A fonte é o pai de um amigo meu. Mas olha que delícia de cultura inútil.
Em todos os idiomas europeus, a palavra NOITE é formada pela letra N + o número 8 escrito por extenso.
A letra N é o símbolo matemático de infinito e o 8 deitado também simboliza infinito. Ou seja, noite significa, em todas as línguas, a união do infinito.
Em português: noite = n + oito
Em inglês: night = n + eight
Em alemão: nacht = n + acht
Em espanhol: noche = n + ocho
Em francês: nuit = n + huit
Em italiano : notte = n + otto
Agora você já sabe. Se alguém chegar com aquele papinho de elevador de que a noite é uma criança, pensa nisso e arrasa no comentário.
União do infinito é lindo de morrer.
Eu gosto da palavra bacanérrimo desde a primeira vez que ouvi. Desde então, uso mesmo. Sinceramente, este foi o único critério para escolher o nome do meu blog. Gosto de escrever mas tenho vergonha de mostrar o que escrevo. Então decidi ficar escondida atrás de uma URL simpática. E esperar que alguma coisa que eu escreva aqui vire spam e chegue um dia por e-mail, como se fosse um texto do Luiz Fernando Veríssimo. Ui, seria a glória.
28 de jun. de 2007
15 de jun. de 2007
Presente de namorado grego
Não sei você, mas eu nunca dei sorte com presente de namorado. Minto, já rolaram alguns presentes bem fofos, sim. Mas por algum motivo não consigo lembrar de nenhum para citar (logo, não foram tão fofos assim). O que lembro mesmo foi da sensação de “o que é que eu digo agora?” depois de abrir os pacotes.
Já ganhei aqueles bichos de pelúcia com olho de gente. Pra mim não tem coisa mais deprimente do que um urso com cílios da Elke Maravilha. Pois ganhei o mais chavão de todos, da Lionella. Nunca tirei da caixa.
Outra vez o presente até que era ok, mas o gato errou no cartão: ele comprou um desses que se dá para recém-nascidos. Aliás, por que dar um cartão para um recém-nascido? Tinha a ilustração meiga de um cachorrinho de fraldas e os dizeres eram algo como “que bom que você chegou, fofura”. Branco na hora de escrever um cartão eu entendo. Mas para comprar é de doer.
Mais um: na época da faculdade, eu era pouco mais do que uma adolescente e me apaixonei por um cara intelectual. Estava encantada e vivia me esforçando para mostrar que eu era suuuper madura para a minha idade. Adivinha o que ele me deu de presente? Um diário desses bem teenager, com ilustrações e adesivos para colar. Ju-ro.
Para fechar com chave de ouro: viagenzinha romântica, praia, tudo lindo. Até que chega a hora de trocar presentes. E eu me deparo com um CD da Lecy Brandão. Não, não era o acústico MTV da Lecy Brandão que, se existisse, já seria bem bizarro. Era um daqueles tipo: os 20 maiores sucessos. Juro que procurei a câmera escondida do Faustão. Dei uma sonora gargalhada e pensei: ele tá me sacaneando, que bonitinho. Mas não.
Tem mais. Mas chega, né?
Já ganhei aqueles bichos de pelúcia com olho de gente. Pra mim não tem coisa mais deprimente do que um urso com cílios da Elke Maravilha. Pois ganhei o mais chavão de todos, da Lionella. Nunca tirei da caixa.
Outra vez o presente até que era ok, mas o gato errou no cartão: ele comprou um desses que se dá para recém-nascidos. Aliás, por que dar um cartão para um recém-nascido? Tinha a ilustração meiga de um cachorrinho de fraldas e os dizeres eram algo como “que bom que você chegou, fofura”. Branco na hora de escrever um cartão eu entendo. Mas para comprar é de doer.
Mais um: na época da faculdade, eu era pouco mais do que uma adolescente e me apaixonei por um cara intelectual. Estava encantada e vivia me esforçando para mostrar que eu era suuuper madura para a minha idade. Adivinha o que ele me deu de presente? Um diário desses bem teenager, com ilustrações e adesivos para colar. Ju-ro.
Para fechar com chave de ouro: viagenzinha romântica, praia, tudo lindo. Até que chega a hora de trocar presentes. E eu me deparo com um CD da Lecy Brandão. Não, não era o acústico MTV da Lecy Brandão que, se existisse, já seria bem bizarro. Era um daqueles tipo: os 20 maiores sucessos. Juro que procurei a câmera escondida do Faustão. Dei uma sonora gargalhada e pensei: ele tá me sacaneando, que bonitinho. Mas não.
Tem mais. Mas chega, né?
11 de jun. de 2007
Tratado sobre a mulher gaúcha
Apesar da formalidade do título, é lógico que este texto não tem nenhuma fundamentação. Ele começou a se formar na minha cabeça depois de um papo animadíssimo com velhos e novos amigos numa mesa de bar. Entre os novos amigos estava uma gaúcha, como eu, que soltou uma frase interessante: você não é exatamente amiga de uma mulher gaúcha, até ter um bom desentendimento com ela. Acho que para amigos isso não serve tanto. Mas não lembro de nenhum relacionamento que eu tenha tido que não passou pelo tal papo para colocar os pingos nos is. Uma conversa/discussão com teor suficiente para colocar um ponto final na bagaça, mas que foi fundamental para tudo ficar às mil maravilhas.
Coincidência ou não, fiquei divagando a respeito. E faz um sentido enorme que nós, mulheres gaúchas, tenhamos esta peculiaridade, essa enorme herança cultural. Somos “faca na bota” mesmo.
Sem generalizações, viemos de um estado em que, durante muito tempo, ter um bom cavalo era muito mais importante do que ter uma grande mulher por perto. Mesmo as novas gerações que já não sentem isso tão na pele, carregam o histórico de parentes que eram machistas (muitos fingem que não são mais) e de mulheres que sofreram preconceito quando não fizeram exatamente-o-que-a-sociedade-esperava-que-elas-fizessem. De novo, sem generalizações, somos exigentes para caralho, temos pé atrás, temos postura e pontos de vista muito claros, gostamos de expressá-los e, em hipótese nenhuma, levamos desaforo para casa. Pela honra e pelos genes das nossas mulheres ancestrais, que tanto sofreram e tanto nos influenciaram.
Não, nós não vamos sair queimando sutiãs nem vestidos de prenda por aí. Mas somos um pouco mais inflamáveis do que o padrão feminino. Aliás, quando as pessoas acham que a gente está alterada, para nós a discussão ainda nem começou. Somos naturalmente alteradas, para o bem e para o mal. Tudo isso para dizer que as mulheres gaúchas ladram mas não mordem. Isso, se você manter uma significativa distância dos nossos calos.
PS: Ler este texto pronto me deixou com uma impressão que eu odeio, abomino, detesto. A de que os gaúchos acham que são pessoas diferentes ou especiais. Pedi a opinião da Luciene, amigona, gaúcha e mulherão, que espontaneamente sentiu a mesma coisa. Não estou falando de diferenças aqui, mas apenas de peculiaridades. Só posso escrever com propriedade sobre a minha própria experiência. Este sentimento de superioridade é justamente o que estou questionando neste texto. Não faria nenhum sentido reafirmá-lo. Tá vendo como o estigma é forte?
Coincidência ou não, fiquei divagando a respeito. E faz um sentido enorme que nós, mulheres gaúchas, tenhamos esta peculiaridade, essa enorme herança cultural. Somos “faca na bota” mesmo.
Sem generalizações, viemos de um estado em que, durante muito tempo, ter um bom cavalo era muito mais importante do que ter uma grande mulher por perto. Mesmo as novas gerações que já não sentem isso tão na pele, carregam o histórico de parentes que eram machistas (muitos fingem que não são mais) e de mulheres que sofreram preconceito quando não fizeram exatamente-o-que-a-sociedade-esperava-que-elas-fizessem. De novo, sem generalizações, somos exigentes para caralho, temos pé atrás, temos postura e pontos de vista muito claros, gostamos de expressá-los e, em hipótese nenhuma, levamos desaforo para casa. Pela honra e pelos genes das nossas mulheres ancestrais, que tanto sofreram e tanto nos influenciaram.
Não, nós não vamos sair queimando sutiãs nem vestidos de prenda por aí. Mas somos um pouco mais inflamáveis do que o padrão feminino. Aliás, quando as pessoas acham que a gente está alterada, para nós a discussão ainda nem começou. Somos naturalmente alteradas, para o bem e para o mal. Tudo isso para dizer que as mulheres gaúchas ladram mas não mordem. Isso, se você manter uma significativa distância dos nossos calos.
PS: Ler este texto pronto me deixou com uma impressão que eu odeio, abomino, detesto. A de que os gaúchos acham que são pessoas diferentes ou especiais. Pedi a opinião da Luciene, amigona, gaúcha e mulherão, que espontaneamente sentiu a mesma coisa. Não estou falando de diferenças aqui, mas apenas de peculiaridades. Só posso escrever com propriedade sobre a minha própria experiência. Este sentimento de superioridade é justamente o que estou questionando neste texto. Não faria nenhum sentido reafirmá-lo. Tá vendo como o estigma é forte?
1 de jun. de 2007
Quer que desenhe?
Sempre fui muito melhor com as palavras escritas. Principalmente para dizer coisas importantes. Cartas, e-mails, esboços de coisas que precisam ser ditas sem gaguejar. Mando ver mesmo. Mas não tem nada mais difícil do que escrever coisas importantes nessas ferramentas de mensagens instantâneas que a gente usa todos os dias, tipo msn. Acontece que alguém estabeleceu algumas regras que atrapalham a comunicação nesses troços. Por exemplo: se você escreve em caixa alta está gritando (já me disseram isso). Às vezes você faz uma brincadeira que, para você é óbvio que é brincadeira, mas chega do lado de lá como uma bomba. E quando dá vontade de fazer o equivalente àquela olhada fulminante no fundo dos olhos. Como se faz isso? Como mandar um recado sutil nas entreletras (especialidade feminina)? Se passar alguma intenção em mensagens instantâneas é difícil, imagine segundas intenções. Deve ter sido por isso que inventaram aqueles desenhos tipo emoticons para ajudar. Você escreve o que quer dizer e, para não correr o risco da pessoa não entender sua intenção, você desenha (no meu tempo isso era como chamar de burro, acho péssimo). Para piorar, mensagens instantâneas exigem espirituosidade instantânea. Coisa que não existe, a não ser que você use chapéu de couro e seja um repentista dos bons. Quando tudo indica que o diálogo está engrenando, que o clima esta pintando, os comentários espirituosos ficam colados em algum lugar do seu cérebro. Como aquele pé de meia que sempre fica na parede da secadora de roupas. Eles não querem ser encontrados. Ou é a gente que quer falar tudo logo de uma vez, pessoalmente e bem de perto?
“Não me ajeito com os padres, os críticos e os canudinhos de refresco: não há nada que substitua o sabor da comunicação direta”. Mario Quintana
“Não me ajeito com os padres, os críticos e os canudinhos de refresco: não há nada que substitua o sabor da comunicação direta”. Mario Quintana
17 de mai. de 2007
Pessoas Separadamente Bonitas
Acabei de inventar esta categoria. Mas tenho certeza que você conhece ou já viu por aí gente desse tipo. Almoçando com amigos outro dia, eis que senta na mesa ao lado um cara moreno, alto, olhos verdes, sobrancelhas definidas, rosto quadrado, magro, forte, que se veste bem. Lendo assim, quais são as chances dessa pessoa ser feia? Pois acreditem: o cara era o cão. Estava diante de meus olhinhos um Homem Separadamente Bonito. Este tipo costuma se dar muito bem em salas de bate-papo, namoros virtuais ou naqueles serviços de namoro por celular que a gente vê na TV de madrugada, quando está chegando da balada.
Abre um parênteses aqui: chegou da balada e ligou a TV = voltou zerado pra casa. Zerado + bebinho = dá vontade de ligar para alguém. Os caras são gênios. Fecha parênteses.
Pessoas Separadamente Bonitas se dão bem nessas coisas sem precisar mentir para ninguém. Falam nada mais do que a verdade e devem arranjar pencas de pretendentes. No dia de libertar essa relação da tela do computador, de tirar a vida do papel, o sujeito aparece do jeitinho que ele descreveu. Mas completamente diferente do jeito que a pretendente em questão imaginou.
Normalmente, Pessoas Separadamente Bonitas têm Orkut e msn. Mas elas não são bobas nem nada e colocam apenas a foto do olho. Ou dos dois olhos. Geralmente verdes, cor de mel, com longos cílios. Quem pode imaginar um desastre circundando um par de grandes olhos cor de mel? Não deixa de ser um recurso, ora. Se colar, colou. Onde está escrito que beleza não pode ser vendida separadamente?
PS: Existiu uma comunidade no Orkut chamada: Quem Põe Foto do Olho é Feio. Era uma das minhas preferidas, mas parece que foi deletada. Peninha.
Abre um parênteses aqui: chegou da balada e ligou a TV = voltou zerado pra casa. Zerado + bebinho = dá vontade de ligar para alguém. Os caras são gênios. Fecha parênteses.
Pessoas Separadamente Bonitas se dão bem nessas coisas sem precisar mentir para ninguém. Falam nada mais do que a verdade e devem arranjar pencas de pretendentes. No dia de libertar essa relação da tela do computador, de tirar a vida do papel, o sujeito aparece do jeitinho que ele descreveu. Mas completamente diferente do jeito que a pretendente em questão imaginou.
Normalmente, Pessoas Separadamente Bonitas têm Orkut e msn. Mas elas não são bobas nem nada e colocam apenas a foto do olho. Ou dos dois olhos. Geralmente verdes, cor de mel, com longos cílios. Quem pode imaginar um desastre circundando um par de grandes olhos cor de mel? Não deixa de ser um recurso, ora. Se colar, colou. Onde está escrito que beleza não pode ser vendida separadamente?
PS: Existiu uma comunidade no Orkut chamada: Quem Põe Foto do Olho é Feio. Era uma das minhas preferidas, mas parece que foi deletada. Peninha.
11 de mai. de 2007
Soy cafona?
Adoro novela. O lugar que eu mais amei conhecer na vida foi o México. Acho Wando simplesmente genial. Tenho sandália de oncinha. Canto Corazón Partío, do Alejandro Sanz aos berros. Ouço Corazón Partío, do Alejandro Sanz. Tenho o CD do Alejandro Sanz. Já chorei naqueles quadros que mostram a vida dos artistas no Faustão. Choro ouvindo Roberto Carlos cantando Detalhes. Mostro todas as peças da casa para as visitas. Tenho imagens de santos e flores de plástico. Estou procurando um anão para o meu jardim. Já cantei num Karaokê em Cuba. Nas festas da minha família a gente arrasta a mesa de centro e dança na sala. Gosto de macarrão com feijão. Uso flor no cabelo mesmo antes de ser moda. Fiz baile de debutante. Já puxei a Macarena num casamento. Quando sambo eu levo a sério. Escrevo cartas de amor. E mando. Uma das minhas sobremesas favoritas é sagu. Já levei o arranjo de flores do casamento para casa. Tenho uma foto autógrafada do Lombardi. Tenho foto com o Otávio Mesquita. Tenho foto bebendo champagne de bracinho cruzado com a paraguaia Perla. É. Acho que sou.
7 de mai. de 2007
Isso e um sinal
Típico de mulher é achar que qualquer coisa que acontece na vida é um sinal. Sinal dos céus, sinal do destino, sinal de que ela tem que fazer alguma coisa. E normalmente essa coisa é catar o telefone e ligar para aquele bofe que anda sumido. Estranho é que o fato dele ter desaparecido nunca é um sinal de que ele não está a fim. De jeito nenhum.
Esse comportamento é o que eu costumo chamar de mistura de Pollyana com Mãe Dinah. Veja um exemplinho besta: alguém te conta que o seu ex-affair mudou para o Rio de Janeiro. Aí você vai ver seus e-mails e, quando entra no uol, pipoca um banner enorme da Tam com promoção de ponte aérea por R$ 20,00. Pimba. Isso é um sinal.
Esse até que foi bem direto porque, quanto mais remoto for o sinal, mais sinal é. Sinal bom mesmo é aquele que precisa de um bom contorcionismo no raciocínio para fazer sentido. Mas nós mulheres tiramos de letra porque raciocínio Cirque du Soleil é nossa especialidade.
Você acorda atrasada, mais precisamente às 9:30h, 9+3+0=12, 1+2=3. Três é o número de vezes que você saiu com o cara. Aí é só encontrar uma amiga e contar: “Nossa, olha que louco. Hoje acordei e a primeira coisa que aconteceu foi um sinal daqueles”.
Sinais fazem o sentido que você quiser que eles façam. Dependem da ligação que você, e só você, faz dentro dessa cabecinha de pudim. Quando a gente vê muitos sinais por aí, deve ser sinal de que a vida anda meio monótona, isso sim.
Esse comportamento é o que eu costumo chamar de mistura de Pollyana com Mãe Dinah. Veja um exemplinho besta: alguém te conta que o seu ex-affair mudou para o Rio de Janeiro. Aí você vai ver seus e-mails e, quando entra no uol, pipoca um banner enorme da Tam com promoção de ponte aérea por R$ 20,00. Pimba. Isso é um sinal.
Esse até que foi bem direto porque, quanto mais remoto for o sinal, mais sinal é. Sinal bom mesmo é aquele que precisa de um bom contorcionismo no raciocínio para fazer sentido. Mas nós mulheres tiramos de letra porque raciocínio Cirque du Soleil é nossa especialidade.
Você acorda atrasada, mais precisamente às 9:30h, 9+3+0=12, 1+2=3. Três é o número de vezes que você saiu com o cara. Aí é só encontrar uma amiga e contar: “Nossa, olha que louco. Hoje acordei e a primeira coisa que aconteceu foi um sinal daqueles”.
Sinais fazem o sentido que você quiser que eles façam. Dependem da ligação que você, e só você, faz dentro dessa cabecinha de pudim. Quando a gente vê muitos sinais por aí, deve ser sinal de que a vida anda meio monótona, isso sim.
10 de abr. de 2007
Deixa que eu traumatizo
Ando numa fase sossegada e seletiva. Maneira elegante de dizer que não tô pegando ninguém. Eu sei que é fase e que vai passar mas o que acho desanimador é a falta de gente interessante por metro quadrado na face da Terra. É cada um que me aparece que simplesmente não dá. Ou melhor: não dou.
A maioria dos caras que se aproxima deve me confundir com a terapeuta e já mostra de cara que é traumatizado por algum motivo. Antes de você saber o que ele faz da vida, já sabe o quanto a vida dele anda difícil desde que saiu de um relacionamento de anos. Antes de dizer se quer dançar ou ir ao bar ele já adianta que não quer se envolver agora, que as últimas mulheres que conheceu olham para ele pensando em casamento. Antes que você sequer decida se vai continuar ali, se vai ao banheiro ou vai procurar suas amigas, ele já deixou muito claro que acha as mulheres de hoje muito agressivas.
Pára tudo: se é pra ter homem traumatizado por aí, deixa que eu traumatizo. É por essas e outras que a mulherada anda se divertindo cada vez mais com os caras mais novos. Uma “juventude promissora”, com o papo tão legal quanto o corpinho e muito, mas muito menos chatos. Sorry para as mulheres mais novas do que eu, que vão chegar aos trinta e poucos e conhecer uma nova geração de traumatizados, mas eu provavelmente terei alguma coisa a ver com isso.
E quanto a vocês, homens de trinta e poucos: que mania de achar que toda mulher está desesperada para casar. Fiquem sabendo que elas estão é viciadas em liberdade, isso sim. Que está complicado abrir mão dessa sensação de posso tudo em nome de um relacionamento, se o cara não for muito gente boa. Veja que eu não estou falando de beleza nem de nenhum pré-requisito que aparece na revista Nova. Meu amigo, presta atenção e segue o meu conselho: se é pra chegar numa mulher com esse papinho bizarro, não fala nada. Faz que nem na novela: não fala nada e me beija. Agora vê se beija direito.
A maioria dos caras que se aproxima deve me confundir com a terapeuta e já mostra de cara que é traumatizado por algum motivo. Antes de você saber o que ele faz da vida, já sabe o quanto a vida dele anda difícil desde que saiu de um relacionamento de anos. Antes de dizer se quer dançar ou ir ao bar ele já adianta que não quer se envolver agora, que as últimas mulheres que conheceu olham para ele pensando em casamento. Antes que você sequer decida se vai continuar ali, se vai ao banheiro ou vai procurar suas amigas, ele já deixou muito claro que acha as mulheres de hoje muito agressivas.
Pára tudo: se é pra ter homem traumatizado por aí, deixa que eu traumatizo. É por essas e outras que a mulherada anda se divertindo cada vez mais com os caras mais novos. Uma “juventude promissora”, com o papo tão legal quanto o corpinho e muito, mas muito menos chatos. Sorry para as mulheres mais novas do que eu, que vão chegar aos trinta e poucos e conhecer uma nova geração de traumatizados, mas eu provavelmente terei alguma coisa a ver com isso.
E quanto a vocês, homens de trinta e poucos: que mania de achar que toda mulher está desesperada para casar. Fiquem sabendo que elas estão é viciadas em liberdade, isso sim. Que está complicado abrir mão dessa sensação de posso tudo em nome de um relacionamento, se o cara não for muito gente boa. Veja que eu não estou falando de beleza nem de nenhum pré-requisito que aparece na revista Nova. Meu amigo, presta atenção e segue o meu conselho: se é pra chegar numa mulher com esse papinho bizarro, não fala nada. Faz que nem na novela: não fala nada e me beija. Agora vê se beija direito.
4 de abr. de 2007
Estatuto da Criança
Juro que não é instinto materno, que só daqui a uns anos vou pensar nisso, mas ando achando criança a coisa mais legal do mundo. Não consigo desgrudar os olhos delas no shopping, na fila do supermercado e no trânsito. E sei que fazer isso é papel delas e não de uma marmanja como eu. Adulto até pode ter comportamento de criança, mas o contrário é muito esquisito.
Ano passado fui para Lisboa e tinha ataques, chiliques de riso quando via e ouvia as crianças falando com sotaque português. Mil perdões aos nossos colonizadores mas esse sotaque foi feito para ser falado por homens ou mulheres de bigode. Nunca por crianças.
Outra coisa: criança tem que ter nome de criança. Quando morava em Porto Alegre, um dia estou no ônibus para o trabalho e uma mulher entra com um gurizinho fofo, cheio de roupas, casacos e gorros. Ela paga o bilhete e diz para a criança: “Dorneles, passa por baixo da catraca”. Pára que eu quero descer. Como assim chamar aquele pequenino de Dorneles? Adelaide? Dirceu? Mano Vladimir?
Tem coisa mais deprê do que ver pimpolhos usando roupas ou óculos de sol de adulto, só que em tamanho pequeno? Crianças têm que usar óculos de sol cor-de-rosa com abelhinhas ou verde com o Jaspion. Eu tinha um óculos de gatinha verde que era tu-do. E fui criança até as brincadeiras de Barbie mais parecerem uma sessão do sexy hot. Até ser consenso entre as amigas: agora chega.
Parem com essa mania de agência de modelos. Salvo raras exceções, os pais acham os filhos muito mais bonitos do que eles realmente são. No meu tempo, as mães colocavam as crianças no jazz, e isso já era patético o suficiente.
E crianças-atrizes? Estas que fazem papel de adulto nos programas de TV e nos filmes? É insuportável ver um texto adulto saindo de uma boca que ainda nem trocou os dentes.
Eu tenho medo de crianças que falam como adultos. Elas podem ser inteligentes, espirituosas e brilhantes fazendo comentários de crianças. Como o filho de um amigão meu. Depois de cantar aos berros “Nós gatos já nascemos pobres, porém já nascemos livres” ele olha intrigado e pergunta:
- Pai, o que é porém?
Ano passado fui para Lisboa e tinha ataques, chiliques de riso quando via e ouvia as crianças falando com sotaque português. Mil perdões aos nossos colonizadores mas esse sotaque foi feito para ser falado por homens ou mulheres de bigode. Nunca por crianças.
Outra coisa: criança tem que ter nome de criança. Quando morava em Porto Alegre, um dia estou no ônibus para o trabalho e uma mulher entra com um gurizinho fofo, cheio de roupas, casacos e gorros. Ela paga o bilhete e diz para a criança: “Dorneles, passa por baixo da catraca”. Pára que eu quero descer. Como assim chamar aquele pequenino de Dorneles? Adelaide? Dirceu? Mano Vladimir?
Tem coisa mais deprê do que ver pimpolhos usando roupas ou óculos de sol de adulto, só que em tamanho pequeno? Crianças têm que usar óculos de sol cor-de-rosa com abelhinhas ou verde com o Jaspion. Eu tinha um óculos de gatinha verde que era tu-do. E fui criança até as brincadeiras de Barbie mais parecerem uma sessão do sexy hot. Até ser consenso entre as amigas: agora chega.
Parem com essa mania de agência de modelos. Salvo raras exceções, os pais acham os filhos muito mais bonitos do que eles realmente são. No meu tempo, as mães colocavam as crianças no jazz, e isso já era patético o suficiente.
E crianças-atrizes? Estas que fazem papel de adulto nos programas de TV e nos filmes? É insuportável ver um texto adulto saindo de uma boca que ainda nem trocou os dentes.
Eu tenho medo de crianças que falam como adultos. Elas podem ser inteligentes, espirituosas e brilhantes fazendo comentários de crianças. Como o filho de um amigão meu. Depois de cantar aos berros “Nós gatos já nascemos pobres, porém já nascemos livres” ele olha intrigado e pergunta:
- Pai, o que é porém?
23 de mar. de 2007
Tire Proveito da M*
Quando a cartela de pílulas anticoncepcionais chega na sua reta final, começa a TPM.
Para algumas mulheres, a reta final é a do menor lado do retângulo e dura umas 3 pilulinhas. Outras precisam de um lado maior inteiro e ficam mais de uma semana enchendo o saco de todo mundo que está por perto. Eu já vi de tudo nessa vida: de mulheres que nem sabem o que é TPM, às que chegam a mudar a fisionomia por conta da revolução hormonal que antecede a menstruação. Já que é inevitável e que todas nós, que estamos na flor da idade, ainda vamos passar por isso por muitos anos, cheguei à conclusão de que a melhor coisa é usar toda essa energia para o bem. Como o meu primeiro sintoma de TPM é a Síndrome da Organização, aproveito para conferir extratos bancários, arrumar a gaveta das calcinhas, jogar papéis fora e finalmente mandar imprimir fotos digitais. Cada mês uma dessas partes da minha vida entra nos eixos. O segundo sintoma é ficar absurdamente sensível. Então levo lenço de papel na bolsa e tiro o atraso do cinema. Vejo 3 sessões seguidas e choro muito, sem medo do nariz batatudo na saída. Fora isso, considero meus amigos para caralho, ligo mais para meus pais e amasso muito o meu cachorro. E como o terceiro sintoma é o fato dos meus seios ficarem maiores na TPM, aproveito para caprichar no decotão e sair de casa me achando A Turbinada.
Para saber se eu estou de TPM é simples assim: se eu estiver limpando gavetas, chorando com powerpoints sobre o sentido da vida ou usando o maior decotão, é batata.
Para algumas mulheres, a reta final é a do menor lado do retângulo e dura umas 3 pilulinhas. Outras precisam de um lado maior inteiro e ficam mais de uma semana enchendo o saco de todo mundo que está por perto. Eu já vi de tudo nessa vida: de mulheres que nem sabem o que é TPM, às que chegam a mudar a fisionomia por conta da revolução hormonal que antecede a menstruação. Já que é inevitável e que todas nós, que estamos na flor da idade, ainda vamos passar por isso por muitos anos, cheguei à conclusão de que a melhor coisa é usar toda essa energia para o bem. Como o meu primeiro sintoma de TPM é a Síndrome da Organização, aproveito para conferir extratos bancários, arrumar a gaveta das calcinhas, jogar papéis fora e finalmente mandar imprimir fotos digitais. Cada mês uma dessas partes da minha vida entra nos eixos. O segundo sintoma é ficar absurdamente sensível. Então levo lenço de papel na bolsa e tiro o atraso do cinema. Vejo 3 sessões seguidas e choro muito, sem medo do nariz batatudo na saída. Fora isso, considero meus amigos para caralho, ligo mais para meus pais e amasso muito o meu cachorro. E como o terceiro sintoma é o fato dos meus seios ficarem maiores na TPM, aproveito para caprichar no decotão e sair de casa me achando A Turbinada.
Para saber se eu estou de TPM é simples assim: se eu estiver limpando gavetas, chorando com powerpoints sobre o sentido da vida ou usando o maior decotão, é batata.
9 de mar. de 2007
Por que as mulheres não são engraçadas?
Sim, eu estou plagiando a capa da Ilustrada desta quinta, 8 de março, dia internacional da mulher (eita datinha que já podia expirar). Um amigo leu e lembrou de mim (tks, Rapha). Eu li e lembrei de mais uma penca de amigas que são muito engraçadas. Mas depois de ler fui obrigada a concordar com as afirmações mais do que desconcertantes de Christopher Hitchens, escritor e ensaísta britânico que se baseou em razões científicas e sociológicas para provar esta tese. E por mais que me doa dizer isso, estou totalmente convencida.
Ele afirma que humor é uma capacidade muito mais inerente aos homens do que às mulheres. Porque para os homens, ser engraçado é uma arma usada na conquista. Eu e todas as mulheres que conheço adoramos homens que nos fazem rir. Mas nunca ouvi um amigo sequer, falando empolgado sobre ter tesão por uma mulher que o faz dar gargalhadas.
Ele é mais taxativo do que isso. Afirma que “há mais humoristas mulheres péssimas do que humoristas homens péssimos (...) e se você olhar mais de perto, verá que a maioria é gorda, lésbica, judia ou um misto destas três coisas”. Eu acho isso muito foda, mas se você passar por cima da má impressão, vai ver que ele não está dizendo nenhuma mentira. Eu, que não sou gorda, nem lésbica, nem judia e tenho pretensões de um dia viver às custas de textos de humor, estou praticamente na lama. É isso, então?
Estranho, mas ler o ensaio não me deixou com esta sensação. Pelo contrário. Apesar de concordar com tudo e achar o texto genial, me sinto ainda mais especial por não fazer parte da maioria pasteurizada e conquistável, que seria capaz de frear seu senso humor para não se sobressair num diálogo com um homem.
Eu perco o bofe mas não perco a piada.
Ele afirma que humor é uma capacidade muito mais inerente aos homens do que às mulheres. Porque para os homens, ser engraçado é uma arma usada na conquista. Eu e todas as mulheres que conheço adoramos homens que nos fazem rir. Mas nunca ouvi um amigo sequer, falando empolgado sobre ter tesão por uma mulher que o faz dar gargalhadas.
Ele é mais taxativo do que isso. Afirma que “há mais humoristas mulheres péssimas do que humoristas homens péssimos (...) e se você olhar mais de perto, verá que a maioria é gorda, lésbica, judia ou um misto destas três coisas”. Eu acho isso muito foda, mas se você passar por cima da má impressão, vai ver que ele não está dizendo nenhuma mentira. Eu, que não sou gorda, nem lésbica, nem judia e tenho pretensões de um dia viver às custas de textos de humor, estou praticamente na lama. É isso, então?
Estranho, mas ler o ensaio não me deixou com esta sensação. Pelo contrário. Apesar de concordar com tudo e achar o texto genial, me sinto ainda mais especial por não fazer parte da maioria pasteurizada e conquistável, que seria capaz de frear seu senso humor para não se sobressair num diálogo com um homem.
Eu perco o bofe mas não perco a piada.
7 de mar. de 2007
Choro Tecnico
Sempre tive uma inveja danada de quem sabe chorar bonito. Aquele choro digno em que as lágrimas escorrem mas o rímel não. O choro que a gente vê em todos os capítulos das novelas da Gloria Perez e das mexicanas. Que não deixa o nariz batatudo, nem vermelho, nem escorrendo. O choro que permite que você fale durante, sem engasgar, soluçar e tossir.
O meu choro é o mais feio que eu já vi. E como sou uma pessoa que chora com facilidade, vira e mexe preciso lavar o rosto no banheiro da firma, esperar todo mundo sair do cinema, não atender o telefone em dia de eliminação do big brother ou simplesmente não usar rímel.
Devia existir um curso para isso. Você passaria por treinamentos em que aprenderia a identificar e lidar com os diferentes tipos de choro: o sem-motivo, o interminável, o compulsivo, o de alegria. Mas tudo com um objetivo final muito claro, um nível de aprendizado e auto-controle altíssimo. As poucas mulheres que conseguissem chegar ao final deste curso seriam admiradas e invejadas, virariam referência e dariam palestras pelo mundo. E quando elas andassem pelas ruas, as outras iriam se cutucar e comentar com admiração:
- Essa daí engole.
O meu choro é o mais feio que eu já vi. E como sou uma pessoa que chora com facilidade, vira e mexe preciso lavar o rosto no banheiro da firma, esperar todo mundo sair do cinema, não atender o telefone em dia de eliminação do big brother ou simplesmente não usar rímel.
Devia existir um curso para isso. Você passaria por treinamentos em que aprenderia a identificar e lidar com os diferentes tipos de choro: o sem-motivo, o interminável, o compulsivo, o de alegria. Mas tudo com um objetivo final muito claro, um nível de aprendizado e auto-controle altíssimo. As poucas mulheres que conseguissem chegar ao final deste curso seriam admiradas e invejadas, virariam referência e dariam palestras pelo mundo. E quando elas andassem pelas ruas, as outras iriam se cutucar e comentar com admiração:
- Essa daí engole.
27 de fev. de 2007
Pelo amor
A maior prova de que os adultos são uns grandes filhos da puta é terem inventado a maçã do amor. Quando você olha para todas elas enfileiradas na carrocinha do parque de diversões, vê todos os pré-requisitos do que deve ser a coisa mais maravilhosa que uma criança poderia ter na vida: vermelha, brilhante, caramelizada. Tão perfeita que você abre mão de um rolê na roda gigante em troca de uma delas, sem pestanejar. Negócio fechado, jura que você vai me dar uma dessas, mãe? Será que eu mereço tanto? Seus pais vão lá, compram, entregam na sua mão e você, pequeno e fascinado por aquele manjar dos deuses, pensa na melhor maneira de morder sem estragar nada. É um momento inesquecível até que seus dentinhos de leite cruzam a barreira do caramelo e se deparam com a coisa mais insossa do planeta. Acho que essa foi a primeira decepção que eu tive na vida, só comparável a ver a Simony na Playboy. Para que fazer isso com as pobres criancinhas? Depois elas é quem são cruéis.
13 de fev. de 2007
Categoria Rei Leao e Categoria Simba
Duas coisas me deixaram pensativas quando eu assisti O Rei Leão no cinema. A primeira é como os pais fariam para controlar o choro e as perguntas incrédulas das criancinhas na hora em que o leão pai morre pisoteado pelos gnus.
A segunda é como os ilustradores conseguiram estabelecer duas categorias de leões tão distintas. O leão pai era o fodão, tinha uma postura de macho, orgulhoso, corajoso sem fazer nenhum esforço para isso. Simba já é outro naipe: o principiante, porra-louca, perdidaço na vida. Nem quando ele assume o trono de rei no final do filme, perde a cara de Rei Leão Jr.
Eu passei a usar essas duas categorias para um monte de coisas.
Já tive um cachorro pastor alemão que era o Rei Leão dos Pastores Alemães. Hoje tenho um vira-lata totalmente Simba.
Professores e chefes também se enquadram nessa categoria: tem o Rei Leão, que você admira pela postura, pelo poder. E tem o Simba (e como tem).
Marlon Brando era um Rei Leão de homem. Gael García Bernal é um Simba. No caso, simba lá pra casa. Mas é um Simba.
Todo mundo tem aqueles bofes Simbas que ficaram aí pela vida, bonzinhos, precisando superar algum trauma ou com muito o que aprender. Agora, cá entre nós, nada como um bofe Rei Leão na vida de uma mulher. Chega a ser covardia. Hakuna Matata, baby.
A segunda é como os ilustradores conseguiram estabelecer duas categorias de leões tão distintas. O leão pai era o fodão, tinha uma postura de macho, orgulhoso, corajoso sem fazer nenhum esforço para isso. Simba já é outro naipe: o principiante, porra-louca, perdidaço na vida. Nem quando ele assume o trono de rei no final do filme, perde a cara de Rei Leão Jr.
Eu passei a usar essas duas categorias para um monte de coisas.
Já tive um cachorro pastor alemão que era o Rei Leão dos Pastores Alemães. Hoje tenho um vira-lata totalmente Simba.
Professores e chefes também se enquadram nessa categoria: tem o Rei Leão, que você admira pela postura, pelo poder. E tem o Simba (e como tem).
Marlon Brando era um Rei Leão de homem. Gael García Bernal é um Simba. No caso, simba lá pra casa. Mas é um Simba.
Todo mundo tem aqueles bofes Simbas que ficaram aí pela vida, bonzinhos, precisando superar algum trauma ou com muito o que aprender. Agora, cá entre nós, nada como um bofe Rei Leão na vida de uma mulher. Chega a ser covardia. Hakuna Matata, baby.
3 de fev. de 2007
Os sons mais horríveis do mundo
Li no Terra outro dia que “um estudo realizado pelo Centro de Pesquisa Acústica da Universidade Salford, na Inglaterra, listou os sons mais horríveis ao ouvido humano”. Foi feita uma pesquisa com mais de 1 milhão de pessoas do mundo todo. Os cientistas determinaram que o som de uma pessoa vomitando é o pior de todos (!!!).
Necessariamente nesta ordem, aí vai a relação dos piores sons do mundo:
Vômito, Microfonia, Bebês chorando, Rangidos de trem freando, Balanço em um playground, Violino desafinado, Flatulência , Um bebê chorando, Discussão em uma novela, Barulho de corrente elétrica, Grunhido do diabo da Tasmânia, Miados desesperado de um gato, Tosse, Toques de telefones celular, Porta rangendo, Latido de cachorro, Barulho de alguém fungando, Giz em um quadro negro, Barulho de isopor e Broca de dentista.
Agora a pergunta que não quer calar: como é que ninguém mencionou aquela música da Ivete Sangalo que diz “Chupa toda. Disse toda” nessa pesquisa?
Necessariamente nesta ordem, aí vai a relação dos piores sons do mundo:
Vômito, Microfonia, Bebês chorando, Rangidos de trem freando, Balanço em um playground, Violino desafinado, Flatulência , Um bebê chorando, Discussão em uma novela, Barulho de corrente elétrica, Grunhido do diabo da Tasmânia, Miados desesperado de um gato, Tosse, Toques de telefones celular, Porta rangendo, Latido de cachorro, Barulho de alguém fungando, Giz em um quadro negro, Barulho de isopor e Broca de dentista.
Agora a pergunta que não quer calar: como é que ninguém mencionou aquela música da Ivete Sangalo que diz “Chupa toda. Disse toda” nessa pesquisa?
23 de jan. de 2007
Definitivamente não
A escova definitiva está para as mulheres assim como o Combover está para os homens.
Para quem não sabe, Combover é aquela meia dúzia de fios de cabelo que os calvos deixam crescer para pentear para o ladinho e cobrir a careca. Quer dizer, cobrir pelo menos a parte da frente, que eles enxergam no espelho (a quem o Geraldo Alckmin pensa que engana?).
Pois a escova definitiva, prima do alisamento japonês ou, olha a que ponto chegamos, alisamento com chocolate são as novas maneiras da mulherada praticar a auto-enganação.
É complicado olhar para o espelho e não gostar do que você vê do lado de lá. Mas existem profissionais para o lado de dentro da cabeça que costumam ser muito mais eficientes do que estes alisamentos-que-tá-na-cara-que-são-artificiais-e-detonaram-seu-cabelo.
Não tem nada errado em querer variar o visual, dou o maior apoio. Mas para isso existem técnicas menos radicais, menos feias e que, pelo menos, te dão o direito de pensar “não gostei, lavei e tá novo”.
Esse fim-de-semana fui à manicure e fiquei encantada com a arte de dizer nada de um cabeleireiro, tentando convencer uma garota de cabelos ondulados e lindos, a alisar de vez. Ele mesmo tinha um cabelo que mais lembrava um espanador, de tão esturricado. Ficava enrolando uma mechinha seca no dedo e falando horas sobre as cutículas, folículos, queratina e sobre “alimentar o cabelo” (deve ser aí que entra o chocolate).
Eu não sei o que acontece. As pessoas tendem a formar uma auto-imagem errada na frente do espelho. Elas acreditam por aquele princípio infantil: quando você acredita, acontece. Será que falta alguém para avisar que sim, dá para perceber que isso que você fez na cabeça é artificial e deixa seu visual pior? Que tá na cara que muito produto químico passou por aí ou que quando você respira dá para ver a sua careca? Se ninguém tem coragem de dizer que os seus cabelos parecem cabelos de boneca, eu me habilito. Desculpe, mas nada bom pode ser associado ao uso de formol.
O que? Seu cabeleireiro disse que tem uma técnica nova e que o seu ficou ótimo, perfeito e super natural? Jura que ele disse?
Para quem não sabe, Combover é aquela meia dúzia de fios de cabelo que os calvos deixam crescer para pentear para o ladinho e cobrir a careca. Quer dizer, cobrir pelo menos a parte da frente, que eles enxergam no espelho (a quem o Geraldo Alckmin pensa que engana?).
Pois a escova definitiva, prima do alisamento japonês ou, olha a que ponto chegamos, alisamento com chocolate são as novas maneiras da mulherada praticar a auto-enganação.
É complicado olhar para o espelho e não gostar do que você vê do lado de lá. Mas existem profissionais para o lado de dentro da cabeça que costumam ser muito mais eficientes do que estes alisamentos-que-tá-na-cara-que-são-artificiais-e-detonaram-seu-cabelo.
Não tem nada errado em querer variar o visual, dou o maior apoio. Mas para isso existem técnicas menos radicais, menos feias e que, pelo menos, te dão o direito de pensar “não gostei, lavei e tá novo”.
Esse fim-de-semana fui à manicure e fiquei encantada com a arte de dizer nada de um cabeleireiro, tentando convencer uma garota de cabelos ondulados e lindos, a alisar de vez. Ele mesmo tinha um cabelo que mais lembrava um espanador, de tão esturricado. Ficava enrolando uma mechinha seca no dedo e falando horas sobre as cutículas, folículos, queratina e sobre “alimentar o cabelo” (deve ser aí que entra o chocolate).
Eu não sei o que acontece. As pessoas tendem a formar uma auto-imagem errada na frente do espelho. Elas acreditam por aquele princípio infantil: quando você acredita, acontece. Será que falta alguém para avisar que sim, dá para perceber que isso que você fez na cabeça é artificial e deixa seu visual pior? Que tá na cara que muito produto químico passou por aí ou que quando você respira dá para ver a sua careca? Se ninguém tem coragem de dizer que os seus cabelos parecem cabelos de boneca, eu me habilito. Desculpe, mas nada bom pode ser associado ao uso de formol.
O que? Seu cabeleireiro disse que tem uma técnica nova e que o seu ficou ótimo, perfeito e super natural? Jura que ele disse?
22 de jan. de 2007
Um de cada vez
Trinta anos é um período intermediário e delicioso da vida. Você não é mais uma garotinha mas também está longe (que foi?) de ser uma coroa. Acho que é o momento em que as mulheres se sentem mais plenas. Já têm experiência, provavelmente já são independentes e isso dá uma sensação de liberdade que chega a ser perigosa, porque vicia. A mulherada tem a sensação de que pode tudo. A vida fica decifrável e muito mais simples para quem tem trinta (e três, no meu caso). Mas claro que nem tudo é perfeito e eu tenho uma reclamação a fazer.
Por que diabos espinhas e cabelos brancos precisam existir ao mesmo tempo?
Ou eu sou pós-adolescente e ainda tenho espinhas, ou sou pré-coroa e já tenho alguns fios brancos. Dá para se decidir, pô? Acho mais do que justo que elas piquem a mula no mesmo instante que eles chegarem. Os dois, ninguém merece. O conflito de gerações fica estampado na testa da gente. Como se não bastasse, os fios brancos são muito estranhos nessa fase: duros, espetados, parecem antenas. As espinhas também vêm meio descompensadas, no meio da bochecha. Já não respeitam mais a zona T, onde passaram a adolescência inteira. Acho que são contagiados pela sensação de “posso tudo” das mulheres e chegam chegando. Firmes, fortes, seguros, contrariando regras. Regras são para adolescentes e velhinhos nos asilos, ora.
PS: Será que o Walmor Chagas tem espinhas?
Por que diabos espinhas e cabelos brancos precisam existir ao mesmo tempo?
Ou eu sou pós-adolescente e ainda tenho espinhas, ou sou pré-coroa e já tenho alguns fios brancos. Dá para se decidir, pô? Acho mais do que justo que elas piquem a mula no mesmo instante que eles chegarem. Os dois, ninguém merece. O conflito de gerações fica estampado na testa da gente. Como se não bastasse, os fios brancos são muito estranhos nessa fase: duros, espetados, parecem antenas. As espinhas também vêm meio descompensadas, no meio da bochecha. Já não respeitam mais a zona T, onde passaram a adolescência inteira. Acho que são contagiados pela sensação de “posso tudo” das mulheres e chegam chegando. Firmes, fortes, seguros, contrariando regras. Regras são para adolescentes e velhinhos nos asilos, ora.
PS: Será que o Walmor Chagas tem espinhas?
19 de jan. de 2007
Laranjas, uni-vos
Queria pedir para o matemático Oswald de Souza fazer a gentileza de calcular a probabilidade real de uma pessoa encontrar a tal metade da laranja, que os românticos inveterados tanto procuram.
Imagine que o mundo é mesmo feito de bilhões de laranjas divididas ao meio e espalhadas aleatoriamente por aí.
Quando na vida você vai encontrar a sua?
Tem que ter muita ajuda divina para isso acontecer. Ok, vamos ser beeeeem otimistas, partir do pressuposto que o destino vai conspirar, as preces da sua mãe serão ouvidas e sim, você vai esbarrar na sua.
Você, como a metade 1, tem que olhar para a metade 2, aceitar aqueles furinhos na casca, achar aquela cor amarela apetitosa e se jogar. Mas a metade 2 tem os mesmos direitos, pô. Ela também tem que abstrair os seus furinhos e querer encaixar os gominhos dela nos seus. Concorda que, mesmo quando você encontra, é difícil as duas metades entrarem num consenso?
Depois, a gente anda exposto a tanta laranja nessa vida que não dá para escolher, assim de sopetão, ao lado de qual delas você vai querer virar um bagaço. A maioria é meio sem gosto, tem as que só servem para suco, aquelas pequenininhas, que só misturando na pinga para engolir. Quantas vezes você já caiu de boca numa laranja que era metade cheia de caldinho totoso e a outra metade totalmente seca? Vai que a metade que te cabe é uma dessas? Eu, hein. Sou mulher de passar o resto da vida comendo laranja como quem mastiga um plástico-bolha?
Quer saber? Melhor do que procurar a sua metade, é ir atrás da salada de frutas toda. Abrir o leque e, quem sabe, começar a achar uma metade de carambola mais interessante do que tudo o que você já viu na vida.
Imagine que o mundo é mesmo feito de bilhões de laranjas divididas ao meio e espalhadas aleatoriamente por aí.
Quando na vida você vai encontrar a sua?
Tem que ter muita ajuda divina para isso acontecer. Ok, vamos ser beeeeem otimistas, partir do pressuposto que o destino vai conspirar, as preces da sua mãe serão ouvidas e sim, você vai esbarrar na sua.
Você, como a metade 1, tem que olhar para a metade 2, aceitar aqueles furinhos na casca, achar aquela cor amarela apetitosa e se jogar. Mas a metade 2 tem os mesmos direitos, pô. Ela também tem que abstrair os seus furinhos e querer encaixar os gominhos dela nos seus. Concorda que, mesmo quando você encontra, é difícil as duas metades entrarem num consenso?
Depois, a gente anda exposto a tanta laranja nessa vida que não dá para escolher, assim de sopetão, ao lado de qual delas você vai querer virar um bagaço. A maioria é meio sem gosto, tem as que só servem para suco, aquelas pequenininhas, que só misturando na pinga para engolir. Quantas vezes você já caiu de boca numa laranja que era metade cheia de caldinho totoso e a outra metade totalmente seca? Vai que a metade que te cabe é uma dessas? Eu, hein. Sou mulher de passar o resto da vida comendo laranja como quem mastiga um plástico-bolha?
Quer saber? Melhor do que procurar a sua metade, é ir atrás da salada de frutas toda. Abrir o leque e, quem sabe, começar a achar uma metade de carambola mais interessante do que tudo o que você já viu na vida.
16 de jan. de 2007
A outra voz
Não sei se existe explicação científica, mas todo mundo tem aquela outra voz para falar com namorado(a), marido(a) ou cachorro(a). Uma voz que oscila entre o infantil e o imbecil e que não é opcional. Por mais que você tente evitar, é ela que sai da sua boca quando você fala por telefone com o bofe ou quando vai coçar a barriga do peludão. Ela aparece onde você estiver, sem distinção: na rua, na chuva, na fazenda, numa casinha de sapê, numa reunião de trabalho, numa mesa de bar com os amigos, na fila de supermercado, no cinema. Um inferno.
Tem gente que consegue deixar isso ainda mais requintado: como se não bastasse a voz, ainda cria um vocabulário próprio, com palavras, vogais e consoantes trocadas. E muito, muito diminutivo. Não é mais amorzinho, mas amojinhu. Não quero pode ter a versão não quelo ou num telo, dependendo do grau de intimidade. Não vou nem entrar no mérito dos apelidos para não me estender. Porque existe a categoria que substitui o nome do indivíduo e a outra, que vai mais longe e insiste em colocar nomes fofos nos órgãos genitais do parceiro.
O fato é que todo mundo sabe que é ridículo, que é tosco, mas também que é uma delícia ter esse ímpeto de falar axim com alguém. Essa deve ser a tal voz que vem do coração, que todo mundo vive dizendo para a gente escutar. Sei não. Se for ela, escuta mas dá um desconto. Que essa voz não é nada confiável.
(O espaço dos comentários está aberto para você contar o seu jeitinho de falar. Ou o jeito daquele primo de um amigo seu, se isso te deixa mais à vontade. Pode postar como anônimo, bobo.)
Tem gente que consegue deixar isso ainda mais requintado: como se não bastasse a voz, ainda cria um vocabulário próprio, com palavras, vogais e consoantes trocadas. E muito, muito diminutivo. Não é mais amorzinho, mas amojinhu. Não quero pode ter a versão não quelo ou num telo, dependendo do grau de intimidade. Não vou nem entrar no mérito dos apelidos para não me estender. Porque existe a categoria que substitui o nome do indivíduo e a outra, que vai mais longe e insiste em colocar nomes fofos nos órgãos genitais do parceiro.
O fato é que todo mundo sabe que é ridículo, que é tosco, mas também que é uma delícia ter esse ímpeto de falar axim com alguém. Essa deve ser a tal voz que vem do coração, que todo mundo vive dizendo para a gente escutar. Sei não. Se for ela, escuta mas dá um desconto. Que essa voz não é nada confiável.
(O espaço dos comentários está aberto para você contar o seu jeitinho de falar. Ou o jeito daquele primo de um amigo seu, se isso te deixa mais à vontade. Pode postar como anônimo, bobo.)
18 de dez. de 2006
Folha ou Estadão?
Afinal, qual é o melhor jornal? O Estadão tem o Luiz Fernando Veríssimo mas a Follha tem a Ilustrada. O Guia da Folha é imbatível, mas as campanhas publicitárias do Estado são muito mais inteligentes (pelo menos eram, vai). O projeto gráfico da Folha é mais isso, o do Estadão é mais aquilo. O anti-petismo/lulismo do Estadão é mais escancarado. A Folha é mais em cima do muro e paga de mais isenta.
Como diz a minha empregada, aí vai da pessoa. Sempre vai ter alguém com motivos diferentes para preferir um ou outro. Essa discussão não tem fim. E nem os próprios jornais em questão querem que tenha. A competição é boa para os leitores e eu sou uma pessoa rasa demais para ficar fazendo divagações, como os jornalistas tanto gostam. Empate técnico também é inaceitável porque, afinal de contas,ter uma opinião é importante nessa vida.
Então, para decidir o meu jornal preferido e para contribuir de alguma forma nesta discussão, aí vai minha opinião sincera, despretensiosa e cheia de propriedade: a Folha é mais absorvente que o Estadão. As páginas da Folha absorvem o líquido por igual. Pelo menos é isso que eu noto quando troco o jornal onde meu cachorro faz as necessidades todos os dias. Choquei agora, né?
Como diz a minha empregada, aí vai da pessoa. Sempre vai ter alguém com motivos diferentes para preferir um ou outro. Essa discussão não tem fim. E nem os próprios jornais em questão querem que tenha. A competição é boa para os leitores e eu sou uma pessoa rasa demais para ficar fazendo divagações, como os jornalistas tanto gostam. Empate técnico também é inaceitável porque, afinal de contas,ter uma opinião é importante nessa vida.
Então, para decidir o meu jornal preferido e para contribuir de alguma forma nesta discussão, aí vai minha opinião sincera, despretensiosa e cheia de propriedade: a Folha é mais absorvente que o Estadão. As páginas da Folha absorvem o líquido por igual. Pelo menos é isso que eu noto quando troco o jornal onde meu cachorro faz as necessidades todos os dias. Choquei agora, né?
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