bacanerrimo

Eu gosto da palavra bacanérrimo desde a primeira vez que ouvi. Desde então, uso mesmo. Sinceramente, este foi o único critério para escolher o nome do meu blog. Gosto de escrever mas tenho vergonha de mostrar o que escrevo. Então decidi ficar escondida atrás de uma URL simpática. E esperar que alguma coisa que eu escreva aqui vire spam e chegue um dia por e-mail, como se fosse um texto do Luiz Fernando Veríssimo. Ui, seria a glória.

21/05/2008

Ombro amigo. Adoro.

Você tem uma sensação constante de que os problemas dos outros são muito menores do que os seus? Claro que não estou falando de problemas absurdos tipo jogarem minha filha de 5 anos pela janela ou alguém da minha família estar doente. Problemas normais, de mulherzinha, tipo falta de auto-estima, relacionamentos complicados, angústias, crises no trabalho, etc.
Eu me sinto uma analista fodalhona toda vez que minhas amigas fazem meu ombro de divã e pedem conselhos sobre a vida. Sempre tenho alguma coisa sábia a dizer. A impressão que dá é que a solução para os problemas delas é tão simples e clara que nem problema elas têm.
Acho que é assim com todo mundo. Uma mistura de egoísmo e generosidade. Você adora e se sente apta a resolver os problemas dos outros simplesmente porque nada pode ser pior do que os seus. Viver a sua vida com as suas mazelas torna você phd em problemas. Agora ouve a voz da minha experiência e faça isso ou aquilo. Ora, isso lá é problema que se apresente? Se eu te contar o que estou passando...
Daí eu conto e acontece o mesmo, só que ao contrário: alguém ouve os meus lamentos e tenta me mostrar que eu estou fazendo tempestade num copo d’água tônica. Enquanto ouço o diagnóstico sábio da minha amiga confesso que sempre penso: esta pessoa não tem idéia do que é passar por um problema deste tamanho. De novo, meus lamentos são maiores do que qualquer coisa que ela já viveu. Vou deixar ela falar, que ela é uma fofa, a intenção é boa, mas vai entrar por um ouvido e sair pelo outro.
O mais louco é que, mesmo assim, a gente continua ouvindo e procurando as boas amigas quando a coisa aperta. E sinceramente a gente precisa disso. A gente ama isso. A necessidade de ouvir e de falar continua. Acho que é porque verbalizar as coisas alivia. Falar de problemas e soluções organizam as nossas idéias. Nunca fiz mas este deve ser um dos princípios da terapia.

Olha eu aqui de novo, falando como uma analista fodalhona. E você aí pensando: ok, vou fingir que isso me tocou de alguma forma, que me identifiquei. Talvez eu até deixe um comentário. Pura educação.

19/05/2008

Sobre como é bom estar de volta

Uma mulher percebe que ficou muito tempo longe dos amigos quando descobre um fio de cabelo branco enorme, comprido e absolutamente visível na parte de trás da cabeça. Devia estar lá há um bom tempo mas ninguém era íntimo o suficiente. Ninguém teve a manha de avisar ou arrancar.

18/05/2008

Desabafo rápido

Sábado à noite. Aniversário de um amigo. Eu e outra amiga conversando próximas ao balcão. De repente um amigo do meu amigo (explico assim para você entender que não se tratava de nenhum maloqueiro) chega tentando arranjar uma brecha para ir até o balcão lotado. Ele passa colado na gente e fala para minha amiga:
Vou ter que passar aqui por trás para chegar no balcão. Se você sentir alguma coisa foi por querer viu. Ele ainda repetiu. Se sentir alguma coisa, foi muito por querer.
Eu fiquei tão passada que não agüentei e disse: Nossa, mas que grosseria foi essa?
Gente, eu tô ficando louca? Se um cara pode dizer isso para uma mulher eu também posso distribuir pescotapas, certo? Eca.

15/05/2008

Trágico se não fosse cômico

Claro que vou omitir nomes porque é um assunto delicado. Mas olha que delícia de história verídica.
Conheci a amiga de uma amiga recentemente. Gente boa, figura. Fui a um jantar na casa dela que estava toda animada, colocando músicas de carnaval que acabara de baixar na internet. Até que o shuffle do ipod baixou o astral com uma música do Cartola. Eu comentei que adorava e que tinha um CD do Ney Matogrosso cantando Cartola que era maravilhoso. Percebi que ela fez uma cara estranha e comentou: Nossa, há quanto tempo eu não ouço falar do Ney Matogrosso. Que estranho você falar nele... Estranho por que?
Porque minha avó morreu de rir do Ney Matogrosso.
Foi exatamente isso: a avó estava assistindo o Cassino do Chacrinha e o Ney Matogrosso começou a cantar e dançar daquele jeito que a gente bem conhece. A vovó começou a rir, mas rir tanto que teve um piripaque e partiu desta para melhor.
Adoro esta história. E se pudesse escolher, queria morrer exatamente assim.

07/05/2008

Gente mala

De acordo com as novas regras de segurança dos aeroportos para controle de bagagens de mão, quanto mais perua ou mais metrosexual for a pessoa, mais chances ela tem de ser terrorista. Esqueça aquele preconceito tolo contra os muçulmanos barbudos e gente com pano na cabeça. Graças a estas novas regras eles tiveram uma trégua merecida. Quem está sob a mira das câmeras do circuito interno de segurança e realmente atravanca a fila do raio x é aquela patricinha com a frasqueira cheia de cremes, perfumes e maquiagens importadas: “Eu despacho, eu despacho, mas tira a mão do meu demaquilante agora”. As Drags, tadinhas, despacham o glamour, preferem vir desmontadas e passam a viagem inteira morrendo de inveja da make das aeromoças da Tam (!!!). Já os indefesos metrosexuais são obrigados a tirar o pulôver de cima dos ombros e colocá-lo numa caixa. Sentindo-se nus eles são fuzilados pelos olhares constrangedores dos funcionários da segurança. A bolsa passa pelo raio x, a mocinha olha, volta, baixa os óculos para a ponta do nariz e confere mais de perto na tela. “O que é este frasco grande na sua mochila? Creme de barbear?”. O metro, já tenso, responde: “Juro que não. Eu faço barba a laser tem 8 meses. Pode conferir”.
Mães com crianças também passam perrengue. E não é porque o pirralho fica 5 horas berrando e chutando a poltrona da frente, que para isso elas nem ligam. É pelo conteúdo das mamadeiras. Leite Ninho, Toddynho, hummm, suspeito.
Eu fui obrigada a tirar as botas e pagar o mico de mostrar minhas meias amarelas do Homer Simpson para todo mundo. Depois da sessão desapego com meus shampoos, a funcionária da companhia me alertou: se você tiver rímel na bagagem de mão, coloca num plástico para passar no raio x. Ela insistia nisso, falou várias vezes sobre o rímel. Mas por que mesmo? Será que existe uma bomba a la 007 cujo detonador é a escovinha do rímel? Será que esta bomba tem poderes de destruição altíssimos e lança estilhaços de cerdas de nylon fulminantes direto na jugular dos passageiros? Depois que o avião decola a Pati-bomba vai sorrateira retocar a make leve no banheirinho claustrofóbico e joga tudo mais pelos ares ainda num simples girar de tampa do rímel Dior (o melhor, diga-se de passagem).
Por outro lado, ninguém me tira da cabeça que o frango ao molho de gorgonzola que serviram no vôo Lisboa-São Paulo era uma arma química das mais destrutivas. Não encarei.

PS: Voltei.

17/04/2008

Com dente, por gentileza.

Da mesma maneira simplista que todo mundo pensa num francês e imagina alguém sem banho, num(a) português(a) de bigode, num irlandês bebum e num holandês maconheiro, eu já tenho minha conclusão sobre os ingleses.
Inglês é sem dente.
Uma coisa lamentável, mas a maioria do povo daqui não tem aquele hábito que a sua mãe tanto insistiu e te ensinou sobre escovar os dentinhos em movimentos circulares antes de dormir e depois de todas as refeições. A galera definitivamente pula esta parte e não faz nada disso. Se acontecer o óbvio e os dentes apodrecerem e caírem por falta de cuidado, tudo bem. Eles continuam sorrindo com suas bocas bem abertas e não se importam nem um pouco que todo mundo veja que tem uma turma faltando. E eu não estou falando de velhos senhores sem pivô nem de pessoas miseráveis. Mas de adolescentes, adultos, velhos e crianças. Ok, criança pode.
Não sei você mas eu sou quase obcecada por dentes. Pelos meus e pelos dos outros. É uma coisa que me chama muita atenção. Limpinhos, asseados, enfileiradinhos, nem precisam ser totalmente retos, nem tão brancos como os dos atores da Rede Globo (já falei sobre isso aqui). Por mim também estão dispensadas as pedrinhas e lascas de ouro que tem gente que gosta de colocar.
Pode faltar cabelo, gominhos no abdômem, roupas bacanas, dinheiro, assunto (não, assunto não pode), experiência, traquejo, boas maneiras, tudo. Mas dente é que nem auto-estima: não pode faltar nunca.
Tudo isso para justificar que não, eu não arranjei nenhum namorado inglês em Londres. Sou mais dos italianos, aqueles cafajestes.

26/03/2008

Teorias de Araque

Quando decidi o título deste post resolvi fazer uma pesquisa rápida sobre a origem da expressão De Araque. Adoro descobrir estas coisas. Só encontrei uma resposta que deve ser verdadeira porque faz muito sentido. Araq é o nome de uma bebida árabe, destilada e derivada da seiva de palmeira ou de arroz, aromatizada e com altíssimo teor alcoólico. Por isso a conversa vira de araq ou de araque (aportuguesando) quando se bebe muito e já não se sabe o que se diz.

Toda mulher tem uma (ou mais) amiga filósofa de araque, que tem milhares de teorias sobre a vida. Teorias totalmente vazias e que parecem pinçadas de um folhetim ou de algum diálogo das novelas da Janete Clair (gênia) dos anos 70. Que fizeram sentido para as donas de casa daquela época e continuam sendo repetidas até hoje.
Por exemplo: alguém está na maior deprê porque terminou com o namorado. A amiga filósofa de araque entra em cena e tasca um: Não fica assim porque se terminou é porque não era para ser. Tem coisa mais conformista neste mundo? Éla é do bem, claro que quer dar uma força, mas acaba dizendo o mesmo que esquece, não adianta lutar pelo bofe, caso perdido, joga já essa toalha. E já emenda na próxima frase-chavão que sempre vem coladinha com esta primeira: As coisas acontecem quando têm que acontecer. Como elas adoram esta. Ou seja: pode esperar sentada porque o que é seu está guardado. Você não precisa mover uma palha para conquistar o seu amor. Ele vai chegar na hora certa. Tipo vinte para as três.
Outra que me dá coceira mas eu vivo escutando é: quando a gente está procurando um amor, aí é que ele não aparece. Gente, baseado no que mesmo? Claro que é uma delicia ser absolutamente arrebatada por um amor que você nunca imaginou que poderia surgir, mas qual é o problema de querer alguém? De sair de casa a fim de beijar na boca, de preferência um cara que seja bem bacana e que possa vir a ser um namoradinho. Por que não? Porque a filósofa leu em algum livro (olha isso) que os homens sentem uma vibração quando a mulher está querendo namorar. E isso faz com que eles se afastem.
Gata: os homens não percebem quando as mulheres fingem orgasmos. Vão perceber vibração subliminar? Ora, faça-me o favor.
E a bronca não é para a amiga filósofa, não. É para quem dá ouvidos para estas tolices e deixa de procurar, de tentar, de se expôr e de eventualmente quebrar a cara porque acredita em destino, em timing perfeito e em horóscopo de jornal. A vida é muito mais simples do que isso. E me dá mais uma dose desse araq que agora eu empolguei. Dupla, por gentileza.