Eu andava órfã de um bom programa de humor desde que a Bispa Sônia foi para o xilindró. Ficava zapeando por todos os canais na busca de algo que me fizesse dar uma gargalhada tão sonora quanto a que eu soltei quando ouvi a gênia dizendo que “Deus é uma coisa quentinha e gostosinha”, que “o que diferencia um homem e uma mulher perante Deus é que a mulher se maquia e se enfeita e o homem não” ou que “Jesus era um cara piradão que não morreu, só resolveu dar um tempo”. Com licença, mas palmas para ela. Alguém capaz de dizer estas maravilhas tem mesmo que andar com aquela pulseirinha localizadora no tornozelo, comum entre as ararinhas-azuis, os pingüins e os golfinhos que aparecem no Globo Repórter. Os seres humanos precisam ficar de olho e investigar mais sobre esta espécie.
Agora tem outro programa de humor à altura, que é o Horário Eleitoral. Vejo sempre que posso e me deleito com o desfile de aberrações e caras-de-pau. Os partidos nanicos capricham nos trocadilhos como “Pode entrar que a causa é sua”. Adoro. Teve até paródia dos comerciais de Brastemp. Pessoas sentadas em poltronas diziam que aquele candidato não era assim, um Valente. Enaltecendo o candidato Ivan Valente do PSOL. Ver o Maluf caindo no samba e totalmente desconfortável, abraçando os populares é uma piada muito melhor do que qualquer coisa que eu tenha visto recentemente na TV. E os candidatos a vereador? A turma acha que ser parente ou amigo de alguma celebridade duvidosa já credencia para assumir um cargo público. Eu estou seriamente dividida entre a mulher do Maguila, o filho do Romeu Tuma, o advogado do Ratinho, o amigo do Marcelinho Carioca e o filho do Enéas (esse, apesar da semelhança, dizem que nem filho é). Tem também a categoria Pagodeiros na Pindaíba, todos disputando um cargo com Agnaldo Timoteo, Sergio Malandro e Tiririca. Aliás, o Tiririca é mais engraçado neste programa do que nos outros em que apareceu antes. E as perguntas que não querem calar: Quem é 27? Eu sou 27. Quem é 27? Eu sou 27 (repita isso exaustivamente até acabar o tempo do partido). Por favor, alguém avisa para aquele senhor que pinta o bigode que não vai rolar aerotrem em São Paulo. Por que ele insiste nisso?
O destaque musical eu deixo para a tortura da propaganda da Marta. Aquele carrega na catraca, carrega na catraca, carrega na catraca me causa uma irritação comparável apenas a escutar Morango do Nordeste no talo.
Mas o que realmente intriga é a fúria do pessoal assumindo que está com Maluf e não abre. Aquela mulher que berra que as pessoas estão estressadas e perdendo para o trânsito. Amiga, não tem mais ninguém gritando aqui. Estressada é você, bem. Respira fundo, vai. Mas eu entendo. Contratam a coitada para dizer que Maluf é o cara, que ela vai votar nele e tem orgulho disso. Qualquer um ficaria muito puto.
Eu gosto da palavra bacanérrimo desde a primeira vez que ouvi. Desde então, uso mesmo. Sinceramente, este foi o único critério para escolher o nome do meu blog. Gosto de escrever mas tenho vergonha de mostrar o que escrevo. Então decidi ficar escondida atrás de uma URL simpática. E esperar que alguma coisa que eu escreva aqui vire spam e chegue um dia por e-mail, como se fosse um texto do Luiz Fernando Veríssimo. Ui, seria a glória.
26 de set. de 2008
23 de set. de 2008
Banheiro Feminino
Este foi um dos temas do papo com as amigas no fim de semana. Qual o propósito da tal curiosidade em torno do banheiro feminino? Não entendo e nem conheço nenhuma mulher que tenha ficado imaginando o contrário: humm, olha aqueles dois caras entrando juntos no banheiro. O que será que eles fazem lá dentro? Da nossa parte, pode acreditar, ir com uma amiga ao banheiro não passa de comodismo. Já que você vai eu também vou. O motivo é o óbvio: xixi ou maquilagem. Pronto. Desculpe se destruí um mito mas não passa disso. Para falar bem a verdade, até acontecem mais coisas num banheiro feminino mas a gente não costuma contar porque é bem escatológico. Não é para manter o mistério. É vergonha alheia mesmo. Banheiro feminino é normalmente um nojo. A mulherada em geral detona e não está nem aí. Os homens erram a mira. As mulheres erram todo o resto. Fazem questão de deixar tudo (sim, eu disse tudo) espalhado pelo chão e fingem que desconhecem aquele misterioso botãozinho chamado descarga.
Outra coisa que sempre tem em banheiros femininos é alguém vomitando ou alguém chorando. E quanto mais alegre deveria ser a balada, mais gente chorando tem. Banheiro de carnaval e de reveillon é um rio de lágrimas, interditado por gente com o rímel escorrendo. E uma dica: nunca, em hipótese nenhuma, pergunte por que uma mulher está chorando no banheiro. Ela pode ficar agressiva e te botar os cachorros. Ou pode fazer pior: decidir te contar porque está chorando e te manter naquele ambiente fétido por muito mais tempo do que você merece. Coisa que as torneiras automáticas e os secadores de mão que nunca funcionam já costumam fazer muito bem.
Já vi toda sorte de bizarrices em banheiros femininos: da patricinha que me instruiu a mentalizar que a cor da transmutação é lilás, sempre que eu estivesse passando por uma situação difícil até a mulher linda, que todo mundo estava paquerando no bar minutos antes, flagrada lavando o sovaco na pia (falei que ia destruir mitos). Já vi uma que estava na minha frente na fila mas não pôde esperar e fez tudo ali mesmo, deixando a sua calça jeans clarinha gradualmente mais escura. Ju-ro. Vi duas amigas super legais e divertidas jogando o cesto de lixo cheio para dentro da baia da outra. Ou seja: cada uma jogou um cesto cheio de papéis sujos na cabeça da amiga. Fofo, né? E tem a famosa história que eu sempre conto da mina que falou: meu cabelo está tão sem volume, jogou a cabeleira para baixo e enfiou a testa na pia com direito a efeitos sonoros de um episódio do Chaves.
Vai por mim: quando bater a tal curiosidade, esquece. Nem queira saber.
Outra coisa que sempre tem em banheiros femininos é alguém vomitando ou alguém chorando. E quanto mais alegre deveria ser a balada, mais gente chorando tem. Banheiro de carnaval e de reveillon é um rio de lágrimas, interditado por gente com o rímel escorrendo. E uma dica: nunca, em hipótese nenhuma, pergunte por que uma mulher está chorando no banheiro. Ela pode ficar agressiva e te botar os cachorros. Ou pode fazer pior: decidir te contar porque está chorando e te manter naquele ambiente fétido por muito mais tempo do que você merece. Coisa que as torneiras automáticas e os secadores de mão que nunca funcionam já costumam fazer muito bem.
Já vi toda sorte de bizarrices em banheiros femininos: da patricinha que me instruiu a mentalizar que a cor da transmutação é lilás, sempre que eu estivesse passando por uma situação difícil até a mulher linda, que todo mundo estava paquerando no bar minutos antes, flagrada lavando o sovaco na pia (falei que ia destruir mitos). Já vi uma que estava na minha frente na fila mas não pôde esperar e fez tudo ali mesmo, deixando a sua calça jeans clarinha gradualmente mais escura. Ju-ro. Vi duas amigas super legais e divertidas jogando o cesto de lixo cheio para dentro da baia da outra. Ou seja: cada uma jogou um cesto cheio de papéis sujos na cabeça da amiga. Fofo, né? E tem a famosa história que eu sempre conto da mina que falou: meu cabelo está tão sem volume, jogou a cabeleira para baixo e enfiou a testa na pia com direito a efeitos sonoros de um episódio do Chaves.
Vai por mim: quando bater a tal curiosidade, esquece. Nem queira saber.
14 de set. de 2008
Velho da Pedroso
Na avenida Pedroso de Moraes em São Paulo, mora um mendigo que passa o dia inteiro escrevendo. Eu sempre tive uma curiosidade enorme de saber o que ele tanto escreve. Então, como passava por lá todos os dias, resolvi levar um prato de comida e ele me deu um dos seus escritos como forma de agradecimento. Fiz isso mais algumas vezes e tenho uma pequena coleção dos textos dele. Peguei amor.
Os textos são intrigantes. Com erros de português mas muito bem escritos, se é que isso é possível. Ele é articulado, usa palavras difíceis, tudo faz sentido (ou quase) e está catalogado com números e datas estranhas. O mais curioso é que ele encerra os textos com uma espécie de assinatura publicitária. Tudo acaba com “Casa Suíno. Modêlo em desigiêne”. Sim, suíno de porcos, “desigiêne” de falta de higiene, sujeira mesmo. Tem uma ironia nisso, o cara é bom. Gosto dele. Sempre que passo por ali vejo se está tudo bem. Ele gosta de morar lá, que eu sei. Já que eu estou meio sem tempo de escrever, aqui vai um texto que eu transcrevi exatamente como estava no papel que ele me deu. Não sei você, mas eu amei.
Oférta:
Géstas – Páginas Autógrafas.
Que
sua vida seja cômo a
da câna de assucar,
que sabe extrair da terra, a maior
douçura do mundo.
Ass. O “Condicionado”
SP. 4-8-1999+5(c).
Que – seria o Nº 377
16-2-99+6(c).
Casa Suíno
Modêlo em desigiêne.
Os textos são intrigantes. Com erros de português mas muito bem escritos, se é que isso é possível. Ele é articulado, usa palavras difíceis, tudo faz sentido (ou quase) e está catalogado com números e datas estranhas. O mais curioso é que ele encerra os textos com uma espécie de assinatura publicitária. Tudo acaba com “Casa Suíno. Modêlo em desigiêne”. Sim, suíno de porcos, “desigiêne” de falta de higiene, sujeira mesmo. Tem uma ironia nisso, o cara é bom. Gosto dele. Sempre que passo por ali vejo se está tudo bem. Ele gosta de morar lá, que eu sei. Já que eu estou meio sem tempo de escrever, aqui vai um texto que eu transcrevi exatamente como estava no papel que ele me deu. Não sei você, mas eu amei.
Oférta:
Géstas – Páginas Autógrafas.
Que
sua vida seja cômo a
da câna de assucar,
que sabe extrair da terra, a maior
douçura do mundo.
Ass. O “Condicionado”
SP. 4-8-1999+5(c).
Que – seria o Nº 377
16-2-99+6(c).
Casa Suíno
Modêlo em desigiêne.
30 de ago. de 2008
Foi ruim para você também?
Conheço um monte de gente que brilha nas salas de bate-papo da internet. Já arranjou namorado, marcou blind date, curte sexo virtual, liga a camerinha e manda ver. Eu admiro mas não encaro. Confesso que tenho preconceito. Acho meio deprê e não acredito que vou gostar de alguém que venha a conhecer nessas circunstâncias. Mas neste exato momento estou escrevendo este post e entrando numa sala do Terra, categoria Cidades, São Paulo. Veja que eu poderia ir direto a uma sala de sexo virtual, mas vamos com calma e ver no que dá. Meu nome é Flavia mesmo e eu acabo de entrar na sala. Dois segundos depois ESPIANDO O SEU DECOTE fala reservadamente comigo: Oi, posso tornar seu dia mais ecitante? Eu nem acabei de superar o assassinato à língua portuguesa e TIGRÃO me fala reservadamente: Oi gatinha, quer tc? Ribeirão Pires e vc?
Eu pergunto para todos em caixa alta: TEM ALGUÉM QUE NÃO SEJA CAFONA NESTA SALA? Fui antipática, eu sei. Marcelo e Kzado SP tinham apenas me dado oi e saíram da sala. Bruninha_Mineirinha pergunta para Kzado SP (o que saiu): Você é casado? Muito lenta, Bruninha. Muito lenta. ESPIANDO O SEU DECOTE aproveita a deixa da minha pergunta, agressiva para os moldes do local, e me diz: Seria melhor se vc tc comigo reservadamente. Assim vc aproveita e me ajuda numa coisa. Eu sempre começo a conversar com mulheres e elas dizem que acham vulgar a maneira como os homens abordam nos chats. Cafona, como vc disse. Como vc gostaria de ser abordada por um homem?
Flavia responde: Olha, eu não tenho a menor idéia de quem é vc. Mas com esse seu nick, tenho a sensação de que estou falando com o Wando. Sei lá, que tal se vc tivesse um nome e escrevesse corretamente e dissesse coisas normais? TIGRÃO me fala que está peladinho e pronto para me dar muito prazer. Eu respondo: Peladinho? Vc é o Tigrão, amigo do Ursinho Puff? TÔ CONDIDA entra na sala e eu pergunto intrigada: O que é Condida? Ela responde: Escondida. Claro, como sou burra: “condida”, tipo bebê falando. ESPIANDO SEU DECOTE fica puto e responde que eu estou na sala errada, que devo estar procurando um meninão. Vc deve ser uma menininha. Olha o que faz a imaginação: uma menininha teclando com o Wando. TIGRÃO deve ter repetido que está peladinho para G@tinh@ Loirinh@, que responde animada: Jura? Sem nadinha mesmo? Tô ficando maluquinha. (Pra que tanto diminutivo?) ESPIANDO O SEU DECOTE sai da sala. TIGRÃO sai da sala. Ei, voltem aqui. Vocês estão fazendo tudo certo. Eu é que não tinha nada que estar aqui. Saí. Para nunca mais voltar. Desculpa aí, mas para mim não dá.
Em algum lugar de São Paulo, o cara que usava o nick ESPIANDO O SEU DECOTE comenta com um amigo: Esses chats estão cada vez piores. Você não imagina a mina insuportável que eu teclei agora. Só tem gente desclassificada.
Eu pergunto para todos em caixa alta: TEM ALGUÉM QUE NÃO SEJA CAFONA NESTA SALA? Fui antipática, eu sei. Marcelo e Kzado SP tinham apenas me dado oi e saíram da sala. Bruninha_Mineirinha pergunta para Kzado SP (o que saiu): Você é casado? Muito lenta, Bruninha. Muito lenta. ESPIANDO O SEU DECOTE aproveita a deixa da minha pergunta, agressiva para os moldes do local, e me diz: Seria melhor se vc tc comigo reservadamente. Assim vc aproveita e me ajuda numa coisa. Eu sempre começo a conversar com mulheres e elas dizem que acham vulgar a maneira como os homens abordam nos chats. Cafona, como vc disse. Como vc gostaria de ser abordada por um homem?
Flavia responde: Olha, eu não tenho a menor idéia de quem é vc. Mas com esse seu nick, tenho a sensação de que estou falando com o Wando. Sei lá, que tal se vc tivesse um nome e escrevesse corretamente e dissesse coisas normais? TIGRÃO me fala que está peladinho e pronto para me dar muito prazer. Eu respondo: Peladinho? Vc é o Tigrão, amigo do Ursinho Puff? TÔ CONDIDA entra na sala e eu pergunto intrigada: O que é Condida? Ela responde: Escondida. Claro, como sou burra: “condida”, tipo bebê falando. ESPIANDO SEU DECOTE fica puto e responde que eu estou na sala errada, que devo estar procurando um meninão. Vc deve ser uma menininha. Olha o que faz a imaginação: uma menininha teclando com o Wando. TIGRÃO deve ter repetido que está peladinho para G@tinh@ Loirinh@, que responde animada: Jura? Sem nadinha mesmo? Tô ficando maluquinha. (Pra que tanto diminutivo?) ESPIANDO O SEU DECOTE sai da sala. TIGRÃO sai da sala. Ei, voltem aqui. Vocês estão fazendo tudo certo. Eu é que não tinha nada que estar aqui. Saí. Para nunca mais voltar. Desculpa aí, mas para mim não dá.
Em algum lugar de São Paulo, o cara que usava o nick ESPIANDO O SEU DECOTE comenta com um amigo: Esses chats estão cada vez piores. Você não imagina a mina insuportável que eu teclei agora. Só tem gente desclassificada.
24 de ago. de 2008
Breve história de quase tudo
Se existem duas frases que eu uso com freqüência, são “Eu sou uma pessoa rasa” e “Me explica como se eu fosse uma criança de 5 anos”. Estou longe de ser burra, mas digamos que os assuntos que me interessam e que eu conheço com alguma (eu disse alguma) profundidade são aparentemente os mais bestas, estúpidos, simples. Do que as pessoas consideram realmente relevante, conheço pouco e assumo. Exemplo: nunca li nada do Hemingway, mas conheci vários bares pelo mundo em que o pinguço tinha mesa cativa. O que me faz simpatizar muito com ele. Mas antes de ler O Velho e o Mar, sou muito mais obstinada em assistir ao último episódio de Seinfeld.
Entendeu o nível do que eu chamo de rasa? Ok.
É por estas e outras que veio parar nas minhas mãos um livro chamado “Breve história de quase tudo”, do Bill Bryson. Um autor americano de best-sellers (eu sei que soa péssimo), um cara que decidiu fazer uma pesquisa de 3 anos sobre o big-bang, as partículas atômicas, a evolução da espécie e do universo e fazer exatamente o que eu sempre peço: explicar como se estivesse falando com uma criança. Claro que 5 anos é força de expressão, mas o livro é tão leve e prazeroso de ler, que dá uma tremenda inveja. Eu realmente admiro quem sabe se expressar de uma maneira tão simples, clara e acessível. Quero que ele se foda muito, de tanta inveja que eu tenho.
Sabe como o desgraçado, filhodaputa, lazarento consegue descrever o trabalho do australiano Robert Evans, que tem um telescópio no terraço de sua casa a uns 80km de Sydney e dedica parte da sua vida para caçar supernovas (já para o Google, bem)? Assim:
“... imagine uma mesa de jantar comum, coberta com uma toalha preta. Alguém joga um punhado de sal sobre a mesa. Os grãos espalhados podem ser comparados a uma galáxia. Agora imagine outras 1500 mesas iguais – número suficiente para lotar um estacionamento do Wall-Mart ou para formar uma linha com mais de 3km de comprimento – cada qual com um arranjo aleatório de sal em cima. Agora acrescente 1 grão de sal a uma das mesas e deixe Bob Evans caminhar por entre elas. De relance, ele o localizará. O grão de sal é a supernova.”
Se rasga, maluco. Eu te odeio. Muito. É tão legal, tão bem escrito que dá raiva. Eu estou completamente viciada no livro. Recomendo com louvor e estrelinhas. Como uma criança de 5 anos.
Entendeu o nível do que eu chamo de rasa? Ok.
É por estas e outras que veio parar nas minhas mãos um livro chamado “Breve história de quase tudo”, do Bill Bryson. Um autor americano de best-sellers (eu sei que soa péssimo), um cara que decidiu fazer uma pesquisa de 3 anos sobre o big-bang, as partículas atômicas, a evolução da espécie e do universo e fazer exatamente o que eu sempre peço: explicar como se estivesse falando com uma criança. Claro que 5 anos é força de expressão, mas o livro é tão leve e prazeroso de ler, que dá uma tremenda inveja. Eu realmente admiro quem sabe se expressar de uma maneira tão simples, clara e acessível. Quero que ele se foda muito, de tanta inveja que eu tenho.
Sabe como o desgraçado, filhodaputa, lazarento consegue descrever o trabalho do australiano Robert Evans, que tem um telescópio no terraço de sua casa a uns 80km de Sydney e dedica parte da sua vida para caçar supernovas (já para o Google, bem)? Assim:
“... imagine uma mesa de jantar comum, coberta com uma toalha preta. Alguém joga um punhado de sal sobre a mesa. Os grãos espalhados podem ser comparados a uma galáxia. Agora imagine outras 1500 mesas iguais – número suficiente para lotar um estacionamento do Wall-Mart ou para formar uma linha com mais de 3km de comprimento – cada qual com um arranjo aleatório de sal em cima. Agora acrescente 1 grão de sal a uma das mesas e deixe Bob Evans caminhar por entre elas. De relance, ele o localizará. O grão de sal é a supernova.”
Se rasga, maluco. Eu te odeio. Muito. É tão legal, tão bem escrito que dá raiva. Eu estou completamente viciada no livro. Recomendo com louvor e estrelinhas. Como uma criança de 5 anos.
23 de ago. de 2008
Invisível
Aconteceu comigo. Eu fiquei completamente invisível. O mais estranho é que antes de sair de casa eu dei aquela última conferida no espelho e estava tudo lá. Não sei explicar como aconteceu mas foi isso. Tá, eu lembro que quando era criança e assistia ao Sítio do Pica-pau Amarelo, acreditava em pó de pirlimpimpim. Mas convenhamos que ninguém aqui tem mais idade para isso. Só vejo uma explicação: alguém deve ter se concentrado muito para isso acontecer, mas juro que não fui eu.
Tinha gente que me via e gente que não. Eu podia passar através de quem não me via. Passei várias vezes. Para lá e para cá. Sabe coisa de filme? Você passa através da pessoa e vê tudo o que ela tem por dentro.
Eu sei que parece brincadeira. Tem gente que vê ovnis, tem gente que fica invisível. Difícil de acreditar mas quem passa por coisas assim sabe que aconteceram, mesmo que sejam inexplicáveis. Foi tão desconcertante que eu não consegui me divertir com isso. Eu poderia ter derrubado copos, distribuído pescotapas, ficado pelada, feito o diabo. Mas não. Pelo contrário: travei, fiquei assutada. No dia seguinte, fui tomada por uma vontade enorme de sumir. Mas agora tenho que aceitar a realidade. Fazer o que se eu tenho super-poderes?
Tinha gente que me via e gente que não. Eu podia passar através de quem não me via. Passei várias vezes. Para lá e para cá. Sabe coisa de filme? Você passa através da pessoa e vê tudo o que ela tem por dentro.
Eu sei que parece brincadeira. Tem gente que vê ovnis, tem gente que fica invisível. Difícil de acreditar mas quem passa por coisas assim sabe que aconteceram, mesmo que sejam inexplicáveis. Foi tão desconcertante que eu não consegui me divertir com isso. Eu poderia ter derrubado copos, distribuído pescotapas, ficado pelada, feito o diabo. Mas não. Pelo contrário: travei, fiquei assutada. No dia seguinte, fui tomada por uma vontade enorme de sumir. Mas agora tenho que aceitar a realidade. Fazer o que se eu tenho super-poderes?
18 de ago. de 2008
Medalhas Olímpicas do Ridículo
BRONZE
Quem viu a vitória do César Cielo pela Globo e teve vontade de afogar o Galvão Bueno toca aqui. Gente, o que foi aquilo? Era um tal de vovó Olga para lá, vovó Olga para cá. O neto se prepara anos para aquela medalha e, quando ganha, a avó não tem o direito de ouvir o que ele diz nem de curtir o momento porque o Galvão não pára de fazer perguntas estúpidas, comentários piegas, e de contar o quanto aquele momento será inesquecível para ele mesmo. Afe. Ela só queria abraçar as pessoas, chorar, comemorar. E ele: Vovó Olga (como se ele não fosse mais velho do que ela), fala qualquer coisa que você está sentindo agora. Qualquer nota, isso sim.
PRATA
Uma coisa que me irrita profundamente é a dupla-de-jogadores brasileiros-naturalizados-na-Georgia, do vôlei de praia. E isso não pode ser citado separadamente. Tudo o que eles fazem é narrado exatamente assim pelos jornalistas e comentaristas. A dupla de jogadores brasileiros naturalizados na Georgia ganha destaque. Ponto para a dupla de jogadores brasileiros naturalizados na Georgia. A dupla de jogadores brasileiros naturalizados na Georgia almoça numa churrascaria. A dupla de jogadores brasileiros naturalizados na Georgia quer cocô. Fora o trocadilho. Eles gostam de ser chamados de Geor & Gia. Gente chata. Se ao menos fosse uma dupla de brasileiros naturalizados em Trinidad & Tobago. (A-do-ro Trinidad)
OURO
Meu amigo Roger Bassetto (www.rogerbassetto.com.br) fez o comentário mais genial e definitivo sobre as Olimpíadas. Segundo ele, a marcha atlética só pode ser um esporte inventado pelos caras do Monty Python. Aquela reboladinha, acompanhada pela expressão séria e concentrada dos competidores tem tudo para ser piada. E das melhores.
Quem viu a vitória do César Cielo pela Globo e teve vontade de afogar o Galvão Bueno toca aqui. Gente, o que foi aquilo? Era um tal de vovó Olga para lá, vovó Olga para cá. O neto se prepara anos para aquela medalha e, quando ganha, a avó não tem o direito de ouvir o que ele diz nem de curtir o momento porque o Galvão não pára de fazer perguntas estúpidas, comentários piegas, e de contar o quanto aquele momento será inesquecível para ele mesmo. Afe. Ela só queria abraçar as pessoas, chorar, comemorar. E ele: Vovó Olga (como se ele não fosse mais velho do que ela), fala qualquer coisa que você está sentindo agora. Qualquer nota, isso sim.
PRATA
Uma coisa que me irrita profundamente é a dupla-de-jogadores brasileiros-naturalizados-na-Georgia, do vôlei de praia. E isso não pode ser citado separadamente. Tudo o que eles fazem é narrado exatamente assim pelos jornalistas e comentaristas. A dupla de jogadores brasileiros naturalizados na Georgia ganha destaque. Ponto para a dupla de jogadores brasileiros naturalizados na Georgia. A dupla de jogadores brasileiros naturalizados na Georgia almoça numa churrascaria. A dupla de jogadores brasileiros naturalizados na Georgia quer cocô. Fora o trocadilho. Eles gostam de ser chamados de Geor & Gia. Gente chata. Se ao menos fosse uma dupla de brasileiros naturalizados em Trinidad & Tobago. (A-do-ro Trinidad)
OURO
Meu amigo Roger Bassetto (www.rogerbassetto.com.br) fez o comentário mais genial e definitivo sobre as Olimpíadas. Segundo ele, a marcha atlética só pode ser um esporte inventado pelos caras do Monty Python. Aquela reboladinha, acompanhada pela expressão séria e concentrada dos competidores tem tudo para ser piada. E das melhores.
12 de ago. de 2008
I’ve got you under my skin
Quando eu era pré-adolescente, cool era quem tinha lido o livro Eu, Christiane F, 13 anos, você sabe o resto. Acho que era o equivalente hoje, a ler o último Harry Potter antes de todo mundo (geraçãozinha mais sem graça esta, não?). Uma das coisas que eu lembro deste livro é como eram narradas as crises de abstinência dos viciados em heroína. Os amigos da Chris chegavam a coçar o corpo com uma escova de cabelos até ficarem em carne viva, tal era o desespero.
Todo este blá-blá-blá para chegar na comparação: se a paixão é química e causa euforia na gente, se separar de quem a gente ama pode causar uma crise de abstinência tão intensa como a de qualquer outra droga.
Não sei você, mas eu já senti dor física, contrações musculares, náuseas (juro) e já me desesperei de tanta falta que eu senti do meu amor. É uma experiência das mais pavorosas. E o mais louco é que eu nem posso dizer que não recomendo porque, assim como as drogas, só passa pela crise quem sentiu antes todo o prazer e a euforia de viver a história em si. É péssimo mas vale à pena. Muito. Se joga. Agora.
Deveriam inventar clínicas de desintoxicação para isso. Os pacientes oscilariam entre os que foram por contra própria, pediram ajuda a parentes e amigos zelosos, e os tipo o cara do Polegar, que engolem pilhas e vivem dando bafão. O fundo do poço.
E as recaídas? Você reencontra o bofe, rola um flash back e sua família pára de confiar em você, seus amigos se decepcionam. Você é mesmo um fraco. Tem dias que eu venderia a TV de plasma do vizinho por alguns minutos de uma recaída dessas. Mas aí entra em cena o amor-próprio e o orgulho, que te trazem de volta para o macio e o quentinho que é esta merda em que a gente vive quando sofre por amor. O grande problema é que tudo o que lembra a pessoa faz a gente tremer, piscar um olho só e bater o pé direito no chão, tudo ao mesmo tempo. Os lugares que você freqüenta, os filmes, as músicas, tudo isso deveria ser tirado do nosso alcance. O que não adiantaria nada porque, como bons viciados, a gente faria fundos falsos em gavetas para esconder fotos, faria playlists com nomes fake no ipod. No meu caso, jazz é um estopim. E eu sei que nunca vai chegar o dia em que eu vou dizer: estou há X dias sem ouvir Ella Fitzgerald, Louis Armstrong ou Dinah Washington. Há de chegar sim, o dia em que eles não vão causar mais tanto frio no estômago.
Estou quase lá.
Todo este blá-blá-blá para chegar na comparação: se a paixão é química e causa euforia na gente, se separar de quem a gente ama pode causar uma crise de abstinência tão intensa como a de qualquer outra droga.
Não sei você, mas eu já senti dor física, contrações musculares, náuseas (juro) e já me desesperei de tanta falta que eu senti do meu amor. É uma experiência das mais pavorosas. E o mais louco é que eu nem posso dizer que não recomendo porque, assim como as drogas, só passa pela crise quem sentiu antes todo o prazer e a euforia de viver a história em si. É péssimo mas vale à pena. Muito. Se joga. Agora.
Deveriam inventar clínicas de desintoxicação para isso. Os pacientes oscilariam entre os que foram por contra própria, pediram ajuda a parentes e amigos zelosos, e os tipo o cara do Polegar, que engolem pilhas e vivem dando bafão. O fundo do poço.
E as recaídas? Você reencontra o bofe, rola um flash back e sua família pára de confiar em você, seus amigos se decepcionam. Você é mesmo um fraco. Tem dias que eu venderia a TV de plasma do vizinho por alguns minutos de uma recaída dessas. Mas aí entra em cena o amor-próprio e o orgulho, que te trazem de volta para o macio e o quentinho que é esta merda em que a gente vive quando sofre por amor. O grande problema é que tudo o que lembra a pessoa faz a gente tremer, piscar um olho só e bater o pé direito no chão, tudo ao mesmo tempo. Os lugares que você freqüenta, os filmes, as músicas, tudo isso deveria ser tirado do nosso alcance. O que não adiantaria nada porque, como bons viciados, a gente faria fundos falsos em gavetas para esconder fotos, faria playlists com nomes fake no ipod. No meu caso, jazz é um estopim. E eu sei que nunca vai chegar o dia em que eu vou dizer: estou há X dias sem ouvir Ella Fitzgerald, Louis Armstrong ou Dinah Washington. Há de chegar sim, o dia em que eles não vão causar mais tanto frio no estômago.
Estou quase lá.
4 de ago. de 2008
Dois anos
Hoje o Bacanérrimo faz 2 anos.
E quase que a data passa batida, não fosse uma curiosidade que me veio. Olha que louco. Fui ver a data da primeira postagem e pimba: 4 de agosto de 2006. Há 2 anos eu me prometo que vou escrever com mais disciplina. Há 2 anos eu espero o Chris dar um tapa no meu template (rararararara). Há 2 anos eu tento descobrir como colocar aqui uma lista de blogs que eu amo e não coloco porque sou burra e não sei usar as ferramentas. Posso dizer que faço terapia há dois anos porque isso aqui tem sido uma válvula de escape para dizer o que eu penso (e eu penso muito). É uma delícia ver que tenho leitores fiéis. Fico triste quando algum deles não comenta, me preocupo, acho que pode estar resfriado ou pior, achado uma bosta o que eu escrevi (freqüentemente eu acho, mas é que eu sou capricorniana com ascendente em áries). Fico feliz quando vejo gente nova comentando. Ai, ai...
Bom, fora a cobrança para o Chris me ajudar, peloamordedeus, a mudar o template, este post é pura e simplesmente para agradecer. Obrigada para quem lê e, especialmente, para quem volta sempre. Obrigada para os escritores de outros blogs maravilhosos que indicam o Bacanérrimo entre os seus favoritos. Se eu soubesse, retribuiria. Obrigada para quem repassa os textos. Para quem cita algumas coisas que eu escrevo aqui. E obrigada até para quem copia na cara dura e não cita (tem isso também). Beijocas estaladas.
E quase que a data passa batida, não fosse uma curiosidade que me veio. Olha que louco. Fui ver a data da primeira postagem e pimba: 4 de agosto de 2006. Há 2 anos eu me prometo que vou escrever com mais disciplina. Há 2 anos eu espero o Chris dar um tapa no meu template (rararararara). Há 2 anos eu tento descobrir como colocar aqui uma lista de blogs que eu amo e não coloco porque sou burra e não sei usar as ferramentas. Posso dizer que faço terapia há dois anos porque isso aqui tem sido uma válvula de escape para dizer o que eu penso (e eu penso muito). É uma delícia ver que tenho leitores fiéis. Fico triste quando algum deles não comenta, me preocupo, acho que pode estar resfriado ou pior, achado uma bosta o que eu escrevi (freqüentemente eu acho, mas é que eu sou capricorniana com ascendente em áries). Fico feliz quando vejo gente nova comentando. Ai, ai...
Bom, fora a cobrança para o Chris me ajudar, peloamordedeus, a mudar o template, este post é pura e simplesmente para agradecer. Obrigada para quem lê e, especialmente, para quem volta sempre. Obrigada para os escritores de outros blogs maravilhosos que indicam o Bacanérrimo entre os seus favoritos. Se eu soubesse, retribuiria. Obrigada para quem repassa os textos. Para quem cita algumas coisas que eu escrevo aqui. E obrigada até para quem copia na cara dura e não cita (tem isso também). Beijocas estaladas.
1 de ago. de 2008
Não estou preparada
Um dia vai acontecer. Não resta a menor dúvida. Mas nada nem ninguém que já tenha passado por isso ameniza ou torna a questão mais fácil de encarar.
Definitivamente vai ser um dia muito triste o que eu vir a me deparar com meu primeiro pentelho branco. Será como um registro de: agora é ladeira abaixo, gata.
Espero que demore muito.
Não estou pronta para lembrar do Cid Moreira toda vez que tiro a roupa. Fora a voz, que só eu vou ouvir nos meus pensamentos, me dizendo um sonoro Boa Noite.
Definitivamente vai ser um dia muito triste o que eu vir a me deparar com meu primeiro pentelho branco. Será como um registro de: agora é ladeira abaixo, gata.
Espero que demore muito.
Não estou pronta para lembrar do Cid Moreira toda vez que tiro a roupa. Fora a voz, que só eu vou ouvir nos meus pensamentos, me dizendo um sonoro Boa Noite.
26 de jul. de 2008
TFFC - Tô Fora Futebol Clube
Um time que você já deve ter visto por aí.
O uniforme oficial consiste no seguinte: calça leging de cotton, camisetão que cobre a bunda, tênis tipo Keds ou qualquer outro que seja ou tenha algum detalhe cor-de-rosa. Pronto. É assim que uma mulher sinaliza para o mundo que saiu de campo, que não quer mais brincar, que não está mais interessada em ser bonita e atraente para ninguém. Nem para ela mesma. A justificativa é em nome do conforto. Assim elas se sentem mais à vontade.
Desculpa, mas uma mulher só se sente à vontade de verdade quando sai de casa de bem com o espelho. E uma perguntinha: tem coisa mais confortável do que um vestido? E mais feminina? Essa combinaçãozinha é de doer e ponto. Ela está para uma mulher assim como a calça de moleton com pochete está para o homem. Fim de carreira.
Sim, é fútil. Não, nem todas as mulheres ligam tanto para a aparência (é só dar uma olhada nos membros do PSOL). E é claro que eu não tenho nada a ver com isso. Digamos que seja apenas um toque. Pensa duas vezes antes de sair de casa com essa roupinha, please. Se quer malhar no parque, não leva o poodle (gostei dessa frase e ela vai ficar mesmo não tendo, aparentemente, nada a ver com nada). Se não está com tudo em cima para usar um top, usa um agasalho, um colete, mas esquece essa camisetona, que isso é mais um outdoor, uma bandeira, uma fachada de neon piscando e gritando a plenos pulmões que a sua auto-estima foi para o saco. Quando é usada para malhar, até que ainda passa (não, não passa), mas essa mulherada se veste assim para tudo, para todas as atividades do dia. E as que ainda têm a cara-de-pau de “transar” uma bolsa com detalhes em dourado por cima do visu confortável? Afe.
Essa combinação sempre vem acompanhada de uma atitude quase deprê, que mostra que você não liga mais para você mesma. Os outros, com quem você não deve se importar, são um mero detalhe. O problema é você.
Ninguém precisa sair de casa vestida de proibidona do funk para mostrar que está se sentindo bem. Longe disso, peloamordedeus. Mas convenhamos, não precisa pensar muito para ver que dá para caprichar um pouquinho mais. E toda mulher sabe a diferença que isso faz. Despendura já essa chuteira, que até alguém voltar para provar o contrário, a vida é uma só. E é um luxo.
O uniforme oficial consiste no seguinte: calça leging de cotton, camisetão que cobre a bunda, tênis tipo Keds ou qualquer outro que seja ou tenha algum detalhe cor-de-rosa. Pronto. É assim que uma mulher sinaliza para o mundo que saiu de campo, que não quer mais brincar, que não está mais interessada em ser bonita e atraente para ninguém. Nem para ela mesma. A justificativa é em nome do conforto. Assim elas se sentem mais à vontade.
Desculpa, mas uma mulher só se sente à vontade de verdade quando sai de casa de bem com o espelho. E uma perguntinha: tem coisa mais confortável do que um vestido? E mais feminina? Essa combinaçãozinha é de doer e ponto. Ela está para uma mulher assim como a calça de moleton com pochete está para o homem. Fim de carreira.
Sim, é fútil. Não, nem todas as mulheres ligam tanto para a aparência (é só dar uma olhada nos membros do PSOL). E é claro que eu não tenho nada a ver com isso. Digamos que seja apenas um toque. Pensa duas vezes antes de sair de casa com essa roupinha, please. Se quer malhar no parque, não leva o poodle (gostei dessa frase e ela vai ficar mesmo não tendo, aparentemente, nada a ver com nada). Se não está com tudo em cima para usar um top, usa um agasalho, um colete, mas esquece essa camisetona, que isso é mais um outdoor, uma bandeira, uma fachada de neon piscando e gritando a plenos pulmões que a sua auto-estima foi para o saco. Quando é usada para malhar, até que ainda passa (não, não passa), mas essa mulherada se veste assim para tudo, para todas as atividades do dia. E as que ainda têm a cara-de-pau de “transar” uma bolsa com detalhes em dourado por cima do visu confortável? Afe.
Essa combinação sempre vem acompanhada de uma atitude quase deprê, que mostra que você não liga mais para você mesma. Os outros, com quem você não deve se importar, são um mero detalhe. O problema é você.
Ninguém precisa sair de casa vestida de proibidona do funk para mostrar que está se sentindo bem. Longe disso, peloamordedeus. Mas convenhamos, não precisa pensar muito para ver que dá para caprichar um pouquinho mais. E toda mulher sabe a diferença que isso faz. Despendura já essa chuteira, que até alguém voltar para provar o contrário, a vida é uma só. E é um luxo.
21 de jul. de 2008
Novelês básico
Desculpe mas isso não é inspirado na vida real, nem mera coincidência. Nem eu nem ninguém jamais ouviu falar por aí certas frases que pipocam nos diálogos do horário nobre. Simplesmente não dá. Eu até uso algumas delas com freqüência, mas claro que é para tirar um sarro. Olha que belezinhas estas que eu lembrei outro dia:
- Prepare meu carro que eu vou sair. (Sempre falo esta para os manobristas e eles não acham graça. Eu acho.)
- O Dr. (Nome do Ricaço) está esperando por você na biblioteca (casas de ricaços de novela sempre têm biblioteca).
- Preciso ficar um pouco sozinha.
- Parem este casamento (sempre, sempre, sempre).
- Cala a boca e me beija (com dois dedinhos, de leve, tocando a boca do amor). Ou a variação: Não fala mais nada e me beija.
- Não é nada do que você está pensando (essa me irrita).
- Me abraça forte.
- Eu não sou sua mãe (pai), sou sua irmã (ão).
- Vamos fugir para algum lugar bem longe.
- Você não pode se casar com (Nome do Galã / Mocinha) porque ele (a) é sua (seu) irmã(ão).
- Estou frágil (adoro essa).
- Dona (Nome da Secretária Figurante), venha até o meu gabinete.
- Se alguém tiver algo contra este casamento, que fale agora ou cale-se para sempre. (alguém já ouviu isso num casamento de verdade? Duvido.)
Ai, ai. Adoro essas inutilidades.
- Prepare meu carro que eu vou sair. (Sempre falo esta para os manobristas e eles não acham graça. Eu acho.)
- O Dr. (Nome do Ricaço) está esperando por você na biblioteca (casas de ricaços de novela sempre têm biblioteca).
- Preciso ficar um pouco sozinha.
- Parem este casamento (sempre, sempre, sempre).
- Cala a boca e me beija (com dois dedinhos, de leve, tocando a boca do amor). Ou a variação: Não fala mais nada e me beija.
- Não é nada do que você está pensando (essa me irrita).
- Me abraça forte.
- Eu não sou sua mãe (pai), sou sua irmã (ão).
- Vamos fugir para algum lugar bem longe.
- Você não pode se casar com (Nome do Galã / Mocinha) porque ele (a) é sua (seu) irmã(ão).
- Estou frágil (adoro essa).
- Dona (Nome da Secretária Figurante), venha até o meu gabinete.
- Se alguém tiver algo contra este casamento, que fale agora ou cale-se para sempre. (alguém já ouviu isso num casamento de verdade? Duvido.)
Ai, ai. Adoro essas inutilidades.
9 de jul. de 2008
Lei Seca
Seca, na língua dos solteiros de plantão, significa não tô pegando ninguém. Se um amigo desabafa que está numa seca dos infernos, você já sabe que ele não pega nem gripe, tadinho. E essa Lei Seca está servindo mesmo para acabar de vez com as nossas chances de diversão e perversão.
Tem coisa mais chata? Você sai de casa na nóia de ser pego numa blitz, ter que soprar aquele canudinho constrangedor com direito a câmeras da Rede Globo registrando tudo. Eu tenho mais medo dos meus pais me verem soprando na TV do que perder a carta ou pagar multa.
A Lei Seca acabou com os papos animados nos bares. Ontem eu fui encontrar uns amigos e me deparei com o lugar, que deveria estar lotado, com várias mesas vazias. Estranho. E os poucos sobreviventes falam sobre o mesmo assunto: Lei Seca. O que você tem o direito de fazer, que caminho fazer para voltar para casa e não passar por nenhuma blitz, se é razoável ou não é. Papo chato. Em vez de comentar sobre alguém no balcão as pessoas falam de táticas para burlar a lei, como chupar o bafômetro, em vez de soprar (genial). Ou inventar engenhocas como cápsulas de gás carbônico puro que você coloca na boca, morde e sopra no canudinho. E as estatísticas (deu no Jô): 30% dos acidentes são causados por motoristas alcoolizados. O que quer dizer que os outros 70% de todos os acidentes são culpa dos sóbrios no volante. Fiquem de olho nessa gente e deixem os boêmios em paz. Claro que tem gente que abusa. Mas isso precisa ser mais razoável, menos hostil e agressivo. Repararam que todos os cambaleantes que aparecem na TV são de Sorocaba? Pegaram os sorocabanos para cristo?
Mas o que mais me irrita são as pessoas tentando fazer disso uma coisa divertida. Como aquela mesa dos amigos suuuuper felizes da firma reunidos num bar, que sempre aparece no Jornal Nacional. Eles têm o “Amigo da Vez”. Nome divertido para o looser que vai passar a noite se entupindo de Coca-Cola e depois levar a galera bebum para casa. Ora, não me encham o saco. E os bares que têm seus próprios bafômetros? E as pessoas que decidiram comprar seus pocket-bafômetros e carregar na bolsa? Gente cafona.
Que graça tem ir numa balada e não poder beber nem um embelezador para achar lindo aquele cara mais ou menos, nem um encorajador para puxar um papo do nada. E o preço da balada mais o táxi de ida e volta? Tudo errado. Resolvam essa lei e a nossa seca. Seu bando de desmancha-prazeres.
Tem coisa mais chata? Você sai de casa na nóia de ser pego numa blitz, ter que soprar aquele canudinho constrangedor com direito a câmeras da Rede Globo registrando tudo. Eu tenho mais medo dos meus pais me verem soprando na TV do que perder a carta ou pagar multa.
A Lei Seca acabou com os papos animados nos bares. Ontem eu fui encontrar uns amigos e me deparei com o lugar, que deveria estar lotado, com várias mesas vazias. Estranho. E os poucos sobreviventes falam sobre o mesmo assunto: Lei Seca. O que você tem o direito de fazer, que caminho fazer para voltar para casa e não passar por nenhuma blitz, se é razoável ou não é. Papo chato. Em vez de comentar sobre alguém no balcão as pessoas falam de táticas para burlar a lei, como chupar o bafômetro, em vez de soprar (genial). Ou inventar engenhocas como cápsulas de gás carbônico puro que você coloca na boca, morde e sopra no canudinho. E as estatísticas (deu no Jô): 30% dos acidentes são causados por motoristas alcoolizados. O que quer dizer que os outros 70% de todos os acidentes são culpa dos sóbrios no volante. Fiquem de olho nessa gente e deixem os boêmios em paz. Claro que tem gente que abusa. Mas isso precisa ser mais razoável, menos hostil e agressivo. Repararam que todos os cambaleantes que aparecem na TV são de Sorocaba? Pegaram os sorocabanos para cristo?
Mas o que mais me irrita são as pessoas tentando fazer disso uma coisa divertida. Como aquela mesa dos amigos suuuuper felizes da firma reunidos num bar, que sempre aparece no Jornal Nacional. Eles têm o “Amigo da Vez”. Nome divertido para o looser que vai passar a noite se entupindo de Coca-Cola e depois levar a galera bebum para casa. Ora, não me encham o saco. E os bares que têm seus próprios bafômetros? E as pessoas que decidiram comprar seus pocket-bafômetros e carregar na bolsa? Gente cafona.
Que graça tem ir numa balada e não poder beber nem um embelezador para achar lindo aquele cara mais ou menos, nem um encorajador para puxar um papo do nada. E o preço da balada mais o táxi de ida e volta? Tudo errado. Resolvam essa lei e a nossa seca. Seu bando de desmancha-prazeres.
8 de jul. de 2008
Última Coca Zero do deserto
Tem dias que a gente sai de casa se achando tu-do. Eu adoro essa sensação.
Por mais que a gente esteja usando o mesmo jeans de sempre, a bota que já tem a forma do pé, a blusinha legal mas sem nenhum motivo para causar o efeito que causa, dá para ver a expressão das pessoas olhando. E eu não posso culpá-las por isso (tá, parei). Tem horas que eu penso: gente, tadinho do gordinho, ou do magrelo, do bigode, do bofe, enfim. Olha a cara dele olhando para mim. Parece que não vê mulher há tempos. Mas o que provalvelmente eles não vêem mesmo, pelo menos não com freqüência, é alguém se sentindo bem consigo mesma. Andando com passos largos e o cabelão voando nesses dias lindos de sol que têm feito. Este é o segredo. É o que faz a diferença. A maioria das pessoas anda de cabeça baixa, desviando olhares, com a testa franzida e a alma pesada. Eu não.
É ou não é assim? Estou falando alguma besteira? Gente, será que sou eu mesma, então? Sabia.
Por mais que a gente esteja usando o mesmo jeans de sempre, a bota que já tem a forma do pé, a blusinha legal mas sem nenhum motivo para causar o efeito que causa, dá para ver a expressão das pessoas olhando. E eu não posso culpá-las por isso (tá, parei). Tem horas que eu penso: gente, tadinho do gordinho, ou do magrelo, do bigode, do bofe, enfim. Olha a cara dele olhando para mim. Parece que não vê mulher há tempos. Mas o que provalvelmente eles não vêem mesmo, pelo menos não com freqüência, é alguém se sentindo bem consigo mesma. Andando com passos largos e o cabelão voando nesses dias lindos de sol que têm feito. Este é o segredo. É o que faz a diferença. A maioria das pessoas anda de cabeça baixa, desviando olhares, com a testa franzida e a alma pesada. Eu não.
É ou não é assim? Estou falando alguma besteira? Gente, será que sou eu mesma, então? Sabia.
29 de jun. de 2008
As Pontes de Madison
As Pontes de Madison foi o filme que mais me fez chorar na vida.
Entrei no cinema com 2 amigos, sem saber direito do que se tratava e saí pensando em me tratar. Que choradeira foi aquela? Soluços no cinema. Não estou falando de lágrimas furtivas escorrendo pelo rosto, mas de berreiro, tosse, dor. Como é que o Clint Eastwood, que até então era só o Dirty Harry, podia ter uma sensibilidade daquelas e traduzir tão bem a alma feminina? O bronco de Magnun 44 me mostrou que podem existir homens sensíveis no mundo. Afe.
Comprei o VHS mas não tinha o DVD. Nem eu nem nenhuma loja porque estava esgotado há anos. Eis que sexta-feira eu fui na Fnac e encontrei finalmente. Saiu uma edição especial. Oba. Quero. Quero muito.
Agora que eu sei exatamente do que se trata, cadê a coragem de assistir?
Entrei no cinema com 2 amigos, sem saber direito do que se tratava e saí pensando em me tratar. Que choradeira foi aquela? Soluços no cinema. Não estou falando de lágrimas furtivas escorrendo pelo rosto, mas de berreiro, tosse, dor. Como é que o Clint Eastwood, que até então era só o Dirty Harry, podia ter uma sensibilidade daquelas e traduzir tão bem a alma feminina? O bronco de Magnun 44 me mostrou que podem existir homens sensíveis no mundo. Afe.
Comprei o VHS mas não tinha o DVD. Nem eu nem nenhuma loja porque estava esgotado há anos. Eis que sexta-feira eu fui na Fnac e encontrei finalmente. Saiu uma edição especial. Oba. Quero. Quero muito.
Agora que eu sei exatamente do que se trata, cadê a coragem de assistir?
A única certeza que eu tenho na vida
Quando eu voltei de Londres, uma das primeiras providências que tive que tomar foi comprar luvas, ferramentas e me dedicar à jardinagem. As plantas tinham crescido tanto que não deixavam mais o sol bater no meu quintal. Como nunca tinha feito isso pedi dicas para o meu pai, que me falou que maio era o melhor mês para podar as plantas. Timing perfeito (odeio esta expressão com todas as minhas forças, mas neste caso...). Outra dica: não dá para sair cortando qualquer galho. Tem que fazer a árvore parecer uma taça. Cortar os galhos de cima e deixar os dos lados formando a copa (copa, taça, pegou?). A pitangueira, tadinha, tava toda esquisita, com galhos desengonçados para todos os lados, atrapalhando a passagem e com as folhas secas, começando a cair. Eu mandei ver: fui cortando os galhos com medo de acabar com a coitada mas sabendo que aquilo era para o bem dela.
Quase dois meses depois, a pitangueira está lá, linda, gata, coberta de florzinhas, cheia de abelhas, praticamente um bacanal da flora acontecendo.
Ir para Londres foi a melhor coisa que eu podia ter feito. Por mim e por ela.
Quase dois meses depois, a pitangueira está lá, linda, gata, coberta de florzinhas, cheia de abelhas, praticamente um bacanal da flora acontecendo.
Ir para Londres foi a melhor coisa que eu podia ter feito. Por mim e por ela.
23 de jun. de 2008
Melhor sem ela
Sabe de uma coisa que nós mulheres devemos tirar das nossas vidas, não ter em hipótese nenhuma, execrar, chutar para bem longe? Não é gordura localizada nem amiga falsetona, não. É expectativa.
Expectativa é um peso nas nossas costas. Eu, graças a deus, aprendi na marra a domar e a viver sem a minha. Rompemos definitivamente.
Primeiro porque quando você tem expectativa de que alguma coisa aconteça, por mais que tudo realmente se concretize, nunca é como a sua expectativa imaginou. Fora o primeiro beijo que foi tudo e mais um pouco na minha vida, todas as primeiras outras coisas foram muito aquém do que eu esperava. E eu só não desencanei para sempre delas por que? Porque na segunda vez já não tinha mais nenhuma expectativa. E aí foi brilho total. Pegou? Simples.
Expectativa é o sentimento mais desmancha-prazeres que uma pessoa pode ter na vida. Ela impede a coisa mais genial do mundo, que é quando a vida surpreende a gente, pega desprevenida mesmo. Quando você menos espera, é arrebatada. Ai que delícia.
Não chega a ser uma Síndrome de Zeca Pagodinho, que eu sou capricorniana com ascendente em áries e esse papo Deixa a Vida Me Levar me deixa fora do corpo. Mas não esperar nada de nenhuma situação nem de ninguém é libertador. Até porque, gata, mesmo sem nenhuma expectativa, a gente tem instinto e força para enfrentar tudo. Que venga el toro.
Expectativa é um peso nas nossas costas. Eu, graças a deus, aprendi na marra a domar e a viver sem a minha. Rompemos definitivamente.
Primeiro porque quando você tem expectativa de que alguma coisa aconteça, por mais que tudo realmente se concretize, nunca é como a sua expectativa imaginou. Fora o primeiro beijo que foi tudo e mais um pouco na minha vida, todas as primeiras outras coisas foram muito aquém do que eu esperava. E eu só não desencanei para sempre delas por que? Porque na segunda vez já não tinha mais nenhuma expectativa. E aí foi brilho total. Pegou? Simples.
Expectativa é o sentimento mais desmancha-prazeres que uma pessoa pode ter na vida. Ela impede a coisa mais genial do mundo, que é quando a vida surpreende a gente, pega desprevenida mesmo. Quando você menos espera, é arrebatada. Ai que delícia.
Não chega a ser uma Síndrome de Zeca Pagodinho, que eu sou capricorniana com ascendente em áries e esse papo Deixa a Vida Me Levar me deixa fora do corpo. Mas não esperar nada de nenhuma situação nem de ninguém é libertador. Até porque, gata, mesmo sem nenhuma expectativa, a gente tem instinto e força para enfrentar tudo. Que venga el toro.
13 de jun. de 2008
Happy Ballantines Day
O título deste post foi o nick do MSN de uma amiga hoje, dia dos namorados. Adorei porque resume um comportamento.
De longe, esta data causa muito mais comoção em quem não tem namorado do que nos próprios pombinhos. Quem tem, deixa o presente para a última hora, faz um programinha romântico em casa para não encarar fila de restaurante logo hoje. Tira de letra. Já nos solteiros, esta data causa reações adversas. Se você tem amor aos dentes, não pergunte “quais são os planos para hoje?” para quem você não tiver certeza absoluta que tem namorado. Não ter, neste dia, é péssimo, terrível, degradante.
Tem gente que quer matar os casaizinhos apaixonados, fica olhando com desdém para as pessoas com pacotes de presente andando pelas ruas e comenta: Tá vendo? Deixou para a última hora e ainda comprou coisa mixa. Também é comum ficar repetindo aos quatro ventos que é apenas mais uma data para estimular o consumo, blá, blá, blá. Mas a verdade é que todo mundo está é doido para consumir alguém. Vamos ser honestos.
Milhares de baladas de solteiros pipocam pela cidade. Sair, se divertir, navegar é preciso. Quem não tem namorado quer é beber todas para esquecer esta data e chegar amanhã no trabalho com cara de “aprontei muito”. Mesmo que a balada tenha sido só um porre.
Quem não vai por nada deste mundo para a balada dos solteiros sedentos prefere passar o dia fazendo piadas para descontrair. Tipo: nem ligo. Duas amigas telefonaram para me desejar feliz dia dos namorados. Outra perguntou se eu tinha comido alho para comemorar esta noite. Eu mesma sugeri que uma turma fizesse uma reserva num restaurante romântico. Mesa para 10. Qualquer coisa a gente fala que é uma suruba. Tudo para ocupar metade do ninho de amor dando gargalhadas sonoras e quebrando o clima. Su-per engraçado, né? Pura inveja.
Abafa, vai. Amanhã é dia de Santo Antônio. Vai que ele ouve as preces da minha mãe.
De longe, esta data causa muito mais comoção em quem não tem namorado do que nos próprios pombinhos. Quem tem, deixa o presente para a última hora, faz um programinha romântico em casa para não encarar fila de restaurante logo hoje. Tira de letra. Já nos solteiros, esta data causa reações adversas. Se você tem amor aos dentes, não pergunte “quais são os planos para hoje?” para quem você não tiver certeza absoluta que tem namorado. Não ter, neste dia, é péssimo, terrível, degradante.
Tem gente que quer matar os casaizinhos apaixonados, fica olhando com desdém para as pessoas com pacotes de presente andando pelas ruas e comenta: Tá vendo? Deixou para a última hora e ainda comprou coisa mixa. Também é comum ficar repetindo aos quatro ventos que é apenas mais uma data para estimular o consumo, blá, blá, blá. Mas a verdade é que todo mundo está é doido para consumir alguém. Vamos ser honestos.
Milhares de baladas de solteiros pipocam pela cidade. Sair, se divertir, navegar é preciso. Quem não tem namorado quer é beber todas para esquecer esta data e chegar amanhã no trabalho com cara de “aprontei muito”. Mesmo que a balada tenha sido só um porre.
Quem não vai por nada deste mundo para a balada dos solteiros sedentos prefere passar o dia fazendo piadas para descontrair. Tipo: nem ligo. Duas amigas telefonaram para me desejar feliz dia dos namorados. Outra perguntou se eu tinha comido alho para comemorar esta noite. Eu mesma sugeri que uma turma fizesse uma reserva num restaurante romântico. Mesa para 10. Qualquer coisa a gente fala que é uma suruba. Tudo para ocupar metade do ninho de amor dando gargalhadas sonoras e quebrando o clima. Su-per engraçado, né? Pura inveja.
Abafa, vai. Amanhã é dia de Santo Antônio. Vai que ele ouve as preces da minha mãe.
8 de jun. de 2008
Mais do mesmo
Outra história real. Fazer o que se elas são ótimas e vêm até mim. Eu não resisto. Ouço e tenho que dividir.
A mãe de um conhecido lá de Porto Alegre vai passar uma temporada no Rio de Janeiro. Uma tarde, andando pelo Leblon, vê um rosto muito familiar e decide perguntar:
- Com licença, por acaso tu és de Bagé?
- Não.
- Nossa, mas tu és muito parecido com os filhos da Dona Arminda. Tu não tens parentes pelo Rio Grande do Sul?
- Não, nenhum.
- Mas é impressionante o que tu me lembras o José César e o Waldir. Desculpe perguntar, mas qual é o teu sobrenome?
- Matogrosso.
De novo, o Ney. Tá, eu paro.
A mãe de um conhecido lá de Porto Alegre vai passar uma temporada no Rio de Janeiro. Uma tarde, andando pelo Leblon, vê um rosto muito familiar e decide perguntar:
- Com licença, por acaso tu és de Bagé?
- Não.
- Nossa, mas tu és muito parecido com os filhos da Dona Arminda. Tu não tens parentes pelo Rio Grande do Sul?
- Não, nenhum.
- Mas é impressionante o que tu me lembras o José César e o Waldir. Desculpe perguntar, mas qual é o teu sobrenome?
- Matogrosso.
De novo, o Ney. Tá, eu paro.
27 de mai. de 2008
Checklist
Minha bunda sumiu. Veja bem, o verbo é sumir e não cair. Quem foi minha colega de faculdade pode testemunhar que fui Miss Bumbum no dia do trote dos calouros. Ok, isso não é nenhum mérito e foi lá pelos idos de 91. Mas que eu tinha bunda, tinha. Estou a ponto de colocar fotos em caixas de leite, faixas pelo bairro. Acho que não nos veremos mais. Paciência.
Meus cílios cresceram. Eles nunca fizeram curva antes. Nem quando eu caprichava no rímel. De uns tempos para cá estão mais longos e com as pontinhas viradas para cima. Minha amiga Cris que faz minha make em ocasiões para lá de especiais já nem coloca mais os tufinhos postiços nos cantos, que eu tanto amo. Ela diz que não precisa. E se ela diz, eu acredito.
Meus cabelos amansaram. Eles continuam cacheados, longos, com frizz. Mas agora não são mais indomáveis. Acho que encontrei o creme certo. Encontrei não, a Cris (de novo ela) me apresentou. Por baixo eles estão alisando. Os brancos estão vindo com cada vez mais força mas eu ainda não preciso pintar. Arranco todos que vejo. Sou mais forte do que eles. Alguns estão adquirindo um tom acobreado. Pensei que era sol mas é falta de pigmento mesmo. Pré-cabelo-branco. Ai, ai.
Cintura, nunca tive. Sempre fui meio reta, meio tábua. Panturrilha também não, mas agora eu tenho. De ouro.
Barriguinha. Adquiri. Mas hei de queimar. Braços, tenho que firmar. Coxas idem. Segunda-feira eu começo.
Pés agora eu mostro. Antes tinha vergonha, hoje acho eles bem normais. Eles não mudaram. Fui eu.
Celulite. Positivo. Estrias. Operante, mas bem poucas. Quase nada. Espinhas. Ainda.
Rugas nos cantos dos olhos também andam marcando presença. Nunca usei creme mas sei que tenho que começar.
Nada mudou nas minhas mãos. Mas já me disseram que mão denuncia a idade. Essa eu não sabia.
Peso não aumentou. Miopia aumentou. Agora tenho 5,25 e meu oftalmo falou que não posso fazer cirurgia porque não estabilizou. Ufa, odeio cirurgias.
Pescoço, ok. Queixo, ok. Peitos pequenos, de verdade, para o alto e avante. Saboneteiras, lindas de morrer. Sardas no colo, odeio. Tenho que usar pencas de protetor solar para elas pararem de pintar por lá.
Pêlos não diminuem com o passar dos anos como mentiu minha depiladora. Mas descobri que depilação é que nem cócega. Quando os outros fazem a gente sente mais. Eu mesmo cuido disso com meu Satinelle da Phillips (não é merchandising, é gratidão).
Quando fico de ressaca é para valer. Passo o dia seguinte inteiro sem prestar para nada.
Cabo da Boa Esperança, aqui vou eu.
Meus cílios cresceram. Eles nunca fizeram curva antes. Nem quando eu caprichava no rímel. De uns tempos para cá estão mais longos e com as pontinhas viradas para cima. Minha amiga Cris que faz minha make em ocasiões para lá de especiais já nem coloca mais os tufinhos postiços nos cantos, que eu tanto amo. Ela diz que não precisa. E se ela diz, eu acredito.
Meus cabelos amansaram. Eles continuam cacheados, longos, com frizz. Mas agora não são mais indomáveis. Acho que encontrei o creme certo. Encontrei não, a Cris (de novo ela) me apresentou. Por baixo eles estão alisando. Os brancos estão vindo com cada vez mais força mas eu ainda não preciso pintar. Arranco todos que vejo. Sou mais forte do que eles. Alguns estão adquirindo um tom acobreado. Pensei que era sol mas é falta de pigmento mesmo. Pré-cabelo-branco. Ai, ai.
Cintura, nunca tive. Sempre fui meio reta, meio tábua. Panturrilha também não, mas agora eu tenho. De ouro.
Barriguinha. Adquiri. Mas hei de queimar. Braços, tenho que firmar. Coxas idem. Segunda-feira eu começo.
Pés agora eu mostro. Antes tinha vergonha, hoje acho eles bem normais. Eles não mudaram. Fui eu.
Celulite. Positivo. Estrias. Operante, mas bem poucas. Quase nada. Espinhas. Ainda.
Rugas nos cantos dos olhos também andam marcando presença. Nunca usei creme mas sei que tenho que começar.
Nada mudou nas minhas mãos. Mas já me disseram que mão denuncia a idade. Essa eu não sabia.
Peso não aumentou. Miopia aumentou. Agora tenho 5,25 e meu oftalmo falou que não posso fazer cirurgia porque não estabilizou. Ufa, odeio cirurgias.
Pescoço, ok. Queixo, ok. Peitos pequenos, de verdade, para o alto e avante. Saboneteiras, lindas de morrer. Sardas no colo, odeio. Tenho que usar pencas de protetor solar para elas pararem de pintar por lá.
Pêlos não diminuem com o passar dos anos como mentiu minha depiladora. Mas descobri que depilação é que nem cócega. Quando os outros fazem a gente sente mais. Eu mesmo cuido disso com meu Satinelle da Phillips (não é merchandising, é gratidão).
Quando fico de ressaca é para valer. Passo o dia seguinte inteiro sem prestar para nada.
Cabo da Boa Esperança, aqui vou eu.
Assinar:
Postagens (Atom)