24 de jan. de 2010

Onírico


Caio Fernando Abreu deixou um comentário no meu blog. E eu fiquei lisonjeada. Não acredito que ele lê. E que gosta. Preciso responder. Mas peraí. Ele já morreu. Deixa eu entrar no google um minutinho que vejo até em que ano foi. Que estranho. Não tem nenhuma referência da morte dele no google. Mas eu lembro que ele morreu. E que eu fiquei bem triste porque adoro tudo o que li dele. Deve ser alguém me sacaneando. Mas quem? Acordei nessa dúvida. Foi ele ou não foi? Quando vi que era sonho, poderia ter sido ele. No sonho. Fiquei com tudo nítido na cabeça. Isso acontece sempre. Lembro do cheiro, da luz, da cor. Sempre é bem colorido.

No aeroporto de Porto Alegre, voltando para São Paulo, o vôo vai atrasar. Vou comprar um livro do Vargas Llosa. Mas pera, os pocket books são mais baratos deixa eu ver o que temos: Caio Fernando Abreu. Comprei os 2 dele que estavam disponíveis. Comecei a ler o maior porque o vôo ia atrasar e este ano eu ando devoradora.

Já em São Paulo, 2010 começando na correria que eu gosto. Mil vezes isso do que o marasmo. Cheguei tarde em casa e entendi o motivo do sonho e do comentário do Caio e o porquê de tudo ainda tão nítido na minha cabeça. Tudo ficou claro, transparente quando li cada uma daquelas palavras que se encaixaram como uma luva. Me senti um sapo dissecado no laboratório. Era isso. Era sonho.

Obrigada pelo comentário no meu blog e por escrever Onírico. E por me recomendar esta leitura do jeito que você recomendou. Obrigada por ler, mesmo em 1991, o que um dia seria minha mente tortuosa. Obrigada por me explicar tudo.
Virei a página e ainda encontrei outra citação, que me ajudaria a finalizar este texto que só diz respeito a mim, mas que precisava ser escrito, porque foi aqui que ele começou.
“Talvez seja um pouco cifrado, mas para um bom leitor certo mistério nunca impede a compreensão.”

13 de jan. de 2010

Só uma constatação


Uma pessoa percebe que está ficando velha pela quantidade de sabonetes que ganha de presente no aniversário.

10 de jan. de 2010

Palavras Wando


Eu acho Wando gênio. Tão gênio que existem palavras que passaram a ser propriedade dele. Toda vez que alguém usa uma palavra Wando, seja lá qual for o contexto, a canalhice entra sem pedir licença no recinto. Palavras Wando foram feitas para serem ditas somente por aqueles lábios* carnudos*, com aquele olhar* de mormaço de quem tem plena convicção de que é muito sexy. Por pessoas que nadariam nuas* numa piscina de pêssegos em calda ou fariam amor* numa banheira cheia de gelatina (ele disse isso, juro). Qualquer outra pessoa usando uma palavra Wando precisa ser avisada de que não dá.
A palavra mucosa, por exemplo. Se ela for dita por uma professora de Biologia ou por um dermatologista, não importa: Mucosa é uma palavra que pertence ao vocabulário Wando. E, se você insistir em falar, a luz vai baixar, um globo de espelhinhos vai surgir e começar a girar e você vai ser visto como o mulatão barrigudo, usando apenas uma cueca cor de vinho e mordendo uma maçã. Pensa bem: mu-co-sa.
Preparei uma pequena lista de Palavras/Expressões Wando com o objetivo puro e simples de dizer não use, vai pegar mal. Não tente conquistar ninguém usando estas palavras, pelo amor de deus. Fora de questão, ok?
Mucosa
Fogosa
Abusa
Abusada
Gozo
Seduz
Anjo (ou meu anjo)
Safada
Fazer amor
Deusa
Glande
Seios
Ousada
Lânguida
Cangote
Nominho (nome no diminutivo)
Gazela
Chamego
Nua
Um cheiro
Devorar
Mordiscar
Lábios
Quero você
Fazer mulher
Jorro
Amante
Olhar (substantivo)
Carnuda
Brejeira
Pele de pêssego
Madura

PS: Agradecimento a Michel pela ajuda na elaboração da lista.

16 de dez. de 2009

Rei


Ele nunca acertou um corte de cabelo na vida. Já implantou uma pena atrás da orelha. Finge que beija e depois joga rosas colombianas cafonérrimas para a mulherada. Tem T.O.C. e é cheio de manias. É perneta. Namorou a Luciana Vendramini. Fez filmes medíocres. Oscilou de “Eu sou terrível” para “Nossa senhora, me dê a mão, cuida do meu coração” sem ninguém entender direito como isso aconteceu. Pede um café para dois. Usa as maiores ombreiras do mundo e tem uma coleção de ternos azul celeste.
Mas ele pode. Pode porque é Rei e rege uma multidão de súditas do sexo feminino, que já viraram o Cabo da Boa Esperança, usam estampas de oncinha e zebra. E balançam suas cabeças de nuvens branquinhas, com alguns tons de lilás ou disfarçadas em outros tons de gosto duvidoso como o próprio Rei costuma pregar. Todas lutando contra a lei da gravidade, exatamente como ele.
Aliás, como ele também costuma dizer pelo menos uma vez por ano na Rede Globo, eu fui obrigada a repetir: Que prazer. Que maravilha estar aqui.
A gravação do especial de fim de ano do Robertão foi ontem. Eu fui, cantei, dancei, berrei, me debulhei chorando quando ele cantou Detalhes (sempre choro ouvindo Detalhes), pirei nas velhinhas que estavam em êxtase. Elas ousaram e gritaram despaupérios como: Coisa de loucoooo! Lindooo! Roberto, eu te amoo.
Como se isso fosse a coisa mais doida que fizeram na vida. Se bobear, foi.
O Rei é foda. Bom demais. Gentil, diz tudo o que aquelas senhorinhas gostariam de ouvir. Paguei muito pau. Gosto de absolutamente tudo das antigas. Ouço muito, tenho CDs, vinis e sei as letras inteirinhas. Programa obrigatório e inesquecível. Estou doida para contar para os meus netos.

Em terra de cantor, quem tem uma perna é rei.

23 de nov. de 2009

Texto para combinar com a foto


Admiro gente que se apaixona e se joga lindamente, como se não houvesse amanhã. Para falar a verdade, eu também me jogo. Mas enquanto alguns sobem na plataforma de mergulho e dão um salto ornamental rebuscado e cheio de piruetas, caindo sem esguichar nenhuma gota em volta, eu costumo me jogar de barriga.
E se você já foi criança um dia e já tentou se jogar de barriga para fazer seus amigos rirem, sabe o quanto isso pode ser dolorido e o estrago que faz em quem estava sequinho, só assistindo.
Acho que o que mais me diferencia dos saltadores ornamentais é que eles treinam incansavelmente, calculam os movimentos, aprendem todas as técnicas, alongam, tomam uma ducha fria antes para evitar choques térmicos. Eu já me jogo da mesma maneira instintiva com que a paixão vem. Saio correndo, chuto os dois pés de Havaianas no caminho, um para cada lado, tomo impulso e pulo de braços abertos.
Não acho que tem a mesma graça quando tudo é pensado e feito para agradar meia dúzia de jurados. Prefiro sair da piscina contorcida de dor e ver todo mundo se matando de rir da palhaçada do que aturar os olhares blasés de jurados que, diante de um salto tecnicamente perfeito, têm a coragem de levantar uma plaquinha com a nota 4,75.

Fiquei horas pensando num texto que combinasse com esta foto. Simplesmente passei mal de rir quando vi (e ainda passo). Tinha que ser ela. Só me ocorreu isso. Espero que você também goste.

4 de nov. de 2009

Sivuca's legs


Não é uma questão de otimismo ou pessimismo como olhar um copo meio vazio ou meio cheio. É uma questão de necessidade, de noção, de senso do ridículo.
Que história é essa de depilar meia perna? Só do joelho para baixo?
Ok, eu sei que dói menos. Eu mesma já fui adepta desta moda anos 80/90 introduzida por Malu Mader em Top Model.
Mas, para você ter uma idéia de como o tempo passou, nessa época Taumaturgo Ferreira era galã do tipo rebelde.
Precisa depilar tudo. A perna toda. Senão você fica com meia perna peluda. Simples assim. E não adianta descolorir os pelinhos porque isso só te deixa com meia perna do Sivuca. A coxa do Hermeto Pascoal. É isso que você quer? Não, né? Então pronto.

27 de out. de 2009

Hora de jogar a toalha


Jennifer e Brad formavam um casal incrível. Ela era aquele tipo de mulher linda, para casar. Ele, simplesmente uma coisa. Ricos, famosos, viviam numa mansão fantástica, tinham a vida que qualquer mortal pediu a deus.
Uma noite, Brad chega em casa animadaço. Vou fazer um filme de ação. Acabei de pegar o script. Serei um matador de aluguel.
Jennifer já imaginou aquelas cenas com muita adrenalina e sua única preocupação foi: vai ter dublê, né? Você não vai se estropiar naquelas cenas de explosões?
Claro que não, bobinha. Sabia que você fica linda quando se preocupa comigo? Se beijaram, brindaram, tiveram uma noite tórrida. Tórrida não é uma palavra que combina com uma boa moça como Jennifer. Ela diria que foi tudo lindo.
Na manhã seguinte ele estava no banho e ela, ainda na cama, decidiu passar os olhos pelo script e ler algumas falas de um filme de ação. Curiosidade pura. Afinal, ela dominava mesmo os diálogos de sitcoms e comédias românticas. As falas de Brad estavam destacadas em verde. As do seu par romântico, em laranja. Amor, a Angelina que vai fazer a sua esposa no filme é alguma atriz novata (diz que sim, diz que sim, diz que sim)? Ele respondeu, como se nada fosse: não, acho que você conhece. É a Angelina Jolie…
Jennifer sentiu um arrepio subindo pela espinha. O problema nem era a Angelina Jolie porque todo mundo estava careca de saber que ela gosta de mulheres. O problema foi aquele jeito displicente de falar. Ninguém na face da terra diria: “Acho que você conhece a Angelina Jolie". Como assim “acho”? Qualquer criança da África conhece a Angelina Jolie. Tem muita mulher confusa dizendo que não gosta de mulher mas pegaria a Angelina Jolie. Como é que Jennifer não saberia quem é Angellina Jolie? Mas calma. Se é para ser displicente, eu também sei ser, pensou Jennifer. E tascou, meio blasé: A da boca? Brad respondeu: Boca? Que boca? Vocês mulheres reparam em cada coisa.
Pronto. A partir deste momento Jennifer teve certeza: acabou para mim. As mulheres sempre sabem destas coisas. O final desta história, eu, você e qualquer bebê cambojano sabemos.
Jennifer simplesmente não podia fazer mais nada.

6 de out. de 2009

Movimento Curly


Como é mesmo o nome daquele cara que senta ao lado da moça de cabelo grande?
Ouvi isso hoje cedo e pensei: pera aí, a moça de cabelo grande sou eu? Era.
Fodeu. Virei ponto de referência.
Exatamente como acontecia com os gordinhos, anões e outras pessoas consideradas “diferentes”, ter cabelos cacheados agora é fora do padrão.
Os cacheados do mundo decidiram aderir à auto-enganação dos alisamentos-progressivos-e-artificiais-para-caralho e simplesmente fingem que são lisos desde que nasceram. Por conta disso, eu, Gabriela e Tereza Batista Cansada de Guerra é que pagamos o pato.
E a tendência é só piorar. Em pouco tempo nós vamos virar tema de piadas do Ary Toledo, junto com o papagaio, o português, o judeu e o fanho.
As pessoas enlouqueceram? Assumam esses cachos. Parem já de passar formol nos cabelos. Sorry, esse seu liso é fake. Chegou a hora dessa gente bronzeada mostrar seu valor. Vamos bater esse cabelão, dar um volume, transar uma presilha. E brilhar.
Tomara que chova muito e que a chapinha de vocês vá toda por água abaixo. Bando de vira-casacas.

24 de set. de 2009

Número 2


O assunto do almoço de terça-feira foi cocô.
Isso mesmo, nº 2 e suas derivações entre outros papos e histórias para lá de escatológicas. É incrível como todo mundo tem a história de um amigo(a) + cocô para contar. Quem conta nunca é o protagonista da história, mas a riqueza de detalhes é sempre enorme. Muitas não passam de lendas urbanas: não tinha papel, o cara precisou se lavar e quebrou a pia do banheiro da casa dos pais da namorada. Já ouvi esta numas 30 versões. Fiquei pensando no assunto e tenho uma teoria. Mais uma das minhas.
Acho que essa vergonha de admitir vexames/questões com cocô é o que garante o sucesso de produtos como Activia. Não sei se você manda um “dan regularis” todos os dias e acredita que isso faz seu intestino ser um reloginho. Pode até ser que funcione. Mas posso apostar qualquer coisa que, se alguém decidiu aceitar o desafio Activia (cocô ou o seu dinheiro de volta), essa pessoa jamais irá até o supermercado munida do seu potinho vazio e dizer: não funcionou, devolve meu dinheiro. Não é tanto dinheiro assim para valer um mico desses. Prefiro trocar meus potinhos por um Marinex (cá entre nós: que promoção bizarra foi essa????). Concorda que o Desafio Activia é um exame de fezes ao contrário, porque o potinho vai vazio? Já que ninguém volta para pedir o dinheiro, a galera da Danone conclui que funciona mesmo.
Será? Nunca parou para pensar nisso, né? É por isso que às vezes eu acho que deve ter alguma coisa errada comigo. Foi mal. Mas agora já postei.

19 de set. de 2009

Mudança


Sugiro que você comece pelas coisas menores e mais frágeis. Arranje caixas, jornais e plástico-bolha para proteger aqueles cristais com que você tanto brindou, os copos, as xícaras e toda a louça. Tudo o que fez parte da sua rotina. Guarde muito bem o castiçal mexicano e o vaso que era da sua avó e tudo o que tem histórico. Proteja as xícaras de chá que sua mãe ganhou de casamento e te deu um dia. Proteja tudo o que te deram de coração e leve com as próprias mãos. Importantíssimo: desfaça-se de coisas que estavam lá mas que você percebeu que não precisava, que não eram tão bacanas como você achou que eram no dia que comprou. A vida está cheia desses enganos que fazem a gente desperdiçar nosso tempo e nosso afeto. Uma pena. Só pena.
Pegue suas malas de viagens cheias de adesivos, arranhões e milhas acumuladas e coloque suas roupas íntimas ou elas correm o risco de passar pelas mãos de pessoas estranhas, muito estranhas. Leve com você, no porta-malas do carro junto com seus sapatos preferidos e mais lindos. Seus vestidos, saias e casacos empilhados cabem na mala maior. Suas bijouterias, a presilha de borboleta do cabelo, as pulseiras e brincos sem os quais você se sente nua.
Arranje ajudantes para as coisas mais pesadas. Você não tem piano mas já carregou a sua cota. Não se engane achando que dá para carregar tanto peso sozinha. Que só seus amigos bem-intencionados podem ajudar. Certas coisas exigem ajuda profissional. Deixe todos os trambolhos com eles, sem culpa. Confie e pague uma boa gorjeta, que eles merecem.
Estou considerando que você já cuidou da pintura nova, cobriu as rachaduras, já imagina onde cada coisa pode ficar. Deixar para depois da mudança em si, costuma ser um transtorno.
Nunca ache que esta é apenas mais uma mudança ou que é a última. Pense que é a mais importante de todas. As coisas podem demorar uns dias para ficarem em seus lugares, mas você dá conta. Sempre deu. E sempre mudou para melhor.
Pense onde suas plantas vão crescer mais fortes e com as folhas mais lustrosas. Lembre-se que as flores gostam de sol mas as orquídeas precisam de sombra. A fixação de raízes é importante mesmo que você nunca tenha pensado nisso antes.
Superstições à parte, entre na casa ou na vida nova com o pé direito. Chame quem importa para comemorar com você. Seja feliz. E que venham as próximas.

1 de set. de 2009

Equívocos gastronômicos


Desde que você não me venha com gafanhotos, catupiry e dobradinha, eu estou disposta a comer e experimentar qualquer coisa. Adoro me surpreender com combinações e sabores esquisitos mas as pessoas estão indo longe demais na tentativa de oferecer pratos diferentes.
Alex Atala que me perdoe mas ostras empanadas com sagu (!!!) e ovas de peixe ou arraia com jiló não vai rolar.
Acho que uma das primeiras coisas que me chocou nesse sentido foi o
X-Vinil de Porto Alegre. Ele tem este nome porque o pão do cheeseburger tem o tamanho exato de um disco vinil. Até aí tudo bem, que a larica é sua e eu não tenho nada a ver com isso. O problema é quando o chapeiro pergunta com a maior naturalidade se você vai querer seu X-Vinil coberto com strogonoff ou não. E tem gente que manda ver. Eu vi. Revoltante.
Semana passada, fiquei chocada com outra novidade. Depois do advento do catupiry, aquele queijo enriquecido com maizena que só serve para infernizar coxinhas, empadas e para tornar o ato de pedir pizza mais complicado (sim, porque agora você tem que deixar muito claro que não quer a borda recheada de catupiry) eis que chegamos ao cúmulo. Tem pizzaria com a cara de pau de oferecer pizza com a borda recheada de tremoço. Isso mesmo, tremoço, aquele milho turbinado que sempre sobra nos balcões de acepipes dos botecos. Você acredita numa afronta dessas? Esse pizzaiolo merece uma salva de pescotapas, peloamor.
Não estou nem entrando no mérito de questionar gente com gostos estranhos que come Fandangos com brigadeiro. Fica à vontade, só não me aparece com isso impresso num cardápio.
Para finalizar este texto, só me ocorre a confissão de um amigo, vegetariano convicto. Um dia eu perguntei se ele nunca tem vontade de comer carne e ele me contou que só sente falta de uma coisa: aquela fatia de pizza calabresa acebolada, no dia seguinte, que ele costumava aquecer numa frigideira com muito azeite de oliva e, quando a calabresa ficava tostadinha, bem fritinha, ele cobria com leite condensado.

7 de ago. de 2009

Lei 13.541


Já fui embora de várias baladas porque meus olhos ardiam por causa da fumaça do cigarro dos outros.
Já deixei de entrar em restaurantes porque só tinha vaga na área dos fumantes e eu só queria comer mesmo.
Já pedi para o garçon arranjar outra mesa porque os fumantes da mesa ao lado colocavam a mão com o cigarro para trás da cadeira, para não atrapalhar os amigos deles. E a fumaça vinha toda para cima de mim e dos meus amigos.
Já fingi que o cigarro dos outros não me incomodava. Aliás, passei a vida toda fazendo isso e nem acho que foi tão difícil.
Mas acho mais do que justo que tenha chegado a vez dos fumantes passarem a se retirar, mudar de planos, trocar de lugar e engolir este sapo em nome da boa educação. E mesmo que eu não achasse, lei é lei.
Com todo o respeito à maioria dos meus amigos e a todos os outros fumantes, adoro esta lei com todas as minhas forças e torço muito para que ela pegue de verdade. Assim como o meu, o “sacrifício” de vocês não vai doer nada. Muito pelo contrário.

2 de ago. de 2009

Parabéns a você nesta data, querida.


O Bacanérrimo está completando 3 anos. E eu decidi pinçar alguns textos que eu curto e que foram mais comentados desde o começo e fazer um top 10. A seção fica aí do lado, mais para baixo e se chama "Os + Bacanérrimos". E a idéia é ir renovando os textos com o tempo e com a sugestão de quem lê. Se você quiser sugerir o resgate de algum outro que não tenha entrado na lista, é só mandar um e-mail para flaviacoradini@terra.com.br. Se quiser sugerir temas para textos futuros, criticar ou, quem sabe até, me ajudar a fazer um template novo, é só escrever.
Beijoca enorme para todo mundo que lê e especialmente para quem comenta e indica para os amigos. É só por isso que este blog existe há tanto tempo e é cada vez mais acessado. Adoro e me divirto muito com ele e com os comentários de vocês. Obrigada e voltem sempre.

29 de jul. de 2009

Diva


História real. Nomes falsos.
Foto meramente ilustrativa (e fofa como esta história).
Jorge é um gentleman.
Vive cercado de amigos, adora recebê-los e faz isso como ninguém.
Capricha nos detalhes, compra flores e velas para decorar a casa, cuida dos comes e bebes de uma maneira impecável.
Uma vez decidiu tudo de última hora e convidou uns 20 amigos para uma festa no sábado à noite.
Como viu que teria que organizar o evento na correria, ligou para Diva,
a diarista que trabalha com ele só nas terças e quintas.
- Diva, vou dar uma festa aqui em casa hoje à noite e queria saber se você pode vir.
Diva responde:
- Vou sim, Seu Jorge. Que horas?
Ele:
- Se você chegar umas 8 da noite está ótimo.
Dito e feito. Às 8h em ponto, Diva chega usando seu melhor vestido, cabelo feito, maquilagem leve. Toda bonita e arrumada para a festa.
Jorge não teve coragem de esclarecer o mal-entendido.

20 de jul. de 2009

Inverno do mundo bizarro


Numa segunda-feira chuvosa em que eu tenho que acordar muito cedo, só consigo pensar no pior do inverno.

Roupas com cheiro de naftalina. Coloca seus casacos no sol. Manda lavar. Ou não me abrace.
Sentar na privada e sentir o quentinho da bunda de quem acabou de sair.
Sopa no pão. Não é porque alguém cozinhou umas ervilhas, bateu no liquidificador, jogou dentro de um pão que eu sou obrigada a achar gostoso.
Gente que assoa o nariz do seu lado. Dá um pulinho no banheiro e joga toda essa secreção no lixo. Não na minha orelha, por gentileza.
Festivais de fondue. Eu não desgosto. Mas não me convide se eu tiver que passar pelo constrangimento de ficar disputando com 20 negos a chance de dar uma xoxada num pedaço de pão velho dentro de uma panelinha com um suposto queijo dentro. E não me venha com banana e abacaxi.
Turistas se jogando para São Joaquim na esperança de ver neve.
Neve artificial em Gramado e Canela.
Gramado, Canela e todas as cidades cheias de lojinhas com souvenirs de bonecos de neve que querem ser bacanas no inverno. Especialmente Campos do Jordão.
Gente que pergunta se a sua gripe é a suína.

Foto: http://awkwardfamilyphotos.com

5 de jul. de 2009

Fashion Week


Não entenda o que vou escrever aqui como aquelas dicas do Certo e Errado da Moda das revistas femininas. Entenda como um desabafo. Estes são exatamente os comentários que eu faria se eu e você estivéssemos juntos em algum lugar e passasse uma pessoa usando uma dessas tetéias. Papo de mulher. Adoro. Mas pode ignorar solenemente. Brilha.


Jeans demais para ser verdade.
Calça jeans é tudo nesta vida. Todo mundo tem aquela que veste como uma luva. Isso não se discute. Jaqueta jeans ou qualquer outro corte de casaco jeans podem até ser ótimos também. Mas tudo junto, ao mesmo tempo, não dá.

Calça branca.
Você é médica? Você é puta? Então não.

Bota branca / Sapato branco.
Nem a Xuxa usa mais essas barbaridades. Logo você vai usar? Sapato branco não fica bom nem na noiva. Se você não for membro da banda Calypso, evitemos.

Bota pata de elefante.
Qual é a idéia aqui? Eu adoro Mangá e quero me vestir como um? Olha que legal, eu sei me equilibrar em cima de 2 ferros de passar roupa? Se você tem, incinera. Estas botas não são aceitáveis nem como doação. (Não confundir com calça pata de camelo, que eu não preciso nem dizer que não).

Soutien com alça transparente.
Se ninguém avisou, deixa comigo. Quando você usa um desses, aparece. Seu soutien não fica invisível. Todo mundo vê que você está usando um soutien cafona com uma fita durex no ombro ou nas costas. E pior: a alça vai ficando amarela. Além de feio, é nojento.

Lingerie bege.
Funciona como uma placa de neom piscando com os dizeres: Eu não tenho um pingo de auto-estima. É horrível, é como se você estivesse nua sem mamilos. Se você usa, o próximo passo é ter que comprar tamanho extra grande.

Roupa com barriga de fora em coroas enxutas.
As pessoas vivem dizendo que você não aparenta a idade que tem? Você está sarada? Que bom. Genial. Mas tia, devolve já a roupa da sua filha. Todo esse calor só pode ser menopausa.

Sandália romana / gladiadora.
Como é que eu posso dizer que não sem ser grossa?

Bota cowboy.
Tá todo mundo usando. Você achou a Gisele Bündchen linda com uma dessas na revista. Deixa eu explicar uma coisa. Só a Gisele Bündchen fica linda com uma dessas. Nem a irmã gêmea dela conseguiria a mesma proeza. Logo...

Roupa apertada.
Se você tem gordurinhas na cintura, existem mil roupas incríveis que você pode usar e ficar muito bem. Mesmo. Mas se você sofre do mesmo mal dos homens de peruca que acham que ninguém repara que aquilo não é cabelo, você precisa saber que todo mundo vê os seus gominhos e o seu cofre. E não, não é bacana.

Kit rasga-orelha.
Esfriou, né? Cachecol, casaco com golona, brincos grandes. Tudo convivendo em perfeita harmonia. Como isso pode ser possível? A vida é feita de escolhas. Decide aí ou você vai acabar levando uns pontos. Tô avisando.

20 de jun. de 2009

O pior conselheiro


Se você parar para pensar, ouvir a voz do coração é uma grande incoerência. Ok, eu sei que ouvir o coração é justamente não parar para pensar. Mas não faz sentido.
Primeiro porque o coração passa a vida inteira ali dentro, fazendo o mesmo movimento e a mesma coisa o tempo todo. A única coisa que varia é a velocidade. Ouvir o coração é o equivalente a ouvir o funcionário da linha de montagem de uma fábrica. China, você que passa o dia inteiro encaixando braço de boneca, me fala uma coisa, o que você acha que eu devo fazer com essa relação? Invisto? Desencano? O coração, com toda aquela experiência de vida vai fazer o que? Chutar uma das duas respostas. E a chance dele acertar é 50% - 50%. Loteria, babe.
Depois tem outro problema: coração não fala, batuca. Você expõe suas grandes dúvidas existenciais e faz o que? Se você acha que eu devo dar uma chance para esse cara bate 112 vezes por minuto. Se acha que não, bate 80. Mas bate direito senão eu não consigo contar. Ridículo.
Tem mais. The Little Heart passa o dia inteiro batendo. Você conhece estetoscópio? Já ouviu o barulho que um coração faz enquanto bate? Quem é que garante que ele está ouvindo as suas perguntas? Troco meu marido por um amante gostoso mas canalha? Ele responde, do meio da bateria da Mocidade Indepentende: Siiiiiiiiiiiimmm!!! É por isso que as grandes cagadas acontecem e se repetem por aí.
Se o coração tivesse todas as respostas a gente não fazia mapa astral. Ia ao cardiologista. Além dos pacientes de sempre, o InCor estaria lotado de gente indecisa. Os transplantados estariam felizes ouvindo o coração dos outros. Afinal, uma segunda opinião é sempre bem-vinda. Doutor, meu coração não está me dando nenhuma resposta decente. Será que a gente pode tentar o desfibrilador? (sempre quis escrever esta palavra).
Por que, em vez do coração, a gente não ouve o estômago? Se der friozinho quando você encontrar o cara, a resposta é sim, brilha. Eu, por exemplo, não tenho estômago para muita gente que conheço. Acho esta sensação bem mais confiável do que um coração involuntário querendo me dizer de quem gostar.
Como se não bastasse, o coração te expõe, te delata. Você beija o cara e ele percebe que o seu coração está fazendo um solo de bateria a la John Bonham. Não dá para pagar de blasé desse jeito.
Nosso coração é incoerente, ridículo, pouco confiável e escandaloso. Mas não tem nada mais fantástico do que deixar a vida descompassada, só no ritmo desse imbecil.

16 de jun. de 2009

O que temos para o momento


Quando as pessoas reclamam que você não escreve há muito tempo. Quando você anda realmente ocupado para parar e pensar em algo relevante, digno de algum comentário, siga o meu singelo conselho. Poste uma foto que faça isso por você. É um truque dos mais canalhas, não sei a quem eu pretendo enganar com isso, mas é melhor do que nada.
Ou não?

15 de jun. de 2009

Sobre namorados e parada gay


Sexta, 12, dia dos namorados. Domingo, 14, parada do orgulho gay. Lembrei desta história que me pareceu englobar os dois assuntos.
Minha amiga é lésbica e estava toda feliz namorando uma mulher que era hetero até conhecê-la. Ela sabia que a namorada não tinha se convertido por causa dela, mas gostava da idéia de ser a primeira. Um dia, falando sobre o assunto, a namorada contou que, antes de conhecê-la, ia nas baladas hetero e ficava com homens. Até conhecer um que parecia bacana. Dançaram, se beijaram e quando foram conversar, ele soltou a pérola:
- Gostei muito de você. Queria te conhecer por compreto.
Por “compreto” assim, com érre mesmo. Foi aí que ela percebeu que não suportava mais. Tomou uma decisão radical.

Já para mim e para você, que continuamos do lado de cá da força, muita força.

6 de jun. de 2009

Pára já com esse papinho


Imagine a seguinte situação: eu tenho uma amiga de longa data que escolheu ter uma vida completamente diferente da minha. Ela casou cedo e teve filhos. Profissão nunca foi importante na vida dela nem viajar é o que ela mais ama fazer. Ok?
Então um dia eu encontro essa amiga e resolvo dizer que, por ter feito as escolhas que ela fez, ela nem sequer conhece o melhor da vida. Deixo muito claro que não respeito a decisão dela, que tenho pena por ela nunca ter ido à Europa nem para Cuba. Digo que não posso nem começar um assunto com uma pessoa que só sabe o que é o Louvre graças a um filme medíocre como o Código da Vinci. Que ela nunca vai entender o quanto eu sou feliz e realizada por ter uma profissão, por ser respeitada e por já ter muito mais experiência de vida do que ela. Sugiro que, quem sabe, se um dia ela mudar de idéia e decidir correr atrás do prejuízo, ela experimente a sensação de ser livre e independente. Mas, se ela ainda tem alguma esperança de ser feliz como eu, que faça isso logo porque o tempo está passando e daqui a pouco vai ser tarde demais.
Imaginou? Isso não seria um absurdo, uma estupidez, uma falta total de respeito por essa amiga?
Então por que é que o contrário vale? Por que é que algumas mulheres, por serem mães, acham que podem chegar para pessoas que escolheram deixar a maternidade para lá e dizer com aquela cara de piedade: ser mãe é a maior felicidade do mundo. Pena que você não sabe o que é. Ou pior: você age assim / diz isso porque não sabe o que é ser mãe. Só depois que a gente é mãe a vida faz sentido. E por aí vai.
Isso tem acontecido comigo e com um monte de gente que eu conheço. E me tira do sério. Vão todas catar coquinho.
Não sei, mas imagino que deve ser mesmo foda ser mãe. Quando eu quiser, pode ter certeza que vou experimentar e me esbaldar com esta experiência incrível. Mas nunca vou chegar com este texto bizarro para mulher nenhuma, amiga nenhuma. Porque as pessoas são livres para ser o quiserem. E porque, para a nossa sorte, não existe apenas uma forma de felicidade na vida. Eu tenho tantas amigas que são mães, que eu admiro para caralho, que estão maravilhosamente felizes e que nunca vieram com esse discursinho. O que acontece com o resto do povo?
Ser mãe pode até ser padecer no paraíso, juro que não duvido. Mas, pelo menos por enquanto, quero mais é brilhar no paraíso. Com todo o respeito por quem está padecendo.

3 de jun. de 2009

O dia estava espetacular

Deu vontade de ir ao parque, sentar na grama e ficar no sol. Fui na hora do almoço e, chegando lá, percebi que não fui a única a ter esta idéia. Tinha um monte de gente sentada na grama, descansando. Descansando é uma palavra meio errada porque tinha uma música do caralho tocando muito alto. Fiquei lá pensando na vida até que um cara magricelo e bem doido tirou a roupa e começou a dançar freneticamente, só de cuecas. Peguei a câmera da bolsa e comecei a registrar a cena. A imagem está meio tremida porque eu não conseguia parar de rir vendo a performance. Ele ficou dançando assim um tempo. Umas pessoas curtiram e colocaram uma grana na cueca dele. Ele se empolgou ainda mais e dançava loucamente.
Aí um moleque resolveu tirar um sarro e começou a dançar ao lado dele e fazer palhaçada para o grupo de amigos que estava sentado atrás de mim. Um cara meio gordo, parecido com o Maradona, também se juntou a eles. Chegaram mais 2 no mesmo esquema. Depois mais 3, mais 4, mais 5, mais 2. E começou a vir um monte de gente de todos os lados. Altos, baixos, gordos, magros, cabelos vermelhos, de chapéu mexicano. Umas 100 pessoas em poucos segundos. Foi genial. Contando, não sei se dá para imaginar. Se quiser ver, clique aqui. Mas veja até o final que vale à pena.

PS: Amei e quis dividir esta história.

17 de mai. de 2009

A grande revelação


Eu tinha 8 anos (afe, faz tempo), saí pela porta dos fundos da minha casa, lá no Rio Grande do Sul, e dei de cara com o Luck. Luck era o meu cachorro pastor alemão (in memorian), que estava sentado no sol, aparentemente bem, mas com um ferimento assustador. Voltei para dentro de casa gritando, desesperada.
Mãe, o Luck tá muito machucado. Vem aqui peloamordedeus. Minha mãe largou o que estava fazendo e veio atrás de mim. Quando saímos pela porta e ela viu o que eu tinha visto, pareceu muito menos preocupada do que deveria. Afinal, o pinto do meu cachorro estava maior do que o habitual e em carne viva. Eu já estava chorando muito e pensando que daquela ele não escaparia. Mas minha mãe me tranquilizou (na época, com trema). Flavia, calma. Ele não está machucado. Ele está assim porque quer namorar.
O que? A criatura está agonizando, com o pinto em carne viva e ela me diz uma coisa dessas. Só pode ser mentira. Ela quer que tudo pareça simples mas ele vai morrer. As lágrimas brotavam dos meus olhos. Foi então que ela foi até o quarto e voltou com uma cara de pânico e um livrinho nas mãos. Me entregou o livro, cuja capa está ali em cima e disse. Eu vou fazer as unhas e já volto. Dá uma lida neste livro e depois a gente conversa. E pirulitou.
Eu li e não podia acreditar. De longe, foi o livro que mais me chocou na vida. Não é possível. Ok, os bichos fazem isso mas meus pais não. Meus tios não. Meus avós paternos tiveram 7 filhos, os maternos 9. Eu tenho 2 irmãos e uns 40 primos. Isso significa que todos fizeram isso e não foi uma vez só. Como assim? Não pode ser verdade. Depois disso eu ficava olhando para eles nos almoços de família, a nuvenzinha de pensamento dos gibis da turma da Mônica se formava e não desaparecia. Eu não queria imaginar aquilo. Por que?
Eu contava para minhas amigas e ninguém acreditava em mim. Eu sabia de uma coisa muito grave e não podia dividir com ninguém.
Foi assim que eu descobri como nascem os bebês. E foi assim que minha mãe me deu esta preciosa lição: na falta de psicologia infantil, tasca um livrinho e desaparece. Já.

10 de mai. de 2009

Oficina de Jezebel


Quando uma criatura não tem nada para fazer, é capaz das coisas mais bizarras e inúteis do mundo. Tão ruins que se tornam do caralho.
Você já ouviu falar de um cara chamado Gustavo Martins? Nem eu, até sexta-feira, quando me contaram de uma pesquisa totalmente inútil e hilária que o pilantra fez. Primeiro achei que era mentira mas depois vi que ele já deu entrevista sobre isso no programa de rádio do Pânico (para você ter uma idéia do naipe).
Mesmo sabendo que seria um trabalho idiota, que não chegaria a lugar algum, ele passou 6 meses pesquisando sobre as rimas mais manjadas e clichês da música brasileira para um trabalho de conclusão do curso de jornalismo. Escolheu as 500 músicas que mais tocavam nas rádios entre 2001 e 2005, tabelou as rimas até descobrir as que mais se repetiam.
O resultado: assim/mim (que se repete em 58 músicas), paixão/coração, dizer/você, amor/dor, caminho/sozinho, sorriso/paraíso até chegar em tesão/decepção. Achou pouco? Então olha a minha parte preferida desta história: o guri teve a manha de perceber que, se você trocar a palavra AMOR por AVÔ, a música continua rimando e fazendo sentido. Outro sentido, completamente diferente, mas faz. Eu fiquei horas tentando lembrar de outras além destas, que me fizeram rolar de rir:
O seu avô é canibal, comeu meu coração e agora sou feliz.
Meu avô, se você for embora, sabe lá o que será de mim.
Adocica, meu avô, adocica.
Avô da minha vida, daqui até a eternidade.
Quero um avô maior, um avô maior que eu. (rarararara)
É o avôôôô que mexe com a minha cabeça e me deixa assim.
Vem, meu avô me tirar da solidão, vem meu avô me tirar da solidão.
Meu avô, nosso avô estava escrito nas estrelas.
Ah, se tu soubesses como eu sou tão carinhoso e o muito, muito que te quero, e como é sincero o meu avô, eu sei que tu não fugirias mais de mim.
Avô, I love you. Avô, I love you.
O avô é fogo que arde sem se ver (isso se ele já morreu, é claro)

O mesmo amigo que me contou esta história também tem uma descoberta deste nível de importância: ele percebeu que qualquer música (qualquer uma, do Hino Nacional até qualquer coisa balbuciada pelo Carlinhos Brown) pode ser cantada no ritmo de Coração de Estudante. Mas não dá para escrever sobre isso. Escolha uma aleatoriamente e cantarole você mesmo. Funciona.

2 de mai. de 2009

Sobre prosecco, homens e GPS


Ok. Eu já tinha bebido algumas taças de prosecco com as amigas quando elaborei esta teoria. Ninguém precisa concordar com ela mas ontem fez um sentido enorme e hoje continua fazendo (acho). Apenas acompanhem meu raciocínio.
A maioria das mulheres que eu conheço não tem senso de direção. Eu sou o tipo de pessoa que não sabe sair do prédio do dentista. Por onde é mesmo? Mesmo com mapa da mão, dou um jeito de me perder para chegar nos lugares. Com o tempo, descobri que meu caso é tão grave que, se eu tiver certeza de que tenho que ir para a direita, viro para a esquerda. E adivinhem: era para a esquerda. Quando faço o contrário do que me parece o certo, aí é que eu acerto.
Continuando: a maioria das mulheres que eu conheço também não entende os homens. A praticidade deles não faz sentido com a nossa mania de analisar tudo. Então vamos à minha teoria (finalmente, mas eu tinha que explicar): toda vez que você entender que o que um cara te falou quer dizer alguma coisa, acredite, mas quer dizer exatamente o contrário. Como esquerda e direita. Se você ficar encanada porque acha que ele quis dizer A, pode ter certeza que ele quis dizer B. E digo mais: normalmente ele não quer dizer nada. Nem A nem B. Ele quer dizer só o que disse, literalmente, e é uma perda de tempo tentar achar que tem alguma coisa para ficar subentendida. Isso é coisa de mulher.
A vida poderia vir com uma espécie de GPS que nos diz para que lado virar o tempo todo. Mas não teria tanta graça porque a gente passaria por ela no piloto automático, sem prestar atenção nos pontos de referência, nas ruas sem saída nem no caminho. Esta teoria ajuda, mas acho que vale mais à pena continuar se perdendo e se achando. Sempre vai ter o equivalente a um posto de gasolina ou um ponto de táxi onde a gente pode parar, perguntar e se perder de novo.
Afe. Prosecco me deixa bem louca.

23 de abr. de 2009

Você é a impressão que causa


Muitas e muitas vezes as pessoas já tiveram a impressão errada a meu respeito. Não neste caso.
Um colega de trabalho me fala:
- Flávia, ouvi uma música que me fez lembrar de você.
- Sério? Que música?
- Na verdade nem foi a música. Foi uma expressão que tinha na letra que eu achei a sua cara.
- Qual?
- Chuva de rímel.

Amei.

22 de abr. de 2009

Gênia


Nada que eu escrevesse chegaria aos pés disso.
Cabeleireira transforma assaltante em escravo sexual na Rússia
Um estranho caso de assalto e violência sexual envolvendo um criminoso e uma cabeleireira está mobilizando a polícia russa. Segundo o site "Life.ru", uma cabeleireira de 28 anos identificada como Olga teve o salão invadido por um assaltante na terça-feira (14). Ela, que é treinada em artes marciais, conseguiu render o homem de 32 anos, identificado como Viktor, e levou-o para uma sala reservada. Olga teria usado o fio de um secador de cabelo para render o assaltante, e acabou prendendo-o, mas não chamou a polícia. Ela teria obrigado o criminoso a tomar o estimulante sexual Viagra, para depois abusar dele por diversas vezes, durante os dois dias seguintes.
Depois de ser libertado, Viktor foi ao hospital para curar seu órgão sexual "contundido", e depois registrou queixa contra Olga. No dia seguinte, foi a vez de Olga registrar queixa contra Viktor por assalto. A história fica ainda mais confusa, segundo o "Life.ru", porque a polícia não tem certeza de quem é o verdadeiro criminoso nesse caso de assalto que terminou em atentado ao pudor.

14 de abr. de 2009

A Páscoa dos Schmidt


Desde que cresci e não fui mais obrigada a ir à igreja e beijar a estátua de Jesus morto (trauma nº 7 da vida), passei a achar que Páscoa era só um feriadão em que a gente viaja, come camarão até morrer e ganha chocolate. Isso mudou quando eu soube como eles comemoram na casa do Beto. Aquilo sim é que é Páscoa.
Beto é meu amigo de Porto Alegre. Ele faz parte das pessoas mais legais do mundo nascidas em Porto Alegre: as que cresceram no bairro de Ipanema. Páscoa na casa dos Schmidt não é brincadeira para criancinhas que acreditam em coelhinhos. Exige toda uma logística, preparo físico e nervos de aço. Eles levam muito a sério a tradição de esconder os ninhos. Fazem isso com dedicação e maestria, a ponto dos chocolates correrem o risco de não serem encontrados antes do prazo de validade vencer. A não ser que o presenteado desista, diga que não quer mais brincar e quer os chocolates ainda no mês de abril. Mas isso, para os Schmidt, seria uma tremenda demonstração de fraqueza de caráter. Lutar sempre, retroceder nunca, render-se jamais.
Há alguns anos, a TV começou a apresentar problemas de funcionamento exatamente na época da Páscoa. Tremendo vacilo do irmão do Beto, que esperou todo mundo sair logo depois do carnaval (40 dias antes!!!), desparafusou a TV de 29 polegadas e escondeu os chocolates lá dentro. Infelizmente, neste caso, o aparelho denunciou o amadorismo na escolha do esconderijo.
O importante é não deixar vestígios. Foi nisso que o próprio Beto pensou quando escondeu o ninho da senhora sua mãe enterrado no quintal, dentro de uma caixa e vários sacos de plástico. Depois de abrir e fechar um buraco de 7 palmos, ele moqueou a vegetação e a terra para que ninguém suspeitasse que havia chocolate por ali. Um cadáver, talvez. Chocolate, nunca.
A mãe do Beto se inspirou no artifício de embrulhar tudo com várias camadas de plástico e, no ano seguinte, pensou no esconderijo quase perfeito. Pelo menos o que levou mais tempo para ser desvendado. Subiu no telhado e colocou o ninho submerso dentro da caixa d’água da casa. Em outro ano eles aproveitaram o fato do inverno ter chegado mais cedo e já terem providenciado uma pilha de lenha quase da altura da casa (que o IBAMA não saiba, mas todo mundo tem uma pilha de lenha dessas lá no RS) e esconderam o ninho lá no meio.
Ontem eu perguntei para o Beto como tinha sido a Páscoa deste ano. A resposta foi uma comprovação de que a tradição vai continuar por gerações. “Foi legal. Sacaneei o meu filho. Escondi o ninho dele em cima de um muro de mais ou menos 2 metros. Bem alto para um moleque de 4 anos”.
Feliz Páscoa para você também.

13 de abr. de 2009

Programa das Indias


Eu tenho tanta vergonha alheia pelos atores do núcleo da Índia que não assisto a novela das 8 nem para dar risada. Passo mal, suo frio. Não é possível que eles não tenham nenhum pingo de constrangimento quando os roteiristas e o diretor mandam todos ficarem nos seus lugares para gravar mais uma cena de dança na sala da casa. O mais animado é o marido da Juliana Paes, que não é a delícia do Marcio Garcia. O outro, do nariz. Mas ele dança numa empolgação, remexendo aqueles ombrinhos e a cabeça a la Fat Family. A única que dança e não disfarça o constrangimento (e eu me solidarizo) é a Cleo Pires. Ela realmente não consegue esconder que, não só não concorda com aquilo, como matou as aulas com o Fly. Quem tem que arrebentar é a Juliana Paes e a criança feia. Ela só precisa aparecer em segundo plano. O Tony Ramos decidiu que vai fazer os mesmos passos de dança de quando era grego e amava a Zúlia. Quem deve sofrer muito é a Laura Cardoso, que é a avó do marido da Juliana Paes. Ela é tão boa atriz que fica ali, sentada, vendo tudo aquilo e não tem ataques de riso. Só ri por dentro. Deve ter sido exigência na hora de aceitar o papel: beleza, eu faço, mas me deixem sentadinha num canto. Pelo amor.
E os Indianos que vivem no Brasil e sofrem preconceito porque têm nomes de divindades. Os colegas espancam e humilham o cara (veja bem, não se trata de crueldade infantil, estamos falando de um marmanjo na faculdade) porque ele tem nome estranho. Desde quando? Isso rende, no máximo, uma piada ou outra nos primeiros dia de aula, na hora da chamada, depois já era. E o casal que namora pelo Skype e se beija na tela do laptop? Meigo. A menina entra no quarto e ele está chamando. Fulana, Fulana. Não é o sinalzinho do Skype. É ele, em pessoa.
Além dos ensinamentos metafóricos colocados a fórceps em todos os diálogos, é indispensável o uso da palavra auspicioso. Manda o povo para o Aurélio e repete exaustivamente, que novela que se preze precisa ter um bordão. Qualquer um. E tragam água do Ganges.
A outra novela da Glória Perez também tinha tudo isso. Só que o modelito era burca, o ritmo era dança do ventre na sala da casa (a sala da casa é a mesma, certeza) e a frase obrigatória em todos os diálogos era: você vai arder no mármore do inferno. Antes tinha a dos ciganos, que também devia ter tudo isso mas todo mundo só lembra das falas do cigano Igor. Pensando bem, esta é a melhor da trilogia. Pelo menos no quesito galã, evoluímos de Ricardo Macchi, passamos por Murilo Benício e chegamos à delícia do Marcio Garcia. Torço muito para que ele nunca precise dançar.

5 de abr. de 2009

Corpo fechado


Balada nova em São Paulo. Um amiga fez a maior propaganda mas advertiu: tem que chegar cedo. No horário marcado eu estava lá mas ela ainda nem tinha saído de casa. Entrei sozinha e fiquei reconhecendo o terreno. De repente chega um cara bem bonito e brinda com a minha Stella. Pensei na hora: minha amiga ia curtir esse cara. Cadê ela que não entra?
Estava na fila. Entra que o som está ótimo. Tô tentando mas a fila tá foda. De repente o mesmo cara gato me pergunta: você está bebendo alguma coisa? Eu mostro minha Stella (outra) e sinalizo que estou no telefone. Ele fica esperando. Termino de falar com minha amiga e ele oferece: estou indo no bar pegar uma bebida, quer alguma coisa? Não, valeu. Ele foi. E de costas ele também era bonito. Nossa, mas minha amiga vai pirar nesse cara.
Não morre mais. Tô pensando nela e ela liga: Flá, a fila não anda há 40 min. E se a gente fosse para outra balada? Pô, mas você ia gostar daqui, viu? Eu sei, mas pelo jeito vou demorar muito para entrar. Bom, então vamos. Tô saindo. O gato chega de novo e fala: onde você vai? Putz, tô indo embora. Como assim? Então, tô com uma amiga aí na fila e não tem jeito dela entrar. A gente vai para outra balada. Ah, fica aqui. Como é que a gente fica? A gente? Ué, tô tentando falar com você desde o início da noite. Ah, que pena, mas eu estou mesmo indo embora. Posso pegar seu telefone? Pode. Como é o seu nome? Flavia e o seu? Francisco. Vocês vão para onde? Não sei ainda. A gente vai decidir. Ele me dá um abraço de despedida. Nossa, mas que cara bacana. Saí. Estou conversando com minha amiga, falando que ela ia curtir meu novo amigo e ele liga: Flavia, para onde você vai? E se eu fosse com você? Putz, amigo. Não sai daí, não que a balada tá ótima. Eu só tô indo embora porque ela não conseguiu entrar, senão ficaria. Tem certeza? Claro, fica aí. Aproveita. Beijo. Tu-tu-tu-tu-tu.

Corpo fechado é assim. Pode aparecer um cara gato, gentil, educado, paciente e chamado Francisco, que nada acontece.
Chega.

30 de mar. de 2009

Senha


De tempos em tempos sou obrigada a trocar a senha do meu e-mail do trabalho. Medida de segurança. Mas como isso acontece com muita freqüência e eu não posso repetir nem colocar nada fácil de ser descoberto, acabo tendo que pensar em coisas realmente relevantes para não esquecer.
Um dia isso aconteceu numa sexta. Eu pensei em algo ultra, mega blaster relevante, alterei a senha, confirmei e o dia se passou. O fim de semana também passou e, na segunda seguinte, quem diz que eu lembro das palavrinhas mágicas.
Caramba, o que foi mesmo que eu coloquei? Nome do cachorro, nome do bofe da vez, aniversário do avô, meu aniversário, México, Madureira, Ronaldo9, tudo. Esgotei todas as possiblilidades. Que estranho, eu sempre lembro dessas coisas. Mas é muita coisa, muito número para a pessoa memorizar, o que foi que eu coloquei? Desisto.
Chamei “o cara dos computers” e pedi socorro. Mas Flavia, você tem certeza que não lembra? Vou ter que pedir para me mandarem isso de Nova Iorque. Multinacional é foda para essas coisas. Faz um esforço aí. Já fiz. Todos. Peloamordedeus contrata um hacker, lê meus e-mails se for o caso, mas quebra essa. Ok.
Depois do almoço eu estou na minha mesa e ele me liga morrendo de rir. Que foi? Flá, você não lembra mesmo qual é a sua senha? Não, cacildis. Já falei. Meu, você é muito figura. Por que? Fala logo. Anota aí: rodrigosantoro.
Gente, como é que eu fui esquecer?

21 de mar. de 2009

Eles estão entre nós


Você acaba de voltar de viagem, maravilhada com Paris. Ele pergunta: você foi para Paris? Conheceu o Museu do Abajour? Você responde: Não, nesse eu não fui. Então ele tasca: Putz, que pena. Você perdeu o melhor de Paris.
Mas não precisa ir tão longe. Se você tivesse ido para Piraporinha do Norte, ele diria: Ah, você devia ter ido há uns 6 anos, quando ainda não tinha energia elétrica. Agora não é mais tão legal.
Você está de viagem marcada para qualquer lugar. Não importa qual. Sempre será o pior em que ele já esteve na vida. Ele vai te dar mil motivos para cancelar a viagem ou para ter muito cuidado com a água, com os estranhos, para não ser sequestrada nem roubada. Se você for para o exterior, ele vai te avisar pra ficar muito esperto com o que fala na imigração porque um amigo dele foi deportado assim, do nada.
Você compra uma TV de plasma. Ele fala: Por que não comprou uma LCD? E vice-versa. Hello! Isso vai sair de linha logo. E eu vi uma igual a sua, muito mais barata nas Casas Bahia. Perdeu, grana. Não quero te dizer nada.
Você está com tosse, pede indicação de um médico. Ele ouve e vem te contar que uma tia teve uma coisa parecida e se fodeu, porque descobriu que era grave, ficou anos se tratando, mas não resistiu. Normalmente, em caso de doença, o prazer está em descrever a infecção, a cor da secreção, a aparência da ferida.
Tenho certeza que você conhece gente assim. Homens, mulheres, é sempre o mesmo tipo de pessoa que faz esse tipo de comentário. Mas por educação a gente releva, não fala nada nem dá aquele toque de que isso é extremamente indelicado.
Por que estes desmancha-prazeres dos infernos não calam a boca? Por que este bando de gente chata do caralho tem que estar justamente perto de gente bacana como nós? É sempre aquele: no seu lugar eu faria, acho que você deveria, se eu fosse você. Graças a deus e a todos os santos da Bahia você não é como eu, meu bem. Agora, toma teu rumo e me deixa em paz, por gentileza.

PS: Mudando de assunto: você já tinha reparado na "brasilidade" do template do meu blog? Eu não.

16 de mar. de 2009

8 de mar. de 2009

Contradizer-se, que luxo.


Esta frase não é minha, mas deveria. Dizem que é do Jean Cocteau mas como quem diz é o Google, nunca saberemos ao certo. Ando feliz por mudar de idéia em relação a coisas e pessoas.
Um dia encontrei esta foto (clica que vale à pena ver maior). Acho completamente feliz mas tenho vontade de chorar sempre que vejo. Sempre digo que esta vai ser a minha casa e as tiazinhas sentadas, minhas poucas e melhores amigas da vida. A escalação de velhinhas já mudou algumas vezes mas o importante é que, toda vez que tento fazer a legenda e dar nomes, vejo que faltam pelo menos 5 cadeiras para acomodar todas. Já há algum tempo ela é assim, da esquerda para a direita: Adriana, Poli, Lu Cani, Patricia, Marilu (em pé), eu (de vermelho, com o colar branco) e Lísia. O cachorro no chão é o Gato e o velhinho espiando por cima do muro é o Roger Bundt, que vai ser meu vizinho.
Ainda é cedo. A Cláudia, a Daniela, a Pri, a Alice, a Cris, a Sandra, a Re e a Kikita ainda não chegaram. E deve ter mais gente pintando por aí. Com certeza têm mais cadeiras guardadas em algum lugar. Acho que vi uma perto do regador. Pega lá, Marilu. Você que é mais nova. Alguém aceita mais uma taça de Guaraná Champagne?

7 de mar. de 2009

Um ser humano mostra o quanto é estúpido quando


Tem preconceito racial.
Se corta com papel.
Faz alguém sofrer.
Vota no Maluf.
Dá dinheiro para a igreja.
Dá bronca no garçon.
Tem medo de viajar sozinho.
Coloca botox.
Chuta o pé da cama com o dedinho.
Desrespeita um amigo.
Conta a vida no nick do msn.
Dá aqueles malditos nozinhos na sacola do supermercado.
Não publica os comentários negativos que deixam no seu blog.

Esqueci alguma?

18 de fev. de 2009

Tokyo Panorama Mambo Boys está de volta


Os fãs do mambonsai podem preparar as maracas. A saudosa banda Tokyo Panorama Mambo Boys voltou com tudo, gravando o CD Mambo Dèco que já está esgotado no e-Bay. Paradise Yamamoto, Comoesta Yaegashi e Gonzalez Suzuki decidiram fazer de 2008 o grande ano da retomada da banda. Fiquei tão feliz quando soube que resolvi contar para todo mundo. Como assim, não conhece? Acho grave.

PS: Agora, eventualmente, vai ter fotinho.
PS2: Bassettones, nada disso seria possível sem você. Meu eterno obrigada.

15 de fev. de 2009

Grande amigo

As três eram amigas de infância e decidiram dar uma festa de aniversário juntas. Além dos amigos em comum, cada uma tinha uma lista de convidados que as outras duas não conheciam. Arranjaram um espaço grande e, quando viram, já eram mais de 500 pessoas dançando. Entre elas, um anão. Um cara muito figura e animado que circulava em todas as rodinhas de bate-papo, contava histórias, todo mundo ria dele. Na hora de ir ao bar pegar uma bebida, ele fazia sempre uma piada para quem estivesse ao lado, pedindo ajuda para alcançar o copo. Rapidamente, quase todas as 500 pessoas da festa já tinham trocado alguma idéia e simpatizado com ele.
O tempo foi passando, o álcool fazendo efeito e o anão começou a dançar performático. Era realmente muito figura. Foi visto dançando de rostinho colado ou aconchegado entre os peitos de pelo menos 6 mulheres diferentes. Como? Ele pedia e elas o pegavam no colo, como se fosse uma criança, e dançavam com ele enquanto agüentavam o peso. Todo mundo ria e se divertia com a cena. O cara era mesmo muito gente boa e muito amigo da galera. Mais horas se passaram, mais piadas no bar para alcançar a bebida e o anão começou a aproveitar sua estatura, que coincidia com a maioria das bundas presentes, para dar uns tapinhas na mulherada. Mas ninguém levou a mal, afinal ele era tão figura e tão amigo das aniversariantes. Duvido que alguém tenha se divertido e aprontado mais na festa do que o pequenino gente fina.
No dia seguinte, as três amigas foram almoçar juntas para ver as fotos e fofocar sobre o sucesso da festa. A pergunta que fizeram quase em coro foi: Quem era aquele anão figura, que passou a mão na minha bunda? Ué, pensei que era seu amigo. Só não reclamei quando ele passou a mão na minha por isso. Meu amigo? Nunca vi na vida. Ele passou a mão na bunda do meu marido, mas ele achou que era amigo de vocês e deixou quieto. Gente, eu dancei com ele no colo, ele pôs a cara no meio dos meus peitos. Eu fiquei muito sem graça, mas achei que era amigo de vocês e fingi que não era nada.
Deram meia dúzia de telefonemas. Nenhum amigo conhecia o anão. A maioria também tinha sido incovenientemente bolinada por ele mas deixou para lá, afinal ele parecia inofensivo e amigo para caralho.
Era um safado, pervertido. Todo mundo pensou nisso, mas ninguém falou nada porque seria politicamente incorreto.

PS: Ju-ro que aconteceu.

8 de fev. de 2009

Comer, rezar, amar. E engolir.

Bem feito para mim. Sempre com tanta resistência a livros de auto-ajuda. Sempre me negando a ler, fazendo piadas a respeito e tendo uma certa peninha de quem embarca nessa. Bem-fei-to.
Aqui estou eu, terminando o primeiro livro “destes” que comecei a ler com preconceito e vergoinha, mas li porque foi indicação de uma amiga que tem tanto senso crítico quanto eu. Foi ela quem me mandou um e-mail se justificando: “eu jamais compraria um livro que vem com um splash na capa que diz: mais de 4 milhões de exemplares vendidos e Seja também a heroína de sua própria jornada, mas comprei e estou devorando”. Eu não comprei. Esperei ela terminar e peguei emprestado. Eu é que não seria a trouxa que compraria a edição de nº 4.000.001. Nem pensar. Acontece que o livro fala exatamente do que nós temos falado nas nossas intermináveis conversas (truque básico dos autores de auto-ajuda: falar exatamente do seu problema). Pronto, agora que eu também já me justifiquei bastante com você, vamos ao que eu, de fato, gostaria de dizer aqui.
A maioria dos meus amigos é ateu e têm suas razões (literalmente). Eu, pelo contrário, estou descobrindo que acredito em deus de pouquíssimo tempo para cá. Adoro igrejas e elas sempre me emocionam demais. Acontece que não vou porque não gosto de padres. Meu papo com O Barba é tête à tête. E, por mais que eu tentasse fazer um altarzinho, acender velas e criar meu próprio ritual fofo para falar com o Barba, tenho muita dificuldade de concentração. No meio da oração ou do “papo”, meu pensamento escapa e eu começo a pensar que preciso ir urgente comprar a ração do cachorro. Neste livro, a autora decide encontrar a sua própria forma de falar com deus. E fez cair em mim uma ficha tão estúpida e tão óbvia. Me fez perceber que a minha melhor maneira de falar com o Barba é por escrito. Claro. Toda vez que eu preciso falar alguma coisa importante para alguém, penso primeiro por escrito. Para pedir demissão para aquele chefe bolha, para declarar meu amor para aquele cara, para ter aquele papo necessário com a amiga. Eu sempre escrevi o que queria dizer antes de falar. Veja bem, a experiência da autora do livro é completamente diferente da que ele despertou em mim. Ela decide ir para a Índia meditar e eu não vou fazer nada disso, até porque “isso” virou tema da novela das 8. Era só o que me faltava. Mas pensar a respeito me fez descobrir coisas bem profundas sobre mim. E é por isso que eu estou aqui, pagando o mico de recomendar um livro de auto-ajuda. Mas não se preocupem. Por mais que eu tenha me identificado com vááááários capítulos, continuo resistente a estas porcarias. Melhor: agora posso meter o pau com mais propriedade porque já li e, confesso, já gostei.

Ah, esqueci de dizer: “Comer, rezar, amar” de Elizabeth Gilbert. Ed. Objetiva. Vê se arranja emprestado porque tem gente demais que já comprou.

24 de jan. de 2009

Soutien, abajour, mon amour.

Um amigo casou com uma francesa. Só de ler esta frase você já sabe que a história é fofa e romântica. Mas, legal mesmo, foi saber que eles se conheceram no elevador do prédio. Um dia ele entrou e ela estava lá. Rolou um papo de elevador, ela desceu, ele decidiu ir atrás e tudo começou assim.
Semana passada, fui num aniversário e uma menina com sotaque que eu não identifiquei veio me perguntar qualquer coisa. Minha amiga explicou que ela é francesa, casada com o amigo dela. Estão preparados? Eles também se conheceram no elevador. Outra francesa, outro brasileiro. Outra história que começou do mesmo jeito.
Adorei e fiquei intrigada com tamanha coincidência. Ok, elevador é um fetiche e eu tenho certeza que você já pensou/fez besteira dentro de um. Mas à luz do dia, no seu próprio prédio e até onde eu sei, é apenas um lugar em que todo mundo costuma ficar olhando para o teto, para o chão ou para a porta. Nem no espelho eu olho porque sempre imagino o vigia do prédio vendo pela camerinha, a minha cara conferindo o material. Se rolar alguma conversa, todo mundo sabe que é sempre papo de elevador: que calor, hoje o trânsito tá péssimo, aperta o 12, por gentileza. E pronto. A música do elevador também jamais ajudou ninguém a entrar no clima. Ou você se anima ao ouvir “Me faz pequena, asa morena, me alivia a dooooor”?
Minha teoria: o que impediu que estes dois casais ficassem olhando para o teto foi o sotaque. Nada pessoal com os ascensoristas mas não estamos falando de qualquer sotaque. É completamente diferente uma francesa (prefiro imaginar um francês) dizer: “Sôbe?” ou “Apêrrrta o dois, purr favorr”. Com sotaque, o papo e o elevador ganham conotação sexual imediata. Que dois você quer que eu aperte, gato? Só se for agora.
Sotaque é um fetiche dos mais poderosos.

Qualquer dia eu conto algumas histórias de uma venezuelana que eu conheço.

19 de jan. de 2009

A conta, que a gente está com pressa.

O papo bizarrices no banheiro feminino foi encerrado definitivamente.
Duvido que exista algo mais bizarro do que isso mas, sei lá. Se você souber de outra, pode contar ali no espaço para comentários porque eu é que não duvido de mais nada.
Minha amiga estava num bar na Vila Madalena neste fim de semana. Foi ao toalete e se deparou com (palavras dela) "uma mulher tirando leite do peito na pia".
Parabéns se você é mãe e tem bastante leite para o seu rebento.
Mas não. Né?

16 de jan. de 2009

Saideira

Confesso: tudo o que eu queria fazer hoje é ir pra casa ver o último capítulo de A Favorita. Mesmo tendo certeza que vou ter vergonha dos diálogos e da Flora (Repararam que quanto mais má ela está, mais igual ao Paulo Francis ela fala?).
Acontece que último capítulo de novela sempre cai na sexta à noite. E sexta à noite, vamos combinar, é dia de sair, ver gente, aquela coisa toda. Aí você vai ver a reprise no sábado mas as próprias chamadas já contam como acabou. Fico puta.

Final de novela deveria passar no bar, que nem jogo da Copa.

11 de jan. de 2009

Não fala assim que é feio

Amo São Paulo, os paulistas e o sotaque daqui. Não consigo me imaginar morando em outro lugar e fico muito puta quando alguém muda para cá e fica reclamando da cidade. Mas como faz quase 9 anos que eu moro aqui, me sinto no direito de fazer uma reclamação ou uma crítica construtiva. Uma não, três. Por favor, não me interpretem mal. Apenas pensem a respeito e, se possível, encontrem maneiras similares de falar quando precisarem usar estas três expressões (só estas).

Mistura.
Explicando de uma maneira ilustrativa, mistura é tudo o que acompanha o arroz e feijão nas refeições. As pessoas ligam para casa e perguntam: mãe, vou almoçar em casa hoje. O que vai ter de mistura? Ou: o preço da carne está pela hora da morte. Vou comprar frango para fazer a mistura lá em casa. Num restaurante que serve PF, a pessoa chega e pergunta: qual é a mistura de hoje? Mistura é muito deprê. Afe.

Hoje me desceu.
Você ficou menstruada e não quer usar esta palavra para se referir ao acontecido (não entendo. por que não?). Então você chega para sua amiga e diz: Nossa, estou com uma cólica daquelas. Hoje me desceu. So-cor-ro.

Lomba.
A mina conta que passou uma temporada num spa e dá detalhes: perdi 4 cm de cintura, 2 de glúteos e 3 de lomba. Lomba? Na boa, se alguém tem isso, tem mesmo que perder. Ontem.

Pronto. Prometo que não reclamo de mais nada.

31 de dez. de 2008

O ano que vai ser para sempre

E aí? Achou que 2008 passou voando, num piscar de olhos? Pois eu discordo completamente. O ano de 2008 foi o mais importante da minha vida e valeu por uns 4. Simplesmente porque eu decidi não voltar do Reveillon de 2007 já pensando para onde eu iria no carnaval e depois no feriado da Páscoa, não fiquei contando os dias para a chegada do final de semana nem rezei para que nenhum dia acabasse logo. Tive a oportunidade de fazer o contrário e aproveitar o tempo com mais calma e paciência (e recomendo). Realizei um dos meus maiores sonhos, conheci muita gente boa, falei merda, fiz merda, fiz abdominais, senti raiva, VPP (vergonha pela pessoa), me emocionei, disse eu te amo, cantei em voz muito alta, chorei, fui mais amiga, ouvi mais, passeei mais com o cachorro, ajudei os outros, aprendi a rezar. Mas, acima de tudo, passei o ano todo olhando mais para mim. Coloquei minha vida na mesa e reorganizei tudo. Esta é a primeira vez em 8 anos que moro em São Paulo, que decidi passar o ano novo aqui. Simplesmente porque eu não quero arrumar outra mala e perder horas num aeroporto ou numa estrada como eu sempre faço. Pela primeira vez tenho que pensar no trânsito e nas ruas interditadas pela corrida de São Silvestre. Hoje eu quero simplesmente colocar meu vestido branco lindo que eu trouxe de Londres (ai, Londres...), dar muita risada, abrir uma champa rosé, brindar e abraçar meia dúzia de queridos. Perfeito.
Ah, não vou pular ondinha nem jogar flores pra Iemanjá e esta é a única parte que vou sentir falta.
Não sei se estou ficando velha ou se isso tudo é só paz. Resolução de ano novo? Lembrar sempre de 2008, de tudo o que eu pensei e repensei e ter a certeza de que eu não preciso de nenhuma resolução agora. Mas quando eu resolver, vixe que eu vou quebrar tudo.

Que você tenha um 2009 bacanérrimo. Mesmo.
Que eu fale menos em primeira pessoa, senão você enche o saco e não volta. E isso eu não suportaria.
Beijocas.

15 de dez. de 2008

Papagaio da vizinha

Ando sumida mas estou aqui.
Para ser mais exata, aqui é um novo endereço. Mudei semana passada e só hoje chegou meu kit internet em casa. Ai, que delícia. Entre uma caixa e outra, entre um eletricista e um encanador (com zero sex appeal, infelizmente), tive verdadeiros ataques de riso do papagaio da vizinha. No primeiro dia, ouvi nitidamente ele dizer Oiiii, igualzinho ao Silvio Santos. Passei mal. Em seguida, ouvi ele gritando, num tom desaforado e marrento: Ô, veado. Desmaiei.
Contei para várias pessoas que o papagaio mais figura do mundo era meu novo vizinho. Todo mundo adorou e morreu de rir.
Mas o tempo foi passando, eu fui acostumando meu ouvido e, com uma certa decepção, percebi que em vez de Oiiiii, ele grita Mãããããe. E que não chama ninguém de veado. Fala: Oi, Tiago.
Já decidi. Vou manter a minha versão. Piada de papagaio só é boa quando a gente sabe contar.

PS: Não desista do blog. Já, já eu volto com a freqüência habitual.

3 de dez. de 2008

Trabalheira voluntária

Seguinte, negada: se o Brasil inteiro está mandando uma quantidade astronômica de roupas, comida e ajuda para as vítimas de Santa Catarina, imaginem a cidade e o estado de São Paulo.
A Cruz Vermelha precisa de voluntários para ajudar a separar e organizar uma montanha de donativos. Só hoje saíram 185 toneladas deles da sede, que fica na Av. Moreira Guimarães, 699 em Moema, perto do aeroporto de Congonhas. É trabalho que não acaba mais. Bora?

PS: E só chegar, tem estacionamento de graça e gente trabalhando 24 horas. Se puder, leve um (ou mais) rolo de fita tape para fechar caixas.

24 de nov. de 2008

Maverick X Iceman

Eu aprendi que tinha hormônios femininos na escola. Mas só descobri que eles saíam pelas orelhas vendo o magnífico, estupendo, formidável, inenarrável jogo de vôlei de Top Gun. Maverick X Iceman no vôlei de praia causaram uma ebulição sem precedentes neste corpinho. Não sei quantas vezes eu vi e revi esta cena.
O oráculo Google acabou de me contar que isso foi em 1986, e eu devia ter uns 12 anos. Tarde para os padrões atuais. Nessa época eu brincava de Barbie com a Patrícia, a Marcinha, a Francelle e a Adriana. Está certo que as brincadeiras não tinham nada de inocentes, nossas Barbies e Susies eram com-ple-ta-men-te depravadas e a gente nem colocava mais roupinha nem fazia penteados, de tanto que elas transavam com o Bob (anterior ao Ken) e o Beto (aquele cafona). Mesmo assim, eu era muito mais criança do que uma menina de 12 hoje.
Mais ou menos um ano antes de Top Gun eu tive um ensaio disso tudo, de toda essa (como é que eu posso dizer sem ser indelicada) euforia. Foi com a minissérie O Tempo e o Vento, na TV. Mais precisamente nos episódios de Ana Terra. Muito, mas muito mais precisamente quando aquele índio apareceu na vida dela. “Isso é fogo de moça”, explicou a mãe dela. Lembro direitinho. Tive um súbito interesse por Érico Veríssimo e tratei de ler o livro, que fez um efeito bem mais ameno, mas eu não esquecia do índio. Que índio era aquele?
De repente o índio ficou pequeno, virou paisagem. Que jogo de vôlei foi aquele? E o melhor (não sei se você lembra): antes do jogo acabar, Tom Cruise, completamente suado, coloca uma camiseta branca, a famosa jaqueta de couro e vai, sem banho, ter sua primeira noite de amor com a gata do filme. De novo: sem banho. Afe, aquilo foi fetiche demais para mim, para a Patrícia, para a Marcinha, para a Francelle e para a Adriana. Se bobear, a gente fala nisso até hoje.

20 de nov. de 2008

Sinceridade Feminina

Fazia um ano que eu não encontrava esta amiga.
Fomos almoçar juntas e eu estava falando alguma coisa importante, quando percebi algo que eu odeio. Sabe quando você está falando e a pessoa, visivelmente, está com a cabeça em outro lugar? Os olhos ficam passeando ao redor e ela não está ouvindo o que você diz. Continuei falando, o assunto era sério, até que ela admitiu o que estava acontecendo:
- Flávia, desculpa mas tu estás falando e eu aqui, pensando em outra coisa. Tu precisas fazer uma hidratação no cabelo num lugar que eu descobri. É aqui perto e é baratinho. Vai lá, que não precisa marcar horário. Vai definir os cachos e reduzir um pouco o volume do teu cabelo.
- M-mas eu gosto do meu cabelo assim, volumoso.
- Ah (desapontada), mas esses fios mais arrepiados iam desaparecer.
Para mim, meu cabelo estava ok. Mas se ela falou isso, mesmo com assunto de um ano acumulado, é porque a coisa está grave.
Mulher é mesmo um bicho esquisito. Mas amiga é para estas coisas.

Sinceridade Feminina 2

Minha amiga colocou silicone e fez lipo. Nosso amigo, empolgado com o resultado, foi falar com ela:
- Você ficou ótima. Acho que tem que fazer mesmo. Eu agora vou fazer uma dieta e começar a malhar. Se depois de perder peso, eu perceber que ficou gordura localizada, vou fazer uma lipo também.
A amiga respondeu:
- Claro. Eu, se fosse você, aproveitava a anestesia e já colocava um queixo.
( ! )

17 de nov. de 2008

Vera Loyola e naftalina

Ontem eu resolvi dar uma geral nos meus-livros-meus-discos-e-nada-mais e dei de cara com Totalmente Vera Loyola. Uma biografia para lá de autorizada que eu tive a coragem e o prazer não muito convencional de ler em 2001. Abri para recordar as pérolas e percebi que ele estava todo sublinhado. E com razão.
O livro é dividido em capítulos com títulos sugestivos como: Bateu, Levou, Emergente benemerente, Não há um dia em que não esteja na mídia, Eu sou a modernidade social e Desafetos. Todos recheados de citações deste naipe:
“Eu estava elegantíssima num tomara-que-caia roxo-batata”
“Não considero meus amigos fumantes párias ou sem-vergonhas. Acho-os dignos de cuidado, torço para que eles encontrem um tratamento para abandonar este companheiro tão prejudicial quanto indesejável”
“Agora uma curiosidade: não é só no Brasil que existem os trombadinhas, os pivetes. Fui assaltada em Paris”
“Vera se acha realmente uma pessoa a quem Deus delegou uma missão. No caso, de sacudir, alertar, chocar, encantar, espantar, encarar, fazer sonhar, partilhar, emocionar, dividir opiniões e, sobretudo, gritar para que o povo a ouça. Nesse sentido e até pelo perfil físico e psicológico, tem tudo a ver com Evita Perón. Se derem um balcão a esta mulher, o Brasil que se cuide”. Vai dizer que você não concorda? O Brasil que se cuide.
Adorei Conhecer é o título do capítulo mais cara-de-pau de todos. Ela deve ter achado que 100 páginas eram muito pouco para uma biografia daquele quilate e não teve dúvidas: fez uma lista de 18 (eu disse dezoito) páginas, com nomes completos de pessoas que ela gosta, com um nome por linha, centralizados na página. Já o gran finale é chamado Momentos de Sabedoria, capítulo em que ela fala sobre os livros que leu “ao longo da vida”. “Li Jorge Amado, é claro, alguma coisa do Machado de Assis e, dos dias atuais, Paulo Coelho”. É claro. E termina assim: “Um dos meus mais assíduos fãs, que sabe do pouco tempo que me sobra para atividades intelectuais e da minha paixão por citações – daquelas construtivas, profundas, que fazem você pensar, me envia semanalmente várias dessas pensatas. Vou dividir com vocês algumas delas.” E tasca mais 4 páginas de citações com autoria de Pitágoras, Sócrates, Vinícius de Moraes e Henry Ford, entre outros. Um deleite.
Ficou a fim? Joga no Google que eu vi por R$ 4,00. Comprei o meu na banca de revistas. Aliás, voltei para procurar o livro do Alexandre Frota, mas infelizmente estava esgotado. Se alguém tiver, eu negocio.

13 de nov. de 2008

Resposta pilantrucha para uma pergunta imbecil

Quais foram as duas coisas mais fantásticas que aconteceram na sua vida?

Conhecer gente inteligente e nadar pelada no mar.
Não necessariamente nesta ordem. Pode misturar.


(E você? Conta aí.)

12 de nov. de 2008

Simples e impossível

Você está jogando os caroços de melancia na lata de lixo e um deles cai no piso da cozinha. Simples. Agora cata o caroço que eu quero ver. Impossível.

Parecido com isso: você deixa um CD cair no chão. Se o piso for de madeira ou porcelana, você até consegue arrastar o CD até o rejunte. Agora se o piso for liso, é impossível tirá-lo de lá. Sabe aquele barulhinho que faz quando se cria um vácuo entre o CD e o piso? Esquece.

Você serve uma fatia de pudim num pratinho. Come quase tudo em segundos. Mas precisa de minutos para conseguir pegar a última colherada. Não, não vale usar o dedão. O pedacinho de pudim vai percorrer toda a superfície do prato, arrastado de lá para cá pela colher, e você não vai conseguir pegá-lo tão cedo.

Eu sei a quantidade exata de feijão que preciso colocar em cima do arroz para ficar do jeito que eu gosto. Mas inverteu, ferrou. Nunca na minha vida acertei a quantidade de arroz que é preciso colocar em cima do feijão. Sempre coloco de menos ou a mais.

Minha vida amorosa também anda assim. Deveria ser simples mas tem horas que dá vontade de desistir. Mas daí lembro que nunca deixei nenhum CD ou caroço de melancia jogados por aí, nunca deixei de comer arroz e feijão nem nunca dispensei o último pedacinho de um pudim de leite. Não tenho a menor idéia do que eu tenho que fazer. Mas continuo tentando.

10 de nov. de 2008

Efeito Peruca

Almoço com amigos no shopping mais nariz-empinado de São Paulo. Odeio shoppings, mas amo os amigos. Fomos tomar o cafezinho no quiosque do 1º andar, como sempre. De repente chegam dois homens, do outro lado do balcão, e fazem o pedido.
Nada mais natural se um deles não usasse peruca. Lógico, todo mundo reparou que era peruca, apesar de ter exatamente a mesma tonalidade do resto do cabelo e de ser uma dessas perucas caras. Ele poderia estar usando uma black power da 25 de Março, uma prateada a la Cher, uma colorida e espetada tipo Baby Consuelo, que daria na mesma. Era peruca. Ponto.
Eu olhei, meus amigos, nós, vós, eles, todo mundo olhou. Mas todo mundo é educado e disfarçou. Exatamente como o dono da peruca, fingimos todos que nada estava acontecendo. Mas daí aconteceu o mais curioso de tudo: imediatamente, todas as pessoas que estavam no café começaram a falar sobre cabelo, tintura acaju, grisalhos, calvície e, é claro, gente que usa peruca. O homem não ouviu um pio, nada nem ninguém tirando sarro dele. Nenhum comentário maldoso. Mas teve que engolir o café ouvindo pedaços de frases soltas de cada um dos grupinhos ao redor: Você viu a tintura acaju do Fulano? Meu cabelo está horrível hoje. Força na peruca. Chega uma hora que tem mais é que passar máquina zero e assumir. Tenho um tio que usava peruca. Usei um aplique fantástico na balada ontem.
Juro. Achei um fenômeno sensacional. Não comentei nada e acho que ninguém mais percebeu. Ao contrário da peruca.