27 de ago de 2007

Hoje Eu Vou Sair Horrenda

Esta é a mais nova categoria de pessoas que eu tenho observado ultimamente.
Categoria na qual se enquadram mais mulheres do que homens (não sei por que) e consiste no seguinte: a criatura acorda, abre o armário e procura a combinação mais bizarra que conseguir. A saia mais esquisita com a blusa que veste pior, com a meia velha, o sapato estranho, o gorro (sempre tem gorro) e o óculos mais discutível. Tudo acompanhado do casaco puído do brechó da rua Aspicuelta. Depois de vestir tudo isso ao mesmo tempo ela pega uma bolsa de franja, transa umas bijoux e pronto. Já se sente apta a sair por aí, como se nada estivesse acontecendo. E como se nós, os míseros mortais que usam jeans e camiseta, fôssemos obrigados.
Normalmente o corte de cabelo acompanha a esquisitice. E mesmo debaixo do gorro de crochê a gente vê uns fiapos, uma franja que cobre um dos olhos ou uma mecha colorida que lembra o implante de pena do Roberto Carlos.
Todo mundo tem o direito de se vestir como quiser, mas tudo o que essa espécie quer é causar polêmica mesmo. A idéia só pode ser essa. Parecer uma mendiga com aquela sobreposição de malhas com casaco e cachecol: não tenho onde guardar e uso tudo o que me dão de esmola.
Pessoas da categoria Hoje Eu Vou Sair Horrenda gostam que todo mundo fique olhando para elas da cabeça aos pés, com uma das sobrancelhas levantada ou com horror nos olhos. Normalmente falam alto para que todo mundo também as ouça, caso não tenha reparado no pout-pourri do inferno que nos prepararam. E todas devem ter o pôster autografado da Catifunda na porta do guarda-roupa.

13 de ago de 2007

Faça o teste

Não existe nenhuma possibilidade de você elogiar a roupa de uma mulher e a resposta não ser algo do tipo: É velha. Já usei várias vezes.
Não, você não perguntou há quanto tempo ela tem a bendita blusa ou o fatídico sapato. E sim, a blusa pode ter acabado de perder a etiqueta e o sapato estar fazendo bolhas no calcanhar de tão novo. Mas nenhuma mulher é capaz de admitir isso diante de um elogio.
É um comportamento dos mais estranhos, temos que admitir. Mas muito mais forte do que nós.
Talvez seja uma tentativa de dizer: imagina, nem ligo pra isso, peguei a primeira roupa que vi pela frente hoje cedo. Também pode ser um: é linda mesmo e eu tenho bom gosto faz tempo. Ou uma premonição de que a próxima pergunta será: onde você comprou? E aí o risco da pessoa comprar um sapato tu-do igual ao seu fica enorme. E sapato par de vasos, ninguém merece. Pode ter uma neura do tipo: ela vai pensar que eu ando torrando toda a minha grana em roupas e eu não sou esse poço de futilidade.
Não sei dar uma explicação exata do por quê isso acontece. E se você acha que não faz isso, pode acreditar que é só uma questão de prestar atenção.
Eu cheguei num meio termo. Não admito que a roupa é nova porque simplesmente não dá. Mas também não fico dando muita explicação porque também já é demais. A última vez que ouvi um um “Que vestido lindo”, fiquei alguns milésimos de segundo muda até dizer “comprei num brechó”.
E assunto encerrado.

Discurso de Miss

Tô passada. Já faz um ano (cacildis) que eu respirei fundo e postei o primeiro texto neste blog. Depois morri de dor de barriga esperando os posts. Inicialmente só de amigos, depois de amigos de amigos. E hoje, outros, de pessoas que eu não conheço pessoalmente mas que deixam comentários fofos e habitués. A maioria escritores de ótimos blogs. Uma honra.
Este ano (como é que pode?) me fez pensar que escrevi menos do que gostaria. Mas foi uma delícia pinçar minhas bobagens e decidir: vou colocar isso no meu blog. Muita coisa ficou só no começo. Algumas eu ainda hei de retomar. Outras minha auto-crítica não há de permitir. O legal é ver que o número de comentários aumentou, que quase ninguém fala mal nem reclama de nada do que eu escrevo. Muita gentileza da parte de vocês porque tem uns textinhos bem vagabundos. E bem passíveis de lenha descendo.
Dizem que alguns textos viraram spam. Oba. Mas como nenhum chegou no meu e-mail, e olha que eu recebo dezenas daqueles para aumentar o pênis todos os dias, só acredito vendo.
Valeu para todo mundo que lê. Vivo me prometendo que vou escrever com mais disciplina. E vou.
Que venha mais um ano bacanérrimo.

3 de ago de 2007

Quase feminista

Em qualquer programa de TV, quando um grupo de homens adultos precisa ser retratado, é batata que em algum momento eles aparecem reunidos para jogar pôquer, falando besteira, bebendo, fumando, apostando dinheiro e depois vão para casa levar bronca da esposa. Perceba a sutileza: eles não estavam fazendo nada demais e tomam bronca da megera. Homem é simples assim.
Nós mulheres, pelo contrário, nunca somos retratadas como ingênuas e boazinhas, que fazem coisas tolas como jogar pôquer. O estereótipo feminino, ou é o de alguém menos avantajada intelectualmente, ou o de uma grande cobra venenosa pronta para o bote. Sempre somos retratadas como figuras descontroladas ou completamente simplórias, para não dizer burras. Que se reúnem para ir ao shopping com amigas problemáticas, fúteis e invejosas que nunca perdem a oportunidade que cobiçar o bofe da outra. Mulheres não têm amigas. Nem amigos, porque amizade entre homem e mulher é pretexto para algo mais. Somos vistas como seres obcecados por um casamento, de preferência movido por grana. Se não tivermos filhos, seremos frustradas e amargas. Pesado, né?
Mas o fato é que, da mesma maneira que a gente sabe que não existe só este tipo de homem do pôquer, não existem apenas mulheres bizarras. É evidente que não. E se ninguém fala isso, nós é que temos que dizer. Mulheres têm amizades sólidas, respeitosas e absolutamente éticas. Só que a gente não chama desse jeito para não ficar pesado. Pode contar: amigos de verdade são tão poucos para os homens quanto para as mulheres. Mulheres têm instintos para “cuidar dos outros” como ninguém. Mulheres são sensíveis, generosas, delicadas, alegres, bem-humoradas. Mulheres amam a companhia de outras mulheres, gostam de emprestar o ombro, se interessam pelos problemas dos outros. Mulheres de verdade não querem o namorado da amiga. Querem é matar a vagabunda que pisou na bola com a amiga, isso sim. E com requintes de crueldade. Mulheres são sedutoras, interessantes e gostosas, Mulheres não são difíceis de entender. A gente não tem culpa se as nossas sutilezas são mal interpretadas. O que não dá é para deixar de ser sutil só para agradar. Nem ter esse comportamento óbvio e desprezível que todo mundo diz que a gente tem, só porque não seria nenhuma surpresa.
Mulheres, brilhem.