24 de nov de 2008

Maverick X Iceman

Eu aprendi que tinha hormônios femininos na escola. Mas só descobri que eles saíam pelas orelhas vendo o magnífico, estupendo, formidável, inenarrável jogo de vôlei de Top Gun. Maverick X Iceman no vôlei de praia causaram uma ebulição sem precedentes neste corpinho. Não sei quantas vezes eu vi e revi esta cena.
O oráculo Google acabou de me contar que isso foi em 1986, e eu devia ter uns 12 anos. Tarde para os padrões atuais. Nessa época eu brincava de Barbie com a Patrícia, a Marcinha, a Francelle e a Adriana. Está certo que as brincadeiras não tinham nada de inocentes, nossas Barbies e Susies eram com-ple-ta-men-te depravadas e a gente nem colocava mais roupinha nem fazia penteados, de tanto que elas transavam com o Bob (anterior ao Ken) e o Beto (aquele cafona). Mesmo assim, eu era muito mais criança do que uma menina de 12 hoje.
Mais ou menos um ano antes de Top Gun eu tive um ensaio disso tudo, de toda essa (como é que eu posso dizer sem ser indelicada) euforia. Foi com a minissérie O Tempo e o Vento, na TV. Mais precisamente nos episódios de Ana Terra. Muito, mas muito mais precisamente quando aquele índio apareceu na vida dela. “Isso é fogo de moça”, explicou a mãe dela. Lembro direitinho. Tive um súbito interesse por Érico Veríssimo e tratei de ler o livro, que fez um efeito bem mais ameno, mas eu não esquecia do índio. Que índio era aquele?
De repente o índio ficou pequeno, virou paisagem. Que jogo de vôlei foi aquele? E o melhor (não sei se você lembra): antes do jogo acabar, Tom Cruise, completamente suado, coloca uma camiseta branca, a famosa jaqueta de couro e vai, sem banho, ter sua primeira noite de amor com a gata do filme. De novo: sem banho. Afe, aquilo foi fetiche demais para mim, para a Patrícia, para a Marcinha, para a Francelle e para a Adriana. Se bobear, a gente fala nisso até hoje.

20 de nov de 2008

Sinceridade Feminina

Fazia um ano que eu não encontrava esta amiga.
Fomos almoçar juntas e eu estava falando alguma coisa importante, quando percebi algo que eu odeio. Sabe quando você está falando e a pessoa, visivelmente, está com a cabeça em outro lugar? Os olhos ficam passeando ao redor e ela não está ouvindo o que você diz. Continuei falando, o assunto era sério, até que ela admitiu o que estava acontecendo:
- Flávia, desculpa mas tu estás falando e eu aqui, pensando em outra coisa. Tu precisas fazer uma hidratação no cabelo num lugar que eu descobri. É aqui perto e é baratinho. Vai lá, que não precisa marcar horário. Vai definir os cachos e reduzir um pouco o volume do teu cabelo.
- M-mas eu gosto do meu cabelo assim, volumoso.
- Ah (desapontada), mas esses fios mais arrepiados iam desaparecer.
Para mim, meu cabelo estava ok. Mas se ela falou isso, mesmo com assunto de um ano acumulado, é porque a coisa está grave.
Mulher é mesmo um bicho esquisito. Mas amiga é para estas coisas.

Sinceridade Feminina 2

Minha amiga colocou silicone e fez lipo. Nosso amigo, empolgado com o resultado, foi falar com ela:
- Você ficou ótima. Acho que tem que fazer mesmo. Eu agora vou fazer uma dieta e começar a malhar. Se depois de perder peso, eu perceber que ficou gordura localizada, vou fazer uma lipo também.
A amiga respondeu:
- Claro. Eu, se fosse você, aproveitava a anestesia e já colocava um queixo.
( ! )

17 de nov de 2008

Vera Loyola e naftalina

Ontem eu resolvi dar uma geral nos meus-livros-meus-discos-e-nada-mais e dei de cara com Totalmente Vera Loyola. Uma biografia para lá de autorizada que eu tive a coragem e o prazer não muito convencional de ler em 2001. Abri para recordar as pérolas e percebi que ele estava todo sublinhado. E com razão.
O livro é dividido em capítulos com títulos sugestivos como: Bateu, Levou, Emergente benemerente, Não há um dia em que não esteja na mídia, Eu sou a modernidade social e Desafetos. Todos recheados de citações deste naipe:
“Eu estava elegantíssima num tomara-que-caia roxo-batata”
“Não considero meus amigos fumantes párias ou sem-vergonhas. Acho-os dignos de cuidado, torço para que eles encontrem um tratamento para abandonar este companheiro tão prejudicial quanto indesejável”
“Agora uma curiosidade: não é só no Brasil que existem os trombadinhas, os pivetes. Fui assaltada em Paris”
“Vera se acha realmente uma pessoa a quem Deus delegou uma missão. No caso, de sacudir, alertar, chocar, encantar, espantar, encarar, fazer sonhar, partilhar, emocionar, dividir opiniões e, sobretudo, gritar para que o povo a ouça. Nesse sentido e até pelo perfil físico e psicológico, tem tudo a ver com Evita Perón. Se derem um balcão a esta mulher, o Brasil que se cuide”. Vai dizer que você não concorda? O Brasil que se cuide.
Adorei Conhecer é o título do capítulo mais cara-de-pau de todos. Ela deve ter achado que 100 páginas eram muito pouco para uma biografia daquele quilate e não teve dúvidas: fez uma lista de 18 (eu disse dezoito) páginas, com nomes completos de pessoas que ela gosta, com um nome por linha, centralizados na página. Já o gran finale é chamado Momentos de Sabedoria, capítulo em que ela fala sobre os livros que leu “ao longo da vida”. “Li Jorge Amado, é claro, alguma coisa do Machado de Assis e, dos dias atuais, Paulo Coelho”. É claro. E termina assim: “Um dos meus mais assíduos fãs, que sabe do pouco tempo que me sobra para atividades intelectuais e da minha paixão por citações – daquelas construtivas, profundas, que fazem você pensar, me envia semanalmente várias dessas pensatas. Vou dividir com vocês algumas delas.” E tasca mais 4 páginas de citações com autoria de Pitágoras, Sócrates, Vinícius de Moraes e Henry Ford, entre outros. Um deleite.
Ficou a fim? Joga no Google que eu vi por R$ 4,00. Comprei o meu na banca de revistas. Aliás, voltei para procurar o livro do Alexandre Frota, mas infelizmente estava esgotado. Se alguém tiver, eu negocio.

13 de nov de 2008

Resposta pilantrucha para uma pergunta imbecil

Quais foram as duas coisas mais fantásticas que aconteceram na sua vida?

Conhecer gente inteligente e nadar pelada no mar.
Não necessariamente nesta ordem. Pode misturar.


(E você? Conta aí.)

12 de nov de 2008

Simples e impossível

Você está jogando os caroços de melancia na lata de lixo e um deles cai no piso da cozinha. Simples. Agora cata o caroço que eu quero ver. Impossível.

Parecido com isso: você deixa um CD cair no chão. Se o piso for de madeira ou porcelana, você até consegue arrastar o CD até o rejunte. Agora se o piso for liso, é impossível tirá-lo de lá. Sabe aquele barulhinho que faz quando se cria um vácuo entre o CD e o piso? Esquece.

Você serve uma fatia de pudim num pratinho. Come quase tudo em segundos. Mas precisa de minutos para conseguir pegar a última colherada. Não, não vale usar o dedão. O pedacinho de pudim vai percorrer toda a superfície do prato, arrastado de lá para cá pela colher, e você não vai conseguir pegá-lo tão cedo.

Eu sei a quantidade exata de feijão que preciso colocar em cima do arroz para ficar do jeito que eu gosto. Mas inverteu, ferrou. Nunca na minha vida acertei a quantidade de arroz que é preciso colocar em cima do feijão. Sempre coloco de menos ou a mais.

Minha vida amorosa também anda assim. Deveria ser simples mas tem horas que dá vontade de desistir. Mas daí lembro que nunca deixei nenhum CD ou caroço de melancia jogados por aí, nunca deixei de comer arroz e feijão nem nunca dispensei o último pedacinho de um pudim de leite. Não tenho a menor idéia do que eu tenho que fazer. Mas continuo tentando.

10 de nov de 2008

Efeito Peruca

Almoço com amigos no shopping mais nariz-empinado de São Paulo. Odeio shoppings, mas amo os amigos. Fomos tomar o cafezinho no quiosque do 1º andar, como sempre. De repente chegam dois homens, do outro lado do balcão, e fazem o pedido.
Nada mais natural se um deles não usasse peruca. Lógico, todo mundo reparou que era peruca, apesar de ter exatamente a mesma tonalidade do resto do cabelo e de ser uma dessas perucas caras. Ele poderia estar usando uma black power da 25 de Março, uma prateada a la Cher, uma colorida e espetada tipo Baby Consuelo, que daria na mesma. Era peruca. Ponto.
Eu olhei, meus amigos, nós, vós, eles, todo mundo olhou. Mas todo mundo é educado e disfarçou. Exatamente como o dono da peruca, fingimos todos que nada estava acontecendo. Mas daí aconteceu o mais curioso de tudo: imediatamente, todas as pessoas que estavam no café começaram a falar sobre cabelo, tintura acaju, grisalhos, calvície e, é claro, gente que usa peruca. O homem não ouviu um pio, nada nem ninguém tirando sarro dele. Nenhum comentário maldoso. Mas teve que engolir o café ouvindo pedaços de frases soltas de cada um dos grupinhos ao redor: Você viu a tintura acaju do Fulano? Meu cabelo está horrível hoje. Força na peruca. Chega uma hora que tem mais é que passar máquina zero e assumir. Tenho um tio que usava peruca. Usei um aplique fantástico na balada ontem.
Juro. Achei um fenômeno sensacional. Não comentei nada e acho que ninguém mais percebeu. Ao contrário da peruca.