23 de jul de 2007

Ode as saboneteiras

Grupo de amigas falando amenidades. Adoro.
O papo da vez era corpitcho em geral. Uma se gabava do bumbum em cima, outra contava que a colega da firma turbinou os peitos, a outra que fazia mais abdominal do que ninguém. Até que o meu comentário gerou alguns segundos de silêncio e reflexão:
- Eu não sei vocês, mas a parte que eu mais gosto em mim é a saboneteira.
Pode desfazer essa cara de tarado, caso você não saiba o que é saboneteira e esteja imaginando outra coisa. Falei no singular mas deveria ter dito no plural. Saboneteiras são aqueles ingênuos ossinhos e cavidades que ficam entre o pescoço e os ombros. Acho lindo. Não entendo porque uma geração que cultua tanto o corpo esquece dessa parte tão sexy e, ao mesmo tempo, tão despretensiosa do corpo feminino. Mas podem continuar assim que tá ótimo. Acho que é justamente o fato de ninguém ligar, de não existir nenhuma cobrança sobre o padrão de beleza de uma saboneteira que me faz gostar tanto delas.
Todo mundo sabe que o tempo passa, o tempo voa e a poupança cai. Mas se tem uma parte do corpo que vai ficar lá, firme e forte, até o final dos nossos dias são as salientes, estruturadas e magras saboneteiras. E não é preciso ficar fazendo nenhum exercício chato para isso. Pode caprichar no tomara-que-caia e passar na frente de uma obra que eu garanto que você nunca vai ouvir nada parecido com “Sabonetão, hein?”. Nunca haverá sequer um funk carioca dizendo “esfrega, esfrega, esfrega a saboneteira”. Ninguém vai colocar silicone ou botox nem será preciso usar um creme anti-idade para a região das saboneteiras.
Saboneteiras são liberdade pura.

10 de jul de 2007

Flavio

Durante toda a minha vida ouvi pessoas dizendo que eu tenho humor de menino. Que sou mais desbocada do que a média das mulheres. Que consigo fazer/rir de piadas que essa mesma média não entende. Não por burrice, mas por não dominar “o código”.
Tenho consciência de que consigo mesmo pensar como homem em muitas situações da vida. Meus primos até dizem que eu sou mais homem do que eles. Quando minhas amigas em crise com os maridos começam a me contar a origem dos problemas eu tenho uma clareza irritante para dizer: desculpe, mas eu entendo ele. Muitas já quiseram me matar por isso, mas que eu entendo, entendo.
Tenho muitos amigos homens. Quase tantos quanto mulheres. Eles me convidam para programas tipicamente masculinos como jogar pôquer e ir ao futebol. Nessas horas eu normalmente tenho que dar aquela situada: ei, preciso te lembrar de um detalhezinho besta agora mas eu sou mulher, sabe? Pôquer é demais.
Já ouvi esses mesmos amigos comentando algo sobre paquerar e ter casinhos com amigas. Quando eles se referem a mim, dizem: ah, a Flavia não conta. As mulheres deles também já me disseram que eu sou a única amiga mulher dos seus respectivos de quem elas não sentem ciúme.
Querem parar? Alguém pode parar de me achar legal e começar a me achar gostosa para caralho, por gentileza? Você tem pinto? Eu não. Sorry, mas eu estou longe de ser uma pessoa assexuada, tenho faniquitos de mulherzinha, sim. Muitos. Este aqui mesmo que você está lendo, por exemplo. Dá para ser mais delicado e me dar mais atenção do que você daria para qualquer marmanjo? Dá para elogiar como homem, pô?

Pronto. Já estou me sentindo melhor. Blog é melhor que terapia.