20 de jun de 2009

O pior conselheiro


Se você parar para pensar, ouvir a voz do coração é uma grande incoerência. Ok, eu sei que ouvir o coração é justamente não parar para pensar. Mas não faz sentido.
Primeiro porque o coração passa a vida inteira ali dentro, fazendo o mesmo movimento e a mesma coisa o tempo todo. A única coisa que varia é a velocidade. Ouvir o coração é o equivalente a ouvir o funcionário da linha de montagem de uma fábrica. China, você que passa o dia inteiro encaixando braço de boneca, me fala uma coisa, o que você acha que eu devo fazer com essa relação? Invisto? Desencano? O coração, com toda aquela experiência de vida vai fazer o que? Chutar uma das duas respostas. E a chance dele acertar é 50% - 50%. Loteria, babe.
Depois tem outro problema: coração não fala, batuca. Você expõe suas grandes dúvidas existenciais e faz o que? Se você acha que eu devo dar uma chance para esse cara bate 112 vezes por minuto. Se acha que não, bate 80. Mas bate direito senão eu não consigo contar. Ridículo.
Tem mais. The Little Heart passa o dia inteiro batendo. Você conhece estetoscópio? Já ouviu o barulho que um coração faz enquanto bate? Quem é que garante que ele está ouvindo as suas perguntas? Troco meu marido por um amante gostoso mas canalha? Ele responde, do meio da bateria da Mocidade Indepentende: Siiiiiiiiiiiimmm!!! É por isso que as grandes cagadas acontecem e se repetem por aí.
Se o coração tivesse todas as respostas a gente não fazia mapa astral. Ia ao cardiologista. Além dos pacientes de sempre, o InCor estaria lotado de gente indecisa. Os transplantados estariam felizes ouvindo o coração dos outros. Afinal, uma segunda opinião é sempre bem-vinda. Doutor, meu coração não está me dando nenhuma resposta decente. Será que a gente pode tentar o desfibrilador? (sempre quis escrever esta palavra).
Por que, em vez do coração, a gente não ouve o estômago? Se der friozinho quando você encontrar o cara, a resposta é sim, brilha. Eu, por exemplo, não tenho estômago para muita gente que conheço. Acho esta sensação bem mais confiável do que um coração involuntário querendo me dizer de quem gostar.
Como se não bastasse, o coração te expõe, te delata. Você beija o cara e ele percebe que o seu coração está fazendo um solo de bateria a la John Bonham. Não dá para pagar de blasé desse jeito.
Nosso coração é incoerente, ridículo, pouco confiável e escandaloso. Mas não tem nada mais fantástico do que deixar a vida descompassada, só no ritmo desse imbecil.

16 de jun de 2009

O que temos para o momento


Quando as pessoas reclamam que você não escreve há muito tempo. Quando você anda realmente ocupado para parar e pensar em algo relevante, digno de algum comentário, siga o meu singelo conselho. Poste uma foto que faça isso por você. É um truque dos mais canalhas, não sei a quem eu pretendo enganar com isso, mas é melhor do que nada.
Ou não?

15 de jun de 2009

Sobre namorados e parada gay


Sexta, 12, dia dos namorados. Domingo, 14, parada do orgulho gay. Lembrei desta história que me pareceu englobar os dois assuntos.
Minha amiga é lésbica e estava toda feliz namorando uma mulher que era hetero até conhecê-la. Ela sabia que a namorada não tinha se convertido por causa dela, mas gostava da idéia de ser a primeira. Um dia, falando sobre o assunto, a namorada contou que, antes de conhecê-la, ia nas baladas hetero e ficava com homens. Até conhecer um que parecia bacana. Dançaram, se beijaram e quando foram conversar, ele soltou a pérola:
- Gostei muito de você. Queria te conhecer por compreto.
Por “compreto” assim, com érre mesmo. Foi aí que ela percebeu que não suportava mais. Tomou uma decisão radical.

Já para mim e para você, que continuamos do lado de cá da força, muita força.

6 de jun de 2009

Pára já com esse papinho


Imagine a seguinte situação: eu tenho uma amiga de longa data que escolheu ter uma vida completamente diferente da minha. Ela casou cedo e teve filhos. Profissão nunca foi importante na vida dela nem viajar é o que ela mais ama fazer. Ok?
Então um dia eu encontro essa amiga e resolvo dizer que, por ter feito as escolhas que ela fez, ela nem sequer conhece o melhor da vida. Deixo muito claro que não respeito a decisão dela, que tenho pena por ela nunca ter ido à Europa nem para Cuba. Digo que não posso nem começar um assunto com uma pessoa que só sabe o que é o Louvre graças a um filme medíocre como o Código da Vinci. Que ela nunca vai entender o quanto eu sou feliz e realizada por ter uma profissão, por ser respeitada e por já ter muito mais experiência de vida do que ela. Sugiro que, quem sabe, se um dia ela mudar de idéia e decidir correr atrás do prejuízo, ela experimente a sensação de ser livre e independente. Mas, se ela ainda tem alguma esperança de ser feliz como eu, que faça isso logo porque o tempo está passando e daqui a pouco vai ser tarde demais.
Imaginou? Isso não seria um absurdo, uma estupidez, uma falta total de respeito por essa amiga?
Então por que é que o contrário vale? Por que é que algumas mulheres, por serem mães, acham que podem chegar para pessoas que escolheram deixar a maternidade para lá e dizer com aquela cara de piedade: ser mãe é a maior felicidade do mundo. Pena que você não sabe o que é. Ou pior: você age assim / diz isso porque não sabe o que é ser mãe. Só depois que a gente é mãe a vida faz sentido. E por aí vai.
Isso tem acontecido comigo e com um monte de gente que eu conheço. E me tira do sério. Vão todas catar coquinho.
Não sei, mas imagino que deve ser mesmo foda ser mãe. Quando eu quiser, pode ter certeza que vou experimentar e me esbaldar com esta experiência incrível. Mas nunca vou chegar com este texto bizarro para mulher nenhuma, amiga nenhuma. Porque as pessoas são livres para ser o quiserem. E porque, para a nossa sorte, não existe apenas uma forma de felicidade na vida. Eu tenho tantas amigas que são mães, que eu admiro para caralho, que estão maravilhosamente felizes e que nunca vieram com esse discursinho. O que acontece com o resto do povo?
Ser mãe pode até ser padecer no paraíso, juro que não duvido. Mas, pelo menos por enquanto, quero mais é brilhar no paraíso. Com todo o respeito por quem está padecendo.

3 de jun de 2009

O dia estava espetacular

Deu vontade de ir ao parque, sentar na grama e ficar no sol. Fui na hora do almoço e, chegando lá, percebi que não fui a única a ter esta idéia. Tinha um monte de gente sentada na grama, descansando. Descansando é uma palavra meio errada porque tinha uma música do caralho tocando muito alto. Fiquei lá pensando na vida até que um cara magricelo e bem doido tirou a roupa e começou a dançar freneticamente, só de cuecas. Peguei a câmera da bolsa e comecei a registrar a cena. A imagem está meio tremida porque eu não conseguia parar de rir vendo a performance. Ele ficou dançando assim um tempo. Umas pessoas curtiram e colocaram uma grana na cueca dele. Ele se empolgou ainda mais e dançava loucamente.
Aí um moleque resolveu tirar um sarro e começou a dançar ao lado dele e fazer palhaçada para o grupo de amigos que estava sentado atrás de mim. Um cara meio gordo, parecido com o Maradona, também se juntou a eles. Chegaram mais 2 no mesmo esquema. Depois mais 3, mais 4, mais 5, mais 2. E começou a vir um monte de gente de todos os lados. Altos, baixos, gordos, magros, cabelos vermelhos, de chapéu mexicano. Umas 100 pessoas em poucos segundos. Foi genial. Contando, não sei se dá para imaginar. Se quiser ver, clique aqui. Mas veja até o final que vale à pena.

PS: Amei e quis dividir esta história.