27 de ago de 2006

Novela Mexicana

Adoro novela. Desde sempre. Assiti muitas e tenho uma memória fora do normal para nomes de personagens, aberturas do Hans Donner e tudo mais. Assisto sempre que posso, choro e sim, tenho um pouco de VPP (Vergonha Pela Pessoa) quando vejo alguns diálogos muito estúpidos. Acelerei muito na marginal para não perder os últimos capítulos de Belíssima.
Mas da mesma maneira que é difícil entender como alguém pode gostar de cinema iraniano, muitos apreciadores de novelas não entendem como é possível gostar de novela mexicana.
Amo. É mais do que adorar. Se você fizer um pequeno esforço inicial e tentar gostar, vai virar fã rapidinho. E isso um dia vai ser útil. Vai por mim.
Com o tempo você começa a entender o por quê daqueles cabelos. Da maquiagem excessiva. Dos nomes sempre compostos. Do enredo que é sempre o mesmo: a menina linda e paupérrima que veio do interior para trabalhar na casa de uma família de bacanas da cidade grande e, logo nos primeiros capítulos é ingenuamente seduzida pelo playboy casado e filhinho de mamãe (porque no México mamãe é muito mais importante que papai). Todas as novelas mexicanas começam assim. E depois que a caipira é humilhada e percebe que foi ludibriada, passa o resto da novela trabalhando que nem um camelo, fica milionária, muda de nome e reaparece na vida do playboy fdp em busca de vingança. Mas o destino se encarrega de fazer com que o playboy fdp não só se arrependa, mas perceba que ama aquela mulher. Ela, que já chorou a novela inteira e depois de rica usa muito (eu disse muito) mais rímel, finalmente sucumbe a essa paixão pra não ficar feia na tela. E fim. É sempre assim. E eu descobri o motivo de ser assim.
É o mesmo princípio dos Teletubbies com as crianças: tão repetitivo que é pedagógico. Novela mexicana deveria ser indicada pelos terapeutas para as mulheres da minha geração. Ali estão todos os conflitos básicos apresentados com um exagero didático para que a mulherada aprenda a não cair no conto do vigário, não se meter com homem casado e, nem de longe, confiar na sogra. E se por acaso um dia você estiver quase sucumbindo a alguma dessas roubadas tão clichês e achando que com você tudo vai ser diferente, tente se imaginar com uma tintura loura muito amarela, muita sombra azul e cajal escorrendo com as lágrimas. Pensa no papelão e sai dessa. Faça como as mulheres mexicanas: força na peruca e potência no laquê.

3 comentários:

laila disse...

"um exagero didático" foi o melhor.

gui disse...

Quero mais, quero mais, quero mais!!!!

Cibele disse...

Não vou me esquecer!