28 de jul. de 2010

Atoron


Clóvis Bornay, Isabelita dos Patins, Salete Campari, Dicesar do BBB e Claudia Raia. Será verdade que todos os travestis têm língua presa?

23 de jun. de 2010

Carta aberta a Cid Moreira


Cid Moreira,
Não iniciei esta carta com a palavra prezado porque estaria forçando a barra. Mas decidi escrever porque não vejo nenhuma possibilidade de encontá-lo algum dia e dar pessoalmente o pescotapa que você anda merecendo.
Gostaria de falar sobre o significado da palavra dignidade porque, diante da sua idade avançada, acho que você nem lembra mais o que é isso.
Sim, você é livre para fazer o que bem entender com o seu corpo, sua voz e com o tempo livre que lhe resta. Quer gravar Salmos? Brilha. Quer ser desmancha-prazeres e contar o truque das mágicas? Tem chato para tudo nesse mundo. Se você faz mesmo questão de se referir a alguém como “Mestre de todos os sortilégios”, manda ver.
Faça o que bem entender desde que as pessoas tenham o direito de optar se querem ou não ver e ouvir o que você anda fazendo e dizendo por aí. Mas você não está nos dando escolha. Este é o problema.
Eu vi o silicone da sua testa desandar no ar, nos anos 90, em pleno Jornal Nacional. Veja bem, quer ter uma testa tipo pantufa fofinha? Tenha. Mas faça a manutenção necessária para que as pessoas não sejam obrigadas a ver aquele monte de pele acumulada em cima das suas sobrancelhas no meio do noticiário.
Toda vez que eu abro a revista Caras, sei que vou ver muita gente cafona e fútil. Mas daí a virar uma página e me deparar com você pelado, com as pernocas para cima, dentro de uma banheira de espuma, francamente. Isso ultrapassa o meu limite de tolerância.
E agora, em pleno jogo da Copa que, convenhamos, você sabe que todo mundo vai assistir, por que diabos eu tenho que ouvir você dizendo Jabulaaaaaaaaaaaaaaaaneeeeeee como se fosse o Barbosa do TV Pirata? Você só pode estar de brincadeira e se divertindo muito com isso, mas não é divertido para todo mundo. Se eu tivesse escolha, jamais ouviria. Mas não tenho bola de cristal para adivinhar quando a sua “vinheta” vai entrar para trocar de canal e assistir a um bom leilão de tapetes persas.
Se eu pudesse escolher, as últimas palavras vindas de você que eu gostaria de ter ouvido seriam "Boa Noite”. Assim seria digno. Enfim, fica o toque.

Atenciosamente,

Flavia

8 de jun. de 2010

Lost - The End


Se você ainda não viu o último capítulo de Lost, azar o seu.
Eu esperei alguns dias para não ser desmancha-prazeres e dar tempo de todo mundo ver antes de comentar. Mas não podia deixar de manifestar minha decepção por ter passado 6 anos esperando alguma resposta e o último capítulo ter sido aquela mistura de final de novela das oito com Harry Potter. Azar o meu.
Pensei que a história da ilha ser uma rolha era só uma metáfora ruim. Mas ver a cena do Desmond tirando a rolha que desandaria a ilha com aquela luz fajuta vindo debaixo da terra foi muito frustrante e bem mequetrefe.
Para ser um final de novela do Manoel Carlos, só faltava alguém ter filhos gêmeos e o casamento duplo de Kate com Jack e Sawyer com Charlotte naquela mesma igreja ecumênica em que todos se encontraram felizes, se abraçaram e finalmente entenderam tudo o que nós já suspeitávamos desde o princípio. Fiquei esperando a entrada da equipe técnica, dos câmeras, dos roteiristas, de todos os envolvidos, inclusive o Rodrigo Santoro, na democrática igrejinha. Todos aplaudindo o diretor num grande show do Lulu Santos cantando: tudo muda o tempo todo no mu-u-undu. Não adianta fugir, nem mentir para si mesmo, agora. Há tanta vida lá fora, aqui dentro, sempre, como uma onda no mar. Até que a banda do Lulu pararia e apenas os personagens continuariam em coro: Como uma onda no maaaaar, como uma onda no mar.
Odiei.

12 de mai. de 2010

Ups


Os dois casais e seus filhos eram amigos desde sempre. Companheiros da pizza de domingo, das macarronadas no Bixiga, entre outros programas família. Entre eles, não tinha tempo ruim.
A não ser naquele fim de semana fatídico em Ubatuba. Foram todos para uma casa alugada, com bóia de patinho, cachorro e papagaio no carro. Mas nem chegaram perto do mar por conta da chuva que não parou um minuto.
Fizeram churrasco no sábado ao meio-dia, churrasco no sábado à noite e, quando decidiram repetir o cardápio no domingo, perceberam que não tinham mais carne, nem carvão, nem cerveja. O mundo estava mesmo caindo.
Os dois maridos pegaram o carro e foram ao supermercado enquanto as esposas e as crianças davam um jeito na casa. Saíram no meio de uma daquelas tempestades em que o limpador de pára-brisa na velocidade máxima não dá conta do aguaceiro. E, todo mundo sabe, onde tem paulista e chuva, tem engarrafamento. As ruas de Ubatuba paradas e as imediações do supermercado lotadas de turistas frustrados como eles. Nessa de acelerar e parar, acelerar e parar, eles ficaram ao lado de um ponto de ônibus e viram uma menina jeitosinha no abrigo. O vidro do carona estava aberto para o pára-brisa desembaçar, eles ali, parados, a menina também. Um dos amigos se dirigiu a ela, para quebrar o silêncio:
- Chuva do caralho, né?
A menina respondeu prontamente:
- Chupo sim.

PS: Righi e Zé, nem sei como agradecer. A história é brilhante.

25 de abr. de 2010

Não contavam com minha astúcia


Quando eu contei para as pessoas que passaria o sábado num evento de fãs do Chaves e Chapolin com a presença do Seu Barriga e do Quico, as reações oscilaram entre inveja, admiração e desconfiança de que eu era meio doida.
Nunca neguei para ninguém que gosto de coisas pop e duvidosas como as novelas mexicanas, Chaves, Chapolin, etc. Quando soube que haveria este evento em São Paulo com a presença dos 2 atores, mais os dubladores dos episódios, tratei de garantir a minha presença. Fui acompanhada de dois amigos igualmente (ou mais) fanáticos: O Luciano e o Fuku. Chegamos lá por volta das 2 da tarde e nos deparamos com uma situação estranha. Você deve estar pensando: lógico. Mas foi mais complexo do que parece.
Pense num lugar longe. O evento foi lá. Aconteceu num pavilhão sem sistema de ar-condicionado e com saídas muito pequenas para a quantidade de pessoas presentes. Ouvi falar em 7 mil pessoas e, se elas fossem gente normal, ok. Mas eram adultos fantasiados dos personagens e estranhamente sérios. Digo isso porque se eu saísse da minha casa com bobs no cabelo, vestida de Dona Florinda, estaria pelo menos rindo da situação com as pessoas que me ollhavam. Mas eles estavam sérios. Este foi o problema: eles estavam levando tudo aquilo a sério demais.
Aí vem o Chaves, Chaves, Chaves, todos atentos olhando para a TV era entoado como se fosse um hino religioso. Quando a dubladora da Chiquinha fez o inconfundível choro no microfone eu juro que vi um princípio de ola. Um casal estranho e bem adulto chegou vestido de Chaves e Chiquinha, com um bebê no carrinho vestido de Chaves e o olhar deles me arrepiou. Eu cheguei a comentar: gente, e se alguém saca uma arma e começa a dar tiros aqui dentro? Vai ter gente sendo pisoteada porque os organizadores não tinham o menor controle sobre aquelas pessoas que se esmagavam para tirar fotos numa réplica da vila do programa ou carregando um aerolito ou a múmia do Chapolin.
Uma hora o Luciano falou: aquele cara ali até que parece com o Quico. E o Fuku respondeu irritado: Desculpa, mas aqui ninguém parece ninguém. Era verdade. Ninguém parecia com ninguém.
Enfrentamos uma fila enorme para comprar água e, em seguida, fomos informados que não tinha mais nenhuma bebida. E eram apenas 3 da tarde de um evento programado para acabar às 8 da noite. Um dos organizadores estava vestido de Chaves gritando no microfone para que as pessoas se sentassem no chão. Ele começou pedindo educadamente mas logo perdeu o controle e começou a gritar de uma forma muito estúpida, ao som das vaias da platéia, que se negava a sentar.
Eu, o Fuku e o Luciano nos olhamos com duas sensações em comum: medo e vontade de ir embora dali agora.
Seu Barriga que, veja a ironia, fez cirurgia de redução de estômago, iria chegar às 3 e meia. Mas a gente não teve coragem de esperar nem mais um minuto. Uma hora foi o que a gente suportou e decidimos vir embora antes que aquilo tudo piorasse porque a fila de pessoas chegando era interminável e o calor, cada vez maior.
Para nós, o evento foi um mico, não vimos nossos ídolos, mas demos boas gargalhadas e ganhamos mais uma história para contar para os netos. Que, se depender da gente, também serão fãs de Chaves e Chapolin. Só não a esse ponto.

6 de abr. de 2010

Telefone sem fio


É difícil de explicar, as regras são bizarras e muitas você precisa decorar para aprender. Mas trabalha um pouquinho escrevendo para ver se você não se apaixona pela língua portuguesa. Sei que parece papo de bicho grilo, mas os idiomas têm vida própria. E a maior prova disso são as origens das expressões. Eu sou apaixonada. Não canso de me surpreender com os motivos pelos quais falamos o que falamos. Não sei se estes exemplos são 100% fundamentados mas adoro, coleciono e hoje decidi colocar alguns aqui.

Quando uma pessoa está “com o bicho carpinteiro”, significa que ela está inquieta, não pára, está agitada. Mas o que diabos é um bicho carpinteiro? Cupim? Não. É muito mais legal do que isso: originalmente se dizia que a pessoa “estava com bichos no corpo inteiro”. Motivo mais do que suficiente para não conseguir ficar quieta.

Olha essa: antigamente, quem ganhava o prêmio máximo do jogo do bicho levava 25 mil réis, e isso representava a vaca ou fazer a vaca. Foi assim que surgiu a famosa “vaquinha”. Fazer uma vaquinha era tentar juntar o máximo de dinheiro possível.

“O filho do Tarcísio Meira é ele cuspido e escarrado”. É feio mas significa que eles são idênticos. Por que? Lá nos antigamentes, quando alguém queria dizer que o filho era a cara do pai, dizia: “este moleque é o pai esculpido em carrara”. Elaborado demais para quem nem imaginava que carrara era um tipo de mármore.

As primeiras telhas feitas no Brasil eram de argila, modeladas nas
coxas dos escravos. Como eles variavam de tamanho e porte fisico, as telhas ficavam com formas diferentes. E uma casa com telhas cada uma de um tamanho, ficava meio esquisita. Foi assim que surgiu a expressão “feito nas coxas”, que quer dizer “feito de qualquer jeito”.

Só mais uma e eu paro: "tintim por tintim". Acho tão bonitinha que queria que tivesse alguma relação com brindar. Mas na verdade “tintim” é a onomatopeia do tilintar de moedas quando uma cai sobre a outra. Lá nos primórdios era usada para descrever uma dívida paga até a última moeda. Ou seja: tudinho, mas tudo mesmo.

PS: O Mario Prata tem um livro delicioso sobre isso chamado "Será o Benedito?". Joga no Google.

8 de mar. de 2010

Plano B


Todo mundo chega num momento da vida em que é tomado por uma necessidade maior do que tudo de fazer outra coisa. Ter outra profissão, uma segunda atividade que dê algum dinheiro e, de preferência, nenhum aborrecimento. Como esse tipo de pensamento sempre aparece na época das férias, uma grande parte dessas pessoas chega à mesma conclusão: quer abrir uma pousada na Bahia. A outra parte decide que quer fazer cinema.
Eu não sei exatamente como anda o mercado hoteleiro na Bahia, mas sei que, se você entrar em qualquer boteco de São Paulo, pelo menos a metade dos bebuns vai dizer que “está mexendo com cinema”. Tudo isso para dizer que não basta querer fazer outra coisa. Tem que ser algo novo, que ninguém fez.
Parece impossível mas, indo para casa um dia desses, tive uma idéia inédita e, seguramente, muito rentável. Acompanhe meu raciocínio: você concorda que “Malabaristas de farol” são uma instituição falida? Ninguém dá grana para os coitados. Acabou o impacto. Agora qualquer Zé Ruela já tem as suas bolinhas de tênis e arrisca alguns movimentos com pouca ou nenhuma desenvoltura. Simplesmente não comovem mais ninguém.
Mas e se, em vez de malabaristas, você parasse no farol vermelho e se deparasse com “Pompoaristas de farol”. Mulheres jeitosas e com um peculiar talento para fazer o mesmo tipo de malabarismo, só que sem usar as mãos nem os pés, se é que você me entende. Eu, no caso, seria a agenciadora dessas maestras das bolinhas e, é claro, teria uma porcentagem nos ganhos delas, já que também sou a idealizadora (já registrei, tá?). Tenho certeza que todo mundo ficaria atento do começo ao final da performance. E no final, pelo menos os homens e as cantoras de MPB pagariam pelo show. A parte chata seria a quantidade de piadinhas e cafajestes oferecendo moedas e querendo colocar no cofrinho. Mas isso elas tirariam de letra.
Por falar em letra, perdoem o trocadilho mas não encontrei nenhum título melhor para este texto.

25 de fev. de 2010

Hoje não estou boa


Não sei o nome do designer que inventou este porta-bananas. Sei menos ainda por que raios ele inventou este porta-bananas.
O Barba faz a gentileza de criar uma fruta que já vem em pack de quantas unidades você bem entender e a criatura decide inovar? Quer 2? Temos. Quer 19? Temos.
Cacho de bananas é cool, prático, funcional e genial do jeito que é. Carmen Miranda usava na cabeça. Imagine o que Mário Gomes já não teve de idéias mais simples do que esta para colocar bananas.
E o mais louco: o cara criou, alguém produziu, alguém colocou as bananas lá, fotografou, alguém publicou na internet.
Aí cheguei eu, vi e também perdi mais tempo escrevendo sobre o bendito porta-bananas. E você perdeu o seu, lendo.
Acho que esse porta-bananas já causou danos demais.

3 de fev. de 2010

Comentários improváveis sobre gengivas


Não me pergunte o motivo. De repente e absolutamente do nada comecei a pensar em quantos comerciais de TV já vi com o pessoal da Família Gengiva aí da foto. E eles são muitos.
Colchões, Detergente, Sabão em pó, Farmácia, Café, Bazar Beneficente e por aí vai. Animação de festa de firma, entrega de prêmio, locuções emocionais. É com a Família Gengiva mesmo.
Será que nunca ocorreu para ninguém fazer uma campanha de Korega com eles? Parem de morder maçãs. Ora, isso é passado. Chama esse pessoal e o sucesso vai ser estrondoso. Está quicando.

Tenho uma teoria que precisa ser comprovada (aceito depoimentos): acredito que a gengiva de uma mulher tem exatamente a mesma cor da vagina. Porque as duas são mucosas (Palavra Wando). As duas palavras têm sonoridade parecida. E quase têm as mesmas letras. Faz sentido, vai. Mas será que procede? Pessoas que têm gengivas escuras, tipo o Zezé di Camargo, devem ter vaginas escuras. Não que Zezé tenha vagina. Ai, não gostei de imaginar isso.

Fico um pouco aflita pelas pessoas que sorriem com a gengiva. Sabe do que eu estou falando? Elas não precisam ser exatamente membros da Família ali de cima, têm os dentes ok. Cuidam do colar de pérolas que Deus lhes deu. Mas na hora da foto, algo acontece e o lábio inferior cobre os dentes, o superior sobe demais e pimba: vemos apenas um pedaço de carne no meio da boca. Como se elas estivessem comendo kibe cru e fazendo graça para a câmera. Deve ser bem ruim ter sorriso de gengiva. Fica aqui minha solidariedade.

Era isso.

24 de jan. de 2010

Onírico


Caio Fernando Abreu deixou um comentário no meu blog. E eu fiquei lisonjeada. Não acredito que ele lê. E que gosta. Preciso responder. Mas peraí. Ele já morreu. Deixa eu entrar no google um minutinho que vejo até em que ano foi. Que estranho. Não tem nenhuma referência da morte dele no google. Mas eu lembro que ele morreu. E que eu fiquei bem triste porque adoro tudo o que li dele. Deve ser alguém me sacaneando. Mas quem? Acordei nessa dúvida. Foi ele ou não foi? Quando vi que era sonho, poderia ter sido ele. No sonho. Fiquei com tudo nítido na cabeça. Isso acontece sempre. Lembro do cheiro, da luz, da cor. Sempre é bem colorido.

No aeroporto de Porto Alegre, voltando para São Paulo, o vôo vai atrasar. Vou comprar um livro do Vargas Llosa. Mas pera, os pocket books são mais baratos deixa eu ver o que temos: Caio Fernando Abreu. Comprei os 2 dele que estavam disponíveis. Comecei a ler o maior porque o vôo ia atrasar e este ano eu ando devoradora.

Já em São Paulo, 2010 começando na correria que eu gosto. Mil vezes isso do que o marasmo. Cheguei tarde em casa e entendi o motivo do sonho e do comentário do Caio e o porquê de tudo ainda tão nítido na minha cabeça. Tudo ficou claro, transparente quando li cada uma daquelas palavras que se encaixaram como uma luva. Me senti um sapo dissecado no laboratório. Era isso. Era sonho.

Obrigada pelo comentário no meu blog e por escrever Onírico. E por me recomendar esta leitura do jeito que você recomendou. Obrigada por ler, mesmo em 1991, o que um dia seria minha mente tortuosa. Obrigada por me explicar tudo.
Virei a página e ainda encontrei outra citação, que me ajudaria a finalizar este texto que só diz respeito a mim, mas que precisava ser escrito, porque foi aqui que ele começou.
“Talvez seja um pouco cifrado, mas para um bom leitor certo mistério nunca impede a compreensão.”

13 de jan. de 2010

Só uma constatação


Uma pessoa percebe que está ficando velha pela quantidade de sabonetes que ganha de presente no aniversário.

10 de jan. de 2010

Palavras Wando


Eu acho Wando gênio. Tão gênio que existem palavras que passaram a ser propriedade dele. Toda vez que alguém usa uma palavra Wando, seja lá qual for o contexto, a canalhice entra sem pedir licença no recinto. Palavras Wando foram feitas para serem ditas somente por aqueles lábios* carnudos*, com aquele olhar* de mormaço de quem tem plena convicção de que é muito sexy. Por pessoas que nadariam nuas* numa piscina de pêssegos em calda ou fariam amor* numa banheira cheia de gelatina (ele disse isso, juro). Qualquer outra pessoa usando uma palavra Wando precisa ser avisada de que não dá.
A palavra mucosa, por exemplo. Se ela for dita por uma professora de Biologia ou por um dermatologista, não importa: Mucosa é uma palavra que pertence ao vocabulário Wando. E, se você insistir em falar, a luz vai baixar, um globo de espelhinhos vai surgir e começar a girar e você vai ser visto como o mulatão barrigudo, usando apenas uma cueca cor de vinho e mordendo uma maçã. Pensa bem: mu-co-sa.
Preparei uma pequena lista de Palavras/Expressões Wando com o objetivo puro e simples de dizer não use, vai pegar mal. Não tente conquistar ninguém usando estas palavras, pelo amor de deus. Fora de questão, ok?
Mucosa
Fogosa
Abusa
Abusada
Gozo
Seduz
Anjo (ou meu anjo)
Safada
Fazer amor
Deusa
Glande
Seios
Ousada
Lânguida
Cangote
Nominho (nome no diminutivo)
Gazela
Chamego
Nua
Um cheiro
Devorar
Mordiscar
Lábios
Quero você
Fazer mulher
Jorro
Amante
Olhar (substantivo)
Carnuda
Brejeira
Pele de pêssego
Madura

PS: Agradecimento a Michel pela ajuda na elaboração da lista.

16 de dez. de 2009

Rei


Ele nunca acertou um corte de cabelo na vida. Já implantou uma pena atrás da orelha. Finge que beija e depois joga rosas colombianas cafonérrimas para a mulherada. Tem T.O.C. e é cheio de manias. É perneta. Namorou a Luciana Vendramini. Fez filmes medíocres. Oscilou de “Eu sou terrível” para “Nossa senhora, me dê a mão, cuida do meu coração” sem ninguém entender direito como isso aconteceu. Pede um café para dois. Usa as maiores ombreiras do mundo e tem uma coleção de ternos azul celeste.
Mas ele pode. Pode porque é Rei e rege uma multidão de súditas do sexo feminino, que já viraram o Cabo da Boa Esperança, usam estampas de oncinha e zebra. E balançam suas cabeças de nuvens branquinhas, com alguns tons de lilás ou disfarçadas em outros tons de gosto duvidoso como o próprio Rei costuma pregar. Todas lutando contra a lei da gravidade, exatamente como ele.
Aliás, como ele também costuma dizer pelo menos uma vez por ano na Rede Globo, eu fui obrigada a repetir: Que prazer. Que maravilha estar aqui.
A gravação do especial de fim de ano do Robertão foi ontem. Eu fui, cantei, dancei, berrei, me debulhei chorando quando ele cantou Detalhes (sempre choro ouvindo Detalhes), pirei nas velhinhas que estavam em êxtase. Elas ousaram e gritaram despaupérios como: Coisa de loucoooo! Lindooo! Roberto, eu te amoo.
Como se isso fosse a coisa mais doida que fizeram na vida. Se bobear, foi.
O Rei é foda. Bom demais. Gentil, diz tudo o que aquelas senhorinhas gostariam de ouvir. Paguei muito pau. Gosto de absolutamente tudo das antigas. Ouço muito, tenho CDs, vinis e sei as letras inteirinhas. Programa obrigatório e inesquecível. Estou doida para contar para os meus netos.

Em terra de cantor, quem tem uma perna é rei.

23 de nov. de 2009

Texto para combinar com a foto


Admiro gente que se apaixona e se joga lindamente, como se não houvesse amanhã. Para falar a verdade, eu também me jogo. Mas enquanto alguns sobem na plataforma de mergulho e dão um salto ornamental rebuscado e cheio de piruetas, caindo sem esguichar nenhuma gota em volta, eu costumo me jogar de barriga.
E se você já foi criança um dia e já tentou se jogar de barriga para fazer seus amigos rirem, sabe o quanto isso pode ser dolorido e o estrago que faz em quem estava sequinho, só assistindo.
Acho que o que mais me diferencia dos saltadores ornamentais é que eles treinam incansavelmente, calculam os movimentos, aprendem todas as técnicas, alongam, tomam uma ducha fria antes para evitar choques térmicos. Eu já me jogo da mesma maneira instintiva com que a paixão vem. Saio correndo, chuto os dois pés de Havaianas no caminho, um para cada lado, tomo impulso e pulo de braços abertos.
Não acho que tem a mesma graça quando tudo é pensado e feito para agradar meia dúzia de jurados. Prefiro sair da piscina contorcida de dor e ver todo mundo se matando de rir da palhaçada do que aturar os olhares blasés de jurados que, diante de um salto tecnicamente perfeito, têm a coragem de levantar uma plaquinha com a nota 4,75.

Fiquei horas pensando num texto que combinasse com esta foto. Simplesmente passei mal de rir quando vi (e ainda passo). Tinha que ser ela. Só me ocorreu isso. Espero que você também goste.

4 de nov. de 2009

Sivuca's legs


Não é uma questão de otimismo ou pessimismo como olhar um copo meio vazio ou meio cheio. É uma questão de necessidade, de noção, de senso do ridículo.
Que história é essa de depilar meia perna? Só do joelho para baixo?
Ok, eu sei que dói menos. Eu mesma já fui adepta desta moda anos 80/90 introduzida por Malu Mader em Top Model.
Mas, para você ter uma idéia de como o tempo passou, nessa época Taumaturgo Ferreira era galã do tipo rebelde.
Precisa depilar tudo. A perna toda. Senão você fica com meia perna peluda. Simples assim. E não adianta descolorir os pelinhos porque isso só te deixa com meia perna do Sivuca. A coxa do Hermeto Pascoal. É isso que você quer? Não, né? Então pronto.

27 de out. de 2009

Hora de jogar a toalha


Jennifer e Brad formavam um casal incrível. Ela era aquele tipo de mulher linda, para casar. Ele, simplesmente uma coisa. Ricos, famosos, viviam numa mansão fantástica, tinham a vida que qualquer mortal pediu a deus.
Uma noite, Brad chega em casa animadaço. Vou fazer um filme de ação. Acabei de pegar o script. Serei um matador de aluguel.
Jennifer já imaginou aquelas cenas com muita adrenalina e sua única preocupação foi: vai ter dublê, né? Você não vai se estropiar naquelas cenas de explosões?
Claro que não, bobinha. Sabia que você fica linda quando se preocupa comigo? Se beijaram, brindaram, tiveram uma noite tórrida. Tórrida não é uma palavra que combina com uma boa moça como Jennifer. Ela diria que foi tudo lindo.
Na manhã seguinte ele estava no banho e ela, ainda na cama, decidiu passar os olhos pelo script e ler algumas falas de um filme de ação. Curiosidade pura. Afinal, ela dominava mesmo os diálogos de sitcoms e comédias românticas. As falas de Brad estavam destacadas em verde. As do seu par romântico, em laranja. Amor, a Angelina que vai fazer a sua esposa no filme é alguma atriz novata (diz que sim, diz que sim, diz que sim)? Ele respondeu, como se nada fosse: não, acho que você conhece. É a Angelina Jolie…
Jennifer sentiu um arrepio subindo pela espinha. O problema nem era a Angelina Jolie porque todo mundo estava careca de saber que ela gosta de mulheres. O problema foi aquele jeito displicente de falar. Ninguém na face da terra diria: “Acho que você conhece a Angelina Jolie". Como assim “acho”? Qualquer criança da África conhece a Angelina Jolie. Tem muita mulher confusa dizendo que não gosta de mulher mas pegaria a Angelina Jolie. Como é que Jennifer não saberia quem é Angellina Jolie? Mas calma. Se é para ser displicente, eu também sei ser, pensou Jennifer. E tascou, meio blasé: A da boca? Brad respondeu: Boca? Que boca? Vocês mulheres reparam em cada coisa.
Pronto. A partir deste momento Jennifer teve certeza: acabou para mim. As mulheres sempre sabem destas coisas. O final desta história, eu, você e qualquer bebê cambojano sabemos.
Jennifer simplesmente não podia fazer mais nada.

6 de out. de 2009

Movimento Curly


Como é mesmo o nome daquele cara que senta ao lado da moça de cabelo grande?
Ouvi isso hoje cedo e pensei: pera aí, a moça de cabelo grande sou eu? Era.
Fodeu. Virei ponto de referência.
Exatamente como acontecia com os gordinhos, anões e outras pessoas consideradas “diferentes”, ter cabelos cacheados agora é fora do padrão.
Os cacheados do mundo decidiram aderir à auto-enganação dos alisamentos-progressivos-e-artificiais-para-caralho e simplesmente fingem que são lisos desde que nasceram. Por conta disso, eu, Gabriela e Tereza Batista Cansada de Guerra é que pagamos o pato.
E a tendência é só piorar. Em pouco tempo nós vamos virar tema de piadas do Ary Toledo, junto com o papagaio, o português, o judeu e o fanho.
As pessoas enlouqueceram? Assumam esses cachos. Parem já de passar formol nos cabelos. Sorry, esse seu liso é fake. Chegou a hora dessa gente bronzeada mostrar seu valor. Vamos bater esse cabelão, dar um volume, transar uma presilha. E brilhar.
Tomara que chova muito e que a chapinha de vocês vá toda por água abaixo. Bando de vira-casacas.

24 de set. de 2009

Número 2


O assunto do almoço de terça-feira foi cocô.
Isso mesmo, nº 2 e suas derivações entre outros papos e histórias para lá de escatológicas. É incrível como todo mundo tem a história de um amigo(a) + cocô para contar. Quem conta nunca é o protagonista da história, mas a riqueza de detalhes é sempre enorme. Muitas não passam de lendas urbanas: não tinha papel, o cara precisou se lavar e quebrou a pia do banheiro da casa dos pais da namorada. Já ouvi esta numas 30 versões. Fiquei pensando no assunto e tenho uma teoria. Mais uma das minhas.
Acho que essa vergonha de admitir vexames/questões com cocô é o que garante o sucesso de produtos como Activia. Não sei se você manda um “dan regularis” todos os dias e acredita que isso faz seu intestino ser um reloginho. Pode até ser que funcione. Mas posso apostar qualquer coisa que, se alguém decidiu aceitar o desafio Activia (cocô ou o seu dinheiro de volta), essa pessoa jamais irá até o supermercado munida do seu potinho vazio e dizer: não funcionou, devolve meu dinheiro. Não é tanto dinheiro assim para valer um mico desses. Prefiro trocar meus potinhos por um Marinex (cá entre nós: que promoção bizarra foi essa????). Concorda que o Desafio Activia é um exame de fezes ao contrário, porque o potinho vai vazio? Já que ninguém volta para pedir o dinheiro, a galera da Danone conclui que funciona mesmo.
Será? Nunca parou para pensar nisso, né? É por isso que às vezes eu acho que deve ter alguma coisa errada comigo. Foi mal. Mas agora já postei.

19 de set. de 2009

Mudança


Sugiro que você comece pelas coisas menores e mais frágeis. Arranje caixas, jornais e plástico-bolha para proteger aqueles cristais com que você tanto brindou, os copos, as xícaras e toda a louça. Tudo o que fez parte da sua rotina. Guarde muito bem o castiçal mexicano e o vaso que era da sua avó e tudo o que tem histórico. Proteja as xícaras de chá que sua mãe ganhou de casamento e te deu um dia. Proteja tudo o que te deram de coração e leve com as próprias mãos. Importantíssimo: desfaça-se de coisas que estavam lá mas que você percebeu que não precisava, que não eram tão bacanas como você achou que eram no dia que comprou. A vida está cheia desses enganos que fazem a gente desperdiçar nosso tempo e nosso afeto. Uma pena. Só pena.
Pegue suas malas de viagens cheias de adesivos, arranhões e milhas acumuladas e coloque suas roupas íntimas ou elas correm o risco de passar pelas mãos de pessoas estranhas, muito estranhas. Leve com você, no porta-malas do carro junto com seus sapatos preferidos e mais lindos. Seus vestidos, saias e casacos empilhados cabem na mala maior. Suas bijouterias, a presilha de borboleta do cabelo, as pulseiras e brincos sem os quais você se sente nua.
Arranje ajudantes para as coisas mais pesadas. Você não tem piano mas já carregou a sua cota. Não se engane achando que dá para carregar tanto peso sozinha. Que só seus amigos bem-intencionados podem ajudar. Certas coisas exigem ajuda profissional. Deixe todos os trambolhos com eles, sem culpa. Confie e pague uma boa gorjeta, que eles merecem.
Estou considerando que você já cuidou da pintura nova, cobriu as rachaduras, já imagina onde cada coisa pode ficar. Deixar para depois da mudança em si, costuma ser um transtorno.
Nunca ache que esta é apenas mais uma mudança ou que é a última. Pense que é a mais importante de todas. As coisas podem demorar uns dias para ficarem em seus lugares, mas você dá conta. Sempre deu. E sempre mudou para melhor.
Pense onde suas plantas vão crescer mais fortes e com as folhas mais lustrosas. Lembre-se que as flores gostam de sol mas as orquídeas precisam de sombra. A fixação de raízes é importante mesmo que você nunca tenha pensado nisso antes.
Superstições à parte, entre na casa ou na vida nova com o pé direito. Chame quem importa para comemorar com você. Seja feliz. E que venham as próximas.

1 de set. de 2009

Equívocos gastronômicos


Desde que você não me venha com gafanhotos, catupiry e dobradinha, eu estou disposta a comer e experimentar qualquer coisa. Adoro me surpreender com combinações e sabores esquisitos mas as pessoas estão indo longe demais na tentativa de oferecer pratos diferentes.
Alex Atala que me perdoe mas ostras empanadas com sagu (!!!) e ovas de peixe ou arraia com jiló não vai rolar.
Acho que uma das primeiras coisas que me chocou nesse sentido foi o
X-Vinil de Porto Alegre. Ele tem este nome porque o pão do cheeseburger tem o tamanho exato de um disco vinil. Até aí tudo bem, que a larica é sua e eu não tenho nada a ver com isso. O problema é quando o chapeiro pergunta com a maior naturalidade se você vai querer seu X-Vinil coberto com strogonoff ou não. E tem gente que manda ver. Eu vi. Revoltante.
Semana passada, fiquei chocada com outra novidade. Depois do advento do catupiry, aquele queijo enriquecido com maizena que só serve para infernizar coxinhas, empadas e para tornar o ato de pedir pizza mais complicado (sim, porque agora você tem que deixar muito claro que não quer a borda recheada de catupiry) eis que chegamos ao cúmulo. Tem pizzaria com a cara de pau de oferecer pizza com a borda recheada de tremoço. Isso mesmo, tremoço, aquele milho turbinado que sempre sobra nos balcões de acepipes dos botecos. Você acredita numa afronta dessas? Esse pizzaiolo merece uma salva de pescotapas, peloamor.
Não estou nem entrando no mérito de questionar gente com gostos estranhos que come Fandangos com brigadeiro. Fica à vontade, só não me aparece com isso impresso num cardápio.
Para finalizar este texto, só me ocorre a confissão de um amigo, vegetariano convicto. Um dia eu perguntei se ele nunca tem vontade de comer carne e ele me contou que só sente falta de uma coisa: aquela fatia de pizza calabresa acebolada, no dia seguinte, que ele costumava aquecer numa frigideira com muito azeite de oliva e, quando a calabresa ficava tostadinha, bem fritinha, ele cobria com leite condensado.