o bilhete e diz para a criança: “Dorneles, passa por baixo da catraca”. Pára que eu quero descer. Como assim chamar aquele pequenino de Dorneles? Adelaide? Dirceu? Mano Vladimir?
Tem coisa mais deprê do que ver pimpolhos usando roupas ou óculos de sol de adulto, só que em tamanho pequeno? Crianças têm que usar óculos de sol cor-de-rosa com abelhinhas ou verde com o Jaspion. Eu tinha um óculos de gatinha verde que era tu-do. E fui criança até as brincadeiras de Barbie mais parecerem uma sessão do sexy hot. Até ser consenso entre as amigas: agora chega.
Parem com essa mania de agência de modelos. Salvo raras exceções, os pais acham os filhos muito mais bonitos do que eles realmente são. No meu tempo, as mães colocavam as crianças no jazz, e isso já era patético o suficiente.
E crianças-atrizes? Estas que fazem papel de adulto nos programas de TV e nos filmes? É insuportável ver um texto adulto saindo de uma boca que ainda nem trocou os dentes.
Eu tenho medo de crianças que falam como adultos. Elas podem ser inteligentes, espirituosas e brilhantes fazendo comentários de crianças. Como o filho de um amigão meu. Depois de cantar aos berros “Nós gatos já nascemos pobres, porém já nascemos livres” ele olha intrigado e pergunta:
- Pai, o que é porém?