12 de ago de 2008

I’ve got you under my skin

Quando eu era pré-adolescente, cool era quem tinha lido o livro Eu, Christiane F, 13 anos, você sabe o resto. Acho que era o equivalente hoje, a ler o último Harry Potter antes de todo mundo (geraçãozinha mais sem graça esta, não?). Uma das coisas que eu lembro deste livro é como eram narradas as crises de abstinência dos viciados em heroína. Os amigos da Chris chegavam a coçar o corpo com uma escova de cabelos até ficarem em carne viva, tal era o desespero.
Todo este blá-blá-blá para chegar na comparação: se a paixão é química e causa euforia na gente, se separar de quem a gente ama pode causar uma crise de abstinência tão intensa como a de qualquer outra droga.
Não sei você, mas eu já senti dor física, contrações musculares, náuseas (juro) e já me desesperei de tanta falta que eu senti do meu amor. É uma experiência das mais pavorosas. E o mais louco é que eu nem posso dizer que não recomendo porque, assim como as drogas, só passa pela crise quem sentiu antes todo o prazer e a euforia de viver a história em si. É péssimo mas vale à pena. Muito. Se joga. Agora.
Deveriam inventar clínicas de desintoxicação para isso. Os pacientes oscilariam entre os que foram por contra própria, pediram ajuda a parentes e amigos zelosos, e os tipo o cara do Polegar, que engolem pilhas e vivem dando bafão. O fundo do poço.
E as recaídas? Você reencontra o bofe, rola um flash back e sua família pára de confiar em você, seus amigos se decepcionam. Você é mesmo um fraco. Tem dias que eu venderia a TV de plasma do vizinho por alguns minutos de uma recaída dessas. Mas aí entra em cena o amor-próprio e o orgulho, que te trazem de volta para o macio e o quentinho que é esta merda em que a gente vive quando sofre por amor. O grande problema é que tudo o que lembra a pessoa faz a gente tremer, piscar um olho só e bater o pé direito no chão, tudo ao mesmo tempo. Os lugares que você freqüenta, os filmes, as músicas, tudo isso deveria ser tirado do nosso alcance. O que não adiantaria nada porque, como bons viciados, a gente faria fundos falsos em gavetas para esconder fotos, faria playlists com nomes fake no ipod. No meu caso, jazz é um estopim. E eu sei que nunca vai chegar o dia em que eu vou dizer: estou há X dias sem ouvir Ella Fitzgerald, Louis Armstrong ou Dinah Washington. Há de chegar sim, o dia em que eles não vão causar mais tanto frio no estômago.
Estou quase lá.

19 comentários:

Luciana disse...

O difícil é pensar que vc chega no fundo do poço e se bobear se despede dele dizendo até breve!

Marco disse...

Pior é saber que existem drogas cada vez mais poderosas, que a gente tem até medo de chegar perto.
Beijos,

Luccas Jones disse...

É, to de acordo com tudo isso, já passei coisas louquíssimas por causa de amor...

Mas agora, mesmo sozinho, estou numa fase legal, incrível, até eu estou duvidando de tudo isso, auhshausa...

Quanto ao livro, eu tenho o filme, haha, é legalzinho, mas muuuito escuro!

Beeeeijos, melhoras para todos que sofrem por amor!

R. disse...

Tb li esse livro na adolecencia e lembro que fiquei me achando de ter lido um livro teoricamente de "mais velhos", rs

Anônimo disse...

Bi, vai por mim. Vc tá ótemaaaaa. Já passou e vc nem percebeu. Sai desse méxico, sai. Vamos beber uma champa.

Te quiero.

Gi disse...

putz, acho que sou do tipo cara do Polegar. tenho que parar de dar barraco. nem te conto o que eu já fiz...

Fá disse...

Ei! Eu de novo!
Nem preciso falar, né? ADOREI esse post! Me identifico totalmente...rs
Bjs

I disse...

Obrigada pela visita. (a velhinha está viva e o telefone continua).
O Tempo tem a fama de tudo curar... mas já não tenho tanta certeza.

Dedinhos Nervosos disse...

Dia desses eu escrevi algo a este respeito, sobre o vício. Ou a gente passa pela falta da "porcaria" ou podemos parar depois de uma overdose. Difícil é colocar isso em prática, né? rs
Bjos.

Ps. Agradeço a Christiane F. o meu pavor às drogas. Qualquer uma delas.

Re disse...

Vc viu o filme Brilho eterno de uma mente sem lembrança? Perde a graça quando o sofrer não existe e vira esquecimento, né?
beijo

marcia disse...

A.d.o.r.e.i esse texto.
Quem viver verá.

Douglas Russano Romeu disse...

concordo pelanmente... Geraçao sem graça, isso pq eu tenho 13 anoos, maãããs tá bom rssss*, Harry Potter é inutil, devemos ler uma agatha cristie, algo como um Nietzch, ou Huxley. Bom, adorei o blog, literalmente, bacanerrimo

Anônimo disse...

sei como é isso, eu não podia passar a pé em ponte que pensava em pular, risos.

Helena disse...

Passa... passa... e aí vem outro. Eu amo.

Bia disse...

vc falou de jazz, christiane F, Harry Potter, deu uma alfinetada na nova geração. tudo isso em um texto falando de amor? se eu contar, ninguem vai acreditar. tem que ler. é por isso que eu leio.

Shine TM disse...

Se tirassem de mim a musica, eu acho que a minha vida perderia um pouco da sua coexistencia (escreve-se assim ?!)

ainda estou meio retardado e com preguiça de tanto cansaço.

Mas acho que se tirassem da minha vida musica, amor, e alguns outros prazeres nada faria sentido


gostei dos posts
estou te linkando no meu blog
quem sabe trocamos algumas conversas interessantes.


Abraços

Kelly Fatone disse...

Nuss...parece que vc leu minha alma nesse post?
tbm vivo me traindo, trazendo a tona coisas que me fazem lembrar a pessoa que não devia lembrar...Mas ainda me curo tbm...
Mto legal o texto msm...
bjux

gera / man in the box disse...

arrasa / graças aos santos da bahia cansei de esquecer

agora, e meu amigo C. (q vc conhece) q faz aquela cena de fechar a porta de casa, encostar as costas na porta e ir escorregando devagarzinho, enquanto soluca aos prantos /// hahah adooooro ... nouvele vague total

Anônimo disse...

Sofrer ouvindo jazz é podre de chic.