16 de jan de 2007

A outra voz

Não sei se existe explicação científica, mas todo mundo tem aquela outra voz para falar com namorado(a), marido(a) ou cachorro(a). Uma voz que oscila entre o infantil e o imbecil e que não é opcional. Por mais que você tente evitar, é ela que sai da sua boca quando você fala por telefone com o bofe ou quando vai coçar a barriga do peludão. Ela aparece onde você estiver, sem distinção: na rua, na chuva, na fazenda, numa casinha de sapê, numa reunião de trabalho, numa mesa de bar com os amigos, na fila de supermercado, no cinema. Um inferno.
Tem gente que consegue deixar isso ainda mais requintado: como se não bastasse a voz, ainda cria um vocabulário próprio, com palavras, vogais e consoantes trocadas. E muito, muito diminutivo. Não é mais amorzinho, mas amojinhu. Não quero pode ter a versão não quelo ou num telo, dependendo do grau de intimidade. Não vou nem entrar no mérito dos apelidos para não me estender. Porque existe a categoria que substitui o nome do indivíduo e a outra, que vai mais longe e insiste em colocar nomes fofos nos órgãos genitais do parceiro.
O fato é que todo mundo sabe que é ridículo, que é tosco, mas também que é uma delícia ter esse ímpeto de falar axim com alguém. Essa deve ser a tal voz que vem do coração, que todo mundo vive dizendo para a gente escutar. Sei não. Se for ela, escuta mas dá um desconto. Que essa voz não é nada confiável.

(O espaço dos comentários está aberto para você contar o seu jeitinho de falar. Ou o jeito daquele primo de um amigo seu, se isso te deixa mais à vontade. Pode postar como anônimo, bobo.)

3 comentários:

Mari disse...

agua diii cocooo

luiz disse...

Mamae e papai se chamam de SAL pq um eh o tempero da vida do outro

Anônimo disse...

Cebolinha vc come acelga?
-Eu como a ceuga,a mulda e ate a parapleugica.