24 de set de 2009

Número 2


O assunto do almoço de terça-feira foi cocô.
Isso mesmo, nº 2 e suas derivações entre outros papos e histórias para lá de escatológicas. É incrível como todo mundo tem a história de um amigo(a) + cocô para contar. Quem conta nunca é o protagonista da história, mas a riqueza de detalhes é sempre enorme. Muitas não passam de lendas urbanas: não tinha papel, o cara precisou se lavar e quebrou a pia do banheiro da casa dos pais da namorada. Já ouvi esta numas 30 versões. Fiquei pensando no assunto e tenho uma teoria. Mais uma das minhas.
Acho que essa vergonha de admitir vexames/questões com cocô é o que garante o sucesso de produtos como Activia. Não sei se você manda um “dan regularis” todos os dias e acredita que isso faz seu intestino ser um reloginho. Pode até ser que funcione. Mas posso apostar qualquer coisa que, se alguém decidiu aceitar o desafio Activia (cocô ou o seu dinheiro de volta), essa pessoa jamais irá até o supermercado munida do seu potinho vazio e dizer: não funcionou, devolve meu dinheiro. Não é tanto dinheiro assim para valer um mico desses. Prefiro trocar meus potinhos por um Marinex (cá entre nós: que promoção bizarra foi essa????). Concorda que o Desafio Activia é um exame de fezes ao contrário, porque o potinho vai vazio? Já que ninguém volta para pedir o dinheiro, a galera da Danone conclui que funciona mesmo.
Será? Nunca parou para pensar nisso, né? É por isso que às vezes eu acho que deve ter alguma coisa errada comigo. Foi mal. Mas agora já postei.

19 de set de 2009

Mudança


Sugiro que você comece pelas coisas menores e mais frágeis. Arranje caixas, jornais e plástico-bolha para proteger aqueles cristais com que você tanto brindou, os copos, as xícaras e toda a louça. Tudo o que fez parte da sua rotina. Guarde muito bem o castiçal mexicano e o vaso que era da sua avó e tudo o que tem histórico. Proteja as xícaras de chá que sua mãe ganhou de casamento e te deu um dia. Proteja tudo o que te deram de coração e leve com as próprias mãos. Importantíssimo: desfaça-se de coisas que estavam lá mas que você percebeu que não precisava, que não eram tão bacanas como você achou que eram no dia que comprou. A vida está cheia desses enganos que fazem a gente desperdiçar nosso tempo e nosso afeto. Uma pena. Só pena.
Pegue suas malas de viagens cheias de adesivos, arranhões e milhas acumuladas e coloque suas roupas íntimas ou elas correm o risco de passar pelas mãos de pessoas estranhas, muito estranhas. Leve com você, no porta-malas do carro junto com seus sapatos preferidos e mais lindos. Seus vestidos, saias e casacos empilhados cabem na mala maior. Suas bijouterias, a presilha de borboleta do cabelo, as pulseiras e brincos sem os quais você se sente nua.
Arranje ajudantes para as coisas mais pesadas. Você não tem piano mas já carregou a sua cota. Não se engane achando que dá para carregar tanto peso sozinha. Que só seus amigos bem-intencionados podem ajudar. Certas coisas exigem ajuda profissional. Deixe todos os trambolhos com eles, sem culpa. Confie e pague uma boa gorjeta, que eles merecem.
Estou considerando que você já cuidou da pintura nova, cobriu as rachaduras, já imagina onde cada coisa pode ficar. Deixar para depois da mudança em si, costuma ser um transtorno.
Nunca ache que esta é apenas mais uma mudança ou que é a última. Pense que é a mais importante de todas. As coisas podem demorar uns dias para ficarem em seus lugares, mas você dá conta. Sempre deu. E sempre mudou para melhor.
Pense onde suas plantas vão crescer mais fortes e com as folhas mais lustrosas. Lembre-se que as flores gostam de sol mas as orquídeas precisam de sombra. A fixação de raízes é importante mesmo que você nunca tenha pensado nisso antes.
Superstições à parte, entre na casa ou na vida nova com o pé direito. Chame quem importa para comemorar com você. Seja feliz. E que venham as próximas.

1 de set de 2009

Equívocos gastronômicos


Desde que você não me venha com gafanhotos, catupiry e dobradinha, eu estou disposta a comer e experimentar qualquer coisa. Adoro me surpreender com combinações e sabores esquisitos mas as pessoas estão indo longe demais na tentativa de oferecer pratos diferentes.
Alex Atala que me perdoe mas ostras empanadas com sagu (!!!) e ovas de peixe ou arraia com jiló não vai rolar.
Acho que uma das primeiras coisas que me chocou nesse sentido foi o
X-Vinil de Porto Alegre. Ele tem este nome porque o pão do cheeseburger tem o tamanho exato de um disco vinil. Até aí tudo bem, que a larica é sua e eu não tenho nada a ver com isso. O problema é quando o chapeiro pergunta com a maior naturalidade se você vai querer seu X-Vinil coberto com strogonoff ou não. E tem gente que manda ver. Eu vi. Revoltante.
Semana passada, fiquei chocada com outra novidade. Depois do advento do catupiry, aquele queijo enriquecido com maizena que só serve para infernizar coxinhas, empadas e para tornar o ato de pedir pizza mais complicado (sim, porque agora você tem que deixar muito claro que não quer a borda recheada de catupiry) eis que chegamos ao cúmulo. Tem pizzaria com a cara de pau de oferecer pizza com a borda recheada de tremoço. Isso mesmo, tremoço, aquele milho turbinado que sempre sobra nos balcões de acepipes dos botecos. Você acredita numa afronta dessas? Esse pizzaiolo merece uma salva de pescotapas, peloamor.
Não estou nem entrando no mérito de questionar gente com gostos estranhos que come Fandangos com brigadeiro. Fica à vontade, só não me aparece com isso impresso num cardápio.
Para finalizar este texto, só me ocorre a confissão de um amigo, vegetariano convicto. Um dia eu perguntei se ele nunca tem vontade de comer carne e ele me contou que só sente falta de uma coisa: aquela fatia de pizza calabresa acebolada, no dia seguinte, que ele costumava aquecer numa frigideira com muito azeite de oliva e, quando a calabresa ficava tostadinha, bem fritinha, ele cobria com leite condensado.