
Caio Fernando Abreu deixou um comentário no meu blog. E eu fiquei lisonjeada. Não acredito que ele lê. E que gosta. Preciso responder. Mas peraí. Ele já morreu. Deixa eu entrar no google um minutinho que vejo até em que ano foi. Que estranho. Não tem nenhuma referência da morte dele no google. Mas eu lembro que ele morreu. E que eu fiquei bem triste porque adoro tudo o que li dele. Deve ser alguém me sacaneando. Mas quem? Acordei nessa dúvida. Foi ele ou não foi? Quando vi que era sonho, poderia ter sido ele. No sonho. Fiquei com tudo nítido na cabeça. Isso acontece sempre. Lembro do cheiro, da luz, da cor. Sempre é bem colorido.
No aeroporto de Porto Alegre, voltando para São Paulo, o vôo vai atrasar. Vou comprar um livro do Vargas Llosa. Mas pera, os pocket books são mais baratos deixa eu ver o que temos: Caio Fernando Abreu. Comprei os 2 dele que estavam disponíveis. Comecei a ler o maior porque o vôo ia atrasar e este ano eu ando devoradora.
Já em São Paulo, 2010 começando na correria que eu gosto. Mil vezes isso do que o marasmo. Cheguei tarde em casa e entendi o motivo do sonho e do comentário do Caio e o porquê de tudo ainda tão nítido na minha cabeça. Tudo ficou claro, transparente quando li cada uma daquelas palavras que se encaixaram como uma luva. Me senti um sapo dissecado no laboratório. Era isso. Era sonho.
Obrigada pelo comentário no meu blog e por escrever Onírico. E por me recomendar esta leitura do jeito que você recomendou. Obrigada por ler, mesmo em 1991, o que um dia seria minha mente tortuosa. Obrigada por me explicar tudo.
Virei a página e ainda encontrei outra citação, que me ajudaria a finalizar este texto que só diz respeito a mim, mas que precisava ser escrito, porque foi aqui que ele começou.
“Talvez seja um pouco cifrado, mas para um bom leitor certo mistério nunca impede a compreensão.”