9 de dez de 2010

Essa é uma das muitas histórias que acontecem comigo


Mandei meu carro para o mecânico ontem porque meu ar-condicionado, há algum tempo, pedia um conserto. Chegando lá, papo vai, papo vem, pechincha daqui, pechincha dali, olho para a parede e vejo um painel enorme com fotos da reforma do Calhambeque do Roberto Carlos. Lembra disso? Em 2008, Emerson Fitipaldi resolveu presentear o Rei com a reforma total Do Calhambeque. Deu uma geral, envenenou o bichinho e este mecânico em que eu estava cuidou da parte elétrica.
Não sei o que pensei, mas eu não acreditei e perguntei: O que? Você reformou o carro do Rei?
Com muita paciência, o rapaz respondeu: Sim, aliás, este carro aqui também é dele.
Era um carro todo velho. Na verdade, um Escort preto bem conservado, mas antigo. Comum demais para ser o carro do Rei mas dá para entender porque ele escolheu um carro que não chame atenção.
O brôto, no caso, eu, quis entrar no carango na hora. Gente, é o carro do Rei. Abri a porta, entrei, pulei no banco, abri o porta-luvas, abracei a direção, lambi a manopla, fiquei muito passada. Meu amigo que indicou o mecânico foi comigo, viu minha emoção, fez sinal para eu parar e perguntou: quer tirar uma foto?
Fiquei um pouco desolada. Confesso que estava até um pouco frustrada. Quem ia acreditar que aquele Escort Preto era o carro do Rei? Lavado, consertado, bem pintado, mas um Escort Preto. Achei melhor desencanar da foto e contar a história, que é muito mais bonitinha.
Fiquei tão feliz com isso. O Rei é foda.

29 de nov de 2010

Volta logo, Michael.


Adoro teorias da conspiração. Dou muita risada quando percebo que algumas pessoas realmente acreditam que Elvis não morreu e que foi visto recentemente na Argentina, onde tem uma casa.
Ouvi uma ótima sobre as moedas de 1 centavo. Quem me contou disse, literalmente: “Abílio Diniz e os maiores varejistas do Brasil fizeram um acordo e guardaram todas as moedas de 1 centavo que seus estabelecimentos receberam durante anos, até elas não serem mais fabricadas. Então eles colocaram todas dentro de um saco e jogaram no fundo do mar. Tudo para não dar troco para o que custa 99 centavos”. Eu acho que isso dá um filme, de tão bom.
Mas se tem uma que não me surpreenderia em nada é “Michael Jackson não morreu”. Fiz uma pesquisa básica antes de começar a escrever aqui e descobri que já existem 403 mil resultados para esta frase. Um dos primeiros deles se intitula: “50 motivos para acreditar que Michael Jackson não morreu” (joga no Google), dos quais eu destaco os melhores, na minha opinião.
O caixão nunca foi aberto e o corpo, ninguém sabe onde foi enterrado. Ele tinha dívidas de 500 milhões de dólares e deixou um testamento dando poderes para um empresário e um sócio administrarem seus bens. A pessoa que ligou para o 911 estava calma demais e nunca citou o nome de Michael, apenas disse que “um homem estaval mal”. As cirurgias plásticas e máscaras que ele usava para cima e para baixo: quem garante que quem se transformou naquela coisinha de nariz pequeno foi ele? Poderia muito bem não ser mais ele há muito tempo. Algum sósia fanático poderia ter topado ficar igual a ele e se sacrificar, morrendo e deixando-o livre para vivem paz. Dizem que ele pretendia estabelecer residência no Oriente Médio, onde já se passou por mulher, de burca, para fazer compras anônimo. Ele poderia viver lá e usar burca para sempre, se quisesse. Ele ia ou vai lançar uma música chamada Ressureição. O plano da sua falsa morte já apareceu na letra de sua música Morphine, que fala sobre ataque cardíado, morfina (claro) e sobre o remédio Demerol. Hein? Hein? Para fechar: nos Estados Unidos existe uma lei que diz que, em caso de tentativa de homicídio por duas ou três vezes, o cidadão tem direito a mudar de identidade ou forjar a própria morte, por motivo de segurança. Ele pode ter feito tudo isso amparado pela lei.
Muito louco para a sua cabeça? Mas o que não era muito louco, vindo de uma pessoa que morava em Neverland e quase jogou o filho da sacada? Não só faz sentido, como seria do caralho. Se isso fosse verdade, ele seria muuuuuito mais genial do que eu já acho que ele foi. Ou é? E se a última turnê mundial que ele estava ensaiando é exatamente esta? Gênio.

4 de nov de 2010

Pessoas Jujuba Branca


Você deve conhecer dezenas de caras que são bonitinhos como todos os outros, limpinhos, cabelinho “que tá usando”, formatinho padrão. Não tem absolutamente nada de errado com eles. Mas seriam os últimos que você comeria.
Se esta descrição te lembrou alguém, você está diante de um Homem Jujuba Branca. Categoria que não serve apenas para homens, lógico. Mas como o foco e a área de interesse é esta, vamos a eles.
O Jujuba Branca vai ter basicamente o mesmo gosto da vermelha. Mas é neste “basicamente” que reside todo o problema. Você prefere a vermelha e ponto. Porque é mais bonita, porque seu time é o Internacional, porque lembra morango ou por qualquer outro motivo tolo. Mas se eu te oferecer um pacote de jujubas e a vermelha estiver no fundo do pacote, debaixo de 3 brancas, você vai pedir desculpas, enfiar o dedão lá dentro, dar um peteleco nas brancas e pegar a vermelha. Não tem jeito.
E digo mais: se não tiver nenhuma vermelha, você vai para a rosa, depois para a laranja, a roxa, a amarela, a verde e até a azul, que lembra sabão em pó. Só quando já tiver devorado todo o arco-íris de prazer é que vai dar o braço a torcer e encarar a branquela.
Já aconteceu de eu oferecer o pacote e a pessoa perguntar antes de atacar: POSSO pegar a vermelha? A branca, ninguém pergunta se pode pegar. Ou pega logo ou desencana da jujuba. Os pobres Jujubas Brancas fazem tudo dentro dos conformes, são gentis, atenciosos, uns amores. Mas não, obrigada.
Faça o teste: por mais que os cheiros e sabores sejam parecidos, se você abrir um pacote de jujubas e comer sem olhar, no escurinho do cinema, escolhendo aleatoreamente a primeira que seus dedos catarem, por alguma razão vai saber quando comeu a branca. E torcer para que a próxima seja bem colorida, para compensar.

PS: A expressão "jujuba branca" veio do Blog da Renata, que eu sou fã. O contexto é diferente mas a inspiração precisa ficar aqui registrada.

13 de out de 2010

O lugar do outro


Com o advento da rede mundial de computadores, qualquer pessoa chega a qualquer lugar sem dificuldade nenhuma. Coloca lá o endereço que te aflige e o Google Maps te mostra como chegar com direito a foto do cachorro fazendo xixi no poste em frente ao estabelecimento. Uma maravilha.
Mas existe um lugar totalmente inatingível para uma grande parte das pessoas. Elas simplesmente não sabem chegar nem visualizar, muito menos se colocar no lugar do outro. O que torna este planeta bem mais miserável do que deveria.
Conversei com um cara que eu respeito para caralho na semana passada e ele me contou que existem estudos psiquiátricos que comprovam que pessoas que não tiveram o colo da mãe, que tiveram carinho e atenção de menos quando crianças, se tornam adultos incapazes de se colocar no lugar das outras pessoas. Fiquei pasma. Ou eu tive colo e amor demais, ou existe uma superpopulação de pessoas criadas em chocadeira por aí.
E, sinceramente, me comovo muito menos com a infância seca delas do que com as pessoas a quem elas magoam pela vida.
Nunca fiz terapia mas, se tem um tema que eu acho que não é nem nunca será bem resolvido na minha cabeça de pudim, é sacanagem e falta de respeito de “amigos”. Alguém que eu considerava para caralho e um belo dia mostrou que a recíproca não era verdadeira, cagando para o que eu ia sentir, nem aí se eu iria sofrer. Este tipo de decepção é recorrente na minha vida e acaba comigo de um tanto, que fico imaginando o que precisaria fazer para que isso não me atinja tão em cheio. O brilhante Pedro Mexia tem uma frase que para mim é lema: “Eu esqueço facilmente o mal que me fazem mas nunca perdôo o bem com que me iludem”. E tenho dito.
Olha que louco: segundo estes estudos que eu falei ali em cima, os sem-colo, os sem-afeto-materno não só não se colocam no lugar de quem prejudicam, como não entendem porque as pessoas ficam putas com eles. Acham que quem se magoa com as barbaridades que eles fazem são rígidos demais, têm excesso de regras na vida.
Como você notou, este assunto me atormenta, mas juro que me conforta saber que estes falsetões não passam de infelizes mesmo. Ah, não teve colo? No que depender de mim, vai continuar não tendo. Quero que se fodam.

5 de out de 2010

Futilidade sem F


Você acabou de passar rímel e acha que deu aquela exagerada ou, pior, seu rímel não é dos melhores e deixou seus cílios colados por causa do excesso. Olha que dica inusitada para tirar o excesso sem precisar remover todo o rímel e fazer o olhão do zero.
Pegue uma pinça (vai por mim, confia).
Escolha um pelinho bem do meio da sobrancelha que fica em cima do olho que está lotado de rímel. Arranque o pelinho rápido, para fazer doer mesmo. Aguarde alguns segundos. É batata que você vai ser acometida de uma vontade desesperada de espirrar. Espirre sem dó. Pronto. O espirro vai fazer seus olhos lacrimejarem e piscarem numa velocidade tão alta, que todo o excesso de rímel vai se alojar automaticamente na parte de baixo do olho. Facinho de remover com algodão ou um cotonete. Pode fazer que eu garanto.

Outra: você tem alguns fios de cabelo branco mas consegue tirar um aqui, outro ali. Acha que consegue segurar por mais um tempo sem precisar pintar. Ótimo. Mas vai chegar um momento em que você vai ficar em dúvida se está ou não na hora de parar de lutar contra a falta de pigmentação e se jogar na coloração. Acontece com todo mundo. E é hora de fazer o que eu denominei Teste da Luz Negra.
Eu explico: vá a uma balada que tenha luz negra e espelhos. Eu sei que essa combinação é meio 80’s demais, mas vale o garimpo. Assim que estiver lá dentro do ambiente com luz negra, aproxime-se de um espelho (pode levar um na bolsa, se preferir). Todo e qualquer fio de cabelo branco da sua cabecinha de pudim vai ficar fluorescente. Você vai ver a verdade nua, crua e espetada, como os primeiros fios brancos costumam ser. Aí vai poder avaliar realmente se dá para enganar mais um pouco ou se vai apelar para os nuances de biocolor.

Aprendi com a vida. Gostou? Então bate aqui, amiga. Pá!

29 de set de 2010

Eu era feliz e não sabia


Quantas vezes na vida você já disse a frase ali de cima? Dezenas.
Mas se, de fato, isso é verdade, fica esperto. Presta muita, muita, muita atenção no que está acontecendo hoje, presente do indicativo. Porque você tem boas chances de ser feliz agora e não saber. Já pensou que desgraça, que desperdício chegar a esta conclusão?
Sou feliz e não sei. A felicidade é exatamente isso e tudo o que eu consigo ver é o trânsito, a infiltração na parede, a lista do supermercado, a parte chata. Vai chegar o dia em que você vai ter saudades disso tudo e achar que podia ter aproveitado mais. Vai comentar com um amigo, na mesa do bar: tempo bom aquele. E "aquele" vai ser este tempo. Que meda.
Chega de papo cabeça e vamos aproveitar para ser feliz e saber. Eu tô sabendo de cada coisa que nem te conto.

13 de set de 2010

Vote inconsciente


Minha amiga contou esta história mas não me autorizou a citar o nome dela e do marido. Já sua preferência política, ela não se importou de escancarar.
Lurdes não sabe dizer exatamente onde estava quando começou a ouvir uma voz dizendo repetidamente a frase. Parecia um mantra e ela, que nunca foi de escutar vozes ficou intrigada. A frase se repetia no mesmo ritmo e, nem assim, ela conseguia entender. Calma, Lurdes pensou. Se eu me concentrar e prestar atenção, vou decifrar. E então a sequência de palavras foi vindo aos poucos.
- Não vote no Serrrrrrrrrrrrrrrrrrra.
O que? Será que ela ouviu direito? Mensagem do além cheia de opinião política?
- Não vote no Serrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrra.
- Não vote no Serrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrra.
- Não vote no Serrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrra.
Assim como veio, a voz foi sumindo novamente. Ficando de novo indecifrável até que ela podia apenas ouvir uma única parte.
- Rrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrr.
- Rrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrr.
Então Lurdes acordou e cutucou o marido Tadeu, que deu para roncar sempre que se vira para o lado direito da cama.

27 de ago de 2010

Ah, a primavera


Chega setembro em São Paulo. E com ele, duas categorias de chatos surgem e se repoduzem como passarinhos pulando de galho em galho e ajudando a polinização das flores.
A primeira categoria é o Chato Que Acha Que O Tempo Está Andando Mesmo Mais Rápido. Que 2010 está voando e que o fim do ano já está aí. Então eles catam o telefone e ficam perguntando onde a gente vai passar o Reveillon. Em agosto. Não tenho a mais vaga idéia. Ah, então você não vai conseguir mais nada. E é verdade. São eles que acabam com todo e qualquer pacote existente e são responsáveis pela indignação que você vai sentir quando, sendo uma pessoa normal, for procurar um destino qualquer, na hora certa. Em novembro ou dezembro. Nessa hora as agentes de viagem vão encher a boca para dizer o que as deixa mais felizes na vida: que está tudo lotado e que você só tem uma chance remota de conseguir um pacote de 4 dias em Salvador por 10 mil reais. Você nem se liga mas é tudo culpa desse povo dos infernos que comenta no café ou no elevador: “gente, já estamos em setembro, que louco. Se foi 2010”. E o meu saco.
A segunda categoria é a do Chato Que Finge Que Não Sabe Que A Primavera Em São Paulo É Seca Mesmo. E que, por conta disso, a qualidade do ar vai para a cucuia, junto com a qualidade do trânsito, que libera monóxido de carbono que não se dissipa por conta do tempo seco e deixa o céu marrom e as noites sem estrelas. Acontece. Todo ano é assim. Mas sempre tem o mala que diz que esse ano está demais. Fora do normal. Que, para conseguir dormir, ele precisa colocar toalhas molhadas pelo quarto, que a filha está com bronquite e uma tosse seca. E que ele comprou um umidificador de ar por x Reais, o mais barato que ele encontrou, porque quando tem muita procura o pessoal abusa. Que a filha faz inalação todo sábado no pronto atendimento do São Luiz. E a família liga dos seus estados natais porque viram no Jornal Nacional e querem saber se São Paulo é tão pavoroso quanto eles contaram.
Ok, eu sei, é chato, se bobear tem que fazer tudo isso mesmo. Eu só não quero detalhes sobre produção de secreção, hemorragias nasais nem sobre a secura das mucosas de ninguém. Só isso.

26 de ago de 2010

Quinta-Feira por Raphael Guedes


hai kai bacanérrimo #19
Na ausência de cavalheiro
A auto-estima se arrima
Na cobiça do pedreiro

hai kai bacanérrimo #37
Desdenhou a ribalta
Pregaram-lhe uma peça
Do diretor sente falta

miniconto bacanérrimo #22
Colarinho, camarão, celular, cebola. Coisas com a letra C sempre faziam a morena exclamar: “Isso dá samba!”. Em uma noite boêmia, recebeu um bilhete de um bigodudo que beliscava um bolinho de bacalhau. E exclamou: “Isso dá fado!”.

miniconto bacanérrimo #45
Padre Bicalho era gente boa. Celebrava casórios com Powerpoint. E ensinava Excel na hora da partilha.

miniconto bacanérrimo #77
Stevie Wonder fez versos. O Amor ficou flertando. E a Justiça simpatizou: aquilo também era feito com as próprias mãos. O Bacanérrimo foi unanimidade naquele blind test.

O Rapha está fechando com chave de ouro a Semana Bacanérrimo. O dia que mais combina com ele é sexta mas, baladeiro do jeito que ele é, qualquer dia é dia. Ele não tem blog, o que eu acho um absurdo e espero que você também ache e reclame. Por enquanto, o único jeito de ler as coisas geniais e sensíveis que ele escreve é sendo amigo mesmo (procura no Facebook). E isso - ser amigo - é o que ele faz de melhor.

Chegou agora e não entendeu? Deixa pra lá por que já acabou. Snif!

25 de ago de 2010

Quarta-Feira por Cristiane Parede


Eu estava preparando o bolo de aniversário do bacanérrimo no sábado a tarde. A massa tinha ficado perfeita, lisinha. No som do meu lap top, uma sequência de músicas inesperadas, rolou de Chet Baker a Chaka Kan, “I’m every woman”… E era um daqueles sábados perfeitos sabe, com sol brilhando lá fora e tudo. Resolvi tomar um chá verde enquanto o bolo assava, pensando em como iria decorá-lo. Sai na varanda por um instante, para olhar o pôr do sol, quando uma amiga muito querida, e que eu não falava há muito tempo, me ligou. Ficamos no telefone tempo suficiente para o bolo queimar. Ainda tentei cortar a parte queimada, coloquei a cobertura, fiz tudo para salvá-lo, em vão. Então aumentei um pouco o som, (Florence and The Machine “Dog days are over”), e depois de me recuperar pensei que divertido mesmo seria bater o bolo junto com a dona desse blog, na casa dela inclusive. E vamos fazer isso ao som de Lily Allen ou Nina Simone, tomando uma champa, com amigas bacanérrimas.

Dá uma olhada no blog da Cris e me diz se você já viu algo deste naipe. Essa guria é assim o tempo todo. Às vezes eu não dou conta de tanto coração.


Se você chegou agora e não entendeu nada, eu explico no post anterior.

24 de ago de 2010

Terça-Feira por Marcelo Sato


Uma das imagens de que mais gosto é a das mulheres da resistência francesa, com suas saias, botinhas e boinas no lugar de fardas e coturnos masculinizantes. Esse toque de feminilidade no meio de um cenário mundo cão, me parece fascinante, sedutor, comovente. Decerto esses “looks” funcionavam como disfarces, já que a resistência atuava com táticas de guerrilha para emboscar nazistas à paisana, em locais furtivos como becos e cafés de Paris. Claro que por trás dessa visão poética de fotojornalismo cult, havia a realidade cara lavada da guerra, onde muitas militantes acabaram cruelmente torturadas e executadas. Mas a própria idéia de resistir ao poder dominante já é romântica por si mesma.
Como na cena de Casablanca, onde Ingrid Bergman se derrete toda ao ver seu amado, um líder da resistência, entoar a Marselhesa em alto e bom som, para abafar a festinha de um grupo de folgados alemães, que já estavam achando que o bar do Rick era a casa da mãe Joana D´Arc.
Todo esse longo preâmbulo foi só para homenagear este blog mais do que bacana pelos seus 4 anos. Que apesar de acumular tantos leitores, de hoje ser quase mainstream, não deixa de ser um foco de resistência. Principalmente contra o atual bombardeio de bulshitagem do dia a dia, essa mediocriadade que, cof-cof, chega a afetar a qualidade do ar. Ainda bem que em nossa defesa, o bacanérrimo vai continuar lançando seus petardos de bom humor e ironia por muitos anos.
Faca na bota, Flavita.

Por aqui você vai direto para o blog do Sato e, quem sabe, me ajuda a convencê-lo de que ele escreve textos excelentes mas precisa mostrar para mais gente.

No post anterior você vai entender porque e quem são essas pessoas que andam escrevendo aqui.

23 de ago de 2010

Segunda-Feira por Zé luiz Martins


- Pára de me imitar.

- Não tô imitando.

- Tá sim.

- Não tô, não.

- Eu vou contar pra mamãe.

- Eu é que vou contar pra mamãe.

- Viu? Tá me imitando mesmo.

- Já falei que não tô te imitando.

- Melhor você parar.

- Quer saber de uma coisa? Você é que tá me imitando.

- O que? Tá maluco?

- Olha aí. Eu não faria uma imitação melhor de mim mesmo.

- Eu vou te quebrar a cara.

- Eu é que vou quebrar a sua.

- Até nisso você quer me imitar?

Então os dois gêmeos rolaram escada abaixo, se estapeando.

Você pode seguir o Zé no twitter @zeluizmartins, ver os vídeos dele no youtube ou entrar no site do grupo de stand up comedy que ele participa.

Se você chegou agora e não pegou, calma. Acesse o post anterior que está tudo mastigadinho.

22 de ago de 2010

Domingo por Duda Tajes

Os homens são todos iguais. As mulheres, definitivamente, não.
Para sorte dos homens, as mulheres são muito mais bacanas.






Por aqui você conhece do blog do Dudão e por aqui, as fotos que ele anda fazendo de uns tempos para cá. Vale muito.
Importante: clicando nas fotos, você pode ampliá-las.

Não entendeu esse papo de domingo? Leia o post anterior em que eu explico que novidade é essa.

21 de ago de 2010

Sábado por Gera Gonçalves


O negócio foi que me convidaram pra escrever sobre os 4 anos deste blog. Achei chique. Justamente porque vi esse blog nascer, crescer, brilhar e ainda deixar o meu (blog) no chinelo. Conheço a dona dele o suficiente pra não esperar nada menos que isso.
Pensei, pensei e escolhi escrever sobre o título do blog, bacanérrimo.
Como toda pessoa, sou de fases. Tive fase de achar bacana fazer corrida. Depois, desenhar. Depois, de me jogar na noite. Atualmente, bacanérrimo para mim é viajar (quando dá, vamos deixar claro). Mas não qualquer tipo de viagem. Falo dessas que você se joga na cultura local. Que você vai em mercadão, entra em gueto, faz misturinha, fica íntimo de estação de trem e, mais que tudo, conhece gente diferente. Adoro.
Quando a gente viaja nossa noção de vida muda bacarái. Também muda nossa noção de beleza, de tolerância, de felicidade. Você descobre a alegria em coisas pequenas e aprende que falar sozinho não é coisa de gente louca.
Nessas andanças, se alguma coisa eu aprendi, foi que por mais alegre que seja a Espanha, mais cosmopolita que seja a Inglaterra, mais linda que seja a França, nenhum lugar do mundo tem gente como a gente.
Gente como a Flá. Linda, única, intensa. Daquele tipo de pessoa que a gente pode ficar mil anos sem ver, mas quando se encontra, faz cada segundo ser, com o perdão do trocadilho, totalmente bacanérrimo.
Parabéns pelos quatro anos de blog. Cheers.

O blog do Gera é um arraso, simples, despretensioso e cheio de percepções divertidas sobre a vida e as coisas. E a "minha ilustra" ali em cima também é dele. Amei. Não aguento esse menino.

Não entendeu nada? Leia o post anterior que está tudo explicadinho.

19 de ago de 2010

Semana Bacanérrimo


Quatro anos de blog, quem diria?
Em 4 anos isto aqui tem sido mais do que uma alegria. E alegria se compartilha com amigos. A partir de amanhã, sexta, 20 de agosto, começa a Semana Bacanérrimo. Cada dia terá um post diferente, de 7 queridos amigos que também escrevem e têm blogs que eu vejo sempre. Fiz o convite e os 7 aceitaram prontamente e me entregaram textos, fotos e cartoons incríveis. Preparem-se para conhecer um pouquinho deles aqui e pegar os links para ler mais do que eles andam aprontando. Sei que estou correndo um risco enorme de perder todos os leitores deste blog para eles, mas eu sou uma mulher de coragem. Espero que todo mundo goste como eu já amei.
SEXTA: Luciana Cani – SÁBADO: Gera Gonçalves
DOMINGO: Duda Tajes – SEGUNDA: Zé Luiz Martins
TERÇA: Marcelo Sato – QUARTA: Cristiane Parede
QUINTA: Raphael Guedes

15 de ago de 2010

Pedro e Wilma


Minha avó paterna morreu quando eu tinha 8 anos. Tenho poucas mas muito nítidas lembranças dela, da casa em que ela morava, do quarto, do cheiro, dos perfumes em cima da penteadeira. Mas acho que a lembrança mais forte que ela deixou foi o que a ausência dela causou no meu avô. Lembro direitinho dele chorando baixinho o mais triste dos choros. O de quem perdeu tudo o que tinha e o que mais importava. Essa dor foi tão forte que ele desistiu de viver. Nunca mais leu um jornal, nem viu TV, nem nada. Ficou completamente alienado do que acontecia no mundo. Quando perguntavam como ele estava, respondia: estou esperando que me levem. E era pura verdade.
Conversar com ele passou a ser uma experiência curiosa. Pense num senhor com mais de 80 anos, completamente lúcido, mas que não sabia nem o nome da moeda corrente no Brasil. Cruzado, cruzado novo, real, para ele pouco importava. Ele jogou a toalha, desistiu mesmo. Na época, eu achava aquilo meio esquisito, não entendia, achava até uma certa covardia da parte dele se entregar daquela forma. Hoje já fico pensando que pelo sofrimento dele dá para mensurar o tamanho do amor que ele sentiu e o quanto ela foi importante. Que mulher foi essa que deixou um vazio tão enorme no coração de um homem? Acho bonito. Deve ser daí que herdei essa mania de ter sentimentos sempre tão profundos e tão mexicanos.
A história acabou de uma maneira digna de tanto amor: na noite em que se completariam 10 anos da morte dela, mais ou menos na mesma hora em que ela se foi, tarde da noite, meu avô caiu da cama. Era velhinho, tinha osteoporose e fraturou o fêmur. Foi levado ao hospital mas um coágulo se formou na fratura, acabou indo para o cérebro e causando um derrame. No dia seguinte, a espera dele acabou. Triste para quem ficou, mas ele esperou até demais.

7 de ago de 2010

Balada com massagem cortesia


Já fiz shiatsu, ayurvédica, estética, desportiva e até aquela mequetrefe depois de lavar o cabelo no Soho. Adoraria fazer aquela em que um japonês caminha nas costas da pessoa. Mas massagem boa mesmo é essa que eu vou explicar através da transcrição literal do diálogo, há alguns dias numa balada de São Paulo.
- A gente pode ficar aqui e conversar com vocês?
- Podem, claro.
“A gente” = 2 meninos de 20 anos. “Vocês” = eu e minha amiga.
- Qual é o seu nome?
- Flavia.
- Você está na faculdade?
- Não, já me formei.
- Onde?
- Na Federal de Santa Maria.
- Você mora no Rio Grande do Sul?
- Moro aqui há 10 anos, mas minha amiga é de lá.
- Que legal... Você já trabalha?
- “Já”. Sou publicitária e você?
- Sou músico.
- Mas o seu trabalho é estágio?
- Não. Já fui contratada.
No auge dos meus 36 anos (quase 37), ganhei a noite com esse papinho. O que aconteceu depois? Nem importa.

2 de ago de 2010

Se a vida imita a arte, a minha deve estar imitando um filme iraniano.


Um título desses vai fazer você querer ler. Eu sei.
Mas, na verdade, queria dar uma explicação por não ter escrito nada de novo aqui há tanto tempo.
Sabe aqueles filmes cabeça, com fruta no nome (cereja, maçã, ameixa)? Filmes em que não acontece absolutamente nada, com uma trilha linear, meio chata. E as poucas coisas que acontecem ficam cheias de significado e passíveis de milhares de interpretações diferentes para quem está assistindo.
Eu ando numa fase assim. Não é ruim. Acho até que estou precisando disso. Mas segundo minha astróloga, "isso" começa a acabar dia 5 de agosto. Dia 6 podem vir aqui que vai ter novidade. Prometo.

28 de jul de 2010

Atoron


Clóvis Bornay, Isabelita dos Patins, Salete Campari, Dicesar do BBB e Claudia Raia. Será verdade que todos os travestis têm língua presa?

23 de jun de 2010

Carta aberta a Cid Moreira


Cid Moreira,
Não iniciei esta carta com a palavra prezado porque estaria forçando a barra. Mas decidi escrever porque não vejo nenhuma possibilidade de encontá-lo algum dia e dar pessoalmente o pescotapa que você anda merecendo.
Gostaria de falar sobre o significado da palavra dignidade porque, diante da sua idade avançada, acho que você nem lembra mais o que é isso.
Sim, você é livre para fazer o que bem entender com o seu corpo, sua voz e com o tempo livre que lhe resta. Quer gravar Salmos? Brilha. Quer ser desmancha-prazeres e contar o truque das mágicas? Tem chato para tudo nesse mundo. Se você faz mesmo questão de se referir a alguém como “Mestre de todos os sortilégios”, manda ver.
Faça o que bem entender desde que as pessoas tenham o direito de optar se querem ou não ver e ouvir o que você anda fazendo e dizendo por aí. Mas você não está nos dando escolha. Este é o problema.
Eu vi o silicone da sua testa desandar no ar, nos anos 90, em pleno Jornal Nacional. Veja bem, quer ter uma testa tipo pantufa fofinha? Tenha. Mas faça a manutenção necessária para que as pessoas não sejam obrigadas a ver aquele monte de pele acumulada em cima das suas sobrancelhas no meio do noticiário.
Toda vez que eu abro a revista Caras, sei que vou ver muita gente cafona e fútil. Mas daí a virar uma página e me deparar com você pelado, com as pernocas para cima, dentro de uma banheira de espuma, francamente. Isso ultrapassa o meu limite de tolerância.
E agora, em pleno jogo da Copa que, convenhamos, você sabe que todo mundo vai assistir, por que diabos eu tenho que ouvir você dizendo Jabulaaaaaaaaaaaaaaaaneeeeeee como se fosse o Barbosa do TV Pirata? Você só pode estar de brincadeira e se divertindo muito com isso, mas não é divertido para todo mundo. Se eu tivesse escolha, jamais ouviria. Mas não tenho bola de cristal para adivinhar quando a sua “vinheta” vai entrar para trocar de canal e assistir a um bom leilão de tapetes persas.
Se eu pudesse escolher, as últimas palavras vindas de você que eu gostaria de ter ouvido seriam "Boa Noite”. Assim seria digno. Enfim, fica o toque.

Atenciosamente,

Flavia

8 de jun de 2010

Lost - The End


Se você ainda não viu o último capítulo de Lost, azar o seu.
Eu esperei alguns dias para não ser desmancha-prazeres e dar tempo de todo mundo ver antes de comentar. Mas não podia deixar de manifestar minha decepção por ter passado 6 anos esperando alguma resposta e o último capítulo ter sido aquela mistura de final de novela das oito com Harry Potter. Azar o meu.
Pensei que a história da ilha ser uma rolha era só uma metáfora ruim. Mas ver a cena do Desmond tirando a rolha que desandaria a ilha com aquela luz fajuta vindo debaixo da terra foi muito frustrante e bem mequetrefe.
Para ser um final de novela do Manoel Carlos, só faltava alguém ter filhos gêmeos e o casamento duplo de Kate com Jack e Sawyer com Charlotte naquela mesma igreja ecumênica em que todos se encontraram felizes, se abraçaram e finalmente entenderam tudo o que nós já suspeitávamos desde o princípio. Fiquei esperando a entrada da equipe técnica, dos câmeras, dos roteiristas, de todos os envolvidos, inclusive o Rodrigo Santoro, na democrática igrejinha. Todos aplaudindo o diretor num grande show do Lulu Santos cantando: tudo muda o tempo todo no mu-u-undu. Não adianta fugir, nem mentir para si mesmo, agora. Há tanta vida lá fora, aqui dentro, sempre, como uma onda no mar. Até que a banda do Lulu pararia e apenas os personagens continuariam em coro: Como uma onda no maaaaar, como uma onda no mar.
Odiei.

12 de mai de 2010

Ups


Os dois casais e seus filhos eram amigos desde sempre. Companheiros da pizza de domingo, das macarronadas no Bixiga, entre outros programas família. Entre eles, não tinha tempo ruim.
A não ser naquele fim de semana fatídico em Ubatuba. Foram todos para uma casa alugada, com bóia de patinho, cachorro e papagaio no carro. Mas nem chegaram perto do mar por conta da chuva que não parou um minuto.
Fizeram churrasco no sábado ao meio-dia, churrasco no sábado à noite e, quando decidiram repetir o cardápio no domingo, perceberam que não tinham mais carne, nem carvão, nem cerveja. O mundo estava mesmo caindo.
Os dois maridos pegaram o carro e foram ao supermercado enquanto as esposas e as crianças davam um jeito na casa. Saíram no meio de uma daquelas tempestades em que o limpador de pára-brisa na velocidade máxima não dá conta do aguaceiro. E, todo mundo sabe, onde tem paulista e chuva, tem engarrafamento. As ruas de Ubatuba paradas e as imediações do supermercado lotadas de turistas frustrados como eles. Nessa de acelerar e parar, acelerar e parar, eles ficaram ao lado de um ponto de ônibus e viram uma menina jeitosinha no abrigo. O vidro do carona estava aberto para o pára-brisa desembaçar, eles ali, parados, a menina também. Um dos amigos se dirigiu a ela, para quebrar o silêncio:
- Chuva do caralho, né?
A menina respondeu prontamente:
- Chupo sim.

PS: Righi e Zé, nem sei como agradecer. A história é brilhante.

25 de abr de 2010

Não contavam com minha astúcia


Quando eu contei para as pessoas que passaria o sábado num evento de fãs do Chaves e Chapolin com a presença do Seu Barriga e do Quico, as reações oscilaram entre inveja, admiração e desconfiança de que eu era meio doida.
Nunca neguei para ninguém que gosto de coisas pop e duvidosas como as novelas mexicanas, Chaves, Chapolin, etc. Quando soube que haveria este evento em São Paulo com a presença dos 2 atores, mais os dubladores dos episódios, tratei de garantir a minha presença. Fui acompanhada de dois amigos igualmente (ou mais) fanáticos: O Luciano e o Fuku. Chegamos lá por volta das 2 da tarde e nos deparamos com uma situação estranha. Você deve estar pensando: lógico. Mas foi mais complexo do que parece.
Pense num lugar longe. O evento foi lá. Aconteceu num pavilhão sem sistema de ar-condicionado e com saídas muito pequenas para a quantidade de pessoas presentes. Ouvi falar em 7 mil pessoas e, se elas fossem gente normal, ok. Mas eram adultos fantasiados dos personagens e estranhamente sérios. Digo isso porque se eu saísse da minha casa com bobs no cabelo, vestida de Dona Florinda, estaria pelo menos rindo da situação com as pessoas que me ollhavam. Mas eles estavam sérios. Este foi o problema: eles estavam levando tudo aquilo a sério demais.
Aí vem o Chaves, Chaves, Chaves, todos atentos olhando para a TV era entoado como se fosse um hino religioso. Quando a dubladora da Chiquinha fez o inconfundível choro no microfone eu juro que vi um princípio de ola. Um casal estranho e bem adulto chegou vestido de Chaves e Chiquinha, com um bebê no carrinho vestido de Chaves e o olhar deles me arrepiou. Eu cheguei a comentar: gente, e se alguém saca uma arma e começa a dar tiros aqui dentro? Vai ter gente sendo pisoteada porque os organizadores não tinham o menor controle sobre aquelas pessoas que se esmagavam para tirar fotos numa réplica da vila do programa ou carregando um aerolito ou a múmia do Chapolin.
Uma hora o Luciano falou: aquele cara ali até que parece com o Quico. E o Fuku respondeu irritado: Desculpa, mas aqui ninguém parece ninguém. Era verdade. Ninguém parecia com ninguém.
Enfrentamos uma fila enorme para comprar água e, em seguida, fomos informados que não tinha mais nenhuma bebida. E eram apenas 3 da tarde de um evento programado para acabar às 8 da noite. Um dos organizadores estava vestido de Chaves gritando no microfone para que as pessoas se sentassem no chão. Ele começou pedindo educadamente mas logo perdeu o controle e começou a gritar de uma forma muito estúpida, ao som das vaias da platéia, que se negava a sentar.
Eu, o Fuku e o Luciano nos olhamos com duas sensações em comum: medo e vontade de ir embora dali agora.
Seu Barriga que, veja a ironia, fez cirurgia de redução de estômago, iria chegar às 3 e meia. Mas a gente não teve coragem de esperar nem mais um minuto. Uma hora foi o que a gente suportou e decidimos vir embora antes que aquilo tudo piorasse porque a fila de pessoas chegando era interminável e o calor, cada vez maior.
Para nós, o evento foi um mico, não vimos nossos ídolos, mas demos boas gargalhadas e ganhamos mais uma história para contar para os netos. Que, se depender da gente, também serão fãs de Chaves e Chapolin. Só não a esse ponto.

6 de abr de 2010

Telefone sem fio


É difícil de explicar, as regras são bizarras e muitas você precisa decorar para aprender. Mas trabalha um pouquinho escrevendo para ver se você não se apaixona pela língua portuguesa. Sei que parece papo de bicho grilo, mas os idiomas têm vida própria. E a maior prova disso são as origens das expressões. Eu sou apaixonada. Não canso de me surpreender com os motivos pelos quais falamos o que falamos. Não sei se estes exemplos são 100% fundamentados mas adoro, coleciono e hoje decidi colocar alguns aqui.

Quando uma pessoa está “com o bicho carpinteiro”, significa que ela está inquieta, não pára, está agitada. Mas o que diabos é um bicho carpinteiro? Cupim? Não. É muito mais legal do que isso: originalmente se dizia que a pessoa “estava com bichos no corpo inteiro”. Motivo mais do que suficiente para não conseguir ficar quieta.

Olha essa: antigamente, quem ganhava o prêmio máximo do jogo do bicho levava 25 mil réis, e isso representava a vaca ou fazer a vaca. Foi assim que surgiu a famosa “vaquinha”. Fazer uma vaquinha era tentar juntar o máximo de dinheiro possível.

“O filho do Tarcísio Meira é ele cuspido e escarrado”. É feio mas significa que eles são idênticos. Por que? Lá nos antigamentes, quando alguém queria dizer que o filho era a cara do pai, dizia: “este moleque é o pai esculpido em carrara”. Elaborado demais para quem nem imaginava que carrara era um tipo de mármore.

As primeiras telhas feitas no Brasil eram de argila, modeladas nas
coxas dos escravos. Como eles variavam de tamanho e porte fisico, as telhas ficavam com formas diferentes. E uma casa com telhas cada uma de um tamanho, ficava meio esquisita. Foi assim que surgiu a expressão “feito nas coxas”, que quer dizer “feito de qualquer jeito”.

Só mais uma e eu paro: "tintim por tintim". Acho tão bonitinha que queria que tivesse alguma relação com brindar. Mas na verdade “tintim” é a onomatopeia do tilintar de moedas quando uma cai sobre a outra. Lá nos primórdios era usada para descrever uma dívida paga até a última moeda. Ou seja: tudinho, mas tudo mesmo.

PS: O Mario Prata tem um livro delicioso sobre isso chamado "Será o Benedito?". Joga no Google.

8 de mar de 2010

Plano B


Todo mundo chega num momento da vida em que é tomado por uma necessidade maior do que tudo de fazer outra coisa. Ter outra profissão, uma segunda atividade que dê algum dinheiro e, de preferência, nenhum aborrecimento. Como esse tipo de pensamento sempre aparece na época das férias, uma grande parte dessas pessoas chega à mesma conclusão: quer abrir uma pousada na Bahia. A outra parte decide que quer fazer cinema.
Eu não sei exatamente como anda o mercado hoteleiro na Bahia, mas sei que, se você entrar em qualquer boteco de São Paulo, pelo menos a metade dos bebuns vai dizer que “está mexendo com cinema”. Tudo isso para dizer que não basta querer fazer outra coisa. Tem que ser algo novo, que ninguém fez.
Parece impossível mas, indo para casa um dia desses, tive uma idéia inédita e, seguramente, muito rentável. Acompanhe meu raciocínio: você concorda que “Malabaristas de farol” são uma instituição falida? Ninguém dá grana para os coitados. Acabou o impacto. Agora qualquer Zé Ruela já tem as suas bolinhas de tênis e arrisca alguns movimentos com pouca ou nenhuma desenvoltura. Simplesmente não comovem mais ninguém.
Mas e se, em vez de malabaristas, você parasse no farol vermelho e se deparasse com “Pompoaristas de farol”. Mulheres jeitosas e com um peculiar talento para fazer o mesmo tipo de malabarismo, só que sem usar as mãos nem os pés, se é que você me entende. Eu, no caso, seria a agenciadora dessas maestras das bolinhas e, é claro, teria uma porcentagem nos ganhos delas, já que também sou a idealizadora (já registrei, tá?). Tenho certeza que todo mundo ficaria atento do começo ao final da performance. E no final, pelo menos os homens e as cantoras de MPB pagariam pelo show. A parte chata seria a quantidade de piadinhas e cafajestes oferecendo moedas e querendo colocar no cofrinho. Mas isso elas tirariam de letra.
Por falar em letra, perdoem o trocadilho mas não encontrei nenhum título melhor para este texto.

25 de fev de 2010

Hoje não estou boa


Não sei o nome do designer que inventou este porta-bananas. Sei menos ainda por que raios ele inventou este porta-bananas.
O Barba faz a gentileza de criar uma fruta que já vem em pack de quantas unidades você bem entender e a criatura decide inovar? Quer 2? Temos. Quer 19? Temos.
Cacho de bananas é cool, prático, funcional e genial do jeito que é. Carmen Miranda usava na cabeça. Imagine o que Mário Gomes já não teve de idéias mais simples do que esta para colocar bananas.
E o mais louco: o cara criou, alguém produziu, alguém colocou as bananas lá, fotografou, alguém publicou na internet.
Aí cheguei eu, vi e também perdi mais tempo escrevendo sobre o bendito porta-bananas. E você perdeu o seu, lendo.
Acho que esse porta-bananas já causou danos demais.

3 de fev de 2010

Comentários improváveis sobre gengivas


Não me pergunte o motivo. De repente e absolutamente do nada comecei a pensar em quantos comerciais de TV já vi com o pessoal da Família Gengiva aí da foto. E eles são muitos.
Colchões, Detergente, Sabão em pó, Farmácia, Café, Bazar Beneficente e por aí vai. Animação de festa de firma, entrega de prêmio, locuções emocionais. É com a Família Gengiva mesmo.
Será que nunca ocorreu para ninguém fazer uma campanha de Korega com eles? Parem de morder maçãs. Ora, isso é passado. Chama esse pessoal e o sucesso vai ser estrondoso. Está quicando.

Tenho uma teoria que precisa ser comprovada (aceito depoimentos): acredito que a gengiva de uma mulher tem exatamente a mesma cor da vagina. Porque as duas são mucosas (Palavra Wando). As duas palavras têm sonoridade parecida. E quase têm as mesmas letras. Faz sentido, vai. Mas será que procede? Pessoas que têm gengivas escuras, tipo o Zezé di Camargo, devem ter vaginas escuras. Não que Zezé tenha vagina. Ai, não gostei de imaginar isso.

Fico um pouco aflita pelas pessoas que sorriem com a gengiva. Sabe do que eu estou falando? Elas não precisam ser exatamente membros da Família ali de cima, têm os dentes ok. Cuidam do colar de pérolas que Deus lhes deu. Mas na hora da foto, algo acontece e o lábio inferior cobre os dentes, o superior sobe demais e pimba: vemos apenas um pedaço de carne no meio da boca. Como se elas estivessem comendo kibe cru e fazendo graça para a câmera. Deve ser bem ruim ter sorriso de gengiva. Fica aqui minha solidariedade.

Era isso.

24 de jan de 2010

Onírico


Caio Fernando Abreu deixou um comentário no meu blog. E eu fiquei lisonjeada. Não acredito que ele lê. E que gosta. Preciso responder. Mas peraí. Ele já morreu. Deixa eu entrar no google um minutinho que vejo até em que ano foi. Que estranho. Não tem nenhuma referência da morte dele no google. Mas eu lembro que ele morreu. E que eu fiquei bem triste porque adoro tudo o que li dele. Deve ser alguém me sacaneando. Mas quem? Acordei nessa dúvida. Foi ele ou não foi? Quando vi que era sonho, poderia ter sido ele. No sonho. Fiquei com tudo nítido na cabeça. Isso acontece sempre. Lembro do cheiro, da luz, da cor. Sempre é bem colorido.

No aeroporto de Porto Alegre, voltando para São Paulo, o vôo vai atrasar. Vou comprar um livro do Vargas Llosa. Mas pera, os pocket books são mais baratos deixa eu ver o que temos: Caio Fernando Abreu. Comprei os 2 dele que estavam disponíveis. Comecei a ler o maior porque o vôo ia atrasar e este ano eu ando devoradora.

Já em São Paulo, 2010 começando na correria que eu gosto. Mil vezes isso do que o marasmo. Cheguei tarde em casa e entendi o motivo do sonho e do comentário do Caio e o porquê de tudo ainda tão nítido na minha cabeça. Tudo ficou claro, transparente quando li cada uma daquelas palavras que se encaixaram como uma luva. Me senti um sapo dissecado no laboratório. Era isso. Era sonho.

Obrigada pelo comentário no meu blog e por escrever Onírico. E por me recomendar esta leitura do jeito que você recomendou. Obrigada por ler, mesmo em 1991, o que um dia seria minha mente tortuosa. Obrigada por me explicar tudo.
Virei a página e ainda encontrei outra citação, que me ajudaria a finalizar este texto que só diz respeito a mim, mas que precisava ser escrito, porque foi aqui que ele começou.
“Talvez seja um pouco cifrado, mas para um bom leitor certo mistério nunca impede a compreensão.”

13 de jan de 2010

Só uma constatação


Uma pessoa percebe que está ficando velha pela quantidade de sabonetes que ganha de presente no aniversário.

10 de jan de 2010

Palavras Wando


Eu acho Wando gênio. Tão gênio que existem palavras que passaram a ser propriedade dele. Toda vez que alguém usa uma palavra Wando, seja lá qual for o contexto, a canalhice entra sem pedir licença no recinto. Palavras Wando foram feitas para serem ditas somente por aqueles lábios* carnudos*, com aquele olhar* de mormaço de quem tem plena convicção de que é muito sexy. Por pessoas que nadariam nuas* numa piscina de pêssegos em calda ou fariam amor* numa banheira cheia de gelatina (ele disse isso, juro). Qualquer outra pessoa usando uma palavra Wando precisa ser avisada de que não dá.
A palavra mucosa, por exemplo. Se ela for dita por uma professora de Biologia ou por um dermatologista, não importa: Mucosa é uma palavra que pertence ao vocabulário Wando. E, se você insistir em falar, a luz vai baixar, um globo de espelhinhos vai surgir e começar a girar e você vai ser visto como o mulatão barrigudo, usando apenas uma cueca cor de vinho e mordendo uma maçã. Pensa bem: mu-co-sa.
Preparei uma pequena lista de Palavras/Expressões Wando com o objetivo puro e simples de dizer não use, vai pegar mal. Não tente conquistar ninguém usando estas palavras, pelo amor de deus. Fora de questão, ok?
Mucosa
Fogosa
Abusa
Abusada
Gozo
Seduz
Anjo (ou meu anjo)
Safada
Fazer amor
Deusa
Glande
Seios
Ousada
Lânguida
Cangote
Nominho (nome no diminutivo)
Gazela
Chamego
Nua
Um cheiro
Devorar
Mordiscar
Lábios
Quero você
Fazer mulher
Jorro
Amante
Olhar (substantivo)
Carnuda
Brejeira
Pele de pêssego
Madura

PS: Agradecimento a Michel pela ajuda na elaboração da lista.