30 de mar. de 2011

Gaúcho sem rodeios


Anita pegou o gosto pelas viagens depois de ficar viúva.
Antes também era bom viajar mas agora ela podia escolher os lugares que mais gostava, na companhia das amigas. E o número de amigas sempre aumentava. Como a mala que sempre volta mais cheia do que foi.
Anita é gaúcha e tem amigas, viúvas e serelepes como ela, de São Paulo, Minas, Goiás, Bahia.
Estavam juntas em Buenos Aires, quando combinaram de visitar a fazenda de Anita no Rio Grande do Sul, antes de voltar para suas cidades. E foram mesmo.
A fazenda era pouco frequentada porque os filhos de Anita não moravam mais em Porto Alegre. Ela ia menos do que gostaria. E mostrar tudo para as amigas foi um grande prazer e uma grande farra.
Num domingo, acordaram cedo, tomaram um café da manhã reforçado e Anita pediu a Floriano – o peão – que preparasse os cavalos para elas darem um passeio.
Em menos de meia hora, os cavalos estavam batendo os cascos campo afora, com Anita, as amigas e Floriano, que decidiu acompanhá-las. Andaram por algum tempo, ficaram encantadas com a paisagem do pampa gaúcho. Riam alto, lembravam passagens das viagens. Floriano ficou alguns metros atrás para que elas pudessem conversar à vontade. Uma das amigas de Anita também foi ficando para trás e, quando o grupo percebeu, Floriano e a amiga tinham desaparecido.
Elas já ficaram imaginando coisas. Afinal, Floriano era um peão. E peão é um fetiche.

Mais tarde, quando todas já estavam de volta, a amiga desgarrada aparece com um sorriso incomum. As outras perguntaram:
- O que aconteceu? Onde vocês se meteram?
Ela respondeu:
- O Floriano me fez um sinal e entrou na mata. Eu fui atrás. Andamos até uma clareira, ele desceu do cavalo, colocou uma pele de ovelha no chão e me disse, com aquele sotaque gaúcho: “Apeia, te pela e te deita”.
As amigas perguntaram:
- E o que você fez?
Ela respondeu, imitando o sotaque:
- Apeei, me pelei e me deitei.


Mais uma história real, com nomes fictícios.
*Apeia deveria ser uma conjugação do verbo apear. O certo seria dizer apea. Mas foi assim, com i no meio, que o peão falou e é assim que é mais legal de imaginar a cena.

26 de mar. de 2011

Um cocozinho. De pato.


Foi o que eu achei do filme Cisne Negro. E a culpa é de quem fica se desmanchando em elogios e elevando a expectativa da gente a proporções que o filme não tem como bancar. Não vou ficar achando que tem alguma coisa errada comigo por não gostar.
Sensação de já vi isso antes. Quando começou, já sabia o que ia acontecer no final. O lado negro da mina é coisa de adolescente. E, para piorar, eu não sou homem pra ficar pagando pau para a Nat, que é linda (muito). Só porque mistura terror (terror?) com balé eu tenho que achar inovador? Achei bonito como um patinho amarelo. De 0 a 100, nota 22 para ele.

7 de mar. de 2011

Ah, o Carnaval


Ouvindo é mais engraçado do que lendo.
Carnaval no Rio. Não este ano, lógico, porque se eu estivesse lá agora, não estaria escrevendo. Eu, uma amiga e mais alguém que eu simplesmente esqueci quem é, estávamos sentadas numa cadeirinha em Ipanema enquanto o bloco Simpatia é Quase Amor passava.
Amo Carnaval no Rio, mas a falta de infra e de educação faz com que as pessoas façam xixi em qualquer (eu disse qualquer) lugar e isso é muito triste de observar. A gente comentava justamente sobre isso quando escutamos uma voz de mulher, mas uma voz de velha, castigada pelo cigarro e pela birita, uma coisa meio Nair Bello, meio Aracy de Almeida. A tal voz, que eu imitaria se estivesse contando para você, disse:
- Será que eu sou mulher para encarar esse mar?
Eu me virei para ver quem era e me deparo com uma menina de no máximo 10 anos (chutaria uns 8), magrinha, franzina, mas dona daquele vozeirão maltratado pela vida. Ela continuou falando:
- To aperrrtada pra fazer xixi, ae... Mas esse marrr deve tá um gelo.
Lógico que ela era mulher para isso e encarou. Entrou no mar, esvaziou a bexiga e ainda fez muito. Porque os homens simplesmente colocavam o pinto para fora e faziam tudo quase na cara da gente.
Então a menina sai do mar e vem na nossa direção. Por alguma razão ela olha para mim e pergunta com aquela voz de deixar Maria Zilda no chinelo:
- Onde será que eu posso fazer cocô, ae?
Eu respondi:
- Olha, de preferência num lugar bem longe da gente.
E ela saiu andando. Com convicção. E eu acompanhando com os olhos, sem acreditar: a mina vai fazer cocô na areia. Nunca mais tiro as minhas Havaianas em Ipanema. Não estou acreditando. Ela está cavocando um buraquinho. Ela ficou de cócoras, puxou o short para o lado. A mina vai mandar um number two no meio de todo mundo. G-zuis!
Então ela começa a voltar na nossa direção. E eu pensando: o que vai ser agora? O que mais essa pequena velha quer de mim? E ela queria mesmo. Chegou bem perto da gente e tascou a cereja do bolo:
- Pô, tô tentando fazer cocô mas com vocês olhando eu não consigo, ae!!
Juro que aconteceu.

17 de fev. de 2011

Pri e Poli


Eu não sou uma pessoa muito religiosa. Mas desconfio que o Barba, decidiu que o Carnaval seria em fevereiro já sabendo que a barra ia pesar horrores na Páscoa, com direito a crucificação, ressurreição, enfim, você sabe. Ele deve ter pensado:
“deixa o povo se esbaldar em fevereiro, ter bastante alegria, ficar com a alma bem leve porque, 40 dias depois, a jiripoca vai piar. E para que essa alegria de fevereiro se repita sempre, vamos criar os aquarianos. Umas pessoinhas mais coloridas que as outras, com menos ranso, com rostos mais ternos que sempre vão inspirar vontade de abraçar e ter por perto. Vamos fazer essas luzinhas nascerem numa época só de alegria, que elas vão levar pela vida toda e por onde passarem. E também para que, quando a barra pesar, elas possam ser um alento para quem ficar mais baqueado com os dias ruins”.
Não tenho a menor idéia se ele pensou assim, mas ontem eu estava pensando. É difícil explicar e justificar o amor e o carinho que eu sinto pela Pri e pela Poli, duas amigas que não se conhecem, ambas aquarianas, nascidas nos dias 17 e 18 de fevereiro. Gosto tanto e de um jeito tão único dessas duas que, quando vejo, já estou teorizando a respeito. E como eu ando sendo muito relapsa com as duas, decidi escrever alguma coisa para que elas nunca tenham dúvidas do quanto são importantes e especiais para mim.
Feliz aniversário, queridas amigas. Vocês são fodalhaças.

4 de fev. de 2011

Do contra


Fazer as coisas de um jeito diferente é da minha natureza.
Não escolhi isso. Simplesmente é o que temos por aqui.
Não decidi ter a profissão que tenho porque quis ou porque todo mundo queria. Mas porque é a única coisa que eu sei. Sorte minha que posso ser paga para fazer as coisas de outro jeito. Só sorte.
Todo mundo sempre achou que é porque eu sou do contra. Mas não é nada disso (ou não é só isso). Sempre foi assim e eu sei que vai continuar sendo.
Por isso não me peça para ter o corte de cabelo certo, para usar a roupa que estão usando, escutar aquela banda que virou hit, ter uma vida convencional. Não me peça para ter o comportamento óbvio. Porque eu não sei, não consigo, não vai rolar, não vai ficar bom, eu não vou gostar.
Nem você.

17 de jan. de 2011

Quem amou bate aqui


Valeu cada centavo. E não foram poucos. Não vou nem entrar no mérito do evento com produção mixuruca e telões bagaceiros para ingressos tão caros. Vou entrar no mérito da Amy. E ela foi foda. Exatamente do jeito que eu imaginava que seria. Pouco à vontade com gente demais, insegura e procurando a cumplicidade da banda ao final de cada música. Com os olhos cheios de lágrimas em alguns momentos. E eu em quase todos.
Tinha horas em que eu me perguntava: isso é playback? Lógico que não era. Toda aquela voz sai mesmo daquela caixa torácica minúscula, de uma criaturinha frágil e, agora, exageradamente peituda. Exagerada, não. Intensa é a palavra pra falar dela. O que fazia parecer playback é um show daquele tipo acontecer no lugar errado. Amy merecia um ambiente menor, com um som à altura da ótima banda que ela trouxe e onde ela pudesse se sentir mais confortável do que no Anhembi bombando. E, de preferência, com gente mais bacana assistindo.
Não páro de ler e ouvir gente falando mal do show. E só posso lamentar que estas pessoas não tenham entendido nada. Ela é antisocial, não gosta de multidão nem fica bajulando platéia. Pelo contrário: se um fã chegar querendo abraçar e ficar perto demais ela retribui com um sonoro soco na cara. O que as pessoas queriam num show da Amy? Um microfoninho apontado pra platéia e um “agora é com vocês” em português decorado? Erraram de show, meus amores. E agora vão ficar descendo a lenha numa das poucas pessoas autênticas que a gente teve a oportunidade de ver ao vivo.
Eu, que só gosto de música de gente morta ou que já está no bico do corvo, fico realmente animada por ser contemporânea de alguém como ela. Que erra, se expõe, se droga, cai, levanta, aumenta o peito, perde o dente. E canta muito. Ela é um pontinho topetudo no meio de um mundo de celebridades politicamente corretas, que se casam virgens, são vegetarianas e contam tudo o que fazem no twitter.
Mil vezes ir num show de alguém que você nem sabe se vai ter condições de chegar, a ouvir as súplicas de um cantor de rock’n roll para ajudar os golfinhos e as baleias. Se eu quisesse ouvir falar de golfinho, ia numa palestra do projeto Tamar, meu amigo. Canta aí e não enche o saco.
Mas canta com a alma. Como a Amy.

3 de jan. de 2011

Feliz Ano Novo


Adoro a sensação de renovação do Ano Novo. O ritual que diz, mesmo que inconscientemente, que as coisas podem mudar, melhorar e começar de novo de outro jeito.
O que eu não curto é o desespero do Reveillon. Já reparou?
Tudo começa com o fato de que você precisa estar em algum lugar especial, obrigatoriamente com praia e amigos de branco, felizes e radiantes. Sim, gente que tem problemas e fica borocoxô não pode estar na nossa turma. Esta é a parte do desespero que dura mais, porque tem neguinho noiado em pleno julho, agosto (já falei sobre isso aqui e simplesmente não consigo entender). Aí vem todo o resto.
Vai viajar? Prepare-se para pegar o maior engarrafamento da sua vida. Vai de avião? Ah, coitada. Vai ter greve, você corre o risco de passar a virada no aeroporto, brindando com o cara do check-in.
Então você respira fundo, faz sua malinha, vai e dá tudo certo. Não para todo mundo, eu sei, mas tudo o que dá errado também é culpa do desespero.
Chega a grande noite que você está planejando e já pagou há 6 meses. Que roupa eu vou usar, que cor vai ser a calcinha, o que eu tenho que fazer na hora da virada, qual é o orixá que rege o ano, tenho que comemorar duas vezes, no horário de verão e no antigo? Esse ano que passou foi uma merda (será?) e o próximo tem que ser maravilhoso. Todos os meus problemas precisam se resolver, já está resolvido. Vou para a academia, mas enquanto não chega a meia-noite, enche a minha taça e me dá mais um canapé desse, por favor.
Aí você precisa voltar. Chega no aeroporto e a moça avisa que o avião está em solo e dentro de 15 minutos vai começar o embarque. Então as pessoas correm e se acotovelam para ficar 15 minutos em pé, numa fila, para embarcar primeiro. Não importa que meu assento tem número marcado. Eu quero entrar primeiro. E quando o avião aterrissar e avisarem para todos permanecerem sentados, com o cinto de segurança e o celular desligado, eu também não vou deixar barato. Vou tirar o cinto primeiro, catar minhas bagagens nem que elas batam na cabeça da pessoa sentada na minha frente. Vou ficar em pé, com o pescoço torto, por mais 15 minutos ou pelo tempo que for necessário, mas eu quero sair primeiro do avião. Essa senhora que nem pense em se meter na minha frente. E tem mais: quero ver quem vai me impedir de ligar o celular aqui e agora. Liguei. Ouviu meu ringtone? Eu sei que falaram que não podia mas eu sou assim e ligo mesmo.
Agora eu quero a minha mala. Eu sei que ainda não tem nenhuma na esteira mas eu vou ficar bem na frente, esperando a minha sair. Porque eu quero pegar primeiro e sair logo e pegar o táxi antes de todo mundo, que eu não sou palhaço.

Só nos resta desejar que neste Ano Novo, as coisas mudem, melhorem e comecem de outro jeito. Tenha um lindo 2011.

9 de dez. de 2010

Essa é uma das muitas histórias que acontecem comigo


Mandei meu carro para o mecânico ontem porque meu ar-condicionado, há algum tempo, pedia um conserto. Chegando lá, papo vai, papo vem, pechincha daqui, pechincha dali, olho para a parede e vejo um painel enorme com fotos da reforma do Calhambeque do Roberto Carlos. Lembra disso? Em 2008, Emerson Fitipaldi resolveu presentear o Rei com a reforma total Do Calhambeque. Deu uma geral, envenenou o bichinho e este mecânico em que eu estava cuidou da parte elétrica.
Não sei o que pensei, mas eu não acreditei e perguntei: O que? Você reformou o carro do Rei?
Com muita paciência, o rapaz respondeu: Sim, aliás, este carro aqui também é dele.
Era um carro todo velho. Na verdade, um Escort preto bem conservado, mas antigo. Comum demais para ser o carro do Rei mas dá para entender porque ele escolheu um carro que não chame atenção.
O brôto, no caso, eu, quis entrar no carango na hora. Gente, é o carro do Rei. Abri a porta, entrei, pulei no banco, abri o porta-luvas, abracei a direção, lambi a manopla, fiquei muito passada. Meu amigo que indicou o mecânico foi comigo, viu minha emoção, fez sinal para eu parar e perguntou: quer tirar uma foto?
Fiquei um pouco desolada. Confesso que estava até um pouco frustrada. Quem ia acreditar que aquele Escort Preto era o carro do Rei? Lavado, consertado, bem pintado, mas um Escort Preto. Achei melhor desencanar da foto e contar a história, que é muito mais bonitinha.
Fiquei tão feliz com isso. O Rei é foda.

29 de nov. de 2010

Volta logo, Michael.


Adoro teorias da conspiração. Dou muita risada quando percebo que algumas pessoas realmente acreditam que Elvis não morreu e que foi visto recentemente na Argentina, onde tem uma casa.
Ouvi uma ótima sobre as moedas de 1 centavo. Quem me contou disse, literalmente: “Abílio Diniz e os maiores varejistas do Brasil fizeram um acordo e guardaram todas as moedas de 1 centavo que seus estabelecimentos receberam durante anos, até elas não serem mais fabricadas. Então eles colocaram todas dentro de um saco e jogaram no fundo do mar. Tudo para não dar troco para o que custa 99 centavos”. Eu acho que isso dá um filme, de tão bom.
Mas se tem uma que não me surpreenderia em nada é “Michael Jackson não morreu”. Fiz uma pesquisa básica antes de começar a escrever aqui e descobri que já existem 403 mil resultados para esta frase. Um dos primeiros deles se intitula: “50 motivos para acreditar que Michael Jackson não morreu” (joga no Google), dos quais eu destaco os melhores, na minha opinião.
O caixão nunca foi aberto e o corpo, ninguém sabe onde foi enterrado. Ele tinha dívidas de 500 milhões de dólares e deixou um testamento dando poderes para um empresário e um sócio administrarem seus bens. A pessoa que ligou para o 911 estava calma demais e nunca citou o nome de Michael, apenas disse que “um homem estaval mal”. As cirurgias plásticas e máscaras que ele usava para cima e para baixo: quem garante que quem se transformou naquela coisinha de nariz pequeno foi ele? Poderia muito bem não ser mais ele há muito tempo. Algum sósia fanático poderia ter topado ficar igual a ele e se sacrificar, morrendo e deixando-o livre para vivem paz. Dizem que ele pretendia estabelecer residência no Oriente Médio, onde já se passou por mulher, de burca, para fazer compras anônimo. Ele poderia viver lá e usar burca para sempre, se quisesse. Ele ia ou vai lançar uma música chamada Ressureição. O plano da sua falsa morte já apareceu na letra de sua música Morphine, que fala sobre ataque cardíado, morfina (claro) e sobre o remédio Demerol. Hein? Hein? Para fechar: nos Estados Unidos existe uma lei que diz que, em caso de tentativa de homicídio por duas ou três vezes, o cidadão tem direito a mudar de identidade ou forjar a própria morte, por motivo de segurança. Ele pode ter feito tudo isso amparado pela lei.
Muito louco para a sua cabeça? Mas o que não era muito louco, vindo de uma pessoa que morava em Neverland e quase jogou o filho da sacada? Não só faz sentido, como seria do caralho. Se isso fosse verdade, ele seria muuuuuito mais genial do que eu já acho que ele foi. Ou é? E se a última turnê mundial que ele estava ensaiando é exatamente esta? Gênio.

4 de nov. de 2010

Pessoas Jujuba Branca


Você deve conhecer dezenas de caras que são bonitinhos como todos os outros, limpinhos, cabelinho “que tá usando”, formatinho padrão. Não tem absolutamente nada de errado com eles. Mas seriam os últimos que você comeria.
Se esta descrição te lembrou alguém, você está diante de um Homem Jujuba Branca. Categoria que não serve apenas para homens, lógico. Mas como o foco e a área de interesse é esta, vamos a eles.
O Jujuba Branca vai ter basicamente o mesmo gosto da vermelha. Mas é neste “basicamente” que reside todo o problema. Você prefere a vermelha e ponto. Porque é mais bonita, porque seu time é o Internacional, porque lembra morango ou por qualquer outro motivo tolo. Mas se eu te oferecer um pacote de jujubas e a vermelha estiver no fundo do pacote, debaixo de 3 brancas, você vai pedir desculpas, enfiar o dedão lá dentro, dar um peteleco nas brancas e pegar a vermelha. Não tem jeito.
E digo mais: se não tiver nenhuma vermelha, você vai para a rosa, depois para a laranja, a roxa, a amarela, a verde e até a azul, que lembra sabão em pó. Só quando já tiver devorado todo o arco-íris de prazer é que vai dar o braço a torcer e encarar a branquela.
Já aconteceu de eu oferecer o pacote e a pessoa perguntar antes de atacar: POSSO pegar a vermelha? A branca, ninguém pergunta se pode pegar. Ou pega logo ou desencana da jujuba. Os pobres Jujubas Brancas fazem tudo dentro dos conformes, são gentis, atenciosos, uns amores. Mas não, obrigada.
Faça o teste: por mais que os cheiros e sabores sejam parecidos, se você abrir um pacote de jujubas e comer sem olhar, no escurinho do cinema, escolhendo aleatoreamente a primeira que seus dedos catarem, por alguma razão vai saber quando comeu a branca. E torcer para que a próxima seja bem colorida, para compensar.

PS: A expressão "jujuba branca" veio do Blog da Renata, que eu sou fã. O contexto é diferente mas a inspiração precisa ficar aqui registrada.

13 de out. de 2010

O lugar do outro


Com o advento da rede mundial de computadores, qualquer pessoa chega a qualquer lugar sem dificuldade nenhuma. Coloca lá o endereço que te aflige e o Google Maps te mostra como chegar com direito a foto do cachorro fazendo xixi no poste em frente ao estabelecimento. Uma maravilha.
Mas existe um lugar totalmente inatingível para uma grande parte das pessoas. Elas simplesmente não sabem chegar nem visualizar, muito menos se colocar no lugar do outro. O que torna este planeta bem mais miserável do que deveria.
Conversei com um cara que eu respeito para caralho na semana passada e ele me contou que existem estudos psiquiátricos que comprovam que pessoas que não tiveram o colo da mãe, que tiveram carinho e atenção de menos quando crianças, se tornam adultos incapazes de se colocar no lugar das outras pessoas. Fiquei pasma. Ou eu tive colo e amor demais, ou existe uma superpopulação de pessoas criadas em chocadeira por aí.
E, sinceramente, me comovo muito menos com a infância seca delas do que com as pessoas a quem elas magoam pela vida.
Nunca fiz terapia mas, se tem um tema que eu acho que não é nem nunca será bem resolvido na minha cabeça de pudim, é sacanagem e falta de respeito de “amigos”. Alguém que eu considerava para caralho e um belo dia mostrou que a recíproca não era verdadeira, cagando para o que eu ia sentir, nem aí se eu iria sofrer. Este tipo de decepção é recorrente na minha vida e acaba comigo de um tanto, que fico imaginando o que precisaria fazer para que isso não me atinja tão em cheio. O brilhante Pedro Mexia tem uma frase que para mim é lema: “Eu esqueço facilmente o mal que me fazem mas nunca perdôo o bem com que me iludem”. E tenho dito.
Olha que louco: segundo estes estudos que eu falei ali em cima, os sem-colo, os sem-afeto-materno não só não se colocam no lugar de quem prejudicam, como não entendem porque as pessoas ficam putas com eles. Acham que quem se magoa com as barbaridades que eles fazem são rígidos demais, têm excesso de regras na vida.
Como você notou, este assunto me atormenta, mas juro que me conforta saber que estes falsetões não passam de infelizes mesmo. Ah, não teve colo? No que depender de mim, vai continuar não tendo. Quero que se fodam.

5 de out. de 2010

Futilidade sem F


Você acabou de passar rímel e acha que deu aquela exagerada ou, pior, seu rímel não é dos melhores e deixou seus cílios colados por causa do excesso. Olha que dica inusitada para tirar o excesso sem precisar remover todo o rímel e fazer o olhão do zero.
Pegue uma pinça (vai por mim, confia).
Escolha um pelinho bem do meio da sobrancelha que fica em cima do olho que está lotado de rímel. Arranque o pelinho rápido, para fazer doer mesmo. Aguarde alguns segundos. É batata que você vai ser acometida de uma vontade desesperada de espirrar. Espirre sem dó. Pronto. O espirro vai fazer seus olhos lacrimejarem e piscarem numa velocidade tão alta, que todo o excesso de rímel vai se alojar automaticamente na parte de baixo do olho. Facinho de remover com algodão ou um cotonete. Pode fazer que eu garanto.

Outra: você tem alguns fios de cabelo branco mas consegue tirar um aqui, outro ali. Acha que consegue segurar por mais um tempo sem precisar pintar. Ótimo. Mas vai chegar um momento em que você vai ficar em dúvida se está ou não na hora de parar de lutar contra a falta de pigmentação e se jogar na coloração. Acontece com todo mundo. E é hora de fazer o que eu denominei Teste da Luz Negra.
Eu explico: vá a uma balada que tenha luz negra e espelhos. Eu sei que essa combinação é meio 80’s demais, mas vale o garimpo. Assim que estiver lá dentro do ambiente com luz negra, aproxime-se de um espelho (pode levar um na bolsa, se preferir). Todo e qualquer fio de cabelo branco da sua cabecinha de pudim vai ficar fluorescente. Você vai ver a verdade nua, crua e espetada, como os primeiros fios brancos costumam ser. Aí vai poder avaliar realmente se dá para enganar mais um pouco ou se vai apelar para os nuances de biocolor.

Aprendi com a vida. Gostou? Então bate aqui, amiga. Pá!

29 de set. de 2010

Eu era feliz e não sabia


Quantas vezes na vida você já disse a frase ali de cima? Dezenas.
Mas se, de fato, isso é verdade, fica esperto. Presta muita, muita, muita atenção no que está acontecendo hoje, presente do indicativo. Porque você tem boas chances de ser feliz agora e não saber. Já pensou que desgraça, que desperdício chegar a esta conclusão?
Sou feliz e não sei. A felicidade é exatamente isso e tudo o que eu consigo ver é o trânsito, a infiltração na parede, a lista do supermercado, a parte chata. Vai chegar o dia em que você vai ter saudades disso tudo e achar que podia ter aproveitado mais. Vai comentar com um amigo, na mesa do bar: tempo bom aquele. E "aquele" vai ser este tempo. Que meda.
Chega de papo cabeça e vamos aproveitar para ser feliz e saber. Eu tô sabendo de cada coisa que nem te conto.

13 de set. de 2010

Vote inconsciente


Minha amiga contou esta história mas não me autorizou a citar o nome dela e do marido. Já sua preferência política, ela não se importou de escancarar.
Lurdes não sabe dizer exatamente onde estava quando começou a ouvir uma voz dizendo repetidamente a frase. Parecia um mantra e ela, que nunca foi de escutar vozes ficou intrigada. A frase se repetia no mesmo ritmo e, nem assim, ela conseguia entender. Calma, Lurdes pensou. Se eu me concentrar e prestar atenção, vou decifrar. E então a sequência de palavras foi vindo aos poucos.
- Não vote no Serrrrrrrrrrrrrrrrrrra.
O que? Será que ela ouviu direito? Mensagem do além cheia de opinião política?
- Não vote no Serrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrra.
- Não vote no Serrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrra.
- Não vote no Serrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrra.
Assim como veio, a voz foi sumindo novamente. Ficando de novo indecifrável até que ela podia apenas ouvir uma única parte.
- Rrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrr.
- Rrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrr.
Então Lurdes acordou e cutucou o marido Tadeu, que deu para roncar sempre que se vira para o lado direito da cama.

27 de ago. de 2010

Ah, a primavera


Chega setembro em São Paulo. E com ele, duas categorias de chatos surgem e se repoduzem como passarinhos pulando de galho em galho e ajudando a polinização das flores.
A primeira categoria é o Chato Que Acha Que O Tempo Está Andando Mesmo Mais Rápido. Que 2010 está voando e que o fim do ano já está aí. Então eles catam o telefone e ficam perguntando onde a gente vai passar o Reveillon. Em agosto. Não tenho a mais vaga idéia. Ah, então você não vai conseguir mais nada. E é verdade. São eles que acabam com todo e qualquer pacote existente e são responsáveis pela indignação que você vai sentir quando, sendo uma pessoa normal, for procurar um destino qualquer, na hora certa. Em novembro ou dezembro. Nessa hora as agentes de viagem vão encher a boca para dizer o que as deixa mais felizes na vida: que está tudo lotado e que você só tem uma chance remota de conseguir um pacote de 4 dias em Salvador por 10 mil reais. Você nem se liga mas é tudo culpa desse povo dos infernos que comenta no café ou no elevador: “gente, já estamos em setembro, que louco. Se foi 2010”. E o meu saco.
A segunda categoria é a do Chato Que Finge Que Não Sabe Que A Primavera Em São Paulo É Seca Mesmo. E que, por conta disso, a qualidade do ar vai para a cucuia, junto com a qualidade do trânsito, que libera monóxido de carbono que não se dissipa por conta do tempo seco e deixa o céu marrom e as noites sem estrelas. Acontece. Todo ano é assim. Mas sempre tem o mala que diz que esse ano está demais. Fora do normal. Que, para conseguir dormir, ele precisa colocar toalhas molhadas pelo quarto, que a filha está com bronquite e uma tosse seca. E que ele comprou um umidificador de ar por x Reais, o mais barato que ele encontrou, porque quando tem muita procura o pessoal abusa. Que a filha faz inalação todo sábado no pronto atendimento do São Luiz. E a família liga dos seus estados natais porque viram no Jornal Nacional e querem saber se São Paulo é tão pavoroso quanto eles contaram.
Ok, eu sei, é chato, se bobear tem que fazer tudo isso mesmo. Eu só não quero detalhes sobre produção de secreção, hemorragias nasais nem sobre a secura das mucosas de ninguém. Só isso.

26 de ago. de 2010

Quinta-Feira por Raphael Guedes


hai kai bacanérrimo #19
Na ausência de cavalheiro
A auto-estima se arrima
Na cobiça do pedreiro

hai kai bacanérrimo #37
Desdenhou a ribalta
Pregaram-lhe uma peça
Do diretor sente falta

miniconto bacanérrimo #22
Colarinho, camarão, celular, cebola. Coisas com a letra C sempre faziam a morena exclamar: “Isso dá samba!”. Em uma noite boêmia, recebeu um bilhete de um bigodudo que beliscava um bolinho de bacalhau. E exclamou: “Isso dá fado!”.

miniconto bacanérrimo #45
Padre Bicalho era gente boa. Celebrava casórios com Powerpoint. E ensinava Excel na hora da partilha.

miniconto bacanérrimo #77
Stevie Wonder fez versos. O Amor ficou flertando. E a Justiça simpatizou: aquilo também era feito com as próprias mãos. O Bacanérrimo foi unanimidade naquele blind test.

O Rapha está fechando com chave de ouro a Semana Bacanérrimo. O dia que mais combina com ele é sexta mas, baladeiro do jeito que ele é, qualquer dia é dia. Ele não tem blog, o que eu acho um absurdo e espero que você também ache e reclame. Por enquanto, o único jeito de ler as coisas geniais e sensíveis que ele escreve é sendo amigo mesmo (procura no Facebook). E isso - ser amigo - é o que ele faz de melhor.

Chegou agora e não entendeu? Deixa pra lá por que já acabou. Snif!

25 de ago. de 2010

Quarta-Feira por Cristiane Parede


Eu estava preparando o bolo de aniversário do bacanérrimo no sábado a tarde. A massa tinha ficado perfeita, lisinha. No som do meu lap top, uma sequência de músicas inesperadas, rolou de Chet Baker a Chaka Kan, “I’m every woman”… E era um daqueles sábados perfeitos sabe, com sol brilhando lá fora e tudo. Resolvi tomar um chá verde enquanto o bolo assava, pensando em como iria decorá-lo. Sai na varanda por um instante, para olhar o pôr do sol, quando uma amiga muito querida, e que eu não falava há muito tempo, me ligou. Ficamos no telefone tempo suficiente para o bolo queimar. Ainda tentei cortar a parte queimada, coloquei a cobertura, fiz tudo para salvá-lo, em vão. Então aumentei um pouco o som, (Florence and The Machine “Dog days are over”), e depois de me recuperar pensei que divertido mesmo seria bater o bolo junto com a dona desse blog, na casa dela inclusive. E vamos fazer isso ao som de Lily Allen ou Nina Simone, tomando uma champa, com amigas bacanérrimas.

Dá uma olhada no blog da Cris e me diz se você já viu algo deste naipe. Essa guria é assim o tempo todo. Às vezes eu não dou conta de tanto coração.


Se você chegou agora e não entendeu nada, eu explico no post anterior.

24 de ago. de 2010

Terça-Feira por Marcelo Sato


Uma das imagens de que mais gosto é a das mulheres da resistência francesa, com suas saias, botinhas e boinas no lugar de fardas e coturnos masculinizantes. Esse toque de feminilidade no meio de um cenário mundo cão, me parece fascinante, sedutor, comovente. Decerto esses “looks” funcionavam como disfarces, já que a resistência atuava com táticas de guerrilha para emboscar nazistas à paisana, em locais furtivos como becos e cafés de Paris. Claro que por trás dessa visão poética de fotojornalismo cult, havia a realidade cara lavada da guerra, onde muitas militantes acabaram cruelmente torturadas e executadas. Mas a própria idéia de resistir ao poder dominante já é romântica por si mesma.
Como na cena de Casablanca, onde Ingrid Bergman se derrete toda ao ver seu amado, um líder da resistência, entoar a Marselhesa em alto e bom som, para abafar a festinha de um grupo de folgados alemães, que já estavam achando que o bar do Rick era a casa da mãe Joana D´Arc.
Todo esse longo preâmbulo foi só para homenagear este blog mais do que bacana pelos seus 4 anos. Que apesar de acumular tantos leitores, de hoje ser quase mainstream, não deixa de ser um foco de resistência. Principalmente contra o atual bombardeio de bulshitagem do dia a dia, essa mediocriadade que, cof-cof, chega a afetar a qualidade do ar. Ainda bem que em nossa defesa, o bacanérrimo vai continuar lançando seus petardos de bom humor e ironia por muitos anos.
Faca na bota, Flavita.

Por aqui você vai direto para o blog do Sato e, quem sabe, me ajuda a convencê-lo de que ele escreve textos excelentes mas precisa mostrar para mais gente.

No post anterior você vai entender porque e quem são essas pessoas que andam escrevendo aqui.

23 de ago. de 2010

Segunda-Feira por Zé luiz Martins


- Pára de me imitar.

- Não tô imitando.

- Tá sim.

- Não tô, não.

- Eu vou contar pra mamãe.

- Eu é que vou contar pra mamãe.

- Viu? Tá me imitando mesmo.

- Já falei que não tô te imitando.

- Melhor você parar.

- Quer saber de uma coisa? Você é que tá me imitando.

- O que? Tá maluco?

- Olha aí. Eu não faria uma imitação melhor de mim mesmo.

- Eu vou te quebrar a cara.

- Eu é que vou quebrar a sua.

- Até nisso você quer me imitar?

Então os dois gêmeos rolaram escada abaixo, se estapeando.

Você pode seguir o Zé no twitter @zeluizmartins, ver os vídeos dele no youtube ou entrar no site do grupo de stand up comedy que ele participa.

Se você chegou agora e não pegou, calma. Acesse o post anterior que está tudo mastigadinho.

22 de ago. de 2010

Domingo por Duda Tajes

Os homens são todos iguais. As mulheres, definitivamente, não.
Para sorte dos homens, as mulheres são muito mais bacanas.






Por aqui você conhece do blog do Dudão e por aqui, as fotos que ele anda fazendo de uns tempos para cá. Vale muito.
Importante: clicando nas fotos, você pode ampliá-las.

Não entendeu esse papo de domingo? Leia o post anterior em que eu explico que novidade é essa.