
Valeu cada centavo. E não foram poucos. Não vou nem entrar no mérito do evento com produção mixuruca e telões bagaceiros para ingressos tão caros. Vou entrar no mérito da Amy. E ela foi foda. Exatamente do jeito que eu imaginava que seria. Pouco à vontade com gente demais, insegura e procurando a cumplicidade da banda ao final de cada música. Com os olhos cheios de lágrimas em alguns momentos. E eu em quase todos.
Tinha horas em que eu me perguntava: isso é playback? Lógico que não era. Toda aquela voz sai mesmo daquela caixa torácica minúscula, de uma criaturinha frágil e, agora, exageradamente peituda. Exagerada, não. Intensa é a palavra pra falar dela. O que fazia parecer playback é um show daquele tipo acontecer no lugar errado. Amy merecia um ambiente menor, com um som à altura da ótima banda que ela trouxe e onde ela pudesse se sentir mais confortável do que no Anhembi bombando. E, de preferência, com gente mais bacana assistindo.
Não páro de ler e ouvir gente falando mal do show. E só posso lamentar que estas pessoas não tenham entendido nada. Ela é antisocial, não gosta de multidão nem fica bajulando platéia. Pelo contrário: se um fã chegar querendo abraçar e ficar perto demais ela retribui com um sonoro soco na cara. O que as pessoas queriam num show da Amy? Um microfoninho apontado pra platéia e um “agora é com vocês” em português decorado? Erraram de show, meus amores. E agora vão ficar descendo a lenha numa das poucas pessoas autênticas que a gente teve a oportunidade de ver ao vivo.
Eu, que só gosto de música de gente morta ou que já está no bico do corvo, fico realmente animada por ser contemporânea de alguém como ela. Que erra, se expõe, se droga, cai, levanta, aumenta o peito, perde o dente. E canta muito. Ela é um pontinho topetudo no meio de um mundo de celebridades politicamente corretas, que se casam virgens, são vegetarianas e contam tudo o que fazem no twitter.
Mil vezes ir num show de alguém que você nem sabe se vai ter condições de chegar, a ouvir as súplicas de um cantor de rock’n roll para ajudar os golfinhos e as baleias. Se eu quisesse ouvir falar de golfinho, ia numa palestra do projeto Tamar, meu amigo. Canta aí e não enche o saco.
Mas canta com a alma. Como a Amy.