bacanérrimo

Eu gosto da palavra bacanérrimo desde a primeira vez que ouvi. Desde então, uso mesmo. Sinceramente, este foi o único critério para escolher o nome do meu blog. Gosto de escrever mas tenho vergonha de mostrar o que escrevo. Então decidi ficar escondida atrás de uma URL simpática. E esperar que alguma coisa que eu escreva aqui vire spam e chegue um dia por e-mail, como se fosse um texto do Luiz Fernando Veríssimo. Ui, seria a glória.

03/02/2010

Comentários improváveis sobre gengivas


Não me pergunte o motivo. De repente e absolutamente do nada comecei a pensar em quantos comerciais de TV já vi com o pessoal da Família Gengiva aí da foto. E eles são muitos.
Colchões, Detergente, Sabão em pó, Farmácia, Café, Bazar Beneficente e por aí vai. Animação de festa de firma, entrega de prêmio, locuções emocionais. É com a Família Gengiva mesmo.
Será que nunca ocorreu para ninguém fazer uma campanha de Korega com eles? Parem de morder maçãs. Ora, isso é passado. Chama esse pessoal e o sucesso vai ser estrondoso. Está quicando.

Tenho uma teoria que precisa ser comprovada (aceito depoimentos): acredito que a gengiva de uma mulher tem exatamente a mesma cor da vagina. Porque as duas são mucosas (Palavra Wando). As duas palavras têm sonoridade parecida. E quase têm as mesmas letras. Faz sentido, vai. Mas será que procede? Pessoas que têm gengivas escuras, tipo o Zezé di Camargo, devem ter vaginas escuras. Não que Zezé tenha vagina. Ai, não gostei de imaginar isso.

Fico um pouco aflita pelas pessoas que sorriem com a gengiva. Sabe do que eu estou falando? Elas não precisam ser exatamente membros da Família ali de cima, têm os dentes ok. Cuidam do colar de pérolas que Deus lhes deu. Mas na hora da foto, algo acontece e o lábio inferior cobre os dentes, o superior sobe demais e pimba: vemos apenas um pedaço de carne no meio da boca. Como se elas estivessem comendo kibe cru e fazendo graça para a câmera. Deve ser bem ruim ter sorriso de gengiva. Fica aqui minha solidariedade.

Era isso.

24/01/2010

Onírico


Caio Fernando Abreu deixou um comentário no meu blog. E eu fiquei lisonjeada. Não acredito que ele lê. E que gosta. Preciso responder. Mas peraí. Ele já morreu. Deixa eu entrar no google um minutinho que vejo até em que ano foi. Que estranho. Não tem nenhuma referência da morte dele no google. Mas eu lembro que ele morreu. E que eu fiquei bem triste porque adoro tudo o que li dele. Deve ser alguém me sacaneando. Mas quem? Acordei nessa dúvida. Foi ele ou não foi? Quando vi que era sonho, poderia ter sido ele. No sonho. Fiquei com tudo nítido na cabeça. Isso acontece sempre. Lembro do cheiro, da luz, da cor. Sempre é bem colorido.

No aeroporto de Porto Alegre, voltando para São Paulo, o vôo vai atrasar. Vou comprar um livro do Vargas Llosa. Mas pera, os pocket books são mais baratos deixa eu ver o que temos: Caio Fernando Abreu. Comprei os 2 dele que estavam disponíveis. Comecei a ler o maior porque o vôo ia atrasar e este ano eu ando devoradora.

Já em São Paulo, 2010 começando na correria que eu gosto. Mil vezes isso do que o marasmo. Cheguei tarde em casa e entendi o motivo do sonho e do comentário do Caio e o porquê de tudo ainda tão nítido na minha cabeça. Tudo ficou claro, transparente quando li cada uma daquelas palavras que se encaixaram como uma luva. Me senti um sapo dissecado no laboratório. Era isso. Era sonho.

Obrigada pelo comentário no meu blog e por escrever Onírico. E por me recomendar esta leitura do jeito que você recomendou. Obrigada por ler, mesmo em 1991, o que um dia seria minha mente tortuosa. Obrigada por me explicar tudo.
Virei a página e ainda encontrei outra citação, que me ajudaria a finalizar este texto que só diz respeito a mim, mas que precisava ser escrito, porque foi aqui que ele começou.
“Talvez seja um pouco cifrado, mas para um bom leitor certo mistério nunca impede a compreensão.”

13/01/2010

Só uma constatação


Uma pessoa percebe que está ficando velha pela quantidade de sabonetes que ganha de presente no aniversário.

10/01/2010

Palavras Wando


Eu acho Wando gênio. Tão gênio que existem palavras que passaram a ser propriedade dele. Toda vez que alguém usa uma palavra Wando, seja lá qual for o contexto, a canalhice entra sem pedir licença no recinto. Palavras Wando foram feitas para serem ditas somente por aqueles lábios* carnudos*, com aquele olhar* de mormaço de quem tem plena convicção de que é muito sexy. Por pessoas que nadariam nuas* numa piscina de pêssegos em calda ou fariam amor* numa banheira cheia de gelatina (ele disse isso, juro). Qualquer outra pessoa usando uma palavra Wando precisa ser avisada de que não dá.
A palavra mucosa, por exemplo. Se ela for dita por uma professora de Biologia ou por um dermatologista, não importa: Mucosa é uma palavra que pertence ao vocabulário Wando. E, se você insistir em falar, a luz vai baixar, um globo de espelhinhos vai surgir e começar a girar e você vai ser visto como o mulatão barrigudo, usando apenas uma cueca cor de vinho e mordendo uma maçã. Pensa bem: mu-co-sa.
Preparei uma pequena lista de Palavras/Expressões Wando com o objetivo puro e simples de dizer não use, vai pegar mal. Não tente conquistar ninguém usando estas palavras, pelo amor de deus. Fora de questão, ok?
Mucosa
Fogosa
Abusa
Abusada
Gozo
Seduz
Anjo (ou meu anjo)
Safada
Fazer amor
Deusa
Glande
Seios
Ousada
Lânguida
Cangote
Nominho (nome no diminutivo)
Gazela
Chamego
Nua
Um cheiro
Devorar
Mordiscar
Lábios
Quero você
Fazer mulher
Jorro
Amante
Olhar (substantivo)
Carnuda
Brejeira
Pele de pêssego
Madura

PS: Agradecimento a Michel pela ajuda na elaboração da lista.

16/12/2009

Rei


Ele nunca acertou um corte de cabelo na vida. Já implantou uma pena atrás da orelha. Finge que beija e depois joga rosas colombianas cafonérrimas para a mulherada. Tem T.O.C. e é cheio de manias. É perneta. Namorou a Luciana Vendramini. Fez filmes medíocres. Oscilou de “Eu sou terrível” para “Nossa senhora, me dê a mão, cuida do meu coração” sem ninguém entender direito como isso aconteceu. Pede um café para dois. Usa as maiores ombreiras do mundo e tem uma coleção de ternos azul celeste.
Mas ele pode. Pode porque é Rei e rege uma multidão de súditas do sexo feminino, que já viraram o Cabo da Boa Esperança, usam estampas de oncinha e zebra. E balançam suas cabeças de nuvens branquinhas, com alguns tons de lilás ou disfarçadas em outros tons de gosto duvidoso como o próprio Rei costuma pregar. Todas lutando contra a lei da gravidade, exatamente como ele.
Aliás, como ele também costuma dizer pelo menos uma vez por ano na Rede Globo, eu fui obrigada a repetir: Que prazer. Que maravilha estar aqui.
A gravação do especial de fim de ano do Robertão foi ontem. Eu fui, cantei, dancei, berrei, me debulhei chorando quando ele cantou Detalhes (sempre choro ouvindo Detalhes), pirei nas velhinhas que estavam em êxtase. Elas ousaram e gritaram despaupérios como: Coisa de loucoooo! Lindooo! Roberto, eu te amoo.
Como se isso fosse a coisa mais doida que fizeram na vida. Se bobear, foi.
O Rei é foda. Bom demais. Gentil, diz tudo o que aquelas senhorinhas gostariam de ouvir. Paguei muito pau. Gosto de absolutamente tudo das antigas. Ouço muito, tenho CDs, vinis e sei as letras inteirinhas. Programa obrigatório e inesquecível. Estou doida para contar para os meus netos.

Em terra de cantor, quem tem uma perna é rei.

23/11/2009

Texto para combinar com a foto


Admiro gente que se apaixona e se joga lindamente, como se não houvesse amanhã. Para falar a verdade, eu também me jogo. Mas enquanto alguns sobem na plataforma de mergulho e dão um salto ornamental rebuscado e cheio de piruetas, caindo sem esguichar nenhuma gota em volta, eu costumo me jogar de barriga.
E se você já foi criança um dia e já tentou se jogar de barriga para fazer seus amigos rirem, sabe o quanto isso pode ser dolorido e o estrago que faz em quem estava sequinho, só assistindo.
Acho que o que mais me diferencia dos saltadores ornamentais é que eles treinam incansavelmente, calculam os movimentos, aprendem todas as técnicas, alongam, tomam uma ducha fria antes para evitar choques térmicos. Eu já me jogo da mesma maneira instintiva com que a paixão vem. Saio correndo, chuto os dois pés de Havaianas no caminho, um para cada lado, tomo impulso e pulo de braços abertos.
Não acho que tem a mesma graça quando tudo é pensado e feito para agradar meia dúzia de jurados. Prefiro sair da piscina contorcida de dor e ver todo mundo se matando de rir da palhaçada do que aturar os olhares blasés de jurados que, diante de um salto tecnicamente perfeito, têm a coragem de levantar uma plaquinha com a nota 4,75.

Fiquei horas pensando num texto que combinasse com esta foto. Simplesmente passei mal de rir quando vi (e ainda passo). Tinha que ser ela. Só me ocorreu isso. Espero que você também goste.

04/11/2009

Sivuca's legs


Não é uma questão de otimismo ou pessimismo como olhar um copo meio vazio ou meio cheio. É uma questão de necessidade, de noção, de senso do ridículo.
Que história é essa de depilar meia perna? Só do joelho para baixo?
Ok, eu sei que dói menos. Eu mesma já fui adepta desta moda anos 80/90 introduzida por Malu Mader em Top Model.
Mas, para você ter uma idéia de como o tempo passou, nessa época Taumaturgo Ferreira era galã do tipo rebelde.
Precisa depilar tudo. A perna toda. Senão você fica com meia perna peluda. Simples assim. E não adianta descolorir os pelinhos porque isso só te deixa com meia perna do Sivuca. A coxa do Hermeto Pascoal. É isso que você quer? Não, né? Então pronto.