
Admiro gente que se apaixona e se joga lindamente, como se não houvesse amanhã. Para falar a verdade, eu também me jogo. Mas enquanto alguns sobem na plataforma de mergulho e dão um salto ornamental rebuscado e cheio de piruetas, caindo sem esguichar nenhuma gota em volta, eu costumo me jogar de barriga.
E se você já foi criança um dia e já tentou se jogar de barriga para fazer seus amigos rirem, sabe o quanto isso pode ser dolorido e o estrago que faz em quem estava sequinho, só assistindo.
Acho que o que mais me diferencia dos saltadores ornamentais é que eles treinam incansavelmente, calculam os movimentos, aprendem todas as técnicas, alongam, tomam uma ducha fria antes para evitar choques térmicos. Eu já me jogo da mesma maneira instintiva com que a paixão vem. Saio correndo, chuto os dois pés de Havaianas no caminho, um para cada lado, tomo impulso e pulo de braços abertos.
Não acho que tem a mesma graça quando tudo é pensado e feito para agradar meia dúzia de jurados. Prefiro sair da piscina contorcida de dor e ver todo mundo se matando de rir da palhaçada do que aturar os olhares blasés de jurados que, diante de um salto tecnicamente perfeito, têm a coragem de levantar uma plaquinha com a nota 4,75.
Fiquei horas pensando num texto que combinasse com esta foto. Simplesmente passei mal de rir quando vi (e ainda passo). Tinha que ser ela. Só me ocorreu isso. Espero que você também goste.