27 de ago de 2010

Ah, a primavera


Chega setembro em São Paulo. E com ele, duas categorias de chatos surgem e se repoduzem como passarinhos pulando de galho em galho e ajudando a polinização das flores.
A primeira categoria é o Chato Que Acha Que O Tempo Está Andando Mesmo Mais Rápido. Que 2010 está voando e que o fim do ano já está aí. Então eles catam o telefone e ficam perguntando onde a gente vai passar o Reveillon. Em agosto. Não tenho a mais vaga idéia. Ah, então você não vai conseguir mais nada. E é verdade. São eles que acabam com todo e qualquer pacote existente e são responsáveis pela indignação que você vai sentir quando, sendo uma pessoa normal, for procurar um destino qualquer, na hora certa. Em novembro ou dezembro. Nessa hora as agentes de viagem vão encher a boca para dizer o que as deixa mais felizes na vida: que está tudo lotado e que você só tem uma chance remota de conseguir um pacote de 4 dias em Salvador por 10 mil reais. Você nem se liga mas é tudo culpa desse povo dos infernos que comenta no café ou no elevador: “gente, já estamos em setembro, que louco. Se foi 2010”. E o meu saco.
A segunda categoria é a do Chato Que Finge Que Não Sabe Que A Primavera Em São Paulo É Seca Mesmo. E que, por conta disso, a qualidade do ar vai para a cucuia, junto com a qualidade do trânsito, que libera monóxido de carbono que não se dissipa por conta do tempo seco e deixa o céu marrom e as noites sem estrelas. Acontece. Todo ano é assim. Mas sempre tem o mala que diz que esse ano está demais. Fora do normal. Que, para conseguir dormir, ele precisa colocar toalhas molhadas pelo quarto, que a filha está com bronquite e uma tosse seca. E que ele comprou um umidificador de ar por x Reais, o mais barato que ele encontrou, porque quando tem muita procura o pessoal abusa. Que a filha faz inalação todo sábado no pronto atendimento do São Luiz. E a família liga dos seus estados natais porque viram no Jornal Nacional e querem saber se São Paulo é tão pavoroso quanto eles contaram.
Ok, eu sei, é chato, se bobear tem que fazer tudo isso mesmo. Eu só não quero detalhes sobre produção de secreção, hemorragias nasais nem sobre a secura das mucosas de ninguém. Só isso.

26 de ago de 2010

Quinta-Feira por Raphael Guedes


hai kai bacanérrimo #19
Na ausência de cavalheiro
A auto-estima se arrima
Na cobiça do pedreiro

hai kai bacanérrimo #37
Desdenhou a ribalta
Pregaram-lhe uma peça
Do diretor sente falta

miniconto bacanérrimo #22
Colarinho, camarão, celular, cebola. Coisas com a letra C sempre faziam a morena exclamar: “Isso dá samba!”. Em uma noite boêmia, recebeu um bilhete de um bigodudo que beliscava um bolinho de bacalhau. E exclamou: “Isso dá fado!”.

miniconto bacanérrimo #45
Padre Bicalho era gente boa. Celebrava casórios com Powerpoint. E ensinava Excel na hora da partilha.

miniconto bacanérrimo #77
Stevie Wonder fez versos. O Amor ficou flertando. E a Justiça simpatizou: aquilo também era feito com as próprias mãos. O Bacanérrimo foi unanimidade naquele blind test.

O Rapha está fechando com chave de ouro a Semana Bacanérrimo. O dia que mais combina com ele é sexta mas, baladeiro do jeito que ele é, qualquer dia é dia. Ele não tem blog, o que eu acho um absurdo e espero que você também ache e reclame. Por enquanto, o único jeito de ler as coisas geniais e sensíveis que ele escreve é sendo amigo mesmo (procura no Facebook). E isso - ser amigo - é o que ele faz de melhor.

Chegou agora e não entendeu? Deixa pra lá por que já acabou. Snif!

25 de ago de 2010

Quarta-Feira por Cristiane Parede


Eu estava preparando o bolo de aniversário do bacanérrimo no sábado a tarde. A massa tinha ficado perfeita, lisinha. No som do meu lap top, uma sequência de músicas inesperadas, rolou de Chet Baker a Chaka Kan, “I’m every woman”… E era um daqueles sábados perfeitos sabe, com sol brilhando lá fora e tudo. Resolvi tomar um chá verde enquanto o bolo assava, pensando em como iria decorá-lo. Sai na varanda por um instante, para olhar o pôr do sol, quando uma amiga muito querida, e que eu não falava há muito tempo, me ligou. Ficamos no telefone tempo suficiente para o bolo queimar. Ainda tentei cortar a parte queimada, coloquei a cobertura, fiz tudo para salvá-lo, em vão. Então aumentei um pouco o som, (Florence and The Machine “Dog days are over”), e depois de me recuperar pensei que divertido mesmo seria bater o bolo junto com a dona desse blog, na casa dela inclusive. E vamos fazer isso ao som de Lily Allen ou Nina Simone, tomando uma champa, com amigas bacanérrimas.

Dá uma olhada no blog da Cris e me diz se você já viu algo deste naipe. Essa guria é assim o tempo todo. Às vezes eu não dou conta de tanto coração.


Se você chegou agora e não entendeu nada, eu explico no post anterior.

24 de ago de 2010

Terça-Feira por Marcelo Sato


Uma das imagens de que mais gosto é a das mulheres da resistência francesa, com suas saias, botinhas e boinas no lugar de fardas e coturnos masculinizantes. Esse toque de feminilidade no meio de um cenário mundo cão, me parece fascinante, sedutor, comovente. Decerto esses “looks” funcionavam como disfarces, já que a resistência atuava com táticas de guerrilha para emboscar nazistas à paisana, em locais furtivos como becos e cafés de Paris. Claro que por trás dessa visão poética de fotojornalismo cult, havia a realidade cara lavada da guerra, onde muitas militantes acabaram cruelmente torturadas e executadas. Mas a própria idéia de resistir ao poder dominante já é romântica por si mesma.
Como na cena de Casablanca, onde Ingrid Bergman se derrete toda ao ver seu amado, um líder da resistência, entoar a Marselhesa em alto e bom som, para abafar a festinha de um grupo de folgados alemães, que já estavam achando que o bar do Rick era a casa da mãe Joana D´Arc.
Todo esse longo preâmbulo foi só para homenagear este blog mais do que bacana pelos seus 4 anos. Que apesar de acumular tantos leitores, de hoje ser quase mainstream, não deixa de ser um foco de resistência. Principalmente contra o atual bombardeio de bulshitagem do dia a dia, essa mediocriadade que, cof-cof, chega a afetar a qualidade do ar. Ainda bem que em nossa defesa, o bacanérrimo vai continuar lançando seus petardos de bom humor e ironia por muitos anos.
Faca na bota, Flavita.

Por aqui você vai direto para o blog do Sato e, quem sabe, me ajuda a convencê-lo de que ele escreve textos excelentes mas precisa mostrar para mais gente.

No post anterior você vai entender porque e quem são essas pessoas que andam escrevendo aqui.

23 de ago de 2010

Segunda-Feira por Zé luiz Martins


- Pára de me imitar.

- Não tô imitando.

- Tá sim.

- Não tô, não.

- Eu vou contar pra mamãe.

- Eu é que vou contar pra mamãe.

- Viu? Tá me imitando mesmo.

- Já falei que não tô te imitando.

- Melhor você parar.

- Quer saber de uma coisa? Você é que tá me imitando.

- O que? Tá maluco?

- Olha aí. Eu não faria uma imitação melhor de mim mesmo.

- Eu vou te quebrar a cara.

- Eu é que vou quebrar a sua.

- Até nisso você quer me imitar?

Então os dois gêmeos rolaram escada abaixo, se estapeando.

Você pode seguir o Zé no twitter @zeluizmartins, ver os vídeos dele no youtube ou entrar no site do grupo de stand up comedy que ele participa.

Se você chegou agora e não pegou, calma. Acesse o post anterior que está tudo mastigadinho.

22 de ago de 2010

Domingo por Duda Tajes

Os homens são todos iguais. As mulheres, definitivamente, não.
Para sorte dos homens, as mulheres são muito mais bacanas.






Por aqui você conhece do blog do Dudão e por aqui, as fotos que ele anda fazendo de uns tempos para cá. Vale muito.
Importante: clicando nas fotos, você pode ampliá-las.

Não entendeu esse papo de domingo? Leia o post anterior em que eu explico que novidade é essa.

21 de ago de 2010

Sábado por Gera Gonçalves


O negócio foi que me convidaram pra escrever sobre os 4 anos deste blog. Achei chique. Justamente porque vi esse blog nascer, crescer, brilhar e ainda deixar o meu (blog) no chinelo. Conheço a dona dele o suficiente pra não esperar nada menos que isso.
Pensei, pensei e escolhi escrever sobre o título do blog, bacanérrimo.
Como toda pessoa, sou de fases. Tive fase de achar bacana fazer corrida. Depois, desenhar. Depois, de me jogar na noite. Atualmente, bacanérrimo para mim é viajar (quando dá, vamos deixar claro). Mas não qualquer tipo de viagem. Falo dessas que você se joga na cultura local. Que você vai em mercadão, entra em gueto, faz misturinha, fica íntimo de estação de trem e, mais que tudo, conhece gente diferente. Adoro.
Quando a gente viaja nossa noção de vida muda bacarái. Também muda nossa noção de beleza, de tolerância, de felicidade. Você descobre a alegria em coisas pequenas e aprende que falar sozinho não é coisa de gente louca.
Nessas andanças, se alguma coisa eu aprendi, foi que por mais alegre que seja a Espanha, mais cosmopolita que seja a Inglaterra, mais linda que seja a França, nenhum lugar do mundo tem gente como a gente.
Gente como a Flá. Linda, única, intensa. Daquele tipo de pessoa que a gente pode ficar mil anos sem ver, mas quando se encontra, faz cada segundo ser, com o perdão do trocadilho, totalmente bacanérrimo.
Parabéns pelos quatro anos de blog. Cheers.

O blog do Gera é um arraso, simples, despretensioso e cheio de percepções divertidas sobre a vida e as coisas. E a "minha ilustra" ali em cima também é dele. Amei. Não aguento esse menino.

Não entendeu nada? Leia o post anterior que está tudo explicadinho.

19 de ago de 2010

Semana Bacanérrimo


Quatro anos de blog, quem diria?
Em 4 anos isto aqui tem sido mais do que uma alegria. E alegria se compartilha com amigos. A partir de amanhã, sexta, 20 de agosto, começa a Semana Bacanérrimo. Cada dia terá um post diferente, de 7 queridos amigos que também escrevem e têm blogs que eu vejo sempre. Fiz o convite e os 7 aceitaram prontamente e me entregaram textos, fotos e cartoons incríveis. Preparem-se para conhecer um pouquinho deles aqui e pegar os links para ler mais do que eles andam aprontando. Sei que estou correndo um risco enorme de perder todos os leitores deste blog para eles, mas eu sou uma mulher de coragem. Espero que todo mundo goste como eu já amei.
SEXTA: Luciana Cani – SÁBADO: Gera Gonçalves
DOMINGO: Duda Tajes – SEGUNDA: Zé Luiz Martins
TERÇA: Marcelo Sato – QUARTA: Cristiane Parede
QUINTA: Raphael Guedes

15 de ago de 2010

Pedro e Wilma


Minha avó paterna morreu quando eu tinha 8 anos. Tenho poucas mas muito nítidas lembranças dela, da casa em que ela morava, do quarto, do cheiro, dos perfumes em cima da penteadeira. Mas acho que a lembrança mais forte que ela deixou foi o que a ausência dela causou no meu avô. Lembro direitinho dele chorando baixinho o mais triste dos choros. O de quem perdeu tudo o que tinha e o que mais importava. Essa dor foi tão forte que ele desistiu de viver. Nunca mais leu um jornal, nem viu TV, nem nada. Ficou completamente alienado do que acontecia no mundo. Quando perguntavam como ele estava, respondia: estou esperando que me levem. E era pura verdade.
Conversar com ele passou a ser uma experiência curiosa. Pense num senhor com mais de 80 anos, completamente lúcido, mas que não sabia nem o nome da moeda corrente no Brasil. Cruzado, cruzado novo, real, para ele pouco importava. Ele jogou a toalha, desistiu mesmo. Na época, eu achava aquilo meio esquisito, não entendia, achava até uma certa covardia da parte dele se entregar daquela forma. Hoje já fico pensando que pelo sofrimento dele dá para mensurar o tamanho do amor que ele sentiu e o quanto ela foi importante. Que mulher foi essa que deixou um vazio tão enorme no coração de um homem? Acho bonito. Deve ser daí que herdei essa mania de ter sentimentos sempre tão profundos e tão mexicanos.
A história acabou de uma maneira digna de tanto amor: na noite em que se completariam 10 anos da morte dela, mais ou menos na mesma hora em que ela se foi, tarde da noite, meu avô caiu da cama. Era velhinho, tinha osteoporose e fraturou o fêmur. Foi levado ao hospital mas um coágulo se formou na fratura, acabou indo para o cérebro e causando um derrame. No dia seguinte, a espera dele acabou. Triste para quem ficou, mas ele esperou até demais.

7 de ago de 2010

Balada com massagem cortesia


Já fiz shiatsu, ayurvédica, estética, desportiva e até aquela mequetrefe depois de lavar o cabelo no Soho. Adoraria fazer aquela em que um japonês caminha nas costas da pessoa. Mas massagem boa mesmo é essa que eu vou explicar através da transcrição literal do diálogo, há alguns dias numa balada de São Paulo.
- A gente pode ficar aqui e conversar com vocês?
- Podem, claro.
“A gente” = 2 meninos de 20 anos. “Vocês” = eu e minha amiga.
- Qual é o seu nome?
- Flavia.
- Você está na faculdade?
- Não, já me formei.
- Onde?
- Na Federal de Santa Maria.
- Você mora no Rio Grande do Sul?
- Moro aqui há 10 anos, mas minha amiga é de lá.
- Que legal... Você já trabalha?
- “Já”. Sou publicitária e você?
- Sou músico.
- Mas o seu trabalho é estágio?
- Não. Já fui contratada.
No auge dos meus 36 anos (quase 37), ganhei a noite com esse papinho. O que aconteceu depois? Nem importa.

2 de ago de 2010

Se a vida imita a arte, a minha deve estar imitando um filme iraniano.


Um título desses vai fazer você querer ler. Eu sei.
Mas, na verdade, queria dar uma explicação por não ter escrito nada de novo aqui há tanto tempo.
Sabe aqueles filmes cabeça, com fruta no nome (cereja, maçã, ameixa)? Filmes em que não acontece absolutamente nada, com uma trilha linear, meio chata. E as poucas coisas que acontecem ficam cheias de significado e passíveis de milhares de interpretações diferentes para quem está assistindo.
Eu ando numa fase assim. Não é ruim. Acho até que estou precisando disso. Mas segundo minha astróloga, "isso" começa a acabar dia 5 de agosto. Dia 6 podem vir aqui que vai ter novidade. Prometo.