7 de ago. de 2009

Lei 13.541


Já fui embora de várias baladas porque meus olhos ardiam por causa da fumaça do cigarro dos outros.
Já deixei de entrar em restaurantes porque só tinha vaga na área dos fumantes e eu só queria comer mesmo.
Já pedi para o garçon arranjar outra mesa porque os fumantes da mesa ao lado colocavam a mão com o cigarro para trás da cadeira, para não atrapalhar os amigos deles. E a fumaça vinha toda para cima de mim e dos meus amigos.
Já fingi que o cigarro dos outros não me incomodava. Aliás, passei a vida toda fazendo isso e nem acho que foi tão difícil.
Mas acho mais do que justo que tenha chegado a vez dos fumantes passarem a se retirar, mudar de planos, trocar de lugar e engolir este sapo em nome da boa educação. E mesmo que eu não achasse, lei é lei.
Com todo o respeito à maioria dos meus amigos e a todos os outros fumantes, adoro esta lei com todas as minhas forças e torço muito para que ela pegue de verdade. Assim como o meu, o “sacrifício” de vocês não vai doer nada. Muito pelo contrário.

2 de ago. de 2009

Parabéns a você nesta data, querida.


O Bacanérrimo está completando 3 anos. E eu decidi pinçar alguns textos que eu curto e que foram mais comentados desde o começo e fazer um top 10. A seção fica aí do lado, mais para baixo e se chama "Os + Bacanérrimos". E a idéia é ir renovando os textos com o tempo e com a sugestão de quem lê. Se você quiser sugerir o resgate de algum outro que não tenha entrado na lista, é só mandar um e-mail para flaviacoradini@terra.com.br. Se quiser sugerir temas para textos futuros, criticar ou, quem sabe até, me ajudar a fazer um template novo, é só escrever.
Beijoca enorme para todo mundo que lê e especialmente para quem comenta e indica para os amigos. É só por isso que este blog existe há tanto tempo e é cada vez mais acessado. Adoro e me divirto muito com ele e com os comentários de vocês. Obrigada e voltem sempre.

29 de jul. de 2009

Diva


História real. Nomes falsos.
Foto meramente ilustrativa (e fofa como esta história).
Jorge é um gentleman.
Vive cercado de amigos, adora recebê-los e faz isso como ninguém.
Capricha nos detalhes, compra flores e velas para decorar a casa, cuida dos comes e bebes de uma maneira impecável.
Uma vez decidiu tudo de última hora e convidou uns 20 amigos para uma festa no sábado à noite.
Como viu que teria que organizar o evento na correria, ligou para Diva,
a diarista que trabalha com ele só nas terças e quintas.
- Diva, vou dar uma festa aqui em casa hoje à noite e queria saber se você pode vir.
Diva responde:
- Vou sim, Seu Jorge. Que horas?
Ele:
- Se você chegar umas 8 da noite está ótimo.
Dito e feito. Às 8h em ponto, Diva chega usando seu melhor vestido, cabelo feito, maquilagem leve. Toda bonita e arrumada para a festa.
Jorge não teve coragem de esclarecer o mal-entendido.

20 de jul. de 2009

Inverno do mundo bizarro


Numa segunda-feira chuvosa em que eu tenho que acordar muito cedo, só consigo pensar no pior do inverno.

Roupas com cheiro de naftalina. Coloca seus casacos no sol. Manda lavar. Ou não me abrace.
Sentar na privada e sentir o quentinho da bunda de quem acabou de sair.
Sopa no pão. Não é porque alguém cozinhou umas ervilhas, bateu no liquidificador, jogou dentro de um pão que eu sou obrigada a achar gostoso.
Gente que assoa o nariz do seu lado. Dá um pulinho no banheiro e joga toda essa secreção no lixo. Não na minha orelha, por gentileza.
Festivais de fondue. Eu não desgosto. Mas não me convide se eu tiver que passar pelo constrangimento de ficar disputando com 20 negos a chance de dar uma xoxada num pedaço de pão velho dentro de uma panelinha com um suposto queijo dentro. E não me venha com banana e abacaxi.
Turistas se jogando para São Joaquim na esperança de ver neve.
Neve artificial em Gramado e Canela.
Gramado, Canela e todas as cidades cheias de lojinhas com souvenirs de bonecos de neve que querem ser bacanas no inverno. Especialmente Campos do Jordão.
Gente que pergunta se a sua gripe é a suína.

Foto: http://awkwardfamilyphotos.com

5 de jul. de 2009

Fashion Week


Não entenda o que vou escrever aqui como aquelas dicas do Certo e Errado da Moda das revistas femininas. Entenda como um desabafo. Estes são exatamente os comentários que eu faria se eu e você estivéssemos juntos em algum lugar e passasse uma pessoa usando uma dessas tetéias. Papo de mulher. Adoro. Mas pode ignorar solenemente. Brilha.


Jeans demais para ser verdade.
Calça jeans é tudo nesta vida. Todo mundo tem aquela que veste como uma luva. Isso não se discute. Jaqueta jeans ou qualquer outro corte de casaco jeans podem até ser ótimos também. Mas tudo junto, ao mesmo tempo, não dá.

Calça branca.
Você é médica? Você é puta? Então não.

Bota branca / Sapato branco.
Nem a Xuxa usa mais essas barbaridades. Logo você vai usar? Sapato branco não fica bom nem na noiva. Se você não for membro da banda Calypso, evitemos.

Bota pata de elefante.
Qual é a idéia aqui? Eu adoro Mangá e quero me vestir como um? Olha que legal, eu sei me equilibrar em cima de 2 ferros de passar roupa? Se você tem, incinera. Estas botas não são aceitáveis nem como doação. (Não confundir com calça pata de camelo, que eu não preciso nem dizer que não).

Soutien com alça transparente.
Se ninguém avisou, deixa comigo. Quando você usa um desses, aparece. Seu soutien não fica invisível. Todo mundo vê que você está usando um soutien cafona com uma fita durex no ombro ou nas costas. E pior: a alça vai ficando amarela. Além de feio, é nojento.

Lingerie bege.
Funciona como uma placa de neom piscando com os dizeres: Eu não tenho um pingo de auto-estima. É horrível, é como se você estivesse nua sem mamilos. Se você usa, o próximo passo é ter que comprar tamanho extra grande.

Roupa com barriga de fora em coroas enxutas.
As pessoas vivem dizendo que você não aparenta a idade que tem? Você está sarada? Que bom. Genial. Mas tia, devolve já a roupa da sua filha. Todo esse calor só pode ser menopausa.

Sandália romana / gladiadora.
Como é que eu posso dizer que não sem ser grossa?

Bota cowboy.
Tá todo mundo usando. Você achou a Gisele Bündchen linda com uma dessas na revista. Deixa eu explicar uma coisa. Só a Gisele Bündchen fica linda com uma dessas. Nem a irmã gêmea dela conseguiria a mesma proeza. Logo...

Roupa apertada.
Se você tem gordurinhas na cintura, existem mil roupas incríveis que você pode usar e ficar muito bem. Mesmo. Mas se você sofre do mesmo mal dos homens de peruca que acham que ninguém repara que aquilo não é cabelo, você precisa saber que todo mundo vê os seus gominhos e o seu cofre. E não, não é bacana.

Kit rasga-orelha.
Esfriou, né? Cachecol, casaco com golona, brincos grandes. Tudo convivendo em perfeita harmonia. Como isso pode ser possível? A vida é feita de escolhas. Decide aí ou você vai acabar levando uns pontos. Tô avisando.

20 de jun. de 2009

O pior conselheiro


Se você parar para pensar, ouvir a voz do coração é uma grande incoerência. Ok, eu sei que ouvir o coração é justamente não parar para pensar. Mas não faz sentido.
Primeiro porque o coração passa a vida inteira ali dentro, fazendo o mesmo movimento e a mesma coisa o tempo todo. A única coisa que varia é a velocidade. Ouvir o coração é o equivalente a ouvir o funcionário da linha de montagem de uma fábrica. China, você que passa o dia inteiro encaixando braço de boneca, me fala uma coisa, o que você acha que eu devo fazer com essa relação? Invisto? Desencano? O coração, com toda aquela experiência de vida vai fazer o que? Chutar uma das duas respostas. E a chance dele acertar é 50% - 50%. Loteria, babe.
Depois tem outro problema: coração não fala, batuca. Você expõe suas grandes dúvidas existenciais e faz o que? Se você acha que eu devo dar uma chance para esse cara bate 112 vezes por minuto. Se acha que não, bate 80. Mas bate direito senão eu não consigo contar. Ridículo.
Tem mais. The Little Heart passa o dia inteiro batendo. Você conhece estetoscópio? Já ouviu o barulho que um coração faz enquanto bate? Quem é que garante que ele está ouvindo as suas perguntas? Troco meu marido por um amante gostoso mas canalha? Ele responde, do meio da bateria da Mocidade Indepentende: Siiiiiiiiiiiimmm!!! É por isso que as grandes cagadas acontecem e se repetem por aí.
Se o coração tivesse todas as respostas a gente não fazia mapa astral. Ia ao cardiologista. Além dos pacientes de sempre, o InCor estaria lotado de gente indecisa. Os transplantados estariam felizes ouvindo o coração dos outros. Afinal, uma segunda opinião é sempre bem-vinda. Doutor, meu coração não está me dando nenhuma resposta decente. Será que a gente pode tentar o desfibrilador? (sempre quis escrever esta palavra).
Por que, em vez do coração, a gente não ouve o estômago? Se der friozinho quando você encontrar o cara, a resposta é sim, brilha. Eu, por exemplo, não tenho estômago para muita gente que conheço. Acho esta sensação bem mais confiável do que um coração involuntário querendo me dizer de quem gostar.
Como se não bastasse, o coração te expõe, te delata. Você beija o cara e ele percebe que o seu coração está fazendo um solo de bateria a la John Bonham. Não dá para pagar de blasé desse jeito.
Nosso coração é incoerente, ridículo, pouco confiável e escandaloso. Mas não tem nada mais fantástico do que deixar a vida descompassada, só no ritmo desse imbecil.

16 de jun. de 2009

O que temos para o momento


Quando as pessoas reclamam que você não escreve há muito tempo. Quando você anda realmente ocupado para parar e pensar em algo relevante, digno de algum comentário, siga o meu singelo conselho. Poste uma foto que faça isso por você. É um truque dos mais canalhas, não sei a quem eu pretendo enganar com isso, mas é melhor do que nada.
Ou não?

15 de jun. de 2009

Sobre namorados e parada gay


Sexta, 12, dia dos namorados. Domingo, 14, parada do orgulho gay. Lembrei desta história que me pareceu englobar os dois assuntos.
Minha amiga é lésbica e estava toda feliz namorando uma mulher que era hetero até conhecê-la. Ela sabia que a namorada não tinha se convertido por causa dela, mas gostava da idéia de ser a primeira. Um dia, falando sobre o assunto, a namorada contou que, antes de conhecê-la, ia nas baladas hetero e ficava com homens. Até conhecer um que parecia bacana. Dançaram, se beijaram e quando foram conversar, ele soltou a pérola:
- Gostei muito de você. Queria te conhecer por compreto.
Por “compreto” assim, com érre mesmo. Foi aí que ela percebeu que não suportava mais. Tomou uma decisão radical.

Já para mim e para você, que continuamos do lado de cá da força, muita força.

6 de jun. de 2009

Pára já com esse papinho


Imagine a seguinte situação: eu tenho uma amiga de longa data que escolheu ter uma vida completamente diferente da minha. Ela casou cedo e teve filhos. Profissão nunca foi importante na vida dela nem viajar é o que ela mais ama fazer. Ok?
Então um dia eu encontro essa amiga e resolvo dizer que, por ter feito as escolhas que ela fez, ela nem sequer conhece o melhor da vida. Deixo muito claro que não respeito a decisão dela, que tenho pena por ela nunca ter ido à Europa nem para Cuba. Digo que não posso nem começar um assunto com uma pessoa que só sabe o que é o Louvre graças a um filme medíocre como o Código da Vinci. Que ela nunca vai entender o quanto eu sou feliz e realizada por ter uma profissão, por ser respeitada e por já ter muito mais experiência de vida do que ela. Sugiro que, quem sabe, se um dia ela mudar de idéia e decidir correr atrás do prejuízo, ela experimente a sensação de ser livre e independente. Mas, se ela ainda tem alguma esperança de ser feliz como eu, que faça isso logo porque o tempo está passando e daqui a pouco vai ser tarde demais.
Imaginou? Isso não seria um absurdo, uma estupidez, uma falta total de respeito por essa amiga?
Então por que é que o contrário vale? Por que é que algumas mulheres, por serem mães, acham que podem chegar para pessoas que escolheram deixar a maternidade para lá e dizer com aquela cara de piedade: ser mãe é a maior felicidade do mundo. Pena que você não sabe o que é. Ou pior: você age assim / diz isso porque não sabe o que é ser mãe. Só depois que a gente é mãe a vida faz sentido. E por aí vai.
Isso tem acontecido comigo e com um monte de gente que eu conheço. E me tira do sério. Vão todas catar coquinho.
Não sei, mas imagino que deve ser mesmo foda ser mãe. Quando eu quiser, pode ter certeza que vou experimentar e me esbaldar com esta experiência incrível. Mas nunca vou chegar com este texto bizarro para mulher nenhuma, amiga nenhuma. Porque as pessoas são livres para ser o quiserem. E porque, para a nossa sorte, não existe apenas uma forma de felicidade na vida. Eu tenho tantas amigas que são mães, que eu admiro para caralho, que estão maravilhosamente felizes e que nunca vieram com esse discursinho. O que acontece com o resto do povo?
Ser mãe pode até ser padecer no paraíso, juro que não duvido. Mas, pelo menos por enquanto, quero mais é brilhar no paraíso. Com todo o respeito por quem está padecendo.

3 de jun. de 2009

O dia estava espetacular

Deu vontade de ir ao parque, sentar na grama e ficar no sol. Fui na hora do almoço e, chegando lá, percebi que não fui a única a ter esta idéia. Tinha um monte de gente sentada na grama, descansando. Descansando é uma palavra meio errada porque tinha uma música do caralho tocando muito alto. Fiquei lá pensando na vida até que um cara magricelo e bem doido tirou a roupa e começou a dançar freneticamente, só de cuecas. Peguei a câmera da bolsa e comecei a registrar a cena. A imagem está meio tremida porque eu não conseguia parar de rir vendo a performance. Ele ficou dançando assim um tempo. Umas pessoas curtiram e colocaram uma grana na cueca dele. Ele se empolgou ainda mais e dançava loucamente.
Aí um moleque resolveu tirar um sarro e começou a dançar ao lado dele e fazer palhaçada para o grupo de amigos que estava sentado atrás de mim. Um cara meio gordo, parecido com o Maradona, também se juntou a eles. Chegaram mais 2 no mesmo esquema. Depois mais 3, mais 4, mais 5, mais 2. E começou a vir um monte de gente de todos os lados. Altos, baixos, gordos, magros, cabelos vermelhos, de chapéu mexicano. Umas 100 pessoas em poucos segundos. Foi genial. Contando, não sei se dá para imaginar. Se quiser ver, clique aqui. Mas veja até o final que vale à pena.

PS: Amei e quis dividir esta história.

17 de mai. de 2009

A grande revelação


Eu tinha 8 anos (afe, faz tempo), saí pela porta dos fundos da minha casa, lá no Rio Grande do Sul, e dei de cara com o Luck. Luck era o meu cachorro pastor alemão (in memorian), que estava sentado no sol, aparentemente bem, mas com um ferimento assustador. Voltei para dentro de casa gritando, desesperada.
Mãe, o Luck tá muito machucado. Vem aqui peloamordedeus. Minha mãe largou o que estava fazendo e veio atrás de mim. Quando saímos pela porta e ela viu o que eu tinha visto, pareceu muito menos preocupada do que deveria. Afinal, o pinto do meu cachorro estava maior do que o habitual e em carne viva. Eu já estava chorando muito e pensando que daquela ele não escaparia. Mas minha mãe me tranquilizou (na época, com trema). Flavia, calma. Ele não está machucado. Ele está assim porque quer namorar.
O que? A criatura está agonizando, com o pinto em carne viva e ela me diz uma coisa dessas. Só pode ser mentira. Ela quer que tudo pareça simples mas ele vai morrer. As lágrimas brotavam dos meus olhos. Foi então que ela foi até o quarto e voltou com uma cara de pânico e um livrinho nas mãos. Me entregou o livro, cuja capa está ali em cima e disse. Eu vou fazer as unhas e já volto. Dá uma lida neste livro e depois a gente conversa. E pirulitou.
Eu li e não podia acreditar. De longe, foi o livro que mais me chocou na vida. Não é possível. Ok, os bichos fazem isso mas meus pais não. Meus tios não. Meus avós paternos tiveram 7 filhos, os maternos 9. Eu tenho 2 irmãos e uns 40 primos. Isso significa que todos fizeram isso e não foi uma vez só. Como assim? Não pode ser verdade. Depois disso eu ficava olhando para eles nos almoços de família, a nuvenzinha de pensamento dos gibis da turma da Mônica se formava e não desaparecia. Eu não queria imaginar aquilo. Por que?
Eu contava para minhas amigas e ninguém acreditava em mim. Eu sabia de uma coisa muito grave e não podia dividir com ninguém.
Foi assim que eu descobri como nascem os bebês. E foi assim que minha mãe me deu esta preciosa lição: na falta de psicologia infantil, tasca um livrinho e desaparece. Já.

10 de mai. de 2009

Oficina de Jezebel


Quando uma criatura não tem nada para fazer, é capaz das coisas mais bizarras e inúteis do mundo. Tão ruins que se tornam do caralho.
Você já ouviu falar de um cara chamado Gustavo Martins? Nem eu, até sexta-feira, quando me contaram de uma pesquisa totalmente inútil e hilária que o pilantra fez. Primeiro achei que era mentira mas depois vi que ele já deu entrevista sobre isso no programa de rádio do Pânico (para você ter uma idéia do naipe).
Mesmo sabendo que seria um trabalho idiota, que não chegaria a lugar algum, ele passou 6 meses pesquisando sobre as rimas mais manjadas e clichês da música brasileira para um trabalho de conclusão do curso de jornalismo. Escolheu as 500 músicas que mais tocavam nas rádios entre 2001 e 2005, tabelou as rimas até descobrir as que mais se repetiam.
O resultado: assim/mim (que se repete em 58 músicas), paixão/coração, dizer/você, amor/dor, caminho/sozinho, sorriso/paraíso até chegar em tesão/decepção. Achou pouco? Então olha a minha parte preferida desta história: o guri teve a manha de perceber que, se você trocar a palavra AMOR por AVÔ, a música continua rimando e fazendo sentido. Outro sentido, completamente diferente, mas faz. Eu fiquei horas tentando lembrar de outras além destas, que me fizeram rolar de rir:
O seu avô é canibal, comeu meu coração e agora sou feliz.
Meu avô, se você for embora, sabe lá o que será de mim.
Adocica, meu avô, adocica.
Avô da minha vida, daqui até a eternidade.
Quero um avô maior, um avô maior que eu. (rarararara)
É o avôôôô que mexe com a minha cabeça e me deixa assim.
Vem, meu avô me tirar da solidão, vem meu avô me tirar da solidão.
Meu avô, nosso avô estava escrito nas estrelas.
Ah, se tu soubesses como eu sou tão carinhoso e o muito, muito que te quero, e como é sincero o meu avô, eu sei que tu não fugirias mais de mim.
Avô, I love you. Avô, I love you.
O avô é fogo que arde sem se ver (isso se ele já morreu, é claro)

O mesmo amigo que me contou esta história também tem uma descoberta deste nível de importância: ele percebeu que qualquer música (qualquer uma, do Hino Nacional até qualquer coisa balbuciada pelo Carlinhos Brown) pode ser cantada no ritmo de Coração de Estudante. Mas não dá para escrever sobre isso. Escolha uma aleatoriamente e cantarole você mesmo. Funciona.

2 de mai. de 2009

Sobre prosecco, homens e GPS


Ok. Eu já tinha bebido algumas taças de prosecco com as amigas quando elaborei esta teoria. Ninguém precisa concordar com ela mas ontem fez um sentido enorme e hoje continua fazendo (acho). Apenas acompanhem meu raciocínio.
A maioria das mulheres que eu conheço não tem senso de direção. Eu sou o tipo de pessoa que não sabe sair do prédio do dentista. Por onde é mesmo? Mesmo com mapa da mão, dou um jeito de me perder para chegar nos lugares. Com o tempo, descobri que meu caso é tão grave que, se eu tiver certeza de que tenho que ir para a direita, viro para a esquerda. E adivinhem: era para a esquerda. Quando faço o contrário do que me parece o certo, aí é que eu acerto.
Continuando: a maioria das mulheres que eu conheço também não entende os homens. A praticidade deles não faz sentido com a nossa mania de analisar tudo. Então vamos à minha teoria (finalmente, mas eu tinha que explicar): toda vez que você entender que o que um cara te falou quer dizer alguma coisa, acredite, mas quer dizer exatamente o contrário. Como esquerda e direita. Se você ficar encanada porque acha que ele quis dizer A, pode ter certeza que ele quis dizer B. E digo mais: normalmente ele não quer dizer nada. Nem A nem B. Ele quer dizer só o que disse, literalmente, e é uma perda de tempo tentar achar que tem alguma coisa para ficar subentendida. Isso é coisa de mulher.
A vida poderia vir com uma espécie de GPS que nos diz para que lado virar o tempo todo. Mas não teria tanta graça porque a gente passaria por ela no piloto automático, sem prestar atenção nos pontos de referência, nas ruas sem saída nem no caminho. Esta teoria ajuda, mas acho que vale mais à pena continuar se perdendo e se achando. Sempre vai ter o equivalente a um posto de gasolina ou um ponto de táxi onde a gente pode parar, perguntar e se perder de novo.
Afe. Prosecco me deixa bem louca.

23 de abr. de 2009

Você é a impressão que causa


Muitas e muitas vezes as pessoas já tiveram a impressão errada a meu respeito. Não neste caso.
Um colega de trabalho me fala:
- Flávia, ouvi uma música que me fez lembrar de você.
- Sério? Que música?
- Na verdade nem foi a música. Foi uma expressão que tinha na letra que eu achei a sua cara.
- Qual?
- Chuva de rímel.

Amei.

22 de abr. de 2009

Gênia


Nada que eu escrevesse chegaria aos pés disso.
Cabeleireira transforma assaltante em escravo sexual na Rússia
Um estranho caso de assalto e violência sexual envolvendo um criminoso e uma cabeleireira está mobilizando a polícia russa. Segundo o site "Life.ru", uma cabeleireira de 28 anos identificada como Olga teve o salão invadido por um assaltante na terça-feira (14). Ela, que é treinada em artes marciais, conseguiu render o homem de 32 anos, identificado como Viktor, e levou-o para uma sala reservada. Olga teria usado o fio de um secador de cabelo para render o assaltante, e acabou prendendo-o, mas não chamou a polícia. Ela teria obrigado o criminoso a tomar o estimulante sexual Viagra, para depois abusar dele por diversas vezes, durante os dois dias seguintes.
Depois de ser libertado, Viktor foi ao hospital para curar seu órgão sexual "contundido", e depois registrou queixa contra Olga. No dia seguinte, foi a vez de Olga registrar queixa contra Viktor por assalto. A história fica ainda mais confusa, segundo o "Life.ru", porque a polícia não tem certeza de quem é o verdadeiro criminoso nesse caso de assalto que terminou em atentado ao pudor.

14 de abr. de 2009

A Páscoa dos Schmidt


Desde que cresci e não fui mais obrigada a ir à igreja e beijar a estátua de Jesus morto (trauma nº 7 da vida), passei a achar que Páscoa era só um feriadão em que a gente viaja, come camarão até morrer e ganha chocolate. Isso mudou quando eu soube como eles comemoram na casa do Beto. Aquilo sim é que é Páscoa.
Beto é meu amigo de Porto Alegre. Ele faz parte das pessoas mais legais do mundo nascidas em Porto Alegre: as que cresceram no bairro de Ipanema. Páscoa na casa dos Schmidt não é brincadeira para criancinhas que acreditam em coelhinhos. Exige toda uma logística, preparo físico e nervos de aço. Eles levam muito a sério a tradição de esconder os ninhos. Fazem isso com dedicação e maestria, a ponto dos chocolates correrem o risco de não serem encontrados antes do prazo de validade vencer. A não ser que o presenteado desista, diga que não quer mais brincar e quer os chocolates ainda no mês de abril. Mas isso, para os Schmidt, seria uma tremenda demonstração de fraqueza de caráter. Lutar sempre, retroceder nunca, render-se jamais.
Há alguns anos, a TV começou a apresentar problemas de funcionamento exatamente na época da Páscoa. Tremendo vacilo do irmão do Beto, que esperou todo mundo sair logo depois do carnaval (40 dias antes!!!), desparafusou a TV de 29 polegadas e escondeu os chocolates lá dentro. Infelizmente, neste caso, o aparelho denunciou o amadorismo na escolha do esconderijo.
O importante é não deixar vestígios. Foi nisso que o próprio Beto pensou quando escondeu o ninho da senhora sua mãe enterrado no quintal, dentro de uma caixa e vários sacos de plástico. Depois de abrir e fechar um buraco de 7 palmos, ele moqueou a vegetação e a terra para que ninguém suspeitasse que havia chocolate por ali. Um cadáver, talvez. Chocolate, nunca.
A mãe do Beto se inspirou no artifício de embrulhar tudo com várias camadas de plástico e, no ano seguinte, pensou no esconderijo quase perfeito. Pelo menos o que levou mais tempo para ser desvendado. Subiu no telhado e colocou o ninho submerso dentro da caixa d’água da casa. Em outro ano eles aproveitaram o fato do inverno ter chegado mais cedo e já terem providenciado uma pilha de lenha quase da altura da casa (que o IBAMA não saiba, mas todo mundo tem uma pilha de lenha dessas lá no RS) e esconderam o ninho lá no meio.
Ontem eu perguntei para o Beto como tinha sido a Páscoa deste ano. A resposta foi uma comprovação de que a tradição vai continuar por gerações. “Foi legal. Sacaneei o meu filho. Escondi o ninho dele em cima de um muro de mais ou menos 2 metros. Bem alto para um moleque de 4 anos”.
Feliz Páscoa para você também.

13 de abr. de 2009

Programa das Indias


Eu tenho tanta vergonha alheia pelos atores do núcleo da Índia que não assisto a novela das 8 nem para dar risada. Passo mal, suo frio. Não é possível que eles não tenham nenhum pingo de constrangimento quando os roteiristas e o diretor mandam todos ficarem nos seus lugares para gravar mais uma cena de dança na sala da casa. O mais animado é o marido da Juliana Paes, que não é a delícia do Marcio Garcia. O outro, do nariz. Mas ele dança numa empolgação, remexendo aqueles ombrinhos e a cabeça a la Fat Family. A única que dança e não disfarça o constrangimento (e eu me solidarizo) é a Cleo Pires. Ela realmente não consegue esconder que, não só não concorda com aquilo, como matou as aulas com o Fly. Quem tem que arrebentar é a Juliana Paes e a criança feia. Ela só precisa aparecer em segundo plano. O Tony Ramos decidiu que vai fazer os mesmos passos de dança de quando era grego e amava a Zúlia. Quem deve sofrer muito é a Laura Cardoso, que é a avó do marido da Juliana Paes. Ela é tão boa atriz que fica ali, sentada, vendo tudo aquilo e não tem ataques de riso. Só ri por dentro. Deve ter sido exigência na hora de aceitar o papel: beleza, eu faço, mas me deixem sentadinha num canto. Pelo amor.
E os Indianos que vivem no Brasil e sofrem preconceito porque têm nomes de divindades. Os colegas espancam e humilham o cara (veja bem, não se trata de crueldade infantil, estamos falando de um marmanjo na faculdade) porque ele tem nome estranho. Desde quando? Isso rende, no máximo, uma piada ou outra nos primeiros dia de aula, na hora da chamada, depois já era. E o casal que namora pelo Skype e se beija na tela do laptop? Meigo. A menina entra no quarto e ele está chamando. Fulana, Fulana. Não é o sinalzinho do Skype. É ele, em pessoa.
Além dos ensinamentos metafóricos colocados a fórceps em todos os diálogos, é indispensável o uso da palavra auspicioso. Manda o povo para o Aurélio e repete exaustivamente, que novela que se preze precisa ter um bordão. Qualquer um. E tragam água do Ganges.
A outra novela da Glória Perez também tinha tudo isso. Só que o modelito era burca, o ritmo era dança do ventre na sala da casa (a sala da casa é a mesma, certeza) e a frase obrigatória em todos os diálogos era: você vai arder no mármore do inferno. Antes tinha a dos ciganos, que também devia ter tudo isso mas todo mundo só lembra das falas do cigano Igor. Pensando bem, esta é a melhor da trilogia. Pelo menos no quesito galã, evoluímos de Ricardo Macchi, passamos por Murilo Benício e chegamos à delícia do Marcio Garcia. Torço muito para que ele nunca precise dançar.

5 de abr. de 2009

Corpo fechado


Balada nova em São Paulo. Um amiga fez a maior propaganda mas advertiu: tem que chegar cedo. No horário marcado eu estava lá mas ela ainda nem tinha saído de casa. Entrei sozinha e fiquei reconhecendo o terreno. De repente chega um cara bem bonito e brinda com a minha Stella. Pensei na hora: minha amiga ia curtir esse cara. Cadê ela que não entra?
Estava na fila. Entra que o som está ótimo. Tô tentando mas a fila tá foda. De repente o mesmo cara gato me pergunta: você está bebendo alguma coisa? Eu mostro minha Stella (outra) e sinalizo que estou no telefone. Ele fica esperando. Termino de falar com minha amiga e ele oferece: estou indo no bar pegar uma bebida, quer alguma coisa? Não, valeu. Ele foi. E de costas ele também era bonito. Nossa, mas minha amiga vai pirar nesse cara.
Não morre mais. Tô pensando nela e ela liga: Flá, a fila não anda há 40 min. E se a gente fosse para outra balada? Pô, mas você ia gostar daqui, viu? Eu sei, mas pelo jeito vou demorar muito para entrar. Bom, então vamos. Tô saindo. O gato chega de novo e fala: onde você vai? Putz, tô indo embora. Como assim? Então, tô com uma amiga aí na fila e não tem jeito dela entrar. A gente vai para outra balada. Ah, fica aqui. Como é que a gente fica? A gente? Ué, tô tentando falar com você desde o início da noite. Ah, que pena, mas eu estou mesmo indo embora. Posso pegar seu telefone? Pode. Como é o seu nome? Flavia e o seu? Francisco. Vocês vão para onde? Não sei ainda. A gente vai decidir. Ele me dá um abraço de despedida. Nossa, mas que cara bacana. Saí. Estou conversando com minha amiga, falando que ela ia curtir meu novo amigo e ele liga: Flavia, para onde você vai? E se eu fosse com você? Putz, amigo. Não sai daí, não que a balada tá ótima. Eu só tô indo embora porque ela não conseguiu entrar, senão ficaria. Tem certeza? Claro, fica aí. Aproveita. Beijo. Tu-tu-tu-tu-tu.

Corpo fechado é assim. Pode aparecer um cara gato, gentil, educado, paciente e chamado Francisco, que nada acontece.
Chega.

30 de mar. de 2009

Senha


De tempos em tempos sou obrigada a trocar a senha do meu e-mail do trabalho. Medida de segurança. Mas como isso acontece com muita freqüência e eu não posso repetir nem colocar nada fácil de ser descoberto, acabo tendo que pensar em coisas realmente relevantes para não esquecer.
Um dia isso aconteceu numa sexta. Eu pensei em algo ultra, mega blaster relevante, alterei a senha, confirmei e o dia se passou. O fim de semana também passou e, na segunda seguinte, quem diz que eu lembro das palavrinhas mágicas.
Caramba, o que foi mesmo que eu coloquei? Nome do cachorro, nome do bofe da vez, aniversário do avô, meu aniversário, México, Madureira, Ronaldo9, tudo. Esgotei todas as possiblilidades. Que estranho, eu sempre lembro dessas coisas. Mas é muita coisa, muito número para a pessoa memorizar, o que foi que eu coloquei? Desisto.
Chamei “o cara dos computers” e pedi socorro. Mas Flavia, você tem certeza que não lembra? Vou ter que pedir para me mandarem isso de Nova Iorque. Multinacional é foda para essas coisas. Faz um esforço aí. Já fiz. Todos. Peloamordedeus contrata um hacker, lê meus e-mails se for o caso, mas quebra essa. Ok.
Depois do almoço eu estou na minha mesa e ele me liga morrendo de rir. Que foi? Flá, você não lembra mesmo qual é a sua senha? Não, cacildis. Já falei. Meu, você é muito figura. Por que? Fala logo. Anota aí: rodrigosantoro.
Gente, como é que eu fui esquecer?