Se existem duas frases que eu uso com freqüência, são “Eu sou uma pessoa rasa” e “Me explica como se eu fosse uma criança de 5 anos”. Estou longe de ser burra, mas digamos que os assuntos que me interessam e que eu conheço com alguma (eu disse alguma) profundidade são aparentemente os mais bestas, estúpidos, simples. Do que as pessoas consideram realmente relevante, conheço pouco e assumo. Exemplo: nunca li nada do Hemingway, mas conheci vários bares pelo mundo em que o pinguço tinha mesa cativa. O que me faz simpatizar muito com ele. Mas antes de ler O Velho e o Mar, sou muito mais obstinada em assistir ao último episódio de Seinfeld.
Entendeu o nível do que eu chamo de rasa? Ok.
É por estas e outras que veio parar nas minhas mãos um livro chamado “Breve história de quase tudo”, do Bill Bryson. Um autor americano de best-sellers (eu sei que soa péssimo), um cara que decidiu fazer uma pesquisa de 3 anos sobre o big-bang, as partículas atômicas, a evolução da espécie e do universo e fazer exatamente o que eu sempre peço: explicar como se estivesse falando com uma criança. Claro que 5 anos é força de expressão, mas o livro é tão leve e prazeroso de ler, que dá uma tremenda inveja. Eu realmente admiro quem sabe se expressar de uma maneira tão simples, clara e acessível. Quero que ele se foda muito, de tanta inveja que eu tenho.
Sabe como o desgraçado, filhodaputa, lazarento consegue descrever o trabalho do australiano Robert Evans, que tem um telescópio no terraço de sua casa a uns 80km de Sydney e dedica parte da sua vida para caçar supernovas (já para o Google, bem)? Assim:
“... imagine uma mesa de jantar comum, coberta com uma toalha preta. Alguém joga um punhado de sal sobre a mesa. Os grãos espalhados podem ser comparados a uma galáxia. Agora imagine outras 1500 mesas iguais – número suficiente para lotar um estacionamento do Wall-Mart ou para formar uma linha com mais de 3km de comprimento – cada qual com um arranjo aleatório de sal em cima. Agora acrescente 1 grão de sal a uma das mesas e deixe Bob Evans caminhar por entre elas. De relance, ele o localizará. O grão de sal é a supernova.”
Se rasga, maluco. Eu te odeio. Muito. É tão legal, tão bem escrito que dá raiva. Eu estou completamente viciada no livro. Recomendo com louvor e estrelinhas. Como uma criança de 5 anos.
Eu gosto da palavra bacanérrimo desde a primeira vez que ouvi. Desde então, uso mesmo. Sinceramente, este foi o único critério para escolher o nome do meu blog. Gosto de escrever mas tenho vergonha de mostrar o que escrevo. Então decidi ficar escondida atrás de uma URL simpática. E esperar que alguma coisa que eu escreva aqui vire spam e chegue um dia por e-mail, como se fosse um texto do Luiz Fernando Veríssimo. Ui, seria a glória.
24 de ago. de 2008
23 de ago. de 2008
Invisível
Aconteceu comigo. Eu fiquei completamente invisível. O mais estranho é que antes de sair de casa eu dei aquela última conferida no espelho e estava tudo lá. Não sei explicar como aconteceu mas foi isso. Tá, eu lembro que quando era criança e assistia ao Sítio do Pica-pau Amarelo, acreditava em pó de pirlimpimpim. Mas convenhamos que ninguém aqui tem mais idade para isso. Só vejo uma explicação: alguém deve ter se concentrado muito para isso acontecer, mas juro que não fui eu.
Tinha gente que me via e gente que não. Eu podia passar através de quem não me via. Passei várias vezes. Para lá e para cá. Sabe coisa de filme? Você passa através da pessoa e vê tudo o que ela tem por dentro.
Eu sei que parece brincadeira. Tem gente que vê ovnis, tem gente que fica invisível. Difícil de acreditar mas quem passa por coisas assim sabe que aconteceram, mesmo que sejam inexplicáveis. Foi tão desconcertante que eu não consegui me divertir com isso. Eu poderia ter derrubado copos, distribuído pescotapas, ficado pelada, feito o diabo. Mas não. Pelo contrário: travei, fiquei assutada. No dia seguinte, fui tomada por uma vontade enorme de sumir. Mas agora tenho que aceitar a realidade. Fazer o que se eu tenho super-poderes?
Tinha gente que me via e gente que não. Eu podia passar através de quem não me via. Passei várias vezes. Para lá e para cá. Sabe coisa de filme? Você passa através da pessoa e vê tudo o que ela tem por dentro.
Eu sei que parece brincadeira. Tem gente que vê ovnis, tem gente que fica invisível. Difícil de acreditar mas quem passa por coisas assim sabe que aconteceram, mesmo que sejam inexplicáveis. Foi tão desconcertante que eu não consegui me divertir com isso. Eu poderia ter derrubado copos, distribuído pescotapas, ficado pelada, feito o diabo. Mas não. Pelo contrário: travei, fiquei assutada. No dia seguinte, fui tomada por uma vontade enorme de sumir. Mas agora tenho que aceitar a realidade. Fazer o que se eu tenho super-poderes?
18 de ago. de 2008
Medalhas Olímpicas do Ridículo
BRONZE
Quem viu a vitória do César Cielo pela Globo e teve vontade de afogar o Galvão Bueno toca aqui. Gente, o que foi aquilo? Era um tal de vovó Olga para lá, vovó Olga para cá. O neto se prepara anos para aquela medalha e, quando ganha, a avó não tem o direito de ouvir o que ele diz nem de curtir o momento porque o Galvão não pára de fazer perguntas estúpidas, comentários piegas, e de contar o quanto aquele momento será inesquecível para ele mesmo. Afe. Ela só queria abraçar as pessoas, chorar, comemorar. E ele: Vovó Olga (como se ele não fosse mais velho do que ela), fala qualquer coisa que você está sentindo agora. Qualquer nota, isso sim.
PRATA
Uma coisa que me irrita profundamente é a dupla-de-jogadores brasileiros-naturalizados-na-Georgia, do vôlei de praia. E isso não pode ser citado separadamente. Tudo o que eles fazem é narrado exatamente assim pelos jornalistas e comentaristas. A dupla de jogadores brasileiros naturalizados na Georgia ganha destaque. Ponto para a dupla de jogadores brasileiros naturalizados na Georgia. A dupla de jogadores brasileiros naturalizados na Georgia almoça numa churrascaria. A dupla de jogadores brasileiros naturalizados na Georgia quer cocô. Fora o trocadilho. Eles gostam de ser chamados de Geor & Gia. Gente chata. Se ao menos fosse uma dupla de brasileiros naturalizados em Trinidad & Tobago. (A-do-ro Trinidad)
OURO
Meu amigo Roger Bassetto (www.rogerbassetto.com.br) fez o comentário mais genial e definitivo sobre as Olimpíadas. Segundo ele, a marcha atlética só pode ser um esporte inventado pelos caras do Monty Python. Aquela reboladinha, acompanhada pela expressão séria e concentrada dos competidores tem tudo para ser piada. E das melhores.
Quem viu a vitória do César Cielo pela Globo e teve vontade de afogar o Galvão Bueno toca aqui. Gente, o que foi aquilo? Era um tal de vovó Olga para lá, vovó Olga para cá. O neto se prepara anos para aquela medalha e, quando ganha, a avó não tem o direito de ouvir o que ele diz nem de curtir o momento porque o Galvão não pára de fazer perguntas estúpidas, comentários piegas, e de contar o quanto aquele momento será inesquecível para ele mesmo. Afe. Ela só queria abraçar as pessoas, chorar, comemorar. E ele: Vovó Olga (como se ele não fosse mais velho do que ela), fala qualquer coisa que você está sentindo agora. Qualquer nota, isso sim.
PRATA
Uma coisa que me irrita profundamente é a dupla-de-jogadores brasileiros-naturalizados-na-Georgia, do vôlei de praia. E isso não pode ser citado separadamente. Tudo o que eles fazem é narrado exatamente assim pelos jornalistas e comentaristas. A dupla de jogadores brasileiros naturalizados na Georgia ganha destaque. Ponto para a dupla de jogadores brasileiros naturalizados na Georgia. A dupla de jogadores brasileiros naturalizados na Georgia almoça numa churrascaria. A dupla de jogadores brasileiros naturalizados na Georgia quer cocô. Fora o trocadilho. Eles gostam de ser chamados de Geor & Gia. Gente chata. Se ao menos fosse uma dupla de brasileiros naturalizados em Trinidad & Tobago. (A-do-ro Trinidad)
OURO
Meu amigo Roger Bassetto (www.rogerbassetto.com.br) fez o comentário mais genial e definitivo sobre as Olimpíadas. Segundo ele, a marcha atlética só pode ser um esporte inventado pelos caras do Monty Python. Aquela reboladinha, acompanhada pela expressão séria e concentrada dos competidores tem tudo para ser piada. E das melhores.
12 de ago. de 2008
I’ve got you under my skin
Quando eu era pré-adolescente, cool era quem tinha lido o livro Eu, Christiane F, 13 anos, você sabe o resto. Acho que era o equivalente hoje, a ler o último Harry Potter antes de todo mundo (geraçãozinha mais sem graça esta, não?). Uma das coisas que eu lembro deste livro é como eram narradas as crises de abstinência dos viciados em heroína. Os amigos da Chris chegavam a coçar o corpo com uma escova de cabelos até ficarem em carne viva, tal era o desespero.
Todo este blá-blá-blá para chegar na comparação: se a paixão é química e causa euforia na gente, se separar de quem a gente ama pode causar uma crise de abstinência tão intensa como a de qualquer outra droga.
Não sei você, mas eu já senti dor física, contrações musculares, náuseas (juro) e já me desesperei de tanta falta que eu senti do meu amor. É uma experiência das mais pavorosas. E o mais louco é que eu nem posso dizer que não recomendo porque, assim como as drogas, só passa pela crise quem sentiu antes todo o prazer e a euforia de viver a história em si. É péssimo mas vale à pena. Muito. Se joga. Agora.
Deveriam inventar clínicas de desintoxicação para isso. Os pacientes oscilariam entre os que foram por contra própria, pediram ajuda a parentes e amigos zelosos, e os tipo o cara do Polegar, que engolem pilhas e vivem dando bafão. O fundo do poço.
E as recaídas? Você reencontra o bofe, rola um flash back e sua família pára de confiar em você, seus amigos se decepcionam. Você é mesmo um fraco. Tem dias que eu venderia a TV de plasma do vizinho por alguns minutos de uma recaída dessas. Mas aí entra em cena o amor-próprio e o orgulho, que te trazem de volta para o macio e o quentinho que é esta merda em que a gente vive quando sofre por amor. O grande problema é que tudo o que lembra a pessoa faz a gente tremer, piscar um olho só e bater o pé direito no chão, tudo ao mesmo tempo. Os lugares que você freqüenta, os filmes, as músicas, tudo isso deveria ser tirado do nosso alcance. O que não adiantaria nada porque, como bons viciados, a gente faria fundos falsos em gavetas para esconder fotos, faria playlists com nomes fake no ipod. No meu caso, jazz é um estopim. E eu sei que nunca vai chegar o dia em que eu vou dizer: estou há X dias sem ouvir Ella Fitzgerald, Louis Armstrong ou Dinah Washington. Há de chegar sim, o dia em que eles não vão causar mais tanto frio no estômago.
Estou quase lá.
Todo este blá-blá-blá para chegar na comparação: se a paixão é química e causa euforia na gente, se separar de quem a gente ama pode causar uma crise de abstinência tão intensa como a de qualquer outra droga.
Não sei você, mas eu já senti dor física, contrações musculares, náuseas (juro) e já me desesperei de tanta falta que eu senti do meu amor. É uma experiência das mais pavorosas. E o mais louco é que eu nem posso dizer que não recomendo porque, assim como as drogas, só passa pela crise quem sentiu antes todo o prazer e a euforia de viver a história em si. É péssimo mas vale à pena. Muito. Se joga. Agora.
Deveriam inventar clínicas de desintoxicação para isso. Os pacientes oscilariam entre os que foram por contra própria, pediram ajuda a parentes e amigos zelosos, e os tipo o cara do Polegar, que engolem pilhas e vivem dando bafão. O fundo do poço.
E as recaídas? Você reencontra o bofe, rola um flash back e sua família pára de confiar em você, seus amigos se decepcionam. Você é mesmo um fraco. Tem dias que eu venderia a TV de plasma do vizinho por alguns minutos de uma recaída dessas. Mas aí entra em cena o amor-próprio e o orgulho, que te trazem de volta para o macio e o quentinho que é esta merda em que a gente vive quando sofre por amor. O grande problema é que tudo o que lembra a pessoa faz a gente tremer, piscar um olho só e bater o pé direito no chão, tudo ao mesmo tempo. Os lugares que você freqüenta, os filmes, as músicas, tudo isso deveria ser tirado do nosso alcance. O que não adiantaria nada porque, como bons viciados, a gente faria fundos falsos em gavetas para esconder fotos, faria playlists com nomes fake no ipod. No meu caso, jazz é um estopim. E eu sei que nunca vai chegar o dia em que eu vou dizer: estou há X dias sem ouvir Ella Fitzgerald, Louis Armstrong ou Dinah Washington. Há de chegar sim, o dia em que eles não vão causar mais tanto frio no estômago.
Estou quase lá.
4 de ago. de 2008
Dois anos
Hoje o Bacanérrimo faz 2 anos.
E quase que a data passa batida, não fosse uma curiosidade que me veio. Olha que louco. Fui ver a data da primeira postagem e pimba: 4 de agosto de 2006. Há 2 anos eu me prometo que vou escrever com mais disciplina. Há 2 anos eu espero o Chris dar um tapa no meu template (rararararara). Há 2 anos eu tento descobrir como colocar aqui uma lista de blogs que eu amo e não coloco porque sou burra e não sei usar as ferramentas. Posso dizer que faço terapia há dois anos porque isso aqui tem sido uma válvula de escape para dizer o que eu penso (e eu penso muito). É uma delícia ver que tenho leitores fiéis. Fico triste quando algum deles não comenta, me preocupo, acho que pode estar resfriado ou pior, achado uma bosta o que eu escrevi (freqüentemente eu acho, mas é que eu sou capricorniana com ascendente em áries). Fico feliz quando vejo gente nova comentando. Ai, ai...
Bom, fora a cobrança para o Chris me ajudar, peloamordedeus, a mudar o template, este post é pura e simplesmente para agradecer. Obrigada para quem lê e, especialmente, para quem volta sempre. Obrigada para os escritores de outros blogs maravilhosos que indicam o Bacanérrimo entre os seus favoritos. Se eu soubesse, retribuiria. Obrigada para quem repassa os textos. Para quem cita algumas coisas que eu escrevo aqui. E obrigada até para quem copia na cara dura e não cita (tem isso também). Beijocas estaladas.
E quase que a data passa batida, não fosse uma curiosidade que me veio. Olha que louco. Fui ver a data da primeira postagem e pimba: 4 de agosto de 2006. Há 2 anos eu me prometo que vou escrever com mais disciplina. Há 2 anos eu espero o Chris dar um tapa no meu template (rararararara). Há 2 anos eu tento descobrir como colocar aqui uma lista de blogs que eu amo e não coloco porque sou burra e não sei usar as ferramentas. Posso dizer que faço terapia há dois anos porque isso aqui tem sido uma válvula de escape para dizer o que eu penso (e eu penso muito). É uma delícia ver que tenho leitores fiéis. Fico triste quando algum deles não comenta, me preocupo, acho que pode estar resfriado ou pior, achado uma bosta o que eu escrevi (freqüentemente eu acho, mas é que eu sou capricorniana com ascendente em áries). Fico feliz quando vejo gente nova comentando. Ai, ai...
Bom, fora a cobrança para o Chris me ajudar, peloamordedeus, a mudar o template, este post é pura e simplesmente para agradecer. Obrigada para quem lê e, especialmente, para quem volta sempre. Obrigada para os escritores de outros blogs maravilhosos que indicam o Bacanérrimo entre os seus favoritos. Se eu soubesse, retribuiria. Obrigada para quem repassa os textos. Para quem cita algumas coisas que eu escrevo aqui. E obrigada até para quem copia na cara dura e não cita (tem isso também). Beijocas estaladas.
1 de ago. de 2008
Não estou preparada
Um dia vai acontecer. Não resta a menor dúvida. Mas nada nem ninguém que já tenha passado por isso ameniza ou torna a questão mais fácil de encarar.
Definitivamente vai ser um dia muito triste o que eu vir a me deparar com meu primeiro pentelho branco. Será como um registro de: agora é ladeira abaixo, gata.
Espero que demore muito.
Não estou pronta para lembrar do Cid Moreira toda vez que tiro a roupa. Fora a voz, que só eu vou ouvir nos meus pensamentos, me dizendo um sonoro Boa Noite.
Definitivamente vai ser um dia muito triste o que eu vir a me deparar com meu primeiro pentelho branco. Será como um registro de: agora é ladeira abaixo, gata.
Espero que demore muito.
Não estou pronta para lembrar do Cid Moreira toda vez que tiro a roupa. Fora a voz, que só eu vou ouvir nos meus pensamentos, me dizendo um sonoro Boa Noite.
26 de jul. de 2008
TFFC - Tô Fora Futebol Clube
Um time que você já deve ter visto por aí.
O uniforme oficial consiste no seguinte: calça leging de cotton, camisetão que cobre a bunda, tênis tipo Keds ou qualquer outro que seja ou tenha algum detalhe cor-de-rosa. Pronto. É assim que uma mulher sinaliza para o mundo que saiu de campo, que não quer mais brincar, que não está mais interessada em ser bonita e atraente para ninguém. Nem para ela mesma. A justificativa é em nome do conforto. Assim elas se sentem mais à vontade.
Desculpa, mas uma mulher só se sente à vontade de verdade quando sai de casa de bem com o espelho. E uma perguntinha: tem coisa mais confortável do que um vestido? E mais feminina? Essa combinaçãozinha é de doer e ponto. Ela está para uma mulher assim como a calça de moleton com pochete está para o homem. Fim de carreira.
Sim, é fútil. Não, nem todas as mulheres ligam tanto para a aparência (é só dar uma olhada nos membros do PSOL). E é claro que eu não tenho nada a ver com isso. Digamos que seja apenas um toque. Pensa duas vezes antes de sair de casa com essa roupinha, please. Se quer malhar no parque, não leva o poodle (gostei dessa frase e ela vai ficar mesmo não tendo, aparentemente, nada a ver com nada). Se não está com tudo em cima para usar um top, usa um agasalho, um colete, mas esquece essa camisetona, que isso é mais um outdoor, uma bandeira, uma fachada de neon piscando e gritando a plenos pulmões que a sua auto-estima foi para o saco. Quando é usada para malhar, até que ainda passa (não, não passa), mas essa mulherada se veste assim para tudo, para todas as atividades do dia. E as que ainda têm a cara-de-pau de “transar” uma bolsa com detalhes em dourado por cima do visu confortável? Afe.
Essa combinação sempre vem acompanhada de uma atitude quase deprê, que mostra que você não liga mais para você mesma. Os outros, com quem você não deve se importar, são um mero detalhe. O problema é você.
Ninguém precisa sair de casa vestida de proibidona do funk para mostrar que está se sentindo bem. Longe disso, peloamordedeus. Mas convenhamos, não precisa pensar muito para ver que dá para caprichar um pouquinho mais. E toda mulher sabe a diferença que isso faz. Despendura já essa chuteira, que até alguém voltar para provar o contrário, a vida é uma só. E é um luxo.
O uniforme oficial consiste no seguinte: calça leging de cotton, camisetão que cobre a bunda, tênis tipo Keds ou qualquer outro que seja ou tenha algum detalhe cor-de-rosa. Pronto. É assim que uma mulher sinaliza para o mundo que saiu de campo, que não quer mais brincar, que não está mais interessada em ser bonita e atraente para ninguém. Nem para ela mesma. A justificativa é em nome do conforto. Assim elas se sentem mais à vontade.
Desculpa, mas uma mulher só se sente à vontade de verdade quando sai de casa de bem com o espelho. E uma perguntinha: tem coisa mais confortável do que um vestido? E mais feminina? Essa combinaçãozinha é de doer e ponto. Ela está para uma mulher assim como a calça de moleton com pochete está para o homem. Fim de carreira.
Sim, é fútil. Não, nem todas as mulheres ligam tanto para a aparência (é só dar uma olhada nos membros do PSOL). E é claro que eu não tenho nada a ver com isso. Digamos que seja apenas um toque. Pensa duas vezes antes de sair de casa com essa roupinha, please. Se quer malhar no parque, não leva o poodle (gostei dessa frase e ela vai ficar mesmo não tendo, aparentemente, nada a ver com nada). Se não está com tudo em cima para usar um top, usa um agasalho, um colete, mas esquece essa camisetona, que isso é mais um outdoor, uma bandeira, uma fachada de neon piscando e gritando a plenos pulmões que a sua auto-estima foi para o saco. Quando é usada para malhar, até que ainda passa (não, não passa), mas essa mulherada se veste assim para tudo, para todas as atividades do dia. E as que ainda têm a cara-de-pau de “transar” uma bolsa com detalhes em dourado por cima do visu confortável? Afe.
Essa combinação sempre vem acompanhada de uma atitude quase deprê, que mostra que você não liga mais para você mesma. Os outros, com quem você não deve se importar, são um mero detalhe. O problema é você.
Ninguém precisa sair de casa vestida de proibidona do funk para mostrar que está se sentindo bem. Longe disso, peloamordedeus. Mas convenhamos, não precisa pensar muito para ver que dá para caprichar um pouquinho mais. E toda mulher sabe a diferença que isso faz. Despendura já essa chuteira, que até alguém voltar para provar o contrário, a vida é uma só. E é um luxo.
21 de jul. de 2008
Novelês básico
Desculpe mas isso não é inspirado na vida real, nem mera coincidência. Nem eu nem ninguém jamais ouviu falar por aí certas frases que pipocam nos diálogos do horário nobre. Simplesmente não dá. Eu até uso algumas delas com freqüência, mas claro que é para tirar um sarro. Olha que belezinhas estas que eu lembrei outro dia:
- Prepare meu carro que eu vou sair. (Sempre falo esta para os manobristas e eles não acham graça. Eu acho.)
- O Dr. (Nome do Ricaço) está esperando por você na biblioteca (casas de ricaços de novela sempre têm biblioteca).
- Preciso ficar um pouco sozinha.
- Parem este casamento (sempre, sempre, sempre).
- Cala a boca e me beija (com dois dedinhos, de leve, tocando a boca do amor). Ou a variação: Não fala mais nada e me beija.
- Não é nada do que você está pensando (essa me irrita).
- Me abraça forte.
- Eu não sou sua mãe (pai), sou sua irmã (ão).
- Vamos fugir para algum lugar bem longe.
- Você não pode se casar com (Nome do Galã / Mocinha) porque ele (a) é sua (seu) irmã(ão).
- Estou frágil (adoro essa).
- Dona (Nome da Secretária Figurante), venha até o meu gabinete.
- Se alguém tiver algo contra este casamento, que fale agora ou cale-se para sempre. (alguém já ouviu isso num casamento de verdade? Duvido.)
Ai, ai. Adoro essas inutilidades.
- Prepare meu carro que eu vou sair. (Sempre falo esta para os manobristas e eles não acham graça. Eu acho.)
- O Dr. (Nome do Ricaço) está esperando por você na biblioteca (casas de ricaços de novela sempre têm biblioteca).
- Preciso ficar um pouco sozinha.
- Parem este casamento (sempre, sempre, sempre).
- Cala a boca e me beija (com dois dedinhos, de leve, tocando a boca do amor). Ou a variação: Não fala mais nada e me beija.
- Não é nada do que você está pensando (essa me irrita).
- Me abraça forte.
- Eu não sou sua mãe (pai), sou sua irmã (ão).
- Vamos fugir para algum lugar bem longe.
- Você não pode se casar com (Nome do Galã / Mocinha) porque ele (a) é sua (seu) irmã(ão).
- Estou frágil (adoro essa).
- Dona (Nome da Secretária Figurante), venha até o meu gabinete.
- Se alguém tiver algo contra este casamento, que fale agora ou cale-se para sempre. (alguém já ouviu isso num casamento de verdade? Duvido.)
Ai, ai. Adoro essas inutilidades.
9 de jul. de 2008
Lei Seca
Seca, na língua dos solteiros de plantão, significa não tô pegando ninguém. Se um amigo desabafa que está numa seca dos infernos, você já sabe que ele não pega nem gripe, tadinho. E essa Lei Seca está servindo mesmo para acabar de vez com as nossas chances de diversão e perversão.
Tem coisa mais chata? Você sai de casa na nóia de ser pego numa blitz, ter que soprar aquele canudinho constrangedor com direito a câmeras da Rede Globo registrando tudo. Eu tenho mais medo dos meus pais me verem soprando na TV do que perder a carta ou pagar multa.
A Lei Seca acabou com os papos animados nos bares. Ontem eu fui encontrar uns amigos e me deparei com o lugar, que deveria estar lotado, com várias mesas vazias. Estranho. E os poucos sobreviventes falam sobre o mesmo assunto: Lei Seca. O que você tem o direito de fazer, que caminho fazer para voltar para casa e não passar por nenhuma blitz, se é razoável ou não é. Papo chato. Em vez de comentar sobre alguém no balcão as pessoas falam de táticas para burlar a lei, como chupar o bafômetro, em vez de soprar (genial). Ou inventar engenhocas como cápsulas de gás carbônico puro que você coloca na boca, morde e sopra no canudinho. E as estatísticas (deu no Jô): 30% dos acidentes são causados por motoristas alcoolizados. O que quer dizer que os outros 70% de todos os acidentes são culpa dos sóbrios no volante. Fiquem de olho nessa gente e deixem os boêmios em paz. Claro que tem gente que abusa. Mas isso precisa ser mais razoável, menos hostil e agressivo. Repararam que todos os cambaleantes que aparecem na TV são de Sorocaba? Pegaram os sorocabanos para cristo?
Mas o que mais me irrita são as pessoas tentando fazer disso uma coisa divertida. Como aquela mesa dos amigos suuuuper felizes da firma reunidos num bar, que sempre aparece no Jornal Nacional. Eles têm o “Amigo da Vez”. Nome divertido para o looser que vai passar a noite se entupindo de Coca-Cola e depois levar a galera bebum para casa. Ora, não me encham o saco. E os bares que têm seus próprios bafômetros? E as pessoas que decidiram comprar seus pocket-bafômetros e carregar na bolsa? Gente cafona.
Que graça tem ir numa balada e não poder beber nem um embelezador para achar lindo aquele cara mais ou menos, nem um encorajador para puxar um papo do nada. E o preço da balada mais o táxi de ida e volta? Tudo errado. Resolvam essa lei e a nossa seca. Seu bando de desmancha-prazeres.
Tem coisa mais chata? Você sai de casa na nóia de ser pego numa blitz, ter que soprar aquele canudinho constrangedor com direito a câmeras da Rede Globo registrando tudo. Eu tenho mais medo dos meus pais me verem soprando na TV do que perder a carta ou pagar multa.
A Lei Seca acabou com os papos animados nos bares. Ontem eu fui encontrar uns amigos e me deparei com o lugar, que deveria estar lotado, com várias mesas vazias. Estranho. E os poucos sobreviventes falam sobre o mesmo assunto: Lei Seca. O que você tem o direito de fazer, que caminho fazer para voltar para casa e não passar por nenhuma blitz, se é razoável ou não é. Papo chato. Em vez de comentar sobre alguém no balcão as pessoas falam de táticas para burlar a lei, como chupar o bafômetro, em vez de soprar (genial). Ou inventar engenhocas como cápsulas de gás carbônico puro que você coloca na boca, morde e sopra no canudinho. E as estatísticas (deu no Jô): 30% dos acidentes são causados por motoristas alcoolizados. O que quer dizer que os outros 70% de todos os acidentes são culpa dos sóbrios no volante. Fiquem de olho nessa gente e deixem os boêmios em paz. Claro que tem gente que abusa. Mas isso precisa ser mais razoável, menos hostil e agressivo. Repararam que todos os cambaleantes que aparecem na TV são de Sorocaba? Pegaram os sorocabanos para cristo?
Mas o que mais me irrita são as pessoas tentando fazer disso uma coisa divertida. Como aquela mesa dos amigos suuuuper felizes da firma reunidos num bar, que sempre aparece no Jornal Nacional. Eles têm o “Amigo da Vez”. Nome divertido para o looser que vai passar a noite se entupindo de Coca-Cola e depois levar a galera bebum para casa. Ora, não me encham o saco. E os bares que têm seus próprios bafômetros? E as pessoas que decidiram comprar seus pocket-bafômetros e carregar na bolsa? Gente cafona.
Que graça tem ir numa balada e não poder beber nem um embelezador para achar lindo aquele cara mais ou menos, nem um encorajador para puxar um papo do nada. E o preço da balada mais o táxi de ida e volta? Tudo errado. Resolvam essa lei e a nossa seca. Seu bando de desmancha-prazeres.
8 de jul. de 2008
Última Coca Zero do deserto
Tem dias que a gente sai de casa se achando tu-do. Eu adoro essa sensação.
Por mais que a gente esteja usando o mesmo jeans de sempre, a bota que já tem a forma do pé, a blusinha legal mas sem nenhum motivo para causar o efeito que causa, dá para ver a expressão das pessoas olhando. E eu não posso culpá-las por isso (tá, parei). Tem horas que eu penso: gente, tadinho do gordinho, ou do magrelo, do bigode, do bofe, enfim. Olha a cara dele olhando para mim. Parece que não vê mulher há tempos. Mas o que provalvelmente eles não vêem mesmo, pelo menos não com freqüência, é alguém se sentindo bem consigo mesma. Andando com passos largos e o cabelão voando nesses dias lindos de sol que têm feito. Este é o segredo. É o que faz a diferença. A maioria das pessoas anda de cabeça baixa, desviando olhares, com a testa franzida e a alma pesada. Eu não.
É ou não é assim? Estou falando alguma besteira? Gente, será que sou eu mesma, então? Sabia.
Por mais que a gente esteja usando o mesmo jeans de sempre, a bota que já tem a forma do pé, a blusinha legal mas sem nenhum motivo para causar o efeito que causa, dá para ver a expressão das pessoas olhando. E eu não posso culpá-las por isso (tá, parei). Tem horas que eu penso: gente, tadinho do gordinho, ou do magrelo, do bigode, do bofe, enfim. Olha a cara dele olhando para mim. Parece que não vê mulher há tempos. Mas o que provalvelmente eles não vêem mesmo, pelo menos não com freqüência, é alguém se sentindo bem consigo mesma. Andando com passos largos e o cabelão voando nesses dias lindos de sol que têm feito. Este é o segredo. É o que faz a diferença. A maioria das pessoas anda de cabeça baixa, desviando olhares, com a testa franzida e a alma pesada. Eu não.
É ou não é assim? Estou falando alguma besteira? Gente, será que sou eu mesma, então? Sabia.
29 de jun. de 2008
As Pontes de Madison
As Pontes de Madison foi o filme que mais me fez chorar na vida.
Entrei no cinema com 2 amigos, sem saber direito do que se tratava e saí pensando em me tratar. Que choradeira foi aquela? Soluços no cinema. Não estou falando de lágrimas furtivas escorrendo pelo rosto, mas de berreiro, tosse, dor. Como é que o Clint Eastwood, que até então era só o Dirty Harry, podia ter uma sensibilidade daquelas e traduzir tão bem a alma feminina? O bronco de Magnun 44 me mostrou que podem existir homens sensíveis no mundo. Afe.
Comprei o VHS mas não tinha o DVD. Nem eu nem nenhuma loja porque estava esgotado há anos. Eis que sexta-feira eu fui na Fnac e encontrei finalmente. Saiu uma edição especial. Oba. Quero. Quero muito.
Agora que eu sei exatamente do que se trata, cadê a coragem de assistir?
Entrei no cinema com 2 amigos, sem saber direito do que se tratava e saí pensando em me tratar. Que choradeira foi aquela? Soluços no cinema. Não estou falando de lágrimas furtivas escorrendo pelo rosto, mas de berreiro, tosse, dor. Como é que o Clint Eastwood, que até então era só o Dirty Harry, podia ter uma sensibilidade daquelas e traduzir tão bem a alma feminina? O bronco de Magnun 44 me mostrou que podem existir homens sensíveis no mundo. Afe.
Comprei o VHS mas não tinha o DVD. Nem eu nem nenhuma loja porque estava esgotado há anos. Eis que sexta-feira eu fui na Fnac e encontrei finalmente. Saiu uma edição especial. Oba. Quero. Quero muito.
Agora que eu sei exatamente do que se trata, cadê a coragem de assistir?
A única certeza que eu tenho na vida
Quando eu voltei de Londres, uma das primeiras providências que tive que tomar foi comprar luvas, ferramentas e me dedicar à jardinagem. As plantas tinham crescido tanto que não deixavam mais o sol bater no meu quintal. Como nunca tinha feito isso pedi dicas para o meu pai, que me falou que maio era o melhor mês para podar as plantas. Timing perfeito (odeio esta expressão com todas as minhas forças, mas neste caso...). Outra dica: não dá para sair cortando qualquer galho. Tem que fazer a árvore parecer uma taça. Cortar os galhos de cima e deixar os dos lados formando a copa (copa, taça, pegou?). A pitangueira, tadinha, tava toda esquisita, com galhos desengonçados para todos os lados, atrapalhando a passagem e com as folhas secas, começando a cair. Eu mandei ver: fui cortando os galhos com medo de acabar com a coitada mas sabendo que aquilo era para o bem dela.
Quase dois meses depois, a pitangueira está lá, linda, gata, coberta de florzinhas, cheia de abelhas, praticamente um bacanal da flora acontecendo.
Ir para Londres foi a melhor coisa que eu podia ter feito. Por mim e por ela.
Quase dois meses depois, a pitangueira está lá, linda, gata, coberta de florzinhas, cheia de abelhas, praticamente um bacanal da flora acontecendo.
Ir para Londres foi a melhor coisa que eu podia ter feito. Por mim e por ela.
23 de jun. de 2008
Melhor sem ela
Sabe de uma coisa que nós mulheres devemos tirar das nossas vidas, não ter em hipótese nenhuma, execrar, chutar para bem longe? Não é gordura localizada nem amiga falsetona, não. É expectativa.
Expectativa é um peso nas nossas costas. Eu, graças a deus, aprendi na marra a domar e a viver sem a minha. Rompemos definitivamente.
Primeiro porque quando você tem expectativa de que alguma coisa aconteça, por mais que tudo realmente se concretize, nunca é como a sua expectativa imaginou. Fora o primeiro beijo que foi tudo e mais um pouco na minha vida, todas as primeiras outras coisas foram muito aquém do que eu esperava. E eu só não desencanei para sempre delas por que? Porque na segunda vez já não tinha mais nenhuma expectativa. E aí foi brilho total. Pegou? Simples.
Expectativa é o sentimento mais desmancha-prazeres que uma pessoa pode ter na vida. Ela impede a coisa mais genial do mundo, que é quando a vida surpreende a gente, pega desprevenida mesmo. Quando você menos espera, é arrebatada. Ai que delícia.
Não chega a ser uma Síndrome de Zeca Pagodinho, que eu sou capricorniana com ascendente em áries e esse papo Deixa a Vida Me Levar me deixa fora do corpo. Mas não esperar nada de nenhuma situação nem de ninguém é libertador. Até porque, gata, mesmo sem nenhuma expectativa, a gente tem instinto e força para enfrentar tudo. Que venga el toro.
Expectativa é um peso nas nossas costas. Eu, graças a deus, aprendi na marra a domar e a viver sem a minha. Rompemos definitivamente.
Primeiro porque quando você tem expectativa de que alguma coisa aconteça, por mais que tudo realmente se concretize, nunca é como a sua expectativa imaginou. Fora o primeiro beijo que foi tudo e mais um pouco na minha vida, todas as primeiras outras coisas foram muito aquém do que eu esperava. E eu só não desencanei para sempre delas por que? Porque na segunda vez já não tinha mais nenhuma expectativa. E aí foi brilho total. Pegou? Simples.
Expectativa é o sentimento mais desmancha-prazeres que uma pessoa pode ter na vida. Ela impede a coisa mais genial do mundo, que é quando a vida surpreende a gente, pega desprevenida mesmo. Quando você menos espera, é arrebatada. Ai que delícia.
Não chega a ser uma Síndrome de Zeca Pagodinho, que eu sou capricorniana com ascendente em áries e esse papo Deixa a Vida Me Levar me deixa fora do corpo. Mas não esperar nada de nenhuma situação nem de ninguém é libertador. Até porque, gata, mesmo sem nenhuma expectativa, a gente tem instinto e força para enfrentar tudo. Que venga el toro.
13 de jun. de 2008
Happy Ballantines Day
O título deste post foi o nick do MSN de uma amiga hoje, dia dos namorados. Adorei porque resume um comportamento.
De longe, esta data causa muito mais comoção em quem não tem namorado do que nos próprios pombinhos. Quem tem, deixa o presente para a última hora, faz um programinha romântico em casa para não encarar fila de restaurante logo hoje. Tira de letra. Já nos solteiros, esta data causa reações adversas. Se você tem amor aos dentes, não pergunte “quais são os planos para hoje?” para quem você não tiver certeza absoluta que tem namorado. Não ter, neste dia, é péssimo, terrível, degradante.
Tem gente que quer matar os casaizinhos apaixonados, fica olhando com desdém para as pessoas com pacotes de presente andando pelas ruas e comenta: Tá vendo? Deixou para a última hora e ainda comprou coisa mixa. Também é comum ficar repetindo aos quatro ventos que é apenas mais uma data para estimular o consumo, blá, blá, blá. Mas a verdade é que todo mundo está é doido para consumir alguém. Vamos ser honestos.
Milhares de baladas de solteiros pipocam pela cidade. Sair, se divertir, navegar é preciso. Quem não tem namorado quer é beber todas para esquecer esta data e chegar amanhã no trabalho com cara de “aprontei muito”. Mesmo que a balada tenha sido só um porre.
Quem não vai por nada deste mundo para a balada dos solteiros sedentos prefere passar o dia fazendo piadas para descontrair. Tipo: nem ligo. Duas amigas telefonaram para me desejar feliz dia dos namorados. Outra perguntou se eu tinha comido alho para comemorar esta noite. Eu mesma sugeri que uma turma fizesse uma reserva num restaurante romântico. Mesa para 10. Qualquer coisa a gente fala que é uma suruba. Tudo para ocupar metade do ninho de amor dando gargalhadas sonoras e quebrando o clima. Su-per engraçado, né? Pura inveja.
Abafa, vai. Amanhã é dia de Santo Antônio. Vai que ele ouve as preces da minha mãe.
De longe, esta data causa muito mais comoção em quem não tem namorado do que nos próprios pombinhos. Quem tem, deixa o presente para a última hora, faz um programinha romântico em casa para não encarar fila de restaurante logo hoje. Tira de letra. Já nos solteiros, esta data causa reações adversas. Se você tem amor aos dentes, não pergunte “quais são os planos para hoje?” para quem você não tiver certeza absoluta que tem namorado. Não ter, neste dia, é péssimo, terrível, degradante.
Tem gente que quer matar os casaizinhos apaixonados, fica olhando com desdém para as pessoas com pacotes de presente andando pelas ruas e comenta: Tá vendo? Deixou para a última hora e ainda comprou coisa mixa. Também é comum ficar repetindo aos quatro ventos que é apenas mais uma data para estimular o consumo, blá, blá, blá. Mas a verdade é que todo mundo está é doido para consumir alguém. Vamos ser honestos.
Milhares de baladas de solteiros pipocam pela cidade. Sair, se divertir, navegar é preciso. Quem não tem namorado quer é beber todas para esquecer esta data e chegar amanhã no trabalho com cara de “aprontei muito”. Mesmo que a balada tenha sido só um porre.
Quem não vai por nada deste mundo para a balada dos solteiros sedentos prefere passar o dia fazendo piadas para descontrair. Tipo: nem ligo. Duas amigas telefonaram para me desejar feliz dia dos namorados. Outra perguntou se eu tinha comido alho para comemorar esta noite. Eu mesma sugeri que uma turma fizesse uma reserva num restaurante romântico. Mesa para 10. Qualquer coisa a gente fala que é uma suruba. Tudo para ocupar metade do ninho de amor dando gargalhadas sonoras e quebrando o clima. Su-per engraçado, né? Pura inveja.
Abafa, vai. Amanhã é dia de Santo Antônio. Vai que ele ouve as preces da minha mãe.
8 de jun. de 2008
Mais do mesmo
Outra história real. Fazer o que se elas são ótimas e vêm até mim. Eu não resisto. Ouço e tenho que dividir.
A mãe de um conhecido lá de Porto Alegre vai passar uma temporada no Rio de Janeiro. Uma tarde, andando pelo Leblon, vê um rosto muito familiar e decide perguntar:
- Com licença, por acaso tu és de Bagé?
- Não.
- Nossa, mas tu és muito parecido com os filhos da Dona Arminda. Tu não tens parentes pelo Rio Grande do Sul?
- Não, nenhum.
- Mas é impressionante o que tu me lembras o José César e o Waldir. Desculpe perguntar, mas qual é o teu sobrenome?
- Matogrosso.
De novo, o Ney. Tá, eu paro.
A mãe de um conhecido lá de Porto Alegre vai passar uma temporada no Rio de Janeiro. Uma tarde, andando pelo Leblon, vê um rosto muito familiar e decide perguntar:
- Com licença, por acaso tu és de Bagé?
- Não.
- Nossa, mas tu és muito parecido com os filhos da Dona Arminda. Tu não tens parentes pelo Rio Grande do Sul?
- Não, nenhum.
- Mas é impressionante o que tu me lembras o José César e o Waldir. Desculpe perguntar, mas qual é o teu sobrenome?
- Matogrosso.
De novo, o Ney. Tá, eu paro.
27 de mai. de 2008
Checklist
Minha bunda sumiu. Veja bem, o verbo é sumir e não cair. Quem foi minha colega de faculdade pode testemunhar que fui Miss Bumbum no dia do trote dos calouros. Ok, isso não é nenhum mérito e foi lá pelos idos de 91. Mas que eu tinha bunda, tinha. Estou a ponto de colocar fotos em caixas de leite, faixas pelo bairro. Acho que não nos veremos mais. Paciência.
Meus cílios cresceram. Eles nunca fizeram curva antes. Nem quando eu caprichava no rímel. De uns tempos para cá estão mais longos e com as pontinhas viradas para cima. Minha amiga Cris que faz minha make em ocasiões para lá de especiais já nem coloca mais os tufinhos postiços nos cantos, que eu tanto amo. Ela diz que não precisa. E se ela diz, eu acredito.
Meus cabelos amansaram. Eles continuam cacheados, longos, com frizz. Mas agora não são mais indomáveis. Acho que encontrei o creme certo. Encontrei não, a Cris (de novo ela) me apresentou. Por baixo eles estão alisando. Os brancos estão vindo com cada vez mais força mas eu ainda não preciso pintar. Arranco todos que vejo. Sou mais forte do que eles. Alguns estão adquirindo um tom acobreado. Pensei que era sol mas é falta de pigmento mesmo. Pré-cabelo-branco. Ai, ai.
Cintura, nunca tive. Sempre fui meio reta, meio tábua. Panturrilha também não, mas agora eu tenho. De ouro.
Barriguinha. Adquiri. Mas hei de queimar. Braços, tenho que firmar. Coxas idem. Segunda-feira eu começo.
Pés agora eu mostro. Antes tinha vergonha, hoje acho eles bem normais. Eles não mudaram. Fui eu.
Celulite. Positivo. Estrias. Operante, mas bem poucas. Quase nada. Espinhas. Ainda.
Rugas nos cantos dos olhos também andam marcando presença. Nunca usei creme mas sei que tenho que começar.
Nada mudou nas minhas mãos. Mas já me disseram que mão denuncia a idade. Essa eu não sabia.
Peso não aumentou. Miopia aumentou. Agora tenho 5,25 e meu oftalmo falou que não posso fazer cirurgia porque não estabilizou. Ufa, odeio cirurgias.
Pescoço, ok. Queixo, ok. Peitos pequenos, de verdade, para o alto e avante. Saboneteiras, lindas de morrer. Sardas no colo, odeio. Tenho que usar pencas de protetor solar para elas pararem de pintar por lá.
Pêlos não diminuem com o passar dos anos como mentiu minha depiladora. Mas descobri que depilação é que nem cócega. Quando os outros fazem a gente sente mais. Eu mesmo cuido disso com meu Satinelle da Phillips (não é merchandising, é gratidão).
Quando fico de ressaca é para valer. Passo o dia seguinte inteiro sem prestar para nada.
Cabo da Boa Esperança, aqui vou eu.
Meus cílios cresceram. Eles nunca fizeram curva antes. Nem quando eu caprichava no rímel. De uns tempos para cá estão mais longos e com as pontinhas viradas para cima. Minha amiga Cris que faz minha make em ocasiões para lá de especiais já nem coloca mais os tufinhos postiços nos cantos, que eu tanto amo. Ela diz que não precisa. E se ela diz, eu acredito.
Meus cabelos amansaram. Eles continuam cacheados, longos, com frizz. Mas agora não são mais indomáveis. Acho que encontrei o creme certo. Encontrei não, a Cris (de novo ela) me apresentou. Por baixo eles estão alisando. Os brancos estão vindo com cada vez mais força mas eu ainda não preciso pintar. Arranco todos que vejo. Sou mais forte do que eles. Alguns estão adquirindo um tom acobreado. Pensei que era sol mas é falta de pigmento mesmo. Pré-cabelo-branco. Ai, ai.
Cintura, nunca tive. Sempre fui meio reta, meio tábua. Panturrilha também não, mas agora eu tenho. De ouro.
Barriguinha. Adquiri. Mas hei de queimar. Braços, tenho que firmar. Coxas idem. Segunda-feira eu começo.
Pés agora eu mostro. Antes tinha vergonha, hoje acho eles bem normais. Eles não mudaram. Fui eu.
Celulite. Positivo. Estrias. Operante, mas bem poucas. Quase nada. Espinhas. Ainda.
Rugas nos cantos dos olhos também andam marcando presença. Nunca usei creme mas sei que tenho que começar.
Nada mudou nas minhas mãos. Mas já me disseram que mão denuncia a idade. Essa eu não sabia.
Peso não aumentou. Miopia aumentou. Agora tenho 5,25 e meu oftalmo falou que não posso fazer cirurgia porque não estabilizou. Ufa, odeio cirurgias.
Pescoço, ok. Queixo, ok. Peitos pequenos, de verdade, para o alto e avante. Saboneteiras, lindas de morrer. Sardas no colo, odeio. Tenho que usar pencas de protetor solar para elas pararem de pintar por lá.
Pêlos não diminuem com o passar dos anos como mentiu minha depiladora. Mas descobri que depilação é que nem cócega. Quando os outros fazem a gente sente mais. Eu mesmo cuido disso com meu Satinelle da Phillips (não é merchandising, é gratidão).
Quando fico de ressaca é para valer. Passo o dia seguinte inteiro sem prestar para nada.
Cabo da Boa Esperança, aqui vou eu.
21 de mai. de 2008
Ombro amigo. Adoro.
Você tem uma sensação constante de que os problemas dos outros são muito menores do que os seus? Claro que não estou falando de problemas absurdos tipo jogarem minha filha de 5 anos pela janela ou alguém da minha família estar doente. Problemas normais, de mulherzinha, tipo falta de auto-estima, relacionamentos complicados, angústias, crises no trabalho, etc.
Eu me sinto uma analista fodalhona toda vez que minhas amigas fazem meu ombro de divã e pedem conselhos sobre a vida. Sempre tenho alguma coisa sábia a dizer. A impressão que dá é que a solução para os problemas delas é tão simples e clara que nem problema elas têm.
Acho que é assim com todo mundo. Uma mistura de egoísmo e generosidade. Você adora e se sente apta a resolver os problemas dos outros simplesmente porque nada pode ser pior do que os seus. Viver a sua vida com as suas mazelas torna você phd em problemas. Agora ouve a voz da minha experiência e faça isso ou aquilo. Ora, isso lá é problema que se apresente? Se eu te contar o que estou passando...
Daí eu conto e acontece o mesmo, só que ao contrário: alguém ouve os meus lamentos e tenta me mostrar que eu estou fazendo tempestade num copo d’água tônica. Enquanto ouço o diagnóstico sábio da minha amiga confesso que sempre penso: esta pessoa não tem idéia do que é passar por um problema deste tamanho. De novo, meus lamentos são maiores do que qualquer coisa que ela já viveu. Vou deixar ela falar, que ela é uma fofa, a intenção é boa, mas vai entrar por um ouvido e sair pelo outro.
O mais louco é que, mesmo assim, a gente continua ouvindo e procurando as boas amigas quando a coisa aperta. E sinceramente a gente precisa disso. A gente ama isso. A necessidade de ouvir e de falar continua. Acho que é porque verbalizar as coisas alivia. Falar de problemas e soluções organizam as nossas idéias. Nunca fiz mas este deve ser um dos princípios da terapia.
Olha eu aqui de novo, falando como uma analista fodalhona. E você aí pensando: ok, vou fingir que isso me tocou de alguma forma, que me identifiquei. Talvez eu até deixe um comentário. Pura educação.
Eu me sinto uma analista fodalhona toda vez que minhas amigas fazem meu ombro de divã e pedem conselhos sobre a vida. Sempre tenho alguma coisa sábia a dizer. A impressão que dá é que a solução para os problemas delas é tão simples e clara que nem problema elas têm.
Acho que é assim com todo mundo. Uma mistura de egoísmo e generosidade. Você adora e se sente apta a resolver os problemas dos outros simplesmente porque nada pode ser pior do que os seus. Viver a sua vida com as suas mazelas torna você phd em problemas. Agora ouve a voz da minha experiência e faça isso ou aquilo. Ora, isso lá é problema que se apresente? Se eu te contar o que estou passando...
Daí eu conto e acontece o mesmo, só que ao contrário: alguém ouve os meus lamentos e tenta me mostrar que eu estou fazendo tempestade num copo d’água tônica. Enquanto ouço o diagnóstico sábio da minha amiga confesso que sempre penso: esta pessoa não tem idéia do que é passar por um problema deste tamanho. De novo, meus lamentos são maiores do que qualquer coisa que ela já viveu. Vou deixar ela falar, que ela é uma fofa, a intenção é boa, mas vai entrar por um ouvido e sair pelo outro.
O mais louco é que, mesmo assim, a gente continua ouvindo e procurando as boas amigas quando a coisa aperta. E sinceramente a gente precisa disso. A gente ama isso. A necessidade de ouvir e de falar continua. Acho que é porque verbalizar as coisas alivia. Falar de problemas e soluções organizam as nossas idéias. Nunca fiz mas este deve ser um dos princípios da terapia.
Olha eu aqui de novo, falando como uma analista fodalhona. E você aí pensando: ok, vou fingir que isso me tocou de alguma forma, que me identifiquei. Talvez eu até deixe um comentário. Pura educação.
19 de mai. de 2008
Sobre como é bom estar de volta
Uma mulher percebe que ficou muito tempo longe dos amigos quando descobre um fio de cabelo branco enorme, comprido e absolutamente visível na parte de trás da cabeça. Devia estar lá há um bom tempo mas ninguém era íntimo o suficiente. Ninguém teve a manha de avisar ou arrancar.
18 de mai. de 2008
Desabafo rápido
Sábado à noite. Aniversário de um amigo. Eu e outra amiga conversando próximas ao balcão. De repente um amigo do meu amigo (explico assim para você entender que não se tratava de nenhum maloqueiro) chega tentando arranjar uma brecha para ir até o balcão lotado. Ele passa colado na gente e fala para minha amiga:
Vou ter que passar aqui por trás para chegar no balcão. Se você sentir alguma coisa foi por querer viu. Ele ainda repetiu. Se sentir alguma coisa, foi muito por querer.
Eu fiquei tão passada que não agüentei e disse: Nossa, mas que grosseria foi essa?
Gente, eu tô ficando louca? Se um cara pode dizer isso para uma mulher eu também posso distribuir pescotapas, certo? Eca.
Vou ter que passar aqui por trás para chegar no balcão. Se você sentir alguma coisa foi por querer viu. Ele ainda repetiu. Se sentir alguma coisa, foi muito por querer.
Eu fiquei tão passada que não agüentei e disse: Nossa, mas que grosseria foi essa?
Gente, eu tô ficando louca? Se um cara pode dizer isso para uma mulher eu também posso distribuir pescotapas, certo? Eca.
15 de mai. de 2008
Trágico se não fosse cômico
Claro que vou omitir nomes porque é um assunto delicado. Mas olha que delícia de história verídica.
Conheci a amiga de uma amiga recentemente. Gente boa, figura. Fui a um jantar na casa dela que estava toda animada, colocando músicas de carnaval que acabara de baixar na internet. Até que o shuffle do ipod baixou o astral com uma música do Cartola. Eu comentei que adorava e que tinha um CD do Ney Matogrosso cantando Cartola que era maravilhoso. Percebi que ela fez uma cara estranha e comentou: Nossa, há quanto tempo eu não ouço falar do Ney Matogrosso. Que estranho você falar nele... Estranho por que?
Porque minha avó morreu de rir do Ney Matogrosso.
Foi exatamente isso: a avó estava assistindo o Cassino do Chacrinha e o Ney Matogrosso começou a cantar e dançar daquele jeito que a gente bem conhece. A vovó começou a rir, mas rir tanto que teve um piripaque e partiu desta para melhor.
Adoro esta história. E se pudesse escolher, queria morrer exatamente assim.
Conheci a amiga de uma amiga recentemente. Gente boa, figura. Fui a um jantar na casa dela que estava toda animada, colocando músicas de carnaval que acabara de baixar na internet. Até que o shuffle do ipod baixou o astral com uma música do Cartola. Eu comentei que adorava e que tinha um CD do Ney Matogrosso cantando Cartola que era maravilhoso. Percebi que ela fez uma cara estranha e comentou: Nossa, há quanto tempo eu não ouço falar do Ney Matogrosso. Que estranho você falar nele... Estranho por que?
Porque minha avó morreu de rir do Ney Matogrosso.
Foi exatamente isso: a avó estava assistindo o Cassino do Chacrinha e o Ney Matogrosso começou a cantar e dançar daquele jeito que a gente bem conhece. A vovó começou a rir, mas rir tanto que teve um piripaque e partiu desta para melhor.
Adoro esta história. E se pudesse escolher, queria morrer exatamente assim.
7 de mai. de 2008
Gente mala
De acordo com as novas regras de segurança dos aeroportos para controle de bagagens de mão, quanto mais perua ou mais metrosexual for a pessoa, mais chances ela tem de ser terrorista. Esqueça aquele preconceito tolo contra os muçulmanos barbudos e gente com pano na cabeça. Graças a estas novas regras eles tiveram uma trégua merecida. Quem está sob a mira das câmeras do circuito interno de segurança e realmente atravanca a fila do raio x é aquela patricinha com a frasqueira cheia de cremes, perfumes e maquiagens importadas: “Eu despacho, eu despacho, mas tira a mão do meu demaquilante agora”. As Drags, tadinhas, despacham o glamour, preferem vir desmontadas e passam a viagem inteira morrendo de inveja da make das aeromoças da Tam (!!!). Já os indefesos metrosexuais são obrigados a tirar o pulôver de cima dos ombros e colocá-lo numa caixa. Sentindo-se nus eles são fuzilados pelos olhares constrangedores dos funcionários da segurança. A bolsa passa pelo raio x, a mocinha olha, volta, baixa os óculos para a ponta do nariz e confere mais de perto na tela. “O que é este frasco grande na sua mochila? Creme de barbear?”. O metro, já tenso, responde: “Juro que não. Eu faço barba a laser tem 8 meses. Pode conferir”.
Mães com crianças também passam perrengue. E não é porque o pirralho fica 5 horas berrando e chutando a poltrona da frente, que para isso elas nem ligam. É pelo conteúdo das mamadeiras. Leite Ninho, Toddynho, hummm, suspeito.
Eu fui obrigada a tirar as botas e pagar o mico de mostrar minhas meias amarelas do Homer Simpson para todo mundo. Depois da sessão desapego com meus shampoos, a funcionária da companhia me alertou: se você tiver rímel na bagagem de mão, coloca num plástico para passar no raio x. Ela insistia nisso, falou várias vezes sobre o rímel. Mas por que mesmo? Será que existe uma bomba a la 007 cujo detonador é a escovinha do rímel? Será que esta bomba tem poderes de destruição altíssimos e lança estilhaços de cerdas de nylon fulminantes direto na jugular dos passageiros? Depois que o avião decola a Pati-bomba vai sorrateira retocar a make leve no banheirinho claustrofóbico e joga tudo mais pelos ares ainda num simples girar de tampa do rímel Dior (o melhor, diga-se de passagem).
Por outro lado, ninguém me tira da cabeça que o frango ao molho de gorgonzola que serviram no vôo Lisboa-São Paulo era uma arma química das mais destrutivas. Não encarei.
PS: Voltei.
Mães com crianças também passam perrengue. E não é porque o pirralho fica 5 horas berrando e chutando a poltrona da frente, que para isso elas nem ligam. É pelo conteúdo das mamadeiras. Leite Ninho, Toddynho, hummm, suspeito.
Eu fui obrigada a tirar as botas e pagar o mico de mostrar minhas meias amarelas do Homer Simpson para todo mundo. Depois da sessão desapego com meus shampoos, a funcionária da companhia me alertou: se você tiver rímel na bagagem de mão, coloca num plástico para passar no raio x. Ela insistia nisso, falou várias vezes sobre o rímel. Mas por que mesmo? Será que existe uma bomba a la 007 cujo detonador é a escovinha do rímel? Será que esta bomba tem poderes de destruição altíssimos e lança estilhaços de cerdas de nylon fulminantes direto na jugular dos passageiros? Depois que o avião decola a Pati-bomba vai sorrateira retocar a make leve no banheirinho claustrofóbico e joga tudo mais pelos ares ainda num simples girar de tampa do rímel Dior (o melhor, diga-se de passagem).
Por outro lado, ninguém me tira da cabeça que o frango ao molho de gorgonzola que serviram no vôo Lisboa-São Paulo era uma arma química das mais destrutivas. Não encarei.
PS: Voltei.
17 de abr. de 2008
Com dente, por gentileza.
Da mesma maneira simplista que todo mundo pensa num francês e imagina alguém sem banho, num(a) português(a) de bigode, num irlandês bebum e num holandês maconheiro, eu já tenho minha conclusão sobre os ingleses.
Inglês é sem dente.
Uma coisa lamentável, mas a maioria do povo daqui não tem aquele hábito que a sua mãe tanto insistiu e te ensinou sobre escovar os dentinhos em movimentos circulares antes de dormir e depois de todas as refeições. A galera definitivamente pula esta parte e não faz nada disso. Se acontecer o óbvio e os dentes apodrecerem e caírem por falta de cuidado, tudo bem. Eles continuam sorrindo com suas bocas bem abertas e não se importam nem um pouco que todo mundo veja que tem uma turma faltando. E eu não estou falando de velhos senhores sem pivô nem de pessoas miseráveis. Mas de adolescentes, adultos, velhos e crianças. Ok, criança pode.
Não sei você mas eu sou quase obcecada por dentes. Pelos meus e pelos dos outros. É uma coisa que me chama muita atenção. Limpinhos, asseados, enfileiradinhos, nem precisam ser totalmente retos, nem tão brancos como os dos atores da Rede Globo (já falei sobre isso aqui). Por mim também estão dispensadas as pedrinhas e lascas de ouro que tem gente que gosta de colocar.
Pode faltar cabelo, gominhos no abdômem, roupas bacanas, dinheiro, assunto (não, assunto não pode), experiência, traquejo, boas maneiras, tudo. Mas dente é que nem auto-estima: não pode faltar nunca.
Tudo isso para justificar que não, eu não arranjei nenhum namorado inglês em Londres. Sou mais dos italianos, aqueles cafajestes.
Inglês é sem dente.
Uma coisa lamentável, mas a maioria do povo daqui não tem aquele hábito que a sua mãe tanto insistiu e te ensinou sobre escovar os dentinhos em movimentos circulares antes de dormir e depois de todas as refeições. A galera definitivamente pula esta parte e não faz nada disso. Se acontecer o óbvio e os dentes apodrecerem e caírem por falta de cuidado, tudo bem. Eles continuam sorrindo com suas bocas bem abertas e não se importam nem um pouco que todo mundo veja que tem uma turma faltando. E eu não estou falando de velhos senhores sem pivô nem de pessoas miseráveis. Mas de adolescentes, adultos, velhos e crianças. Ok, criança pode.
Não sei você mas eu sou quase obcecada por dentes. Pelos meus e pelos dos outros. É uma coisa que me chama muita atenção. Limpinhos, asseados, enfileiradinhos, nem precisam ser totalmente retos, nem tão brancos como os dos atores da Rede Globo (já falei sobre isso aqui). Por mim também estão dispensadas as pedrinhas e lascas de ouro que tem gente que gosta de colocar.
Pode faltar cabelo, gominhos no abdômem, roupas bacanas, dinheiro, assunto (não, assunto não pode), experiência, traquejo, boas maneiras, tudo. Mas dente é que nem auto-estima: não pode faltar nunca.
Tudo isso para justificar que não, eu não arranjei nenhum namorado inglês em Londres. Sou mais dos italianos, aqueles cafajestes.
26 de mar. de 2008
Teorias de Araque
Quando decidi o título deste post resolvi fazer uma pesquisa rápida sobre a origem da expressão De Araque. Adoro descobrir estas coisas. Só encontrei uma resposta que deve ser verdadeira porque faz muito sentido. Araq é o nome de uma bebida árabe, destilada e derivada da seiva de palmeira ou de arroz, aromatizada e com altíssimo teor alcoólico. Por isso a conversa vira de araq ou de araque (aportuguesando) quando se bebe muito e já não se sabe o que se diz.
Toda mulher tem uma (ou mais) amiga filósofa de araque, que tem milhares de teorias sobre a vida. Teorias totalmente vazias e que parecem pinçadas de um folhetim ou de algum diálogo das novelas da Janete Clair (gênia) dos anos 70. Que fizeram sentido para as donas de casa daquela época e continuam sendo repetidas até hoje.
Por exemplo: alguém está na maior deprê porque terminou com o namorado. A amiga filósofa de araque entra em cena e tasca um: Não fica assim porque se terminou é porque não era para ser. Tem coisa mais conformista neste mundo? Éla é do bem, claro que quer dar uma força, mas acaba dizendo o mesmo que esquece, não adianta lutar pelo bofe, caso perdido, joga já essa toalha. E já emenda na próxima frase-chavão que sempre vem coladinha com esta primeira: As coisas acontecem quando têm que acontecer. Como elas adoram esta. Ou seja: pode esperar sentada porque o que é seu está guardado. Você não precisa mover uma palha para conquistar o seu amor. Ele vai chegar na hora certa. Tipo vinte para as três.
Outra que me dá coceira mas eu vivo escutando é: quando a gente está procurando um amor, aí é que ele não aparece. Gente, baseado no que mesmo? Claro que é uma delicia ser absolutamente arrebatada por um amor que você nunca imaginou que poderia surgir, mas qual é o problema de querer alguém? De sair de casa a fim de beijar na boca, de preferência um cara que seja bem bacana e que possa vir a ser um namoradinho. Por que não? Porque a filósofa leu em algum livro (olha isso) que os homens sentem uma vibração quando a mulher está querendo namorar. E isso faz com que eles se afastem.
Gata: os homens não percebem quando as mulheres fingem orgasmos. Vão perceber vibração subliminar? Ora, faça-me o favor.
E a bronca não é para a amiga filósofa, não. É para quem dá ouvidos para estas tolices e deixa de procurar, de tentar, de se expôr e de eventualmente quebrar a cara porque acredita em destino, em timing perfeito e em horóscopo de jornal. A vida é muito mais simples do que isso. E me dá mais uma dose desse araq que agora eu empolguei. Dupla, por gentileza.
Toda mulher tem uma (ou mais) amiga filósofa de araque, que tem milhares de teorias sobre a vida. Teorias totalmente vazias e que parecem pinçadas de um folhetim ou de algum diálogo das novelas da Janete Clair (gênia) dos anos 70. Que fizeram sentido para as donas de casa daquela época e continuam sendo repetidas até hoje.
Por exemplo: alguém está na maior deprê porque terminou com o namorado. A amiga filósofa de araque entra em cena e tasca um: Não fica assim porque se terminou é porque não era para ser. Tem coisa mais conformista neste mundo? Éla é do bem, claro que quer dar uma força, mas acaba dizendo o mesmo que esquece, não adianta lutar pelo bofe, caso perdido, joga já essa toalha. E já emenda na próxima frase-chavão que sempre vem coladinha com esta primeira: As coisas acontecem quando têm que acontecer. Como elas adoram esta. Ou seja: pode esperar sentada porque o que é seu está guardado. Você não precisa mover uma palha para conquistar o seu amor. Ele vai chegar na hora certa. Tipo vinte para as três.
Outra que me dá coceira mas eu vivo escutando é: quando a gente está procurando um amor, aí é que ele não aparece. Gente, baseado no que mesmo? Claro que é uma delicia ser absolutamente arrebatada por um amor que você nunca imaginou que poderia surgir, mas qual é o problema de querer alguém? De sair de casa a fim de beijar na boca, de preferência um cara que seja bem bacana e que possa vir a ser um namoradinho. Por que não? Porque a filósofa leu em algum livro (olha isso) que os homens sentem uma vibração quando a mulher está querendo namorar. E isso faz com que eles se afastem.
Gata: os homens não percebem quando as mulheres fingem orgasmos. Vão perceber vibração subliminar? Ora, faça-me o favor.
E a bronca não é para a amiga filósofa, não. É para quem dá ouvidos para estas tolices e deixa de procurar, de tentar, de se expôr e de eventualmente quebrar a cara porque acredita em destino, em timing perfeito e em horóscopo de jornal. A vida é muito mais simples do que isso. E me dá mais uma dose desse araq que agora eu empolguei. Dupla, por gentileza.
22 de mar. de 2008
Tube Poker
Toda vez que eu entro no metrô de Londres, posso ser uma carta no baralho de um jogador de Tube Poker.
Não entendeu nada? Eu descobri isso ontem assistindo um programa na Current TV. Achei simplesmente o máximo.
É uma mania que está tomando conta do metrô daqui e de várias partes do mundo. Basta o trem ter aqueles assentos de 5 lugares, uns de frente para os outros e as apostas podem começar.
Veja as regras do jogo: você e um amigo desocupado, ou melhor, um adversário, entram numa estação de metrô, escolhem um vagão e decidem quantas estações vai durar o jogo. Começa na próxima estação e termina daqui a 7. É um jogo de pôquer normal com uma diferença: as cartas são as pessoas que entram e ocupam estes acentos de 5. Se for homem é valete, se for mulher é dama. Homens e mulheres mais velhos são reis. Ganha quem tiver a melhor combinação de cartas/pessoas ao final das 7 estações. Se tiver 3 homens e 2 mulheres (ou vice-versa) você tem um full. E tem que torcer para ninguém levantar o traseiro do seu jogo até a estação final. O que é praticamente impossível e torna o jogo mais emocionante e imprevisível. Tem que torcer também para nenhum tipo parecido com um mendigo entrar no seu vagão e sentar num dos seus acentos porque isso seria o fim. Você sabe, basta um desses chegar para todo mundo mudar de lugar ou simplesmente não querer sentar ao lado do esquisitão. Neste jogo de pôquer só não dá para blefar. Porque, óbvio, se você não tiver jogo, seu adversário vai ver seus acentos completamente vazios.
Jogar eu acho que não vou. Mas nunca mais vou pegar um metrô sem ficar prestando atenção se tem alguém jogando. Sou até capaz de descer umas estações depois para dar uma força para um dos jogadores. O que me torna, automaticamente, uma espécie de carta na manga para um deles. A primeira nesta modalidade.
Se você ainda não entendeu nada mas ficou curioso, dá uma olhada no link http://current.com/items/76327442_tube_poker
Não entendeu nada? Eu descobri isso ontem assistindo um programa na Current TV. Achei simplesmente o máximo.
É uma mania que está tomando conta do metrô daqui e de várias partes do mundo. Basta o trem ter aqueles assentos de 5 lugares, uns de frente para os outros e as apostas podem começar.
Veja as regras do jogo: você e um amigo desocupado, ou melhor, um adversário, entram numa estação de metrô, escolhem um vagão e decidem quantas estações vai durar o jogo. Começa na próxima estação e termina daqui a 7. É um jogo de pôquer normal com uma diferença: as cartas são as pessoas que entram e ocupam estes acentos de 5. Se for homem é valete, se for mulher é dama. Homens e mulheres mais velhos são reis. Ganha quem tiver a melhor combinação de cartas/pessoas ao final das 7 estações. Se tiver 3 homens e 2 mulheres (ou vice-versa) você tem um full. E tem que torcer para ninguém levantar o traseiro do seu jogo até a estação final. O que é praticamente impossível e torna o jogo mais emocionante e imprevisível. Tem que torcer também para nenhum tipo parecido com um mendigo entrar no seu vagão e sentar num dos seus acentos porque isso seria o fim. Você sabe, basta um desses chegar para todo mundo mudar de lugar ou simplesmente não querer sentar ao lado do esquisitão. Neste jogo de pôquer só não dá para blefar. Porque, óbvio, se você não tiver jogo, seu adversário vai ver seus acentos completamente vazios.
Jogar eu acho que não vou. Mas nunca mais vou pegar um metrô sem ficar prestando atenção se tem alguém jogando. Sou até capaz de descer umas estações depois para dar uma força para um dos jogadores. O que me torna, automaticamente, uma espécie de carta na manga para um deles. A primeira nesta modalidade.
Se você ainda não entendeu nada mas ficou curioso, dá uma olhada no link http://current.com/items/76327442_tube_poker
18 de mar. de 2008
Amizade a fórceps
Desde que cheguei aqui já fiz um catálogo de diferentes tipos de pessoas. Adoro.
Encontrei uma amiga brasileira que tá morando aqui há mais tempo e, para minha surpresa, também já tem suas teorias sobre a vida alheia. Por exemplo? Todo o ruivo tem orelhas de abano e toda koreana tem as batatas da perna tortas. Depois que ela me disse isso, comecei a conferir e é impressionante. Vejo uma panturrilha estranha andando por aí e já sei que a dona é koreana. Sempre.
Mas hoje vou falar de um tipinho muito comum por aqui, especialmente neste universo escola de inglês - casa de estudantes. É o Amigo Garçon do Fridays.
Esta pessoa não necessariamente precisa ser garçon, mas tem aquele comportamento que quem já foi ao Fridays vai reconhecer facilmente: você mal chega e ele(a) já se ajoelha do seu lado, super sorridente, perguntando várias coisas da sua vida e agindo como se fosse seu chegado há anos. Amigo Garçon do Fridays é aquele que, literalmente, força a amizade porque está sozinho num país estranho e quer companhia para sair, almoçar, jantar, badalar e, se tudo der certo, mochilar por aí. Ele não tem tempo a perder. Precisa fazer amigos logo porque só tem visto de 6 meses, então mãos à obra. Sorri pra mim, porra.
Eu tenho vários Amigos Garçons do Fridays aqui. Absolutamente instantâneos e até um pouco assustadores, de tão invasivos. Um deles arranjou meu celular não sei como e me chamou pra sair no fim de semana. Legal, mas quem está falando mesmo?
Mas ele deu sorte porque eu sou uma pessoa que acredita que amizades instantâneas podem sim acontecer. E que ser amigo é um exercício de humildade. O negócio é inventar uma desculpa simpática para o seu pseudo-amigão-do-peito e, quem sabe numa próxima, levá-lo para tomar um café. Tudo para não magoar um coração tão carente e ansioso. Ô dó.
Encontrei uma amiga brasileira que tá morando aqui há mais tempo e, para minha surpresa, também já tem suas teorias sobre a vida alheia. Por exemplo? Todo o ruivo tem orelhas de abano e toda koreana tem as batatas da perna tortas. Depois que ela me disse isso, comecei a conferir e é impressionante. Vejo uma panturrilha estranha andando por aí e já sei que a dona é koreana. Sempre.
Mas hoje vou falar de um tipinho muito comum por aqui, especialmente neste universo escola de inglês - casa de estudantes. É o Amigo Garçon do Fridays.
Esta pessoa não necessariamente precisa ser garçon, mas tem aquele comportamento que quem já foi ao Fridays vai reconhecer facilmente: você mal chega e ele(a) já se ajoelha do seu lado, super sorridente, perguntando várias coisas da sua vida e agindo como se fosse seu chegado há anos. Amigo Garçon do Fridays é aquele que, literalmente, força a amizade porque está sozinho num país estranho e quer companhia para sair, almoçar, jantar, badalar e, se tudo der certo, mochilar por aí. Ele não tem tempo a perder. Precisa fazer amigos logo porque só tem visto de 6 meses, então mãos à obra. Sorri pra mim, porra.
Eu tenho vários Amigos Garçons do Fridays aqui. Absolutamente instantâneos e até um pouco assustadores, de tão invasivos. Um deles arranjou meu celular não sei como e me chamou pra sair no fim de semana. Legal, mas quem está falando mesmo?
Mas ele deu sorte porque eu sou uma pessoa que acredita que amizades instantâneas podem sim acontecer. E que ser amigo é um exercício de humildade. O negócio é inventar uma desculpa simpática para o seu pseudo-amigão-do-peito e, quem sabe numa próxima, levá-lo para tomar um café. Tudo para não magoar um coração tão carente e ansioso. Ô dó.
8 de mar. de 2008
A regra é clara
Quando a gente era criança, existia uma espécie de legislação e ética para decidir coisas que era absolutamente simples e primitiva.
Quem vai viajar no banco da frente do carro (naquela época podia)? Eu. Por que? Porque pedi primeiro, oras. E assunto encerrado. Da próxima vez seja mais esperto e pede primeiro você. Jerry Seinfeld (ídolo) fala sobre isso no começo de algum episódio. E, como sempre, é uma ótima observação.
Acontece que a minha geração está vivendo uma Síndrome de Peter Pan coletiva. Ninguém mais fica velho. Ou pelo menos não se sente ou não aparenta. Pessoas muito jovens convivem em perfeita harmonia com as bem mais velhas, dividem a mesma balada e os mesmos gostos musicais. Gente mais do que adulta tem atitudes infantis o tempo todo. E, de repente, parece que esta mesma ética e legislação infantil está mais em vigor do que nunca.
Acho isso muito estranho, mas vai dizer que nunca aconteceu com você. Grupo de amigas na balada, umas mais rápidas na paquera do que as outras. De repente uma dita a regra: o cara com barba por fazer no balcão é meu. Mas por que mesmo? Por que eu vi primeiro. Tira o pé da minha janta. E as amigas, se tiverem alguma consideração pela autora da lei, concordam e acatam imediatamente. Não se fala mais no assunto.
Esta outra aconteceu ontem. Eu e umas amigas chegamos num bar super legal e uma delas falou: Nossa, pegava vários caras que estão aqui. Imediatamente eu disse: Vai, brilha. E ela: Ah, mas não sei se eles me pegariam também. Eu: Pega primeiro, ué? E depois ainda dá uma dançadinha gritando: Peguei primeiro! Peguei Primeiro! Peguei primeiro! Na nossa época pode.
Quem vai viajar no banco da frente do carro (naquela época podia)? Eu. Por que? Porque pedi primeiro, oras. E assunto encerrado. Da próxima vez seja mais esperto e pede primeiro você. Jerry Seinfeld (ídolo) fala sobre isso no começo de algum episódio. E, como sempre, é uma ótima observação.
Acontece que a minha geração está vivendo uma Síndrome de Peter Pan coletiva. Ninguém mais fica velho. Ou pelo menos não se sente ou não aparenta. Pessoas muito jovens convivem em perfeita harmonia com as bem mais velhas, dividem a mesma balada e os mesmos gostos musicais. Gente mais do que adulta tem atitudes infantis o tempo todo. E, de repente, parece que esta mesma ética e legislação infantil está mais em vigor do que nunca.
Acho isso muito estranho, mas vai dizer que nunca aconteceu com você. Grupo de amigas na balada, umas mais rápidas na paquera do que as outras. De repente uma dita a regra: o cara com barba por fazer no balcão é meu. Mas por que mesmo? Por que eu vi primeiro. Tira o pé da minha janta. E as amigas, se tiverem alguma consideração pela autora da lei, concordam e acatam imediatamente. Não se fala mais no assunto.
Esta outra aconteceu ontem. Eu e umas amigas chegamos num bar super legal e uma delas falou: Nossa, pegava vários caras que estão aqui. Imediatamente eu disse: Vai, brilha. E ela: Ah, mas não sei se eles me pegariam também. Eu: Pega primeiro, ué? E depois ainda dá uma dançadinha gritando: Peguei primeiro! Peguei Primeiro! Peguei primeiro! Na nossa época pode.
4 de mar. de 2008
Mulheres JBB
Todo mundo tem um tio ou vizinho meio grisalho e sem barba. Ele não é calvo e geralmente usa óculos. Tem uma papadinha de leve e uma pele que já não tem mais aquele frescor da juventude, mas não é veeeelho. Visualizou o seu tio?
Existe uma espécie de mulher aqui na Inglaterra que é exatamente igual a ele. É uma categoria que eu observei e denominei Mulheres Joelmir Beting de Brinco (JBB).
Não. As preferências sexuais destas senhoras não têm nada a ver com isso. Posso apostar que elas não são lésbicas. Para falar a verdade, acho que nem vida sexual elas têm, quem dirá preferências. Mulheres Joelmir Beting de Brinco não parecem homens intencionalmente, mas porque não têm tempo para elas mesmas. Apenas para a família.
Elas têm cabelos grisalhos assumidos, com cortes masculinos e práticos, e você só percebe que elas são mulheres (como a própria definição já diz) pelos brincos delicados ou pela armação dos óculos, que normalmente são grandes e têm algum detalhe em strass ou uma correntinha. Elas usam saias abaixo do joelho e sapatos básicos, tailleurs que não valorizam cinturas, coisa que provavelmente elas também não têm.
Mulheres JBB não têm a menor vaidade e, ao mesmo tempo, nenhuma espécie de malemolência para virar letra de samba, como a nossa equivalente Amélia. E se você está imaginando alguma coisa parecida com o Dustin Hoffmann no filme Tootsie, esquece. Eu não usei o nome Joelmir Beting à toa. Estamos falando do seu tio. Mesmo.
Para conseguir visualizar uma JBB e para este post fazer algum sentido, recomendo um livro interessantíssimo que você pode encontrar na Livraria Pop, em São Paulo. Ele se chama Casa Suzzana e está recheado de fotos de homens americanos vestidos de mulheres, se não me engano, nos idos dos anos 50. Os verdadeiros precursores dos transformistas. Um luxo.
Além do Joelmir, é o máximo que eu consigo para ilustrar como são estas senhoras. Adoro as JBB.
PS: Falar da Livraria Pop é o primeiro merchandising do Bacanérrimo. Quem conhece sabe que é o máximo, quem não conhece e mora fora de Sampa pode visitar o site: www.livrariapop.com.br e ficar com vontade.
Existe uma espécie de mulher aqui na Inglaterra que é exatamente igual a ele. É uma categoria que eu observei e denominei Mulheres Joelmir Beting de Brinco (JBB).
Não. As preferências sexuais destas senhoras não têm nada a ver com isso. Posso apostar que elas não são lésbicas. Para falar a verdade, acho que nem vida sexual elas têm, quem dirá preferências. Mulheres Joelmir Beting de Brinco não parecem homens intencionalmente, mas porque não têm tempo para elas mesmas. Apenas para a família.
Elas têm cabelos grisalhos assumidos, com cortes masculinos e práticos, e você só percebe que elas são mulheres (como a própria definição já diz) pelos brincos delicados ou pela armação dos óculos, que normalmente são grandes e têm algum detalhe em strass ou uma correntinha. Elas usam saias abaixo do joelho e sapatos básicos, tailleurs que não valorizam cinturas, coisa que provavelmente elas também não têm.
Mulheres JBB não têm a menor vaidade e, ao mesmo tempo, nenhuma espécie de malemolência para virar letra de samba, como a nossa equivalente Amélia. E se você está imaginando alguma coisa parecida com o Dustin Hoffmann no filme Tootsie, esquece. Eu não usei o nome Joelmir Beting à toa. Estamos falando do seu tio. Mesmo.
Para conseguir visualizar uma JBB e para este post fazer algum sentido, recomendo um livro interessantíssimo que você pode encontrar na Livraria Pop, em São Paulo. Ele se chama Casa Suzzana e está recheado de fotos de homens americanos vestidos de mulheres, se não me engano, nos idos dos anos 50. Os verdadeiros precursores dos transformistas. Um luxo.
Além do Joelmir, é o máximo que eu consigo para ilustrar como são estas senhoras. Adoro as JBB.
PS: Falar da Livraria Pop é o primeiro merchandising do Bacanérrimo. Quem conhece sabe que é o máximo, quem não conhece e mora fora de Sampa pode visitar o site: www.livrariapop.com.br e ficar com vontade.
27 de fev. de 2008
Não falei que ia quebrar tudo?
“Diversas regiões da Inglaterra e do País de Gales, incluindo parte de Londres, foram sacudidas na madrugada desta quarta-feira por um terremoto de 5,2 graus na escala Richter, o mais forte no país em quase um quarto de século. Segundo o British Geological Survey (BGS), órgão britânico que monitora os sismos geológicos, o epicentro do tremor, à 0h56 (21h56 de terça-feira em Brasília), foi na cidade de Market Rasen, no condado de Lincolnshire, a cerca de 250 quilômetros ao norte de Londres.
Não houve registros de grandes danos ou de ferimentos graves. ‘Podemos ter esse tipo de tremor moderado, mas eles são relativamente raros’. O tremor foi o mais forte no país desde 1984, quando um abalo de 5,4 graus foi registrado no norte do País de Gales.”
Fonte: BBC Brasil
Não houve registros de grandes danos ou de ferimentos graves. ‘Podemos ter esse tipo de tremor moderado, mas eles são relativamente raros’. O tremor foi o mais forte no país desde 1984, quando um abalo de 5,4 graus foi registrado no norte do País de Gales.”
Fonte: BBC Brasil
26 de fev. de 2008
Cala a boca e me beija
De longe, esta é a frase mais falada entre os meu colegas de aula e entre os caras que moram na minha casa aqui em Londres. Em português mesmo, mas com sotaque italiano, koreano, francês, árabe. Já fiz vários filminhos disso e hoje tive que escrever num papel para uma menina da minha sala, assinalando a entonação das sílabas nas palavras.
Cala a boca e me beija é a coqueluche do momento.
Logo depois vem Bom para caralho e Tu é a maior gosxtosa, que ensinei com chiado carioqueisx.
Que espécie de pessoa vai querer saber como se diz no Brasil coisas como Bom dia, Boa tarde ou Meu nome é Fulano? Amigo meu é que não é.
Cala a boca e me beija é a coqueluche do momento.
Logo depois vem Bom para caralho e Tu é a maior gosxtosa, que ensinei com chiado carioqueisx.
Que espécie de pessoa vai querer saber como se diz no Brasil coisas como Bom dia, Boa tarde ou Meu nome é Fulano? Amigo meu é que não é.
20 de fev. de 2008
Correspondente de Londres
Um monte de gente pediu para que eu aproveitasse minha estadia de 3 meses em Londres para ficar contando o que rola por aqui. Entao, entre um texto e outro com cara de diario, tasco coisas de mulherzinha para nao perder a pratica nem os leitores. Espero que seja util para alguem e espero ser perdoada pela falta de acentos e de cedilhas em alguns deles.
Existe apenas uma verdade absoluta no mundo: quem nao leva um livro para o aeroporto numa longa viagem e uma pessoa chata. E aquela pessoa que vai puxar papo o tempo todo e interromper a sua leitura (porque voce trouxe livro). Adivinha se o cara que sentou no meu lado no aviao trouxe. Assim que eu senti o perfume bizarro da criatura, tratei logo de ligar o ipod e abrir meu Bukowski. Mas nao tem jeito. Quem nao leva livro arranja uma brecha quando voce vira a pagina e tasca logo uma pergunta imbecil. Dai em diante, salvo raras excecoes, e um inferno. Desta vez foi alem da conta. O cara tinha sotaque mineiro (o unico no mundo que eu nao curto), era fa do Paulo Coelho e me contou todo o Alquimista. E para acabar de vez com minha paciencia, ficou horas falando o quanto achava o Humberto Gessinger do Engenheiros do Hawaii genial. Vixe.
Desde que cheguei os chatos desapareceram. Conheci um monte de gente legal e cheguei a conclusao que me dou bem mesmo com as minorias. Meus melhores novos amigos sao arabes, indianos, coreanos. Divido o quarto com uma "teenager chinesa" (fala isso 5 vezes bem rapido que eu quero ver). Na opiniao deles, meu ingles e muito bom. Acho que e por isso que simpatizei tanto.
A chegada foi facil. Com visto no passaporte, cheguei a achar a moca da imigracao super simpatica. Mas claro, um povo que se curva a cada passada da Rainha tem as suas formalidades. E cabe a nos, estrangeiros fora da comunidade europeia, tratar de cumprir todas elas. Ontem passei 3 horas da minha tarde num posto da policia para registrar meu passaporte. Voce entra, tira uma foto, pega uma senha e fica sentado numa sala onde tambem aguardam sua vez todo o casting de La Bamba e de Lilo e Stich. O sol se poe muito cedo e, ate ontem, eu achava o frio suportavel. Repito: ate ontem.
Sobre compras: esqueca a Diesel, a Harrods, a Adidas e a Apple. A loja mais genial que eu vi ate agora e uma, na esquina de casa, com cervejas do mundo todo. Fiquei brother do dono a quem eu me refiro carinhosamente como Osama Simpatico, e comprei 8 latonas de Foster por 5 libras. Com esta, ate quem converte se diverte.
Bom, agora tenho que ir. Vou ao Madame Tussauds tirar uma foto com o Fidel. Sera que mais alguem teve esta ideia? Depois eu conto.
Existe apenas uma verdade absoluta no mundo: quem nao leva um livro para o aeroporto numa longa viagem e uma pessoa chata. E aquela pessoa que vai puxar papo o tempo todo e interromper a sua leitura (porque voce trouxe livro). Adivinha se o cara que sentou no meu lado no aviao trouxe. Assim que eu senti o perfume bizarro da criatura, tratei logo de ligar o ipod e abrir meu Bukowski. Mas nao tem jeito. Quem nao leva livro arranja uma brecha quando voce vira a pagina e tasca logo uma pergunta imbecil. Dai em diante, salvo raras excecoes, e um inferno. Desta vez foi alem da conta. O cara tinha sotaque mineiro (o unico no mundo que eu nao curto), era fa do Paulo Coelho e me contou todo o Alquimista. E para acabar de vez com minha paciencia, ficou horas falando o quanto achava o Humberto Gessinger do Engenheiros do Hawaii genial. Vixe.
Desde que cheguei os chatos desapareceram. Conheci um monte de gente legal e cheguei a conclusao que me dou bem mesmo com as minorias. Meus melhores novos amigos sao arabes, indianos, coreanos. Divido o quarto com uma "teenager chinesa" (fala isso 5 vezes bem rapido que eu quero ver). Na opiniao deles, meu ingles e muito bom. Acho que e por isso que simpatizei tanto.
A chegada foi facil. Com visto no passaporte, cheguei a achar a moca da imigracao super simpatica. Mas claro, um povo que se curva a cada passada da Rainha tem as suas formalidades. E cabe a nos, estrangeiros fora da comunidade europeia, tratar de cumprir todas elas. Ontem passei 3 horas da minha tarde num posto da policia para registrar meu passaporte. Voce entra, tira uma foto, pega uma senha e fica sentado numa sala onde tambem aguardam sua vez todo o casting de La Bamba e de Lilo e Stich. O sol se poe muito cedo e, ate ontem, eu achava o frio suportavel. Repito: ate ontem.
Sobre compras: esqueca a Diesel, a Harrods, a Adidas e a Apple. A loja mais genial que eu vi ate agora e uma, na esquina de casa, com cervejas do mundo todo. Fiquei brother do dono a quem eu me refiro carinhosamente como Osama Simpatico, e comprei 8 latonas de Foster por 5 libras. Com esta, ate quem converte se diverte.
Bom, agora tenho que ir. Vou ao Madame Tussauds tirar uma foto com o Fidel. Sera que mais alguem teve esta ideia? Depois eu conto.
10 de fev. de 2008
Motivo é o que não falta
Pensei que fosse só eu. Mas conversando com minhas amigas descobri que a maioria já terminou o namoro ou simplesmente pegou bode de seu respectivo por causa de coisas tolas. Eu sou rainha de fazer isso. E quando acontece, é irreversível. Só dá para entender exemplificando e torcendo para nenhum ex-bofe ser leitor do blog. Seja o que deus quiser.
Era um namoro em ascenção. Até o dia em que ele veio me contar que comprou um tecido bem resistente e ia costurar uma bolsa. Imediatamente uma nuvenzinha de pensamento, daquelas dos gibis da Mônica, se formou ao lado da minha cabeça e, lá dentro, eu via a imagem do dito-cujo costurando. Não me pergunte o por quê, mas acabou o encanto e o namoro.
Outro: ele era demais, sensível, me adorava, idolatrava, salve, salve. Mas fazia barulho para tomar café. Sabe aquele barulhinho durante o gole? Tipo velhinha bebendo sopa? Este. Eu não consegui superar.
O outro tinha o cabelo black power. Eu achava o máximo, super estiloso. Um dia liguei para falar qualquer coisa e ele disse que estava trançando o cabelo. A nuvenzinha apareceu e eu imaginei o cabelo metade trançado, metade black power. Uma coisa meio-Bozo. Eu sei que é uma bobagem, mas aquela nuvem me acompanhou durante dias e eu nunca mais atendi o telefone quando ele ligava.
Minha amiga agora, para tirar o peso das minhas costas. Ficou com o cara, adorou, ele ligou no dia seguinte. E ela odiou a voz dele no telefone. Já era.
Agora olha isso: outra amiga, no Reveillon. Se encantou à primeira vista por um cara, conversaram, se conheceram, ficaram. Fogos de artifício para lá, champagne para cá e ela foi para o apartamento dele. Chegando lá viu umas folhas de couve pelo chão da sala (!!!) e logo descobriu que ele tinha um coelho de estimação (!!!!!!) solto no apartamento (!!!!!!!). Ponto final.
Outra, para o gran finale: minha amiga estava saindo com o cara há um tempão. Ele era todo romântico, preparou um jantarzinho na casa dele e ela acabou dormindo lá. No dia seguinte acordou felizinha, foi até o toalete e viu, embaixo da pia, um chinelo Rider azul com bolinhas massageadoras na palmilha. Desculpe, mas não existe amor que resista a isso.
Era um namoro em ascenção. Até o dia em que ele veio me contar que comprou um tecido bem resistente e ia costurar uma bolsa. Imediatamente uma nuvenzinha de pensamento, daquelas dos gibis da Mônica, se formou ao lado da minha cabeça e, lá dentro, eu via a imagem do dito-cujo costurando. Não me pergunte o por quê, mas acabou o encanto e o namoro.
Outro: ele era demais, sensível, me adorava, idolatrava, salve, salve. Mas fazia barulho para tomar café. Sabe aquele barulhinho durante o gole? Tipo velhinha bebendo sopa? Este. Eu não consegui superar.
O outro tinha o cabelo black power. Eu achava o máximo, super estiloso. Um dia liguei para falar qualquer coisa e ele disse que estava trançando o cabelo. A nuvenzinha apareceu e eu imaginei o cabelo metade trançado, metade black power. Uma coisa meio-Bozo. Eu sei que é uma bobagem, mas aquela nuvem me acompanhou durante dias e eu nunca mais atendi o telefone quando ele ligava.
Minha amiga agora, para tirar o peso das minhas costas. Ficou com o cara, adorou, ele ligou no dia seguinte. E ela odiou a voz dele no telefone. Já era.
Agora olha isso: outra amiga, no Reveillon. Se encantou à primeira vista por um cara, conversaram, se conheceram, ficaram. Fogos de artifício para lá, champagne para cá e ela foi para o apartamento dele. Chegando lá viu umas folhas de couve pelo chão da sala (!!!) e logo descobriu que ele tinha um coelho de estimação (!!!!!!) solto no apartamento (!!!!!!!). Ponto final.
Outra, para o gran finale: minha amiga estava saindo com o cara há um tempão. Ele era todo romântico, preparou um jantarzinho na casa dele e ela acabou dormindo lá. No dia seguinte acordou felizinha, foi até o toalete e viu, embaixo da pia, um chinelo Rider azul com bolinhas massageadoras na palmilha. Desculpe, mas não existe amor que resista a isso.
6 de fev. de 2008
Canta para subir
Aconteceu outro dia. Por alguns segundos me senti uma atriz de Hollywood, depois entrei em crise.
Encontrei uma amiga acompanhada de uma menina. Quando me viram, minha amiga falou: esta é a Flavia do Bacanérrimo. A menina falou, como se eu fosse muito importante: “Jura? Que legal! Adoro seu blog. Mas reparei que está uma coisa dor-de-cotovelo de uns tempos para cá”.
Se ela estiver lendo agora, quero agradecer. Porque depois de ouvir isso cheguei em casa e fui ler o que eu andava escrevendo ultimamente. E estava tudo ali, estampado.
Nunca quis que este blog fosse um diário, mas um espaço para publicar o que eu penso. Afinal eu penso tanto.
Meu foco sempre foi o comportamento feminino e não o meu comportamento. Mas de uns tempos para cá, ando agindo que nem o Pelé, que fala dele mesmo em terceira pessoa. E são duas pessoas: o Edson e o Pelé. Ando usando o blog para falar coisas da Flavia e não das mulheres como um todo, esta categoria heterogênea, mas unida. Nunca falei tanto de amor, nem de desilusões, nem de coisas complicadas. De fato, tudo isso aconteceu na minha vida. Mas e daí? Ninguém aqui é obrigado e nem eu devo ficar remoendo e publicando meus encontros e desencontros. Por isso, agora que o carnaval passou e que o ano começou oficialmente, chega de lamentações. Vamos falar de coisas que importem para mais alguém além de mim.
É assim que eu gosto de escrever e me sinto mais feliz com o que escrevo. Sempre vai haver uma parte autobiográfica, mas a idéia aqui é generalizar. Do gênero feminino.
Encontrei uma amiga acompanhada de uma menina. Quando me viram, minha amiga falou: esta é a Flavia do Bacanérrimo. A menina falou, como se eu fosse muito importante: “Jura? Que legal! Adoro seu blog. Mas reparei que está uma coisa dor-de-cotovelo de uns tempos para cá”.
Se ela estiver lendo agora, quero agradecer. Porque depois de ouvir isso cheguei em casa e fui ler o que eu andava escrevendo ultimamente. E estava tudo ali, estampado.
Nunca quis que este blog fosse um diário, mas um espaço para publicar o que eu penso. Afinal eu penso tanto.
Meu foco sempre foi o comportamento feminino e não o meu comportamento. Mas de uns tempos para cá, ando agindo que nem o Pelé, que fala dele mesmo em terceira pessoa. E são duas pessoas: o Edson e o Pelé. Ando usando o blog para falar coisas da Flavia e não das mulheres como um todo, esta categoria heterogênea, mas unida. Nunca falei tanto de amor, nem de desilusões, nem de coisas complicadas. De fato, tudo isso aconteceu na minha vida. Mas e daí? Ninguém aqui é obrigado e nem eu devo ficar remoendo e publicando meus encontros e desencontros. Por isso, agora que o carnaval passou e que o ano começou oficialmente, chega de lamentações. Vamos falar de coisas que importem para mais alguém além de mim.
É assim que eu gosto de escrever e me sinto mais feliz com o que escrevo. Sempre vai haver uma parte autobiográfica, mas a idéia aqui é generalizar. Do gênero feminino.
28 de jan. de 2008
Amor demais
O mínimo que eu espero de um amor é ele seja tanto e tão forte que enquanto eu não estiver por perto, ele se sinta vazio, como se o mais importante da vida estivesse suspenso. Eu quero um amor que não tenha a menor dúvida de que eu sou a pessoa mais importante do mundo. Que perceba uma diferença gritante entre estar comigo e estar só. Que goste de ficar perto de mim e que faça questão de me tocar sempre que possível. Que adormeça aconchegado no meu colo e, de vez em quando, acorde e olhe bem fixamente para mim, só para se certificar de que toda aquela felicidade de estar ali é mesmo real e possível. Quero alguém que, às vezes me acorde, às vezes fique simplesmente velando meu sono e esperando o momento mágico que vai ser aquele em que eu acordar. Eu quero um amor que fique impaciente, andando de um lado para o outro, enquanto eu tomo um banho demorado ou troco de roupa. Simplesmente porque não vê a hora de sentir meu cheiro e de ter minha companhia de volta. Eu quero um amor que, ao pressentir que eu vou embora, comece a me cercar e me implorar para ficar mais. Que fique feliz em aprender comigo coisas importantes e bobagens.
Que quando eu apareça, ele tenha uma descarga tão forte de alegria a ponto dela ser notada em todas as partes do corpo. Tipo aquela expressão: amor saindo pelas orelhas. Eu quero um amor que viva por mim, para mim, que dedique as 24 horas do dia para me fazer feliz.
Quem tem cachorro fica com o nível de exigência de amor muito alto.
PS: Gato, eu vou mas eu volto. Viu?
Que quando eu apareça, ele tenha uma descarga tão forte de alegria a ponto dela ser notada em todas as partes do corpo. Tipo aquela expressão: amor saindo pelas orelhas. Eu quero um amor que viva por mim, para mim, que dedique as 24 horas do dia para me fazer feliz.
Quem tem cachorro fica com o nível de exigência de amor muito alto.
PS: Gato, eu vou mas eu volto. Viu?
22 de jan. de 2008
Pós-balada gay
Eu tinha jurado para mim mesma que nunca mais iria a um lugar em que os meninos não gostam das meninas.
Mas já devia ter ido antes conhecer uma top, top balada gay aqui em Sampa. Vários amigos já tinham me chamado e eu sempre declinava. Até a noite de sábado. Noite em que fui e fiquei bege.
Eita gente que sabe se divertir. O lugar é maravilhoso, “coisa de primeiro mundo”, palavras dos amigos. O som é ótimo e bomba tanto que fazia vibrar até o meu nariz (imagina os ouvidos). E eu me perguntava: com essa sensação de tremedeira nas narinas por que tanta droga? Sim, porque elas são proporcionais aos gominhos nos abdômens da galera. Muita droga.
Percorri todos os ambientes e, já que não tinha nada para mim mesmo, me acabei dançando e resolvi encarar como uma experiência antropológica das mais divertidas. Por isso esta narrativa meio didática, meio explicativa.
Constatei que há uma espécie de parede imaginária que demarca áreas na balada. A primeira é o que a gente poderia chamar carinhosamente de “Heteros-aqui-por-gentileza”. Gentileza desde que as mulheres paguem mais caro do que os homens para entrar, estejam de cabelo preso e sem bolsa, que racha batendo o cabelão e a bolsa nos bíceps da galera, ninguém merece. Nem preciso dizer que é o canto menos animado.
Mais adiante tem outra área, onde ficam os gays mais reservados. Veja bem: reservados para os padrões deles, que ali minhas tias já teriam caído todas desmaiadas. Finalmente tem o canto dos descamisados. Lugar em que dá para pegar a testosterona no ar, colocar em vidrinhos e vender como souvenir na saída. Uh, baby.
A grande maioria dos homens eram lindos, animados e pervertidos. Tudo o que a gente gostaria de ter num hetero, mas nem fala porque acha que já está pedindo demais.
Saí de lá com invejinha da branca e depressão confessa. Meus amigos não sabiam se me consolavam ou se riam da minha cara de quem passou a noite toda à espera de um milagre.
Mas, definitivamente, descobri porque essa coisa de ser muito sarado e ficar sem camisa é coisa de gay e não das lésbicas. Em hipótese nenhuma um monte de mulheres ficaria dançando sem camisa, encontraria uma amiga/pretendente e daria um mega abraço suado, intercalando os peitões uns no meio dos outros. Forget, Margareth. Esqueça, Vanessa.
Mas já devia ter ido antes conhecer uma top, top balada gay aqui em Sampa. Vários amigos já tinham me chamado e eu sempre declinava. Até a noite de sábado. Noite em que fui e fiquei bege.
Eita gente que sabe se divertir. O lugar é maravilhoso, “coisa de primeiro mundo”, palavras dos amigos. O som é ótimo e bomba tanto que fazia vibrar até o meu nariz (imagina os ouvidos). E eu me perguntava: com essa sensação de tremedeira nas narinas por que tanta droga? Sim, porque elas são proporcionais aos gominhos nos abdômens da galera. Muita droga.
Percorri todos os ambientes e, já que não tinha nada para mim mesmo, me acabei dançando e resolvi encarar como uma experiência antropológica das mais divertidas. Por isso esta narrativa meio didática, meio explicativa.
Constatei que há uma espécie de parede imaginária que demarca áreas na balada. A primeira é o que a gente poderia chamar carinhosamente de “Heteros-aqui-por-gentileza”. Gentileza desde que as mulheres paguem mais caro do que os homens para entrar, estejam de cabelo preso e sem bolsa, que racha batendo o cabelão e a bolsa nos bíceps da galera, ninguém merece. Nem preciso dizer que é o canto menos animado.
Mais adiante tem outra área, onde ficam os gays mais reservados. Veja bem: reservados para os padrões deles, que ali minhas tias já teriam caído todas desmaiadas. Finalmente tem o canto dos descamisados. Lugar em que dá para pegar a testosterona no ar, colocar em vidrinhos e vender como souvenir na saída. Uh, baby.
A grande maioria dos homens eram lindos, animados e pervertidos. Tudo o que a gente gostaria de ter num hetero, mas nem fala porque acha que já está pedindo demais.
Saí de lá com invejinha da branca e depressão confessa. Meus amigos não sabiam se me consolavam ou se riam da minha cara de quem passou a noite toda à espera de um milagre.
Mas, definitivamente, descobri porque essa coisa de ser muito sarado e ficar sem camisa é coisa de gay e não das lésbicas. Em hipótese nenhuma um monte de mulheres ficaria dançando sem camisa, encontraria uma amiga/pretendente e daria um mega abraço suado, intercalando os peitões uns no meio dos outros. Forget, Margareth. Esqueça, Vanessa.
Não perco a piada.
Mulher quarentona facinha na balada é que nem homem de peruca.
Só eles acham que ninguém nota que tem alguma coisa errada.
Frase machista, ácida, preconceituosa, mas boa, vai... Todo mundo para que eu falei, rolou de rir.
Só eles acham que ninguém nota que tem alguma coisa errada.
Frase machista, ácida, preconceituosa, mas boa, vai... Todo mundo para que eu falei, rolou de rir.
13 de jan. de 2008
Más companhias
Ele era simplesmente do caralho. Você adorava ficar com ele. Te fazia bem. Até que ele se revelou um tremendo escroto.
A distância entre o do caralho e o escroto é muito pequena. O tempo todo juntos. Um não faz nada sem o outro. E depois, os escrotos são maioria.
Acabaram influenciando o coitado, de cabeça fraca.
A distância entre o do caralho e o escroto é muito pequena. O tempo todo juntos. Um não faz nada sem o outro. E depois, os escrotos são maioria.
Acabaram influenciando o coitado, de cabeça fraca.
10 de jan. de 2008
O que vale nesta vida é ser feliz
É exatamente isso o que diz Fábio Jr. na música Vinte e Poucos Anos. Provavelmente é isso que já te disseram a faxineira, a tia, o cobrador do ônibus, o locutor da rádio interna do supermercado, logo depois de anunciar o preço da berinjela. Nada mais óbvio. São coisas que, de tanto ouvir, perdem completamente o sentido na vida da gente. Não que a felicidade não seja a meta mas não tem nada que deixamos mais “para depois” do que ser feliz de verdade.
Por vários motivos. Primeiro porque meu pai não é dono de engenho (frase que ouvi outro dia e adotei) e, antes de ser feliz, tenho que ralar muito. Pelo menos parte da minha felicidade se compra, sim senhor. Segundo que, é claro que eu quero ter 2 filhos, um homem pra chamar Dirceu, mas isso bem que pode esperar mais uns anos, que eu ainda tenho muito o que viajar.
Todo mundo arranja motivos para ser feliz mais tarde. Tem gente que chega ao ponto de deixar para a próxima encarnação. Juro que já ouvi isso. E achei triste.
Acontece que, em 2007, a felicidade me deu uma fechada, tirou um fininho de mim. Foi muito rápido, eu vi só de relance, mas chegou tão perto que eu tenho certeza de que sou capaz de reconhecê-la quando a gente se cruzar de novo por aí.
Isso fez um estrago daqueles na minha racionalidade e nos meus movimentos friamente calculados. Quero mudar tudo. Todas as minhas prioridades.
Chegar a esta conclusão agora foi mera coincidência. Mas como comecei com um clichê, vou terminar com outro: em 2008 vou mudar um monte de coisas eu vou ser muito mais feliz.
Foi o que me desejaram minha faxineira, minha tia, o cobrador, o locutor. Todo mundo, menos o Fábio Jr.
Por vários motivos. Primeiro porque meu pai não é dono de engenho (frase que ouvi outro dia e adotei) e, antes de ser feliz, tenho que ralar muito. Pelo menos parte da minha felicidade se compra, sim senhor. Segundo que, é claro que eu quero ter 2 filhos, um homem pra chamar Dirceu, mas isso bem que pode esperar mais uns anos, que eu ainda tenho muito o que viajar.
Todo mundo arranja motivos para ser feliz mais tarde. Tem gente que chega ao ponto de deixar para a próxima encarnação. Juro que já ouvi isso. E achei triste.
Acontece que, em 2007, a felicidade me deu uma fechada, tirou um fininho de mim. Foi muito rápido, eu vi só de relance, mas chegou tão perto que eu tenho certeza de que sou capaz de reconhecê-la quando a gente se cruzar de novo por aí.
Isso fez um estrago daqueles na minha racionalidade e nos meus movimentos friamente calculados. Quero mudar tudo. Todas as minhas prioridades.
Chegar a esta conclusão agora foi mera coincidência. Mas como comecei com um clichê, vou terminar com outro: em 2008 vou mudar um monte de coisas eu vou ser muito mais feliz.
Foi o que me desejaram minha faxineira, minha tia, o cobrador, o locutor. Todo mundo, menos o Fábio Jr.
Pensa rápido
Parece lenda urbana, mas não é. A Rosa, minha assistente standard plus para assuntos do lar, me contou essa.
Ela tem uma amiga crente, dessas igrejas em que a pessoa não pode cortar o cabelo e tem que usar uns vestidos longos. Não sei qual, afinal são tantas... Bom, a filha dessa amiga, igualmente crente, tem 19 anos e freqüenta um grupo de estudos evangélicos toda quarta à noite. O pai evangélico leva e busca a filha na igreja, que uma crente de 19 não pode andar sozinha à noite, em nome de Jesus. Acontece que o pai arranjou um bico de vigia e a carola teve que ir sozinha mesmo. Na volta, andando com seus longos cabelos esvoaçantes, seu vestido comprido e sua Bíblia debaixo do braço, ela avista um grupo de maloqueiros e não dá outra: eles a cercam e começam a dizer uma série de barbaridades, movidos pelo capeta.
Ô, sua crente gostosa. A gente vai pegar você, vai levar pra um lugar deserto, vai tirar esse teu vestido, vai fazer misérias com esse teu corpinho. Nem adianta rezar que de hoje você não passa.
A mina fica desesperada, começa a ter um milhão de pensamentos ao mesmo tempo: o que eu faço? Se eu correr vai ser pior. Se eu reagir, eles me espancam. Se eu gritar, idem. Aimeudeus, preciso pensar em alguma coisa, rápido.
Então ela abre os braços, segurando a Bíblia numa das mãos, com os cabelos e o vestido longos e esvoaçantes, e tasca essa pérola:
- Podem fazer o que quiserem comigo, que eu não sou deste mundo mesmo.
Os maloqueiros saem correndo, apavorados e, a essa hora, devem estar repensando a vida, as atitudes. Se bobear, se converteram. Eu faria o mesmo. Que meda.
Claro que Jesus levou os créditos quando ela chegou em casa contando essa. Mas eu acho que o mérito é todo dela. Raciocínio rápido é tudo nessa vida.
Ela tem uma amiga crente, dessas igrejas em que a pessoa não pode cortar o cabelo e tem que usar uns vestidos longos. Não sei qual, afinal são tantas... Bom, a filha dessa amiga, igualmente crente, tem 19 anos e freqüenta um grupo de estudos evangélicos toda quarta à noite. O pai evangélico leva e busca a filha na igreja, que uma crente de 19 não pode andar sozinha à noite, em nome de Jesus. Acontece que o pai arranjou um bico de vigia e a carola teve que ir sozinha mesmo. Na volta, andando com seus longos cabelos esvoaçantes, seu vestido comprido e sua Bíblia debaixo do braço, ela avista um grupo de maloqueiros e não dá outra: eles a cercam e começam a dizer uma série de barbaridades, movidos pelo capeta.
Ô, sua crente gostosa. A gente vai pegar você, vai levar pra um lugar deserto, vai tirar esse teu vestido, vai fazer misérias com esse teu corpinho. Nem adianta rezar que de hoje você não passa.
A mina fica desesperada, começa a ter um milhão de pensamentos ao mesmo tempo: o que eu faço? Se eu correr vai ser pior. Se eu reagir, eles me espancam. Se eu gritar, idem. Aimeudeus, preciso pensar em alguma coisa, rápido.
Então ela abre os braços, segurando a Bíblia numa das mãos, com os cabelos e o vestido longos e esvoaçantes, e tasca essa pérola:
- Podem fazer o que quiserem comigo, que eu não sou deste mundo mesmo.
Os maloqueiros saem correndo, apavorados e, a essa hora, devem estar repensando a vida, as atitudes. Se bobear, se converteram. Eu faria o mesmo. Que meda.
Claro que Jesus levou os créditos quando ela chegou em casa contando essa. Mas eu acho que o mérito é todo dela. Raciocínio rápido é tudo nessa vida.
14 de dez. de 2007
Nascida no dia do Especial do Roberto Carlos
29 de dezembro lá é data pra alguém fazer aniversário? Pois eu faço. Há 34 anos. Pô, três dias a mais e eu seria de 74 e não de 73. O que, depois dos 30, todo mundo sabe que é lucro. Mas quando eu era criança era bem mais complicado. Nunca tive festa na escola. Meus amigos sempre estavam viajando. Sorte que eu tenho 28 primos (só por parte de mãe) e, assim, minhas festas atingiam um quórum aceitável. Drama mesmo era o presente: um só, de Natal e aniversário. Achou sacanagem? Então olha essa outra.
Eu não podia me queixar das minhas festas de aniversário porque elas eram, de longe, as mais animadas da minha família. Vinham todos os tios e primos, até os que moravam em outras cidades. Teve um ano que meu pai colocou até barril de chopp para os adultos, mas as crianças podiam beber a espuminha. Politicamente incorreto no último mas divertido, vai... Tinha “foguetório” em minha homenagem e eu lembro que a gente tirava a mesa de centro da frente do sofá e o tapetão virava pista de dança (saiba mais sobre esta questão no post Infância Pobre). Meus tios dançavam até o dia amanhecer. Todo ano era assim. Até que, lá pelos 8 anos, eu percebi que aquela festa toda não era exatamente para mim.
Era Reveillon. Eles me enganavam.
Isso compromete a vida de uma pessoa. Eu sou rebelde porque o mundo quis assim.
Eu não podia me queixar das minhas festas de aniversário porque elas eram, de longe, as mais animadas da minha família. Vinham todos os tios e primos, até os que moravam em outras cidades. Teve um ano que meu pai colocou até barril de chopp para os adultos, mas as crianças podiam beber a espuminha. Politicamente incorreto no último mas divertido, vai... Tinha “foguetório” em minha homenagem e eu lembro que a gente tirava a mesa de centro da frente do sofá e o tapetão virava pista de dança (saiba mais sobre esta questão no post Infância Pobre). Meus tios dançavam até o dia amanhecer. Todo ano era assim. Até que, lá pelos 8 anos, eu percebi que aquela festa toda não era exatamente para mim.
Era Reveillon. Eles me enganavam.
Isso compromete a vida de uma pessoa. Eu sou rebelde porque o mundo quis assim.
7 de dez. de 2007
Ser ou não ser?
Uma das maiores incógnitas dos tempos modernos, o equivalente ao terceiro segredo de Fátima, é saber se você está ou não está namorando. Por maior que seja o envolvimento, as pessoas têm o dom de deixar tudo tão vago que simplesmente não dá para saber. Já ouvi uns absurdos do tipo: sair mais de 3 vezes com a mesma pessoa configura namoro. Como se fosse matemática e não química. É um medo de se expor, de dar o primeiro passo, de parecer interessado demais, sei lá o que passa. Nem quando todas as evidências estão ali expostas as pessoas têm certeza.
O cúmulo aconteceu com uma amiga que reuniu uma galera em casa para um jantar. O famoso pretexto para apresentar o bofe para a galera. Ela já saía há meses com esse cara mas ainda não se atrevia a chamar de namorado. Chegando na casa dela vejo não apenas o bofe mas que ele trouxe alguns amigos de infância para o jantar. E que todos já eram íntimos da minha amiga.
Ele servia as pessoas, simpático e prestativo. Depois do jantar ficou contando histórias engraçadas dele e dos amigos para todos. Minha amiga confortavelmente sentada no colo dele, que era todo carinhos.
Nós duas fomos pegar alguma coisa na cozinha e eu comentei: Aeeeee, que bonitinha namorando. E ela, tensa: Ah, não sei se é namoro... Foi então que eu soltei a pérola:
- Gata, o cara fica cercado de ajudantes, você senta no colinho... Ou é namorado ou é Papai Noel.
O cúmulo aconteceu com uma amiga que reuniu uma galera em casa para um jantar. O famoso pretexto para apresentar o bofe para a galera. Ela já saía há meses com esse cara mas ainda não se atrevia a chamar de namorado. Chegando na casa dela vejo não apenas o bofe mas que ele trouxe alguns amigos de infância para o jantar. E que todos já eram íntimos da minha amiga.
Ele servia as pessoas, simpático e prestativo. Depois do jantar ficou contando histórias engraçadas dele e dos amigos para todos. Minha amiga confortavelmente sentada no colo dele, que era todo carinhos.
Nós duas fomos pegar alguma coisa na cozinha e eu comentei: Aeeeee, que bonitinha namorando. E ela, tensa: Ah, não sei se é namoro... Foi então que eu soltei a pérola:
- Gata, o cara fica cercado de ajudantes, você senta no colinho... Ou é namorado ou é Papai Noel.
25 de nov. de 2007
Minuto de sabedoria
Nenhum terapeuta, astrólogo, cigana, padre, pastor evangélico, conselheiro sentimental, amigo bem-intencionado, taróloga, I Ching, periquita da sorte, biscoitinho chinês, mãe, pai, irmão, primo, psiquiatra, monge budista, trecho da Bíblia, câmera da verdade do Clodovil, bispa da Renascer, colega de firma, professor, taxista bom de papo, garçon gente boa, diarista, escritor de auto-ajuda, porteiro de prédio, papo cabeça na fila do banheiro da balada ou médium vidente.
Ninguém nunca me disse nada tão otimista, genial, original e definitivo quanto minha querida amiga Marcia. Há alguns meses, me ouvindo reclamar da vida, ela me interrompe com a seguinte pérola que vou guardar e usar forever:
- Ah, Flavia. Pára com isso. Você não tem um quilo a perder.
Além da gargalhada, não dei mais nenhum pio depois dessa.
Ninguém nunca me disse nada tão otimista, genial, original e definitivo quanto minha querida amiga Marcia. Há alguns meses, me ouvindo reclamar da vida, ela me interrompe com a seguinte pérola que vou guardar e usar forever:
- Ah, Flavia. Pára com isso. Você não tem um quilo a perder.
Além da gargalhada, não dei mais nenhum pio depois dessa.
21 de nov. de 2007
Para que estes dentes tão brancos?
Ninguém precisa ser maníaca por TV como eu para constatar que tem alguma coisa estranha acontecendo com os dentes das pessoas. Ou está todo mundo escovando com Omo Tripla Ação ou indo ao mesmo dentista. Provavelmente o Dr. Rabanus do Extreme Makeover.
Dente é uma coisa muito importante nessa vida e eu cuido muito bem deste colar de pérolas que Deus me deu. Mas o que leva uma pessoa a ter dentes cobertos por uma camada de Error-Ex é o que eu me pergunto? Além de artificial é esquisito demais. Alguém avisa?
Esse fenômeno me deixa tão intrigada quanto eu ficava quando olhava para os dentes do Ken, namorado da minha Barbie: aquela coisa branca e inteiriça. É igualzinho. Essa galera está usando uma espécie de encaixe branco-demais-que-chega-a-ofuscar. A impressão que dá é que o espaço entre os dentes é esculpido e por ali não passa nem fio dental extra-fino. E a aflição é ainda maior quando você vê estes dentes em close, na boca de uma pessoa como o Stênio Garcia (sim, o Pedro ou o Bino de Carga Pesada) cuja cútis e o estado geral da pessoa não condiz mais com tanta brancura. Nem a Xuxa, que ainda tem dentes de leite, consegue ter dentes tão brancos.
Sem falar que, do jeito que a coisa vai, quando alguém morrer em algum acidente grave (toc, toc, toc, já bati na madeira) e precisar ser reconhecido pela arcada dentária, todos os corpos vão parecer do Marcos Paulo ou do José Wilker. E isso pode matar uma fã desavisada do coração. Encontrem logo uma tonalidade aceitável para os dentes dos atores da Globo. Parece inútil mas olha o tamanho do problema.
Dente é uma coisa muito importante nessa vida e eu cuido muito bem deste colar de pérolas que Deus me deu. Mas o que leva uma pessoa a ter dentes cobertos por uma camada de Error-Ex é o que eu me pergunto? Além de artificial é esquisito demais. Alguém avisa?
Esse fenômeno me deixa tão intrigada quanto eu ficava quando olhava para os dentes do Ken, namorado da minha Barbie: aquela coisa branca e inteiriça. É igualzinho. Essa galera está usando uma espécie de encaixe branco-demais-que-chega-a-ofuscar. A impressão que dá é que o espaço entre os dentes é esculpido e por ali não passa nem fio dental extra-fino. E a aflição é ainda maior quando você vê estes dentes em close, na boca de uma pessoa como o Stênio Garcia (sim, o Pedro ou o Bino de Carga Pesada) cuja cútis e o estado geral da pessoa não condiz mais com tanta brancura. Nem a Xuxa, que ainda tem dentes de leite, consegue ter dentes tão brancos.
Sem falar que, do jeito que a coisa vai, quando alguém morrer em algum acidente grave (toc, toc, toc, já bati na madeira) e precisar ser reconhecido pela arcada dentária, todos os corpos vão parecer do Marcos Paulo ou do José Wilker. E isso pode matar uma fã desavisada do coração. Encontrem logo uma tonalidade aceitável para os dentes dos atores da Globo. Parece inútil mas olha o tamanho do problema.
30 de out. de 2007
O que vale é a intenção
De boas intenções, o inferno está cheio. Desde que comecei a fazer trabalho voluntário com um grupo de amigas, sou obrigada a concordar com essa máxima popular. Claro que vou omitir o nome das amigas, da entidade, das crianças nem vou falar de tudo o que deu certo. Até porque, gente que se gaba porque faz trabalho voluntário é péssimo. Pelo contrário, o que vou escrever seria cômico se não fosse trágico.
Posso garantir que somos do bem, organizamos tudo direitinho, mas todas (eu disse TODAS) as vezes que a gente saiu com essas crianças carentes para fazer programas culturais ou simplesmente divertidos, alguma coisa deu errado. Pode chamar de coincidência infeliz, de azar, mas aconteceu exatamente assim.
Na primeira vez, levamos um grupo para assistir a peça “O Gato Malhado e a Andorinha Sinhá”. Eu, ignorante, não conhecia a história mas fui incumbida de fazer um bate-papo antes, explicando que a peça mostrava que todo tipo de amor vale à pena. Se as crianças ouviam atentas a minha explicação, imaginem como prestavam atenção na peça. O que eu não sabia é que, no final, o Gato não fica com a Andorinha. Pior: ele acaba sozinho, triste, indo embora no frio. E as crianças chorando e perguntando: por que ele não ficou com ela, tia? Não sei, mas olha só: alguém quer ir ao banheiro? Vamos logo para a van que a gente vai entregar um presente para cada um. Que engraçado, sobrou um presente. Não, não sobrou. Faltou uma criança. Sim, depois da peça com final infeliz nós ainda esquecemos uma criança no banheiro do Teatro. Voltamos correndo e nos deparamos com a menininha chorando. Horrível, mas passou.
Outra vez erramos na conta dos presentes para menos e uma criança ficou sem. E foi bem complicado explicar isso para ela.
Persistimos no erro das contas: na saída do Parque da Mônica, compramos aqueles balões de gás prateados para todos. Quando fomos pagar, vimos que eles eram muito mais caros do que a gente entendeu a moça falar. Pense numa criança carente devolvendo o primeiro balão de gás prateado da vida dela. Pois aconteceu.
Em outro passeio, levamos os pequenos ao cinema. Queríamos ver Homem Aranha mas, por causa da faixa etária, tivemos que mudar os planos e entramos num filme de animação em 3D, com aqueles óculos. Bacana. Só que a sinopse do filme não dizia que se tratava da história de um garoto abandonado pelos pais. Nem que ele passava o filme inteiro tentando reencontrar a mãe que o abandonou na porta de um orfanato. Mãozinhas tensas apertavam as nossas mãos a cada cena que, nem de longe, parecia ficção. Na minha opinião, esta foi a pior de todas.
Mas ainda teve a última, no fim-de-semana passado. Tarde em que caiu o maior temporal aqui em São Paulo. Uma chuva muito forte, que durou uns 20 minutos, com rajadas de vento e tudo o que se tem direito. Sabe onde nós e as crianças estávamos nessa hora? No topo da Roda Gigante do PlayCenter.
Posso garantir que somos do bem, organizamos tudo direitinho, mas todas (eu disse TODAS) as vezes que a gente saiu com essas crianças carentes para fazer programas culturais ou simplesmente divertidos, alguma coisa deu errado. Pode chamar de coincidência infeliz, de azar, mas aconteceu exatamente assim.
Na primeira vez, levamos um grupo para assistir a peça “O Gato Malhado e a Andorinha Sinhá”. Eu, ignorante, não conhecia a história mas fui incumbida de fazer um bate-papo antes, explicando que a peça mostrava que todo tipo de amor vale à pena. Se as crianças ouviam atentas a minha explicação, imaginem como prestavam atenção na peça. O que eu não sabia é que, no final, o Gato não fica com a Andorinha. Pior: ele acaba sozinho, triste, indo embora no frio. E as crianças chorando e perguntando: por que ele não ficou com ela, tia? Não sei, mas olha só: alguém quer ir ao banheiro? Vamos logo para a van que a gente vai entregar um presente para cada um. Que engraçado, sobrou um presente. Não, não sobrou. Faltou uma criança. Sim, depois da peça com final infeliz nós ainda esquecemos uma criança no banheiro do Teatro. Voltamos correndo e nos deparamos com a menininha chorando. Horrível, mas passou.
Outra vez erramos na conta dos presentes para menos e uma criança ficou sem. E foi bem complicado explicar isso para ela.
Persistimos no erro das contas: na saída do Parque da Mônica, compramos aqueles balões de gás prateados para todos. Quando fomos pagar, vimos que eles eram muito mais caros do que a gente entendeu a moça falar. Pense numa criança carente devolvendo o primeiro balão de gás prateado da vida dela. Pois aconteceu.
Em outro passeio, levamos os pequenos ao cinema. Queríamos ver Homem Aranha mas, por causa da faixa etária, tivemos que mudar os planos e entramos num filme de animação em 3D, com aqueles óculos. Bacana. Só que a sinopse do filme não dizia que se tratava da história de um garoto abandonado pelos pais. Nem que ele passava o filme inteiro tentando reencontrar a mãe que o abandonou na porta de um orfanato. Mãozinhas tensas apertavam as nossas mãos a cada cena que, nem de longe, parecia ficção. Na minha opinião, esta foi a pior de todas.
Mas ainda teve a última, no fim-de-semana passado. Tarde em que caiu o maior temporal aqui em São Paulo. Uma chuva muito forte, que durou uns 20 minutos, com rajadas de vento e tudo o que se tem direito. Sabe onde nós e as crianças estávamos nessa hora? No topo da Roda Gigante do PlayCenter.
18 de out. de 2007
Beleza Exotica
Quando a gente vê uma pessoa bonita, mas bonita mesmo, daquelas que dá vontade de cutucar alguém e mostrar “olha que linda”, essa pessoa é bonita e ponto. Acontece que não existem muitas pessoas bonitas e ponto por aí. Então alguém inventou subcategorias para as belezas que não são bonitas e ponto sejam aceitas do jeito que elas são. Eu sou freqüentemente incluída na subcategoria “beleza exótica”. Esse exótica é o jeito carinhoso e isento de definir uma beleza que necessita de muitas explicações para ser descrita. Uma beleza e dois pontos.
Meu nariz, por exemplo: ninguém diz na minha frente que eu tenho um nariz grande. Falam que eu tenho um “nariz marcante”. Ele não é pequeno, mas também não é enorme e caroçudo. Poderia dizer que é grego, mas isso é mais bacana de imaginar num homem, então esquece.
Outra que eu já ouvi: você tem um “rosto multiétnico”. Ele não é grego como o meu nariz, mas poderia ser árabe, espanhol se eu colocar uma rosa vermelha atrás da orelha, indiano com um bind entre as sobrancelhas. Também passo fácil por cubana e nordestina.
Meus cabelos também não fazem parte do padrão escorrido ou levemente-louro-e-ondulado-a-la-gisele. São castanhos escuros, cacheados e, quanto mais volumosos, mais eu gosto.
Sempre fui magra, mas não muito. Me olho todos os dias no espelho e sei que meu corpo já foi melhor, mas não muito. Nunca malhei de verdade e tudo parece estar no seu devido lugar, mas não muito.
Esta sou eu: uma mulher de 33 anos com uma beleza exótica, um nariz marcante, um rosto multiétnico, cabelos cacheados bem volumosos e magra, mas não muito.
É por isso que eu me dedico e continuo tentando escrever direitinho.
Meu nariz, por exemplo: ninguém diz na minha frente que eu tenho um nariz grande. Falam que eu tenho um “nariz marcante”. Ele não é pequeno, mas também não é enorme e caroçudo. Poderia dizer que é grego, mas isso é mais bacana de imaginar num homem, então esquece.
Outra que eu já ouvi: você tem um “rosto multiétnico”. Ele não é grego como o meu nariz, mas poderia ser árabe, espanhol se eu colocar uma rosa vermelha atrás da orelha, indiano com um bind entre as sobrancelhas. Também passo fácil por cubana e nordestina.
Meus cabelos também não fazem parte do padrão escorrido ou levemente-louro-e-ondulado-a-la-gisele. São castanhos escuros, cacheados e, quanto mais volumosos, mais eu gosto.
Sempre fui magra, mas não muito. Me olho todos os dias no espelho e sei que meu corpo já foi melhor, mas não muito. Nunca malhei de verdade e tudo parece estar no seu devido lugar, mas não muito.
Esta sou eu: uma mulher de 33 anos com uma beleza exótica, um nariz marcante, um rosto multiétnico, cabelos cacheados bem volumosos e magra, mas não muito.
É por isso que eu me dedico e continuo tentando escrever direitinho.
16 de out. de 2007
Sorria, você está sendo contado.
Eu sou uma negação para coisas tecnológicas. Parece frase da vovó mas é verdade.
Porém, com a ajuda de um amigo, desde o dia 10 de outubro o Bacanérrimo ganhou um desses programas que marca o número de visitantes/leitores no blog. Veja que esse treco deve ter um nome bem simples mas eu não sei nem consegui descrever com menos de 11 palavras. Ele tá lá embaixo, no canto esquerdo. E dando os devidos descontos para todas as vezes que eu ja entrei para ver se o numerinho aumentou, estou surpresa com a quantidade de visitas.
Ai, que pressão. Tenho que postar texto novo logo senão elas não voltam. Tô indo, gente.
Porém, com a ajuda de um amigo, desde o dia 10 de outubro o Bacanérrimo ganhou um desses programas que marca o número de visitantes/leitores no blog. Veja que esse treco deve ter um nome bem simples mas eu não sei nem consegui descrever com menos de 11 palavras. Ele tá lá embaixo, no canto esquerdo. E dando os devidos descontos para todas as vezes que eu ja entrei para ver se o numerinho aumentou, estou surpresa com a quantidade de visitas.
Ai, que pressão. Tenho que postar texto novo logo senão elas não voltam. Tô indo, gente.
8 de out. de 2007
Sobre corações partidos
Se você é dos meus e não veio para este mundo a passeio, mais cedo ou mais tarde vai ter seu coração partido em milhares de pedacinhos. No meu caso, mais cedo e mais tarde. No caso de muita gente que eu conheço, nunca. Nem pensar.
Sim, é possível viver sem que ninguém nunca te decepcione ou te machuque. Basta se preservar o tempo todo. Não deixar ninguém se aproximar muito, não demonstrar muito o quanto quer algo ou alguém, não viver muito. Pronto. Você vai ser aquele tipo que todo mundo comenta: Impressionante. Fulano tá sempre bem.
Agora a pergunta: em nome de que? Qual é a necessidade de viver se preservando, sem pagar para ver, sem viver coisas que não estavam no script?
Isso não é um manifesto pela dor-de-cotovelo e pela fossa. O-dei-o. É só uma maneira simples de ver as coisas quando você já passou por elas.
Antes viver uma grande decepção do que não viver nada. Mil vezes administar uma cara quebrada do que viver com o rostinho bonito intacto, imaginando como seria algo que você nunca moveu um músculo para ver acontecer.
E depois de se aventurar e viver algumas novelas mexicanas, acontece um fenômeno muito bacana. O coração se parte como um prato Duralex. Em milhares de pedacinhos sem ponta. É assustador, você fica catando os caquinhos por um tempo, mas sabe que eles não machucam mais e tira de letra. Ou quase.
Sim, é possível viver sem que ninguém nunca te decepcione ou te machuque. Basta se preservar o tempo todo. Não deixar ninguém se aproximar muito, não demonstrar muito o quanto quer algo ou alguém, não viver muito. Pronto. Você vai ser aquele tipo que todo mundo comenta: Impressionante. Fulano tá sempre bem.
Agora a pergunta: em nome de que? Qual é a necessidade de viver se preservando, sem pagar para ver, sem viver coisas que não estavam no script?
Isso não é um manifesto pela dor-de-cotovelo e pela fossa. O-dei-o. É só uma maneira simples de ver as coisas quando você já passou por elas.
Antes viver uma grande decepção do que não viver nada. Mil vezes administar uma cara quebrada do que viver com o rostinho bonito intacto, imaginando como seria algo que você nunca moveu um músculo para ver acontecer.
E depois de se aventurar e viver algumas novelas mexicanas, acontece um fenômeno muito bacana. O coração se parte como um prato Duralex. Em milhares de pedacinhos sem ponta. É assustador, você fica catando os caquinhos por um tempo, mas sabe que eles não machucam mais e tira de letra. Ou quase.
28 de set. de 2007
Eu não joguei pedra na cruz
Eu não joguei pedra na cruz. Fiz coisa muito pior.
Foi no reveillon de 2004, na Praia do Forte, Bahia. Eu e um amigo alugamos uma casa tu-do e passamos uma semaninha para lá de agradável encarando a balada dos locais. No caso, os locais eram pescadores que tinham hábitos ingênuos como construir um presépio ecológico com menino Jesus, reis magos, pingüim de geladeira, jibóia e tartaruga (por causa do projeto TAMAR). Mas tinham outros hábitos bem menos ingênuos como dançar o arrocha. Arrocha, para quem não sabe, é uma dança que mais parece um ritual de acasalamento. E uma vez que você entra num lugar onde se dança arrocha, invariavelmente alguém vai te chamar e você vai participar do tal ritual. Mas antes que você pense que o que eu fiz de errado foi participar de um bacanal com pescadores, eu insisto: fiz coisa muuuito pior.
Voltando de uma dessas baladas / experiências antropológicas, ao raiar das 6 da matina, eis que eu percebo que a distância que a gente teria de andar até a nossa casa era muito maior do que a minha vontade de fazer xixi poderia suportar. Não tinha mais nenhum botequim aberto, era cedo demais para bater numa casa e pedir clemência. Até que a gente passa pelo presépio ecológico, lindamente ornado no meio de um abrigo feito de folhas de bananeira. Nesse momento eu esqueci de tudo o que a minha avó querida me ensinou sobre religiosidade e respeito à Santíssima Trindade. Nada era mais urgente do que fazer aquele xixi e o abrigo de folhas pareceu mais do que adequado. Avisei meu amigo pra ficar de olho e resolvi meu problema num ambiente protegido. Literalmente.
Então, quando as coisas começam a dar errado na minha vida, acho que sou a única pessoa na face da terra que faz o mea culpa dizendo: eu mijei no presépio.
Isso é muito pior do que jogar pedra na cruz. Porque na cruz, Jesus já tinha seus 33 anos. A mesma idade que eu e tempo suficiente para não ser uma unanimidade, ter seus desafetos. Agora quando ele era só um pequenino bebê indefeso e presenteado por ouro, incenso e mirra, nada justifica alguém chegar e fazer xixi em cima. Acho que só perco para o próprio Herodes. E isso explica tanta coisa.
Foi no reveillon de 2004, na Praia do Forte, Bahia. Eu e um amigo alugamos uma casa tu-do e passamos uma semaninha para lá de agradável encarando a balada dos locais. No caso, os locais eram pescadores que tinham hábitos ingênuos como construir um presépio ecológico com menino Jesus, reis magos, pingüim de geladeira, jibóia e tartaruga (por causa do projeto TAMAR). Mas tinham outros hábitos bem menos ingênuos como dançar o arrocha. Arrocha, para quem não sabe, é uma dança que mais parece um ritual de acasalamento. E uma vez que você entra num lugar onde se dança arrocha, invariavelmente alguém vai te chamar e você vai participar do tal ritual. Mas antes que você pense que o que eu fiz de errado foi participar de um bacanal com pescadores, eu insisto: fiz coisa muuuito pior.
Voltando de uma dessas baladas / experiências antropológicas, ao raiar das 6 da matina, eis que eu percebo que a distância que a gente teria de andar até a nossa casa era muito maior do que a minha vontade de fazer xixi poderia suportar. Não tinha mais nenhum botequim aberto, era cedo demais para bater numa casa e pedir clemência. Até que a gente passa pelo presépio ecológico, lindamente ornado no meio de um abrigo feito de folhas de bananeira. Nesse momento eu esqueci de tudo o que a minha avó querida me ensinou sobre religiosidade e respeito à Santíssima Trindade. Nada era mais urgente do que fazer aquele xixi e o abrigo de folhas pareceu mais do que adequado. Avisei meu amigo pra ficar de olho e resolvi meu problema num ambiente protegido. Literalmente.
Então, quando as coisas começam a dar errado na minha vida, acho que sou a única pessoa na face da terra que faz o mea culpa dizendo: eu mijei no presépio.
Isso é muito pior do que jogar pedra na cruz. Porque na cruz, Jesus já tinha seus 33 anos. A mesma idade que eu e tempo suficiente para não ser uma unanimidade, ter seus desafetos. Agora quando ele era só um pequenino bebê indefeso e presenteado por ouro, incenso e mirra, nada justifica alguém chegar e fazer xixi em cima. Acho que só perco para o próprio Herodes. E isso explica tanta coisa.
24 de set. de 2007
Amigo é coisa
Juro que estou escrevendo este texto sem beber nenhum chopp paulista. Mas hoje eu vou falar sobre os meus considerados. Aquela gente fina, elegante e sincera que eu não preciso nem falar o nome, que eles estão carecas de saber. Aqueles que eu tenho o maior prazer de cuidar, de ouvir e de falar. E que tanto cuidam de mim. Quanto mais o tempo passa mais a gente se dá conta de que os amigos são as coisas mais geniais e importantes da vida. É por ter o apoio dos meus que eu sempre achei terapia desnecessária. Embora este possa ser o maior sintoma de que eu precise.
Ser amigo é muito mais legal do que ser parente. É só você reparar na reação das pessoas quando alguém diz que mora com parentes: a gente logo acha que a pessoa está numa fase difícil ou não chegou lá. Agora diga que mora com amigos e já dá para imaginar um lugarzinho cool, com baladas intermináveis e orgias. Mesmo que não seja nada disso.
Amizade é um exercício de humildade. É aceitar o seu amigo com todos os defeitos e diferenças que ele tem. É ter Respeito com “R” maiúsculo por ele. Parece uma responsa enorme, mas quando você é amigo mesmo, faz isso com as mãos nas costas. É o mínimo.
Amizade não é pesada nem obrigatória. Você procura seus amigos porque quer, porque é um prazer e é importante estar com eles. Se não procura, é porque não deu. Eles vão te mandar a merda quando você ligar meses depois, mas o papo continua exatamente de onde parou. Amigo não fica cobrando a sua amizade como um parente cobraria um empréstimo.
Ninguém é besta de achar que vai ter mesmo um milhão de amigos como diz o Rei, nem tem 1.500 como diz o Orkut. Então, meu caro, trate de identificar logo os seus poucos e bons amigos e cuide muito bem deles. Erga um brinde e considere para caralho.
Frase mulherzinha de minha autoria: Amiga é que nem pinça. Você pode ter muitas, mas só uma ou duas são ponta firme.
Ser amigo é muito mais legal do que ser parente. É só você reparar na reação das pessoas quando alguém diz que mora com parentes: a gente logo acha que a pessoa está numa fase difícil ou não chegou lá. Agora diga que mora com amigos e já dá para imaginar um lugarzinho cool, com baladas intermináveis e orgias. Mesmo que não seja nada disso.
Amizade é um exercício de humildade. É aceitar o seu amigo com todos os defeitos e diferenças que ele tem. É ter Respeito com “R” maiúsculo por ele. Parece uma responsa enorme, mas quando você é amigo mesmo, faz isso com as mãos nas costas. É o mínimo.
Amizade não é pesada nem obrigatória. Você procura seus amigos porque quer, porque é um prazer e é importante estar com eles. Se não procura, é porque não deu. Eles vão te mandar a merda quando você ligar meses depois, mas o papo continua exatamente de onde parou. Amigo não fica cobrando a sua amizade como um parente cobraria um empréstimo.
Ninguém é besta de achar que vai ter mesmo um milhão de amigos como diz o Rei, nem tem 1.500 como diz o Orkut. Então, meu caro, trate de identificar logo os seus poucos e bons amigos e cuide muito bem deles. Erga um brinde e considere para caralho.
Frase mulherzinha de minha autoria: Amiga é que nem pinça. Você pode ter muitas, mas só uma ou duas são ponta firme.
10 de set. de 2007
Infância pobre
Um amigo tem uma frase que diz que você até pode sair do Belenzinho, mas o Belenzinho nunca vai sair de você. E é a mais pura verdade. A pessoa pode ter sido catapultada ao sucesso mas, mais cedo ou mais tarde, o passado de privações se manifesta, mais forte do que tudo. Não adianta fugir.
Não é a pessoa que não se contém para pegar o último pedaço de pizza, mas a que vê 3 pedaços e pergunta: posso matar? É levar toalhas de papel e garrafas d’água do trabalho pra casa. É estar numa reunião, ver um pote de lápis e não se conter: posso levar um? E leva 4. É não conseguir se desfazer de roupas nem sapatos de anos porque vai que a moda volta? É usar o finalzinho do batom com cotonete. Lavar e reaproveitar o filtro de café. É guardar a barrinha de cereais e o amendoim do avião para mais tarde porque quem guarda tem.
Tirando a pizza e o filtro de café, já fiz todas estas. Mas eu posso porque perdi a catapulta. Agora a melhor é a do meu amigo (não o do Belenzinho) que eu vou chamar carinhosamente de Peter. Ele e uma turma estavam num restaurante e viram que o casal da mesa ao lado foi embora e deixou meia garrafa de vinho na mesa. Nem precisaram fazer votação para decidir pegar a garrafa e dividir irmamente (outro sintoma). Quando estavam fazendo o brinde, o casal volta do banheiro, senta-se à mesa e, bem, aí vieram as desculpas e a frase: pode escolher outro vinho que eu pago. Aproveita e escolhe um mais caro mesmo, que dinheiro não é problema. Problema é o desperdício.
Não é a pessoa que não se contém para pegar o último pedaço de pizza, mas a que vê 3 pedaços e pergunta: posso matar? É levar toalhas de papel e garrafas d’água do trabalho pra casa. É estar numa reunião, ver um pote de lápis e não se conter: posso levar um? E leva 4. É não conseguir se desfazer de roupas nem sapatos de anos porque vai que a moda volta? É usar o finalzinho do batom com cotonete. Lavar e reaproveitar o filtro de café. É guardar a barrinha de cereais e o amendoim do avião para mais tarde porque quem guarda tem.
Tirando a pizza e o filtro de café, já fiz todas estas. Mas eu posso porque perdi a catapulta. Agora a melhor é a do meu amigo (não o do Belenzinho) que eu vou chamar carinhosamente de Peter. Ele e uma turma estavam num restaurante e viram que o casal da mesa ao lado foi embora e deixou meia garrafa de vinho na mesa. Nem precisaram fazer votação para decidir pegar a garrafa e dividir irmamente (outro sintoma). Quando estavam fazendo o brinde, o casal volta do banheiro, senta-se à mesa e, bem, aí vieram as desculpas e a frase: pode escolher outro vinho que eu pago. Aproveita e escolhe um mais caro mesmo, que dinheiro não é problema. Problema é o desperdício.
27 de ago. de 2007
Hoje Eu Vou Sair Horrenda
Esta é a mais nova categoria de pessoas que eu tenho observado ultimamente.
Categoria na qual se enquadram mais mulheres do que homens (não sei por que) e consiste no seguinte: a criatura acorda, abre o armário e procura a combinação mais bizarra que conseguir. A saia mais esquisita com a blusa que veste pior, com a meia velha, o sapato estranho, o gorro (sempre tem gorro) e o óculos mais discutível. Tudo acompanhado do casaco puído do brechó da rua Aspicuelta. Depois de vestir tudo isso ao mesmo tempo ela pega uma bolsa de franja, transa umas bijoux e pronto. Já se sente apta a sair por aí, como se nada estivesse acontecendo. E como se nós, os míseros mortais que usam jeans e camiseta, fôssemos obrigados.
Normalmente o corte de cabelo acompanha a esquisitice. E mesmo debaixo do gorro de crochê a gente vê uns fiapos, uma franja que cobre um dos olhos ou uma mecha colorida que lembra o implante de pena do Roberto Carlos.
Todo mundo tem o direito de se vestir como quiser, mas tudo o que essa espécie quer é causar polêmica mesmo. A idéia só pode ser essa. Parecer uma mendiga com aquela sobreposição de malhas com casaco e cachecol: não tenho onde guardar e uso tudo o que me dão de esmola.
Pessoas da categoria Hoje Eu Vou Sair Horrenda gostam que todo mundo fique olhando para elas da cabeça aos pés, com uma das sobrancelhas levantada ou com horror nos olhos. Normalmente falam alto para que todo mundo também as ouça, caso não tenha reparado no pout-pourri do inferno que nos prepararam. E todas devem ter o pôster autografado da Catifunda na porta do guarda-roupa.
Categoria na qual se enquadram mais mulheres do que homens (não sei por que) e consiste no seguinte: a criatura acorda, abre o armário e procura a combinação mais bizarra que conseguir. A saia mais esquisita com a blusa que veste pior, com a meia velha, o sapato estranho, o gorro (sempre tem gorro) e o óculos mais discutível. Tudo acompanhado do casaco puído do brechó da rua Aspicuelta. Depois de vestir tudo isso ao mesmo tempo ela pega uma bolsa de franja, transa umas bijoux e pronto. Já se sente apta a sair por aí, como se nada estivesse acontecendo. E como se nós, os míseros mortais que usam jeans e camiseta, fôssemos obrigados.
Normalmente o corte de cabelo acompanha a esquisitice. E mesmo debaixo do gorro de crochê a gente vê uns fiapos, uma franja que cobre um dos olhos ou uma mecha colorida que lembra o implante de pena do Roberto Carlos.
Todo mundo tem o direito de se vestir como quiser, mas tudo o que essa espécie quer é causar polêmica mesmo. A idéia só pode ser essa. Parecer uma mendiga com aquela sobreposição de malhas com casaco e cachecol: não tenho onde guardar e uso tudo o que me dão de esmola.
Pessoas da categoria Hoje Eu Vou Sair Horrenda gostam que todo mundo fique olhando para elas da cabeça aos pés, com uma das sobrancelhas levantada ou com horror nos olhos. Normalmente falam alto para que todo mundo também as ouça, caso não tenha reparado no pout-pourri do inferno que nos prepararam. E todas devem ter o pôster autografado da Catifunda na porta do guarda-roupa.
13 de ago. de 2007
Faça o teste
Não existe nenhuma possibilidade de você elogiar a roupa de uma mulher e a resposta não ser algo do tipo: É velha. Já usei várias vezes.
Não, você não perguntou há quanto tempo ela tem a bendita blusa ou o fatídico sapato. E sim, a blusa pode ter acabado de perder a etiqueta e o sapato estar fazendo bolhas no calcanhar de tão novo. Mas nenhuma mulher é capaz de admitir isso diante de um elogio.
É um comportamento dos mais estranhos, temos que admitir. Mas muito mais forte do que nós.
Talvez seja uma tentativa de dizer: imagina, nem ligo pra isso, peguei a primeira roupa que vi pela frente hoje cedo. Também pode ser um: é linda mesmo e eu tenho bom gosto faz tempo. Ou uma premonição de que a próxima pergunta será: onde você comprou? E aí o risco da pessoa comprar um sapato tu-do igual ao seu fica enorme. E sapato par de vasos, ninguém merece. Pode ter uma neura do tipo: ela vai pensar que eu ando torrando toda a minha grana em roupas e eu não sou esse poço de futilidade.
Não sei dar uma explicação exata do por quê isso acontece. E se você acha que não faz isso, pode acreditar que é só uma questão de prestar atenção.
Eu cheguei num meio termo. Não admito que a roupa é nova porque simplesmente não dá. Mas também não fico dando muita explicação porque também já é demais. A última vez que ouvi um um “Que vestido lindo”, fiquei alguns milésimos de segundo muda até dizer “comprei num brechó”.
E assunto encerrado.
Não, você não perguntou há quanto tempo ela tem a bendita blusa ou o fatídico sapato. E sim, a blusa pode ter acabado de perder a etiqueta e o sapato estar fazendo bolhas no calcanhar de tão novo. Mas nenhuma mulher é capaz de admitir isso diante de um elogio.
É um comportamento dos mais estranhos, temos que admitir. Mas muito mais forte do que nós.
Talvez seja uma tentativa de dizer: imagina, nem ligo pra isso, peguei a primeira roupa que vi pela frente hoje cedo. Também pode ser um: é linda mesmo e eu tenho bom gosto faz tempo. Ou uma premonição de que a próxima pergunta será: onde você comprou? E aí o risco da pessoa comprar um sapato tu-do igual ao seu fica enorme. E sapato par de vasos, ninguém merece. Pode ter uma neura do tipo: ela vai pensar que eu ando torrando toda a minha grana em roupas e eu não sou esse poço de futilidade.
Não sei dar uma explicação exata do por quê isso acontece. E se você acha que não faz isso, pode acreditar que é só uma questão de prestar atenção.
Eu cheguei num meio termo. Não admito que a roupa é nova porque simplesmente não dá. Mas também não fico dando muita explicação porque também já é demais. A última vez que ouvi um um “Que vestido lindo”, fiquei alguns milésimos de segundo muda até dizer “comprei num brechó”.
E assunto encerrado.
Discurso de Miss
Tô passada. Já faz um ano (cacildis) que eu respirei fundo e postei o primeiro texto neste blog. Depois morri de dor de barriga esperando os posts. Inicialmente só de amigos, depois de amigos de amigos. E hoje, outros, de pessoas que eu não conheço pessoalmente mas que deixam comentários fofos e habitués. A maioria escritores de ótimos blogs. Uma honra.
Este ano (como é que pode?) me fez pensar que escrevi menos do que gostaria. Mas foi uma delícia pinçar minhas bobagens e decidir: vou colocar isso no meu blog. Muita coisa ficou só no começo. Algumas eu ainda hei de retomar. Outras minha auto-crítica não há de permitir. O legal é ver que o número de comentários aumentou, que quase ninguém fala mal nem reclama de nada do que eu escrevo. Muita gentileza da parte de vocês porque tem uns textinhos bem vagabundos. E bem passíveis de lenha descendo.
Dizem que alguns textos viraram spam. Oba. Mas como nenhum chegou no meu e-mail, e olha que eu recebo dezenas daqueles para aumentar o pênis todos os dias, só acredito vendo.
Valeu para todo mundo que lê. Vivo me prometendo que vou escrever com mais disciplina. E vou.
Que venha mais um ano bacanérrimo.
Este ano (como é que pode?) me fez pensar que escrevi menos do que gostaria. Mas foi uma delícia pinçar minhas bobagens e decidir: vou colocar isso no meu blog. Muita coisa ficou só no começo. Algumas eu ainda hei de retomar. Outras minha auto-crítica não há de permitir. O legal é ver que o número de comentários aumentou, que quase ninguém fala mal nem reclama de nada do que eu escrevo. Muita gentileza da parte de vocês porque tem uns textinhos bem vagabundos. E bem passíveis de lenha descendo.
Dizem que alguns textos viraram spam. Oba. Mas como nenhum chegou no meu e-mail, e olha que eu recebo dezenas daqueles para aumentar o pênis todos os dias, só acredito vendo.
Valeu para todo mundo que lê. Vivo me prometendo que vou escrever com mais disciplina. E vou.
Que venha mais um ano bacanérrimo.
3 de ago. de 2007
Quase feminista
Em qualquer programa de TV, quando um grupo de homens adultos precisa ser retratado, é batata que em algum momento eles aparecem reunidos para jogar pôquer, falando besteira, bebendo, fumando, apostando dinheiro e depois vão para casa levar bronca da esposa. Perceba a sutileza: eles não estavam fazendo nada demais e tomam bronca da megera. Homem é simples assim.
Nós mulheres, pelo contrário, nunca somos retratadas como ingênuas e boazinhas, que fazem coisas tolas como jogar pôquer. O estereótipo feminino, ou é o de alguém menos avantajada intelectualmente, ou o de uma grande cobra venenosa pronta para o bote. Sempre somos retratadas como figuras descontroladas ou completamente simplórias, para não dizer burras. Que se reúnem para ir ao shopping com amigas problemáticas, fúteis e invejosas que nunca perdem a oportunidade que cobiçar o bofe da outra. Mulheres não têm amigas. Nem amigos, porque amizade entre homem e mulher é pretexto para algo mais. Somos vistas como seres obcecados por um casamento, de preferência movido por grana. Se não tivermos filhos, seremos frustradas e amargas. Pesado, né?
Mas o fato é que, da mesma maneira que a gente sabe que não existe só este tipo de homem do pôquer, não existem apenas mulheres bizarras. É evidente que não. E se ninguém fala isso, nós é que temos que dizer. Mulheres têm amizades sólidas, respeitosas e absolutamente éticas. Só que a gente não chama desse jeito para não ficar pesado. Pode contar: amigos de verdade são tão poucos para os homens quanto para as mulheres. Mulheres têm instintos para “cuidar dos outros” como ninguém. Mulheres são sensíveis, generosas, delicadas, alegres, bem-humoradas. Mulheres amam a companhia de outras mulheres, gostam de emprestar o ombro, se interessam pelos problemas dos outros. Mulheres de verdade não querem o namorado da amiga. Querem é matar a vagabunda que pisou na bola com a amiga, isso sim. E com requintes de crueldade. Mulheres são sedutoras, interessantes e gostosas, Mulheres não são difíceis de entender. A gente não tem culpa se as nossas sutilezas são mal interpretadas. O que não dá é para deixar de ser sutil só para agradar. Nem ter esse comportamento óbvio e desprezível que todo mundo diz que a gente tem, só porque não seria nenhuma surpresa.
Mulheres, brilhem.
Nós mulheres, pelo contrário, nunca somos retratadas como ingênuas e boazinhas, que fazem coisas tolas como jogar pôquer. O estereótipo feminino, ou é o de alguém menos avantajada intelectualmente, ou o de uma grande cobra venenosa pronta para o bote. Sempre somos retratadas como figuras descontroladas ou completamente simplórias, para não dizer burras. Que se reúnem para ir ao shopping com amigas problemáticas, fúteis e invejosas que nunca perdem a oportunidade que cobiçar o bofe da outra. Mulheres não têm amigas. Nem amigos, porque amizade entre homem e mulher é pretexto para algo mais. Somos vistas como seres obcecados por um casamento, de preferência movido por grana. Se não tivermos filhos, seremos frustradas e amargas. Pesado, né?
Mas o fato é que, da mesma maneira que a gente sabe que não existe só este tipo de homem do pôquer, não existem apenas mulheres bizarras. É evidente que não. E se ninguém fala isso, nós é que temos que dizer. Mulheres têm amizades sólidas, respeitosas e absolutamente éticas. Só que a gente não chama desse jeito para não ficar pesado. Pode contar: amigos de verdade são tão poucos para os homens quanto para as mulheres. Mulheres têm instintos para “cuidar dos outros” como ninguém. Mulheres são sensíveis, generosas, delicadas, alegres, bem-humoradas. Mulheres amam a companhia de outras mulheres, gostam de emprestar o ombro, se interessam pelos problemas dos outros. Mulheres de verdade não querem o namorado da amiga. Querem é matar a vagabunda que pisou na bola com a amiga, isso sim. E com requintes de crueldade. Mulheres são sedutoras, interessantes e gostosas, Mulheres não são difíceis de entender. A gente não tem culpa se as nossas sutilezas são mal interpretadas. O que não dá é para deixar de ser sutil só para agradar. Nem ter esse comportamento óbvio e desprezível que todo mundo diz que a gente tem, só porque não seria nenhuma surpresa.
Mulheres, brilhem.
23 de jul. de 2007
Ode as saboneteiras
Grupo de amigas falando amenidades. Adoro.
O papo da vez era corpitcho em geral. Uma se gabava do bumbum em cima, outra contava que a colega da firma turbinou os peitos, a outra que fazia mais abdominal do que ninguém. Até que o meu comentário gerou alguns segundos de silêncio e reflexão:
- Eu não sei vocês, mas a parte que eu mais gosto em mim é a saboneteira.
Pode desfazer essa cara de tarado, caso você não saiba o que é saboneteira e esteja imaginando outra coisa. Falei no singular mas deveria ter dito no plural. Saboneteiras são aqueles ingênuos ossinhos e cavidades que ficam entre o pescoço e os ombros. Acho lindo. Não entendo porque uma geração que cultua tanto o corpo esquece dessa parte tão sexy e, ao mesmo tempo, tão despretensiosa do corpo feminino. Mas podem continuar assim que tá ótimo. Acho que é justamente o fato de ninguém ligar, de não existir nenhuma cobrança sobre o padrão de beleza de uma saboneteira que me faz gostar tanto delas.
Todo mundo sabe que o tempo passa, o tempo voa e a poupança cai. Mas se tem uma parte do corpo que vai ficar lá, firme e forte, até o final dos nossos dias são as salientes, estruturadas e magras saboneteiras. E não é preciso ficar fazendo nenhum exercício chato para isso. Pode caprichar no tomara-que-caia e passar na frente de uma obra que eu garanto que você nunca vai ouvir nada parecido com “Sabonetão, hein?”. Nunca haverá sequer um funk carioca dizendo “esfrega, esfrega, esfrega a saboneteira”. Ninguém vai colocar silicone ou botox nem será preciso usar um creme anti-idade para a região das saboneteiras.
Saboneteiras são liberdade pura.
O papo da vez era corpitcho em geral. Uma se gabava do bumbum em cima, outra contava que a colega da firma turbinou os peitos, a outra que fazia mais abdominal do que ninguém. Até que o meu comentário gerou alguns segundos de silêncio e reflexão:
- Eu não sei vocês, mas a parte que eu mais gosto em mim é a saboneteira.
Pode desfazer essa cara de tarado, caso você não saiba o que é saboneteira e esteja imaginando outra coisa. Falei no singular mas deveria ter dito no plural. Saboneteiras são aqueles ingênuos ossinhos e cavidades que ficam entre o pescoço e os ombros. Acho lindo. Não entendo porque uma geração que cultua tanto o corpo esquece dessa parte tão sexy e, ao mesmo tempo, tão despretensiosa do corpo feminino. Mas podem continuar assim que tá ótimo. Acho que é justamente o fato de ninguém ligar, de não existir nenhuma cobrança sobre o padrão de beleza de uma saboneteira que me faz gostar tanto delas.
Todo mundo sabe que o tempo passa, o tempo voa e a poupança cai. Mas se tem uma parte do corpo que vai ficar lá, firme e forte, até o final dos nossos dias são as salientes, estruturadas e magras saboneteiras. E não é preciso ficar fazendo nenhum exercício chato para isso. Pode caprichar no tomara-que-caia e passar na frente de uma obra que eu garanto que você nunca vai ouvir nada parecido com “Sabonetão, hein?”. Nunca haverá sequer um funk carioca dizendo “esfrega, esfrega, esfrega a saboneteira”. Ninguém vai colocar silicone ou botox nem será preciso usar um creme anti-idade para a região das saboneteiras.
Saboneteiras são liberdade pura.
10 de jul. de 2007
Flavio
Durante toda a minha vida ouvi pessoas dizendo que eu tenho humor de menino. Que sou mais desbocada do que a média das mulheres. Que consigo fazer/rir de piadas que essa mesma média não entende. Não por burrice, mas por não dominar “o código”.
Tenho consciência de que consigo mesmo pensar como homem em muitas situações da vida. Meus primos até dizem que eu sou mais homem do que eles. Quando minhas amigas em crise com os maridos começam a me contar a origem dos problemas eu tenho uma clareza irritante para dizer: desculpe, mas eu entendo ele. Muitas já quiseram me matar por isso, mas que eu entendo, entendo.
Tenho muitos amigos homens. Quase tantos quanto mulheres. Eles me convidam para programas tipicamente masculinos como jogar pôquer e ir ao futebol. Nessas horas eu normalmente tenho que dar aquela situada: ei, preciso te lembrar de um detalhezinho besta agora mas eu sou mulher, sabe? Pôquer é demais.
Já ouvi esses mesmos amigos comentando algo sobre paquerar e ter casinhos com amigas. Quando eles se referem a mim, dizem: ah, a Flavia não conta. As mulheres deles também já me disseram que eu sou a única amiga mulher dos seus respectivos de quem elas não sentem ciúme.
Querem parar? Alguém pode parar de me achar legal e começar a me achar gostosa para caralho, por gentileza? Você tem pinto? Eu não. Sorry, mas eu estou longe de ser uma pessoa assexuada, tenho faniquitos de mulherzinha, sim. Muitos. Este aqui mesmo que você está lendo, por exemplo. Dá para ser mais delicado e me dar mais atenção do que você daria para qualquer marmanjo? Dá para elogiar como homem, pô?
Pronto. Já estou me sentindo melhor. Blog é melhor que terapia.
Tenho consciência de que consigo mesmo pensar como homem em muitas situações da vida. Meus primos até dizem que eu sou mais homem do que eles. Quando minhas amigas em crise com os maridos começam a me contar a origem dos problemas eu tenho uma clareza irritante para dizer: desculpe, mas eu entendo ele. Muitas já quiseram me matar por isso, mas que eu entendo, entendo.
Tenho muitos amigos homens. Quase tantos quanto mulheres. Eles me convidam para programas tipicamente masculinos como jogar pôquer e ir ao futebol. Nessas horas eu normalmente tenho que dar aquela situada: ei, preciso te lembrar de um detalhezinho besta agora mas eu sou mulher, sabe? Pôquer é demais.
Já ouvi esses mesmos amigos comentando algo sobre paquerar e ter casinhos com amigas. Quando eles se referem a mim, dizem: ah, a Flavia não conta. As mulheres deles também já me disseram que eu sou a única amiga mulher dos seus respectivos de quem elas não sentem ciúme.
Querem parar? Alguém pode parar de me achar legal e começar a me achar gostosa para caralho, por gentileza? Você tem pinto? Eu não. Sorry, mas eu estou longe de ser uma pessoa assexuada, tenho faniquitos de mulherzinha, sim. Muitos. Este aqui mesmo que você está lendo, por exemplo. Dá para ser mais delicado e me dar mais atenção do que você daria para qualquer marmanjo? Dá para elogiar como homem, pô?
Pronto. Já estou me sentindo melhor. Blog é melhor que terapia.
28 de jun. de 2007
A noite não é uma criança
A fonte é o pai de um amigo meu. Mas olha que delícia de cultura inútil.
Em todos os idiomas europeus, a palavra NOITE é formada pela letra N + o número 8 escrito por extenso.
A letra N é o símbolo matemático de infinito e o 8 deitado também simboliza infinito. Ou seja, noite significa, em todas as línguas, a união do infinito.
Em português: noite = n + oito
Em inglês: night = n + eight
Em alemão: nacht = n + acht
Em espanhol: noche = n + ocho
Em francês: nuit = n + huit
Em italiano : notte = n + otto
Agora você já sabe. Se alguém chegar com aquele papinho de elevador de que a noite é uma criança, pensa nisso e arrasa no comentário.
União do infinito é lindo de morrer.
Em todos os idiomas europeus, a palavra NOITE é formada pela letra N + o número 8 escrito por extenso.
A letra N é o símbolo matemático de infinito e o 8 deitado também simboliza infinito. Ou seja, noite significa, em todas as línguas, a união do infinito.
Em português: noite = n + oito
Em inglês: night = n + eight
Em alemão: nacht = n + acht
Em espanhol: noche = n + ocho
Em francês: nuit = n + huit
Em italiano : notte = n + otto
Agora você já sabe. Se alguém chegar com aquele papinho de elevador de que a noite é uma criança, pensa nisso e arrasa no comentário.
União do infinito é lindo de morrer.
15 de jun. de 2007
Presente de namorado grego
Não sei você, mas eu nunca dei sorte com presente de namorado. Minto, já rolaram alguns presentes bem fofos, sim. Mas por algum motivo não consigo lembrar de nenhum para citar (logo, não foram tão fofos assim). O que lembro mesmo foi da sensação de “o que é que eu digo agora?” depois de abrir os pacotes.
Já ganhei aqueles bichos de pelúcia com olho de gente. Pra mim não tem coisa mais deprimente do que um urso com cílios da Elke Maravilha. Pois ganhei o mais chavão de todos, da Lionella. Nunca tirei da caixa.
Outra vez o presente até que era ok, mas o gato errou no cartão: ele comprou um desses que se dá para recém-nascidos. Aliás, por que dar um cartão para um recém-nascido? Tinha a ilustração meiga de um cachorrinho de fraldas e os dizeres eram algo como “que bom que você chegou, fofura”. Branco na hora de escrever um cartão eu entendo. Mas para comprar é de doer.
Mais um: na época da faculdade, eu era pouco mais do que uma adolescente e me apaixonei por um cara intelectual. Estava encantada e vivia me esforçando para mostrar que eu era suuuper madura para a minha idade. Adivinha o que ele me deu de presente? Um diário desses bem teenager, com ilustrações e adesivos para colar. Ju-ro.
Para fechar com chave de ouro: viagenzinha romântica, praia, tudo lindo. Até que chega a hora de trocar presentes. E eu me deparo com um CD da Lecy Brandão. Não, não era o acústico MTV da Lecy Brandão que, se existisse, já seria bem bizarro. Era um daqueles tipo: os 20 maiores sucessos. Juro que procurei a câmera escondida do Faustão. Dei uma sonora gargalhada e pensei: ele tá me sacaneando, que bonitinho. Mas não.
Tem mais. Mas chega, né?
Já ganhei aqueles bichos de pelúcia com olho de gente. Pra mim não tem coisa mais deprimente do que um urso com cílios da Elke Maravilha. Pois ganhei o mais chavão de todos, da Lionella. Nunca tirei da caixa.
Outra vez o presente até que era ok, mas o gato errou no cartão: ele comprou um desses que se dá para recém-nascidos. Aliás, por que dar um cartão para um recém-nascido? Tinha a ilustração meiga de um cachorrinho de fraldas e os dizeres eram algo como “que bom que você chegou, fofura”. Branco na hora de escrever um cartão eu entendo. Mas para comprar é de doer.
Mais um: na época da faculdade, eu era pouco mais do que uma adolescente e me apaixonei por um cara intelectual. Estava encantada e vivia me esforçando para mostrar que eu era suuuper madura para a minha idade. Adivinha o que ele me deu de presente? Um diário desses bem teenager, com ilustrações e adesivos para colar. Ju-ro.
Para fechar com chave de ouro: viagenzinha romântica, praia, tudo lindo. Até que chega a hora de trocar presentes. E eu me deparo com um CD da Lecy Brandão. Não, não era o acústico MTV da Lecy Brandão que, se existisse, já seria bem bizarro. Era um daqueles tipo: os 20 maiores sucessos. Juro que procurei a câmera escondida do Faustão. Dei uma sonora gargalhada e pensei: ele tá me sacaneando, que bonitinho. Mas não.
Tem mais. Mas chega, né?
11 de jun. de 2007
Tratado sobre a mulher gaúcha
Apesar da formalidade do título, é lógico que este texto não tem nenhuma fundamentação. Ele começou a se formar na minha cabeça depois de um papo animadíssimo com velhos e novos amigos numa mesa de bar. Entre os novos amigos estava uma gaúcha, como eu, que soltou uma frase interessante: você não é exatamente amiga de uma mulher gaúcha, até ter um bom desentendimento com ela. Acho que para amigos isso não serve tanto. Mas não lembro de nenhum relacionamento que eu tenha tido que não passou pelo tal papo para colocar os pingos nos is. Uma conversa/discussão com teor suficiente para colocar um ponto final na bagaça, mas que foi fundamental para tudo ficar às mil maravilhas.
Coincidência ou não, fiquei divagando a respeito. E faz um sentido enorme que nós, mulheres gaúchas, tenhamos esta peculiaridade, essa enorme herança cultural. Somos “faca na bota” mesmo.
Sem generalizações, viemos de um estado em que, durante muito tempo, ter um bom cavalo era muito mais importante do que ter uma grande mulher por perto. Mesmo as novas gerações que já não sentem isso tão na pele, carregam o histórico de parentes que eram machistas (muitos fingem que não são mais) e de mulheres que sofreram preconceito quando não fizeram exatamente-o-que-a-sociedade-esperava-que-elas-fizessem. De novo, sem generalizações, somos exigentes para caralho, temos pé atrás, temos postura e pontos de vista muito claros, gostamos de expressá-los e, em hipótese nenhuma, levamos desaforo para casa. Pela honra e pelos genes das nossas mulheres ancestrais, que tanto sofreram e tanto nos influenciaram.
Não, nós não vamos sair queimando sutiãs nem vestidos de prenda por aí. Mas somos um pouco mais inflamáveis do que o padrão feminino. Aliás, quando as pessoas acham que a gente está alterada, para nós a discussão ainda nem começou. Somos naturalmente alteradas, para o bem e para o mal. Tudo isso para dizer que as mulheres gaúchas ladram mas não mordem. Isso, se você manter uma significativa distância dos nossos calos.
PS: Ler este texto pronto me deixou com uma impressão que eu odeio, abomino, detesto. A de que os gaúchos acham que são pessoas diferentes ou especiais. Pedi a opinião da Luciene, amigona, gaúcha e mulherão, que espontaneamente sentiu a mesma coisa. Não estou falando de diferenças aqui, mas apenas de peculiaridades. Só posso escrever com propriedade sobre a minha própria experiência. Este sentimento de superioridade é justamente o que estou questionando neste texto. Não faria nenhum sentido reafirmá-lo. Tá vendo como o estigma é forte?
Coincidência ou não, fiquei divagando a respeito. E faz um sentido enorme que nós, mulheres gaúchas, tenhamos esta peculiaridade, essa enorme herança cultural. Somos “faca na bota” mesmo.
Sem generalizações, viemos de um estado em que, durante muito tempo, ter um bom cavalo era muito mais importante do que ter uma grande mulher por perto. Mesmo as novas gerações que já não sentem isso tão na pele, carregam o histórico de parentes que eram machistas (muitos fingem que não são mais) e de mulheres que sofreram preconceito quando não fizeram exatamente-o-que-a-sociedade-esperava-que-elas-fizessem. De novo, sem generalizações, somos exigentes para caralho, temos pé atrás, temos postura e pontos de vista muito claros, gostamos de expressá-los e, em hipótese nenhuma, levamos desaforo para casa. Pela honra e pelos genes das nossas mulheres ancestrais, que tanto sofreram e tanto nos influenciaram.
Não, nós não vamos sair queimando sutiãs nem vestidos de prenda por aí. Mas somos um pouco mais inflamáveis do que o padrão feminino. Aliás, quando as pessoas acham que a gente está alterada, para nós a discussão ainda nem começou. Somos naturalmente alteradas, para o bem e para o mal. Tudo isso para dizer que as mulheres gaúchas ladram mas não mordem. Isso, se você manter uma significativa distância dos nossos calos.
PS: Ler este texto pronto me deixou com uma impressão que eu odeio, abomino, detesto. A de que os gaúchos acham que são pessoas diferentes ou especiais. Pedi a opinião da Luciene, amigona, gaúcha e mulherão, que espontaneamente sentiu a mesma coisa. Não estou falando de diferenças aqui, mas apenas de peculiaridades. Só posso escrever com propriedade sobre a minha própria experiência. Este sentimento de superioridade é justamente o que estou questionando neste texto. Não faria nenhum sentido reafirmá-lo. Tá vendo como o estigma é forte?
1 de jun. de 2007
Quer que desenhe?
Sempre fui muito melhor com as palavras escritas. Principalmente para dizer coisas importantes. Cartas, e-mails, esboços de coisas que precisam ser ditas sem gaguejar. Mando ver mesmo. Mas não tem nada mais difícil do que escrever coisas importantes nessas ferramentas de mensagens instantâneas que a gente usa todos os dias, tipo msn. Acontece que alguém estabeleceu algumas regras que atrapalham a comunicação nesses troços. Por exemplo: se você escreve em caixa alta está gritando (já me disseram isso). Às vezes você faz uma brincadeira que, para você é óbvio que é brincadeira, mas chega do lado de lá como uma bomba. E quando dá vontade de fazer o equivalente àquela olhada fulminante no fundo dos olhos. Como se faz isso? Como mandar um recado sutil nas entreletras (especialidade feminina)? Se passar alguma intenção em mensagens instantâneas é difícil, imagine segundas intenções. Deve ter sido por isso que inventaram aqueles desenhos tipo emoticons para ajudar. Você escreve o que quer dizer e, para não correr o risco da pessoa não entender sua intenção, você desenha (no meu tempo isso era como chamar de burro, acho péssimo). Para piorar, mensagens instantâneas exigem espirituosidade instantânea. Coisa que não existe, a não ser que você use chapéu de couro e seja um repentista dos bons. Quando tudo indica que o diálogo está engrenando, que o clima esta pintando, os comentários espirituosos ficam colados em algum lugar do seu cérebro. Como aquele pé de meia que sempre fica na parede da secadora de roupas. Eles não querem ser encontrados. Ou é a gente que quer falar tudo logo de uma vez, pessoalmente e bem de perto?
“Não me ajeito com os padres, os críticos e os canudinhos de refresco: não há nada que substitua o sabor da comunicação direta”. Mario Quintana
“Não me ajeito com os padres, os críticos e os canudinhos de refresco: não há nada que substitua o sabor da comunicação direta”. Mario Quintana
17 de mai. de 2007
Pessoas Separadamente Bonitas
Acabei de inventar esta categoria. Mas tenho certeza que você conhece ou já viu por aí gente desse tipo. Almoçando com amigos outro dia, eis que senta na mesa ao lado um cara moreno, alto, olhos verdes, sobrancelhas definidas, rosto quadrado, magro, forte, que se veste bem. Lendo assim, quais são as chances dessa pessoa ser feia? Pois acreditem: o cara era o cão. Estava diante de meus olhinhos um Homem Separadamente Bonito. Este tipo costuma se dar muito bem em salas de bate-papo, namoros virtuais ou naqueles serviços de namoro por celular que a gente vê na TV de madrugada, quando está chegando da balada.
Abre um parênteses aqui: chegou da balada e ligou a TV = voltou zerado pra casa. Zerado + bebinho = dá vontade de ligar para alguém. Os caras são gênios. Fecha parênteses.
Pessoas Separadamente Bonitas se dão bem nessas coisas sem precisar mentir para ninguém. Falam nada mais do que a verdade e devem arranjar pencas de pretendentes. No dia de libertar essa relação da tela do computador, de tirar a vida do papel, o sujeito aparece do jeitinho que ele descreveu. Mas completamente diferente do jeito que a pretendente em questão imaginou.
Normalmente, Pessoas Separadamente Bonitas têm Orkut e msn. Mas elas não são bobas nem nada e colocam apenas a foto do olho. Ou dos dois olhos. Geralmente verdes, cor de mel, com longos cílios. Quem pode imaginar um desastre circundando um par de grandes olhos cor de mel? Não deixa de ser um recurso, ora. Se colar, colou. Onde está escrito que beleza não pode ser vendida separadamente?
PS: Existiu uma comunidade no Orkut chamada: Quem Põe Foto do Olho é Feio. Era uma das minhas preferidas, mas parece que foi deletada. Peninha.
Abre um parênteses aqui: chegou da balada e ligou a TV = voltou zerado pra casa. Zerado + bebinho = dá vontade de ligar para alguém. Os caras são gênios. Fecha parênteses.
Pessoas Separadamente Bonitas se dão bem nessas coisas sem precisar mentir para ninguém. Falam nada mais do que a verdade e devem arranjar pencas de pretendentes. No dia de libertar essa relação da tela do computador, de tirar a vida do papel, o sujeito aparece do jeitinho que ele descreveu. Mas completamente diferente do jeito que a pretendente em questão imaginou.
Normalmente, Pessoas Separadamente Bonitas têm Orkut e msn. Mas elas não são bobas nem nada e colocam apenas a foto do olho. Ou dos dois olhos. Geralmente verdes, cor de mel, com longos cílios. Quem pode imaginar um desastre circundando um par de grandes olhos cor de mel? Não deixa de ser um recurso, ora. Se colar, colou. Onde está escrito que beleza não pode ser vendida separadamente?
PS: Existiu uma comunidade no Orkut chamada: Quem Põe Foto do Olho é Feio. Era uma das minhas preferidas, mas parece que foi deletada. Peninha.
11 de mai. de 2007
Soy cafona?
Adoro novela. O lugar que eu mais amei conhecer na vida foi o México. Acho Wando simplesmente genial. Tenho sandália de oncinha. Canto Corazón Partío, do Alejandro Sanz aos berros. Ouço Corazón Partío, do Alejandro Sanz. Tenho o CD do Alejandro Sanz. Já chorei naqueles quadros que mostram a vida dos artistas no Faustão. Choro ouvindo Roberto Carlos cantando Detalhes. Mostro todas as peças da casa para as visitas. Tenho imagens de santos e flores de plástico. Estou procurando um anão para o meu jardim. Já cantei num Karaokê em Cuba. Nas festas da minha família a gente arrasta a mesa de centro e dança na sala. Gosto de macarrão com feijão. Uso flor no cabelo mesmo antes de ser moda. Fiz baile de debutante. Já puxei a Macarena num casamento. Quando sambo eu levo a sério. Escrevo cartas de amor. E mando. Uma das minhas sobremesas favoritas é sagu. Já levei o arranjo de flores do casamento para casa. Tenho uma foto autógrafada do Lombardi. Tenho foto com o Otávio Mesquita. Tenho foto bebendo champagne de bracinho cruzado com a paraguaia Perla. É. Acho que sou.
7 de mai. de 2007
Isso e um sinal
Típico de mulher é achar que qualquer coisa que acontece na vida é um sinal. Sinal dos céus, sinal do destino, sinal de que ela tem que fazer alguma coisa. E normalmente essa coisa é catar o telefone e ligar para aquele bofe que anda sumido. Estranho é que o fato dele ter desaparecido nunca é um sinal de que ele não está a fim. De jeito nenhum.
Esse comportamento é o que eu costumo chamar de mistura de Pollyana com Mãe Dinah. Veja um exemplinho besta: alguém te conta que o seu ex-affair mudou para o Rio de Janeiro. Aí você vai ver seus e-mails e, quando entra no uol, pipoca um banner enorme da Tam com promoção de ponte aérea por R$ 20,00. Pimba. Isso é um sinal.
Esse até que foi bem direto porque, quanto mais remoto for o sinal, mais sinal é. Sinal bom mesmo é aquele que precisa de um bom contorcionismo no raciocínio para fazer sentido. Mas nós mulheres tiramos de letra porque raciocínio Cirque du Soleil é nossa especialidade.
Você acorda atrasada, mais precisamente às 9:30h, 9+3+0=12, 1+2=3. Três é o número de vezes que você saiu com o cara. Aí é só encontrar uma amiga e contar: “Nossa, olha que louco. Hoje acordei e a primeira coisa que aconteceu foi um sinal daqueles”.
Sinais fazem o sentido que você quiser que eles façam. Dependem da ligação que você, e só você, faz dentro dessa cabecinha de pudim. Quando a gente vê muitos sinais por aí, deve ser sinal de que a vida anda meio monótona, isso sim.
Esse comportamento é o que eu costumo chamar de mistura de Pollyana com Mãe Dinah. Veja um exemplinho besta: alguém te conta que o seu ex-affair mudou para o Rio de Janeiro. Aí você vai ver seus e-mails e, quando entra no uol, pipoca um banner enorme da Tam com promoção de ponte aérea por R$ 20,00. Pimba. Isso é um sinal.
Esse até que foi bem direto porque, quanto mais remoto for o sinal, mais sinal é. Sinal bom mesmo é aquele que precisa de um bom contorcionismo no raciocínio para fazer sentido. Mas nós mulheres tiramos de letra porque raciocínio Cirque du Soleil é nossa especialidade.
Você acorda atrasada, mais precisamente às 9:30h, 9+3+0=12, 1+2=3. Três é o número de vezes que você saiu com o cara. Aí é só encontrar uma amiga e contar: “Nossa, olha que louco. Hoje acordei e a primeira coisa que aconteceu foi um sinal daqueles”.
Sinais fazem o sentido que você quiser que eles façam. Dependem da ligação que você, e só você, faz dentro dessa cabecinha de pudim. Quando a gente vê muitos sinais por aí, deve ser sinal de que a vida anda meio monótona, isso sim.
10 de abr. de 2007
Deixa que eu traumatizo
Ando numa fase sossegada e seletiva. Maneira elegante de dizer que não tô pegando ninguém. Eu sei que é fase e que vai passar mas o que acho desanimador é a falta de gente interessante por metro quadrado na face da Terra. É cada um que me aparece que simplesmente não dá. Ou melhor: não dou.
A maioria dos caras que se aproxima deve me confundir com a terapeuta e já mostra de cara que é traumatizado por algum motivo. Antes de você saber o que ele faz da vida, já sabe o quanto a vida dele anda difícil desde que saiu de um relacionamento de anos. Antes de dizer se quer dançar ou ir ao bar ele já adianta que não quer se envolver agora, que as últimas mulheres que conheceu olham para ele pensando em casamento. Antes que você sequer decida se vai continuar ali, se vai ao banheiro ou vai procurar suas amigas, ele já deixou muito claro que acha as mulheres de hoje muito agressivas.
Pára tudo: se é pra ter homem traumatizado por aí, deixa que eu traumatizo. É por essas e outras que a mulherada anda se divertindo cada vez mais com os caras mais novos. Uma “juventude promissora”, com o papo tão legal quanto o corpinho e muito, mas muito menos chatos. Sorry para as mulheres mais novas do que eu, que vão chegar aos trinta e poucos e conhecer uma nova geração de traumatizados, mas eu provavelmente terei alguma coisa a ver com isso.
E quanto a vocês, homens de trinta e poucos: que mania de achar que toda mulher está desesperada para casar. Fiquem sabendo que elas estão é viciadas em liberdade, isso sim. Que está complicado abrir mão dessa sensação de posso tudo em nome de um relacionamento, se o cara não for muito gente boa. Veja que eu não estou falando de beleza nem de nenhum pré-requisito que aparece na revista Nova. Meu amigo, presta atenção e segue o meu conselho: se é pra chegar numa mulher com esse papinho bizarro, não fala nada. Faz que nem na novela: não fala nada e me beija. Agora vê se beija direito.
A maioria dos caras que se aproxima deve me confundir com a terapeuta e já mostra de cara que é traumatizado por algum motivo. Antes de você saber o que ele faz da vida, já sabe o quanto a vida dele anda difícil desde que saiu de um relacionamento de anos. Antes de dizer se quer dançar ou ir ao bar ele já adianta que não quer se envolver agora, que as últimas mulheres que conheceu olham para ele pensando em casamento. Antes que você sequer decida se vai continuar ali, se vai ao banheiro ou vai procurar suas amigas, ele já deixou muito claro que acha as mulheres de hoje muito agressivas.
Pára tudo: se é pra ter homem traumatizado por aí, deixa que eu traumatizo. É por essas e outras que a mulherada anda se divertindo cada vez mais com os caras mais novos. Uma “juventude promissora”, com o papo tão legal quanto o corpinho e muito, mas muito menos chatos. Sorry para as mulheres mais novas do que eu, que vão chegar aos trinta e poucos e conhecer uma nova geração de traumatizados, mas eu provavelmente terei alguma coisa a ver com isso.
E quanto a vocês, homens de trinta e poucos: que mania de achar que toda mulher está desesperada para casar. Fiquem sabendo que elas estão é viciadas em liberdade, isso sim. Que está complicado abrir mão dessa sensação de posso tudo em nome de um relacionamento, se o cara não for muito gente boa. Veja que eu não estou falando de beleza nem de nenhum pré-requisito que aparece na revista Nova. Meu amigo, presta atenção e segue o meu conselho: se é pra chegar numa mulher com esse papinho bizarro, não fala nada. Faz que nem na novela: não fala nada e me beija. Agora vê se beija direito.
4 de abr. de 2007
Estatuto da Criança
Juro que não é instinto materno, que só daqui a uns anos vou pensar nisso, mas ando achando criança a coisa mais legal do mundo. Não consigo desgrudar os olhos delas no shopping, na fila do supermercado e no trânsito. E sei que fazer isso é papel delas e não de uma marmanja como eu. Adulto até pode ter comportamento de criança, mas o contrário é muito esquisito.
Ano passado fui para Lisboa e tinha ataques, chiliques de riso quando via e ouvia as crianças falando com sotaque português. Mil perdões aos nossos colonizadores mas esse sotaque foi feito para ser falado por homens ou mulheres de bigode. Nunca por crianças.
Outra coisa: criança tem que ter nome de criança. Quando morava em Porto Alegre, um dia estou no ônibus para o trabalho e uma mulher entra com um gurizinho fofo, cheio de roupas, casacos e gorros. Ela paga o bilhete e diz para a criança: “Dorneles, passa por baixo da catraca”. Pára que eu quero descer. Como assim chamar aquele pequenino de Dorneles? Adelaide? Dirceu? Mano Vladimir?
Tem coisa mais deprê do que ver pimpolhos usando roupas ou óculos de sol de adulto, só que em tamanho pequeno? Crianças têm que usar óculos de sol cor-de-rosa com abelhinhas ou verde com o Jaspion. Eu tinha um óculos de gatinha verde que era tu-do. E fui criança até as brincadeiras de Barbie mais parecerem uma sessão do sexy hot. Até ser consenso entre as amigas: agora chega.
Parem com essa mania de agência de modelos. Salvo raras exceções, os pais acham os filhos muito mais bonitos do que eles realmente são. No meu tempo, as mães colocavam as crianças no jazz, e isso já era patético o suficiente.
E crianças-atrizes? Estas que fazem papel de adulto nos programas de TV e nos filmes? É insuportável ver um texto adulto saindo de uma boca que ainda nem trocou os dentes.
Eu tenho medo de crianças que falam como adultos. Elas podem ser inteligentes, espirituosas e brilhantes fazendo comentários de crianças. Como o filho de um amigão meu. Depois de cantar aos berros “Nós gatos já nascemos pobres, porém já nascemos livres” ele olha intrigado e pergunta:
- Pai, o que é porém?
Ano passado fui para Lisboa e tinha ataques, chiliques de riso quando via e ouvia as crianças falando com sotaque português. Mil perdões aos nossos colonizadores mas esse sotaque foi feito para ser falado por homens ou mulheres de bigode. Nunca por crianças.
Outra coisa: criança tem que ter nome de criança. Quando morava em Porto Alegre, um dia estou no ônibus para o trabalho e uma mulher entra com um gurizinho fofo, cheio de roupas, casacos e gorros. Ela paga o bilhete e diz para a criança: “Dorneles, passa por baixo da catraca”. Pára que eu quero descer. Como assim chamar aquele pequenino de Dorneles? Adelaide? Dirceu? Mano Vladimir?
Tem coisa mais deprê do que ver pimpolhos usando roupas ou óculos de sol de adulto, só que em tamanho pequeno? Crianças têm que usar óculos de sol cor-de-rosa com abelhinhas ou verde com o Jaspion. Eu tinha um óculos de gatinha verde que era tu-do. E fui criança até as brincadeiras de Barbie mais parecerem uma sessão do sexy hot. Até ser consenso entre as amigas: agora chega.
Parem com essa mania de agência de modelos. Salvo raras exceções, os pais acham os filhos muito mais bonitos do que eles realmente são. No meu tempo, as mães colocavam as crianças no jazz, e isso já era patético o suficiente.
E crianças-atrizes? Estas que fazem papel de adulto nos programas de TV e nos filmes? É insuportável ver um texto adulto saindo de uma boca que ainda nem trocou os dentes.
Eu tenho medo de crianças que falam como adultos. Elas podem ser inteligentes, espirituosas e brilhantes fazendo comentários de crianças. Como o filho de um amigão meu. Depois de cantar aos berros “Nós gatos já nascemos pobres, porém já nascemos livres” ele olha intrigado e pergunta:
- Pai, o que é porém?
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