21 de out. de 2013

Toda pink

Tem gente que assiste Jornal Hoje ou lê alguma Revista Caras do ano passado. Eu observo cada ser vivo existente na sala de espera do médico.
O ouro está sempre em algum ponto entre a orquídea comprada no Pão de Açúcar e a recepcionista, por quem nutro uma estranha e sincera inveja. Normalmente sacrifico meu horário de almoço para estar ali e penso em como seria mais simples a vida se meu trabalho fosse ficar atrás de uma mesa, das 8 às 16h, atendendo telefonemas, organizando uma agenda e falsificando a assinatura de alguém para o recibo do reembolso.
Desta vez, quem brilhou e ganhou toda a minha atenção foi a perua que decidiu fazer uma ligação importante mas não confidencial. O que todos percebemos pelo tom de voz no celular.
Oi, eu queria encomendar um bolo de aniversário para minha filha. Ela é uma “It Girl”, toda pink. Para você ter uma ideia, o apelido dela é “Diva”.
Foi nessa hora que eu peguei meu caderno e minha caneta na bolsa e comecei a transcrever o que vem a seguir.
Eu sei que bolo agora é naked, talvez vocês achem muito clichê, mas pensei num bolo em formato de bolsa ou de uma menininha toda loira, toda pink. Mas não bolsa Chanel, que eu já enjoei. Aquela mulher (Coco Chanel, suponho eu) precisa se mexer (!!!), mudar alguma coisa (??). Sério… Pensei numa Valentino. Posso mandar fotos das minhas para vocês se inspirarem mas elas são todas pretas e, para ela, precisa ser (adivinha) super pink, super menininha, que ela se veste super bem, toda na moda, toda bonitinha. As bolsas dela são mais da Hermès, que ela usa atravessadas, super fofinha. Mas eu queria Valentino. Tudo menos Chanel. Afe (num tom de eca). Ela faz 19 anos (tomei um susto porque imaginei uma menina-toda-pink com, no máximo, 10). Vai ser uma surpresinha. Bebida? Champagne (claro, hello!). Tá ótimo este preço. Meu marido está viajando. Ele volta quinta dos Estados Unidos. (isso foi dito assim, do nada mesmo. Só para constar.) Ai, que bom. Vocês são ótimos. Obrigada.
Então ela olhou para mim, sorriu e disse: Pronto.
Provavelmente aquilo queria dizer que tudo o que ela tinha para fazer naquele dia estava feito. Ao contrário de mim que, além mofar mais 40 minutos e voltar para o trabalho, agora também precisava chegar em casa e escrever isso.

13 de jul. de 2013

Para Cora, com todo o meu amor.


Desde que me conheço por gente uma escadaria pode virar palco, a lâmpada que ilumina o arbusto da praça vira holofote do meu show, caixa de papelão e lanterna se transformam em teatrinho de sombras. Tive amigos imaginários, cheguei a acreditar por um tempo que era a Emília do Sítio do Picapau Amarelo e esse negócio de faz de conta sempre funcionou muito para mim. Em parte porque criança é assim mesmo. Mas muito e definitivamente porque eu tenho a Cora.
Minha tia, fada madrinha, inspiradora, a melhor contadora de histórias do mundo que eu e meus irmãos tivemos a sorte de ter sempre por perto. Acho difícil lembrar de momentos da nossa infância em que ela não estava. Colada na gente.
Ela entendia a riqueza e a fertilidade da nossa imaginação. Mais do que isso: ela amava estar na nossa companhia e adorava a maneira como a gente acreditava na realidade revisitada por ela. Ela escolhia um tema, enfeitava, colocava purpurina, cobria com calda de chocolate e a conexão com a gente acontecia sem forçar barra nenhuma. Desenhava, pintava quadros, cantava, fazia comentários ácidos, cozinhava mal, escrevia. Afe, como ela escrevia.
As histórias dela eram mais interessantes do que a dos livros (que ela também nos ensinou a adorar) porque a gente ouvia enquanto ia bisbilhotar pessoalmente a casa da bruxa malvada. Ela nos colocava no fusquinha creme (que hoje eu tento imitar) sem cinto de segurança, pegava uma estrada de terra e parava perto de uma cerca de onde a gente podia observar uma casa de madeira cinza escuro. Lá vivia uma velhinha com uns 40 gatos. Brigilda era o nome da bruxa. E a gente ficava ali de tocaia até vê-la saindo pela porta. Nessa hora ela ligava o carro, acelerava e a gente fugia com o coração saindo pela boca.
Foram tantas e tantas histórias. E nunca houve sequer uma piscadela de olho ou qualquer sugestão de que aquelas coisas não eram a mais pura verdade.
Só no ano passado ela mesma me revelou que a bruxa era uma senhora que fabricava flores artificiais. Que as flores de pessegueiro eram lindas e ela mesmo encomendava de vez em quando. Acho que isso foi a única coisa que eu jamais poderia imaginar sobre a Brigilda.
Todo o resto eu imaginei. E se hoje eu desconfio que sei escrever e que consigo olhar para a realidade de uma maneira mais colorida ou, às vezes, muito mais escura, tenho certeza de que é pura influência dela.

Ontem uma grande parte da minha alegria e de tudo o que eu sou desapareceu. Vai dar um trabalhão começar a imaginar e inventar um jeito de viver sabendo que a Cora não está mais aqui.

13 de nov. de 2012

Love Hurts

Ela encontrou o homem da vida. Ficou noiva. Ia casar. Amava tanto que perdeu a noção e chegou a contratar aqueles telegramas ao vivo com bexigas em forma de coração e gente com voz de locutor de rádio AM lendo a poesia ruim que ela mesma escreveu. Tinha tanta certeza de que ele era o cara que tomou a medida extrema. Tatuou o nome dele na nuca. Diego, para ficar, under my skin.
Um ano depois eles deram um tempo. Romperam o noivado. Não era nada daquilo. Mas Diego continuava lá, atravessado no meio da nuca. Ela poderia remover a laser. Cobrir com outro desenho qualquer, colocar uma pedra em cima.
Eu sugeri que fizesse melhor.
Deixa o Diego aí. E logo abaixo você escreve Maradona. Muita gente vai achar curioso. Alguns vão fazer perguntas e dizer que nem imaginavam que você fosse tão fã de futebol. Mas você sempre vai saber que usou o nome do craque para esconder o do perna-de-pau.

A imagem deste post é a capa da HQ independente do meu amigo querido e talentoso Mu Tron.
Veja aqui ou aqui. Já comprei o meu. É genial.

23 de out. de 2012

Mil palavras

Minha assessora para absolutamente todos os assuntos do lar tem quatro celulares. Um de cada operadora. Ela chega em casa, abre a bolsa e coloca todos em cima da bancada da cozinha como se fosse um arsenal. Diz ela que é para fazer economia. Mas me explica como se a parte dela nos diálogos é sempre mais (muito mais) ou menos assim:
Oi, tudo bem? Eu já ligo para você, pode ser? É que você ligou para o da Tim e o seu número é Claro… Deixa eu ligar de volta para você pelo da Claro, que a gente não paga. Isso… De Claro para Claro é de graça. O seu é da Claro. Esse meu é Tim. Não… O outro número que você tem é da Vivo. Vivo paga também. A não ser que o seu seja Vivo mas eu tô vendo aqui pelo número que esse é Claro, né? Você tem Vivo? Tem Oi? Desde quando, criatura? Da última vez que você me ligou não tinha Oi, não. Claro que tenho certeza, seu número da Oi eu não tenho... Você não me deu. Danada! (risos) Manda um sms para o meu da Oi e eu já salvo lá mesmo. Você tem o meu Oi? Espero… Pode falar… Sete, dois, cinco, sete. Isso. O meu é esse mesmo. Você tem crédito da Oi? Nem perguntei se você tinha crédito e já fui pedindo para mandar sms. Então manda porque eu não tenho. No da Oi eu só recebo. Ah, sei lá… Eu esqueço de recarregar. Isso... Então eu ligo pra você do da Claro e você já salva aí, beleza? Ó, chegou sua mensagem aqui no meu Oi. Apitou aqui do lado. Jura que você escutou? É que eu mudei de toque e coloquei um muito alto mesmo. Senão não escuto dentro da bolsa. Mas foi bom você me avisar que assim eu já diminuo um pouco o volume, que ninguém merece gente que deixa o celular tocando muito alto. Agora deixa eu desligar que esse da Tim vai ficar sem crédito. Melhor, né? Assim a gente não paga. Desliga que já te ligo. Beijo.

Só depois de toda essa introdução e de um consenso meio que tardio sobre que celular de que operadora liga para quem é que começa a conversa propriamente dita. Em outra ligação.

21 de ago. de 2012

A velha calça desbotada ou coisa assim

Você atende o telefone e as pessoas perguntam: que vozinha é essa? Está tudo bem?
Você tira os óculos de sol e as pessoas reparam: ué, que carinha é essa?
Você vai almoçar e alguém diz: que pratinho… Você não está comendo nada.
Você anda pela rua e a amiga afirma: você emagreceu. Nossa, que fininha.
Tristeza é uma merda. Não tem como disfarçar e eu, sinceramente, nem tento.
Acontece que, se por um lado você definha, por outro encontra certas compensações. Se emagreci como estão dizendo pode ser que agora caiba naquele jeans que eu amava e não me servia desde 2009. Será?
Você vai correndo até o armário, encontra “O Jeans” lá no fundo, esquecido. Enfia a primeira perna sem ter certeza se vai rolar, a segunda, vê que ele passa facinho pelos quadris, puxa o zíper, fecha o botão e é invadida por uma sensação unicamente incrível. Um feixe de luz entra pela janela, Os Pequenos Cantores de Viena no auge dos seus agudos viram trilha sonora, uma brisa surge do nada e agita suavemente seus cabelos, borboletas amarelas voam na sua órbita, tudo em câmera lenta, lógico. Serviu.
Então você sai de casa esboçando o primeiro sorrisinho espontâneo em semanas. E o primeiro amigo com alguma intimidade que encontra, comenta com cara de demônio: o que aconteceu com você? Que bundinha é essa?
Não resolve nada. Mas ajuda pacas.

Ah, importante. A ilustração ali de cima é do Millôr :)

26 de abr. de 2012

São Paulo é como aquele namorado feio, que está totalmente fora dos seus padrões mas que você ama loucamente. Suas amigas não entendem o que você viu nele. Sua família acha que você merecia coisa melhor. Mas você gosta, oras.
Antes de apresentar para os amigos você prepara o terreno: olha, ele não é nenhum Brad Pitt, mas é muito bacana. Sou apaixonada e tenho certeza que vocês vão se dar bem. Ponto. Assim você bloqueia logo qualquer tipo de comentário infeliz ou olhar torto. Amigo que se preze não vai cometer a indelicadeza de falar uma palavra depois que você explica que gosta dele assim, do jeito que ele é.
São Paulo não é facinho. Nossa, como demorou para essa história engrenar. No começo nem você levava fé. Só pensava em balada, todos os dias da semana, tudo não passava de uma amizade superficial. Mas depois de um tempo de convivência começou a rolar um clima, vocês foram ficando mais íntimos, encontrando mais afinidades. Tantas que você não se imagina mais longe dele.
Ele te conquistou pela inteligência, pelas sacadas geniais, porque vocês se divertem muito juntos, vão jantar em restaurantes incríveis ou preparam uma comida divina em casa mesmo. Ele tem um papo ótimo e faz você rir a noite inteira até perceber que o bar já fechou e que vocês são os últimos clientes.
Claro, ele tem um monte de defeitos. Mas tem muito mais qualidades do que muito cara lindo que você conheceu antes. Quando você percebe, já relevou e aprendeu a conviver com todas as imperfeições. Elas viram paisagem e não atrapalham mais nada.
Não dá para saber se esse amor será eterno. Se vocês vão constituir família. Mas mesmo que tudo mude, que vocês estejam bem longe e nem se vejam mais, ouvir falar o nome dele sempre vai fazer você sentir um friozinho na barriga.
Parabéns e obrigada, São Paulo. Pelos nossos 12 anos juntos.

21 de abr. de 2012

And now to something completely different

As vezes eu acho que não tenho mais o que escrever aqui. Daí a demora que vem se abatendo entre um texto e outro. Já falei sobre tanta coisa e não quero ser repetitiva. Tipo o Evandro Mesquita que insiste em relançar a Blitz cantando Você não soube me amaaaaaaaaar, só que com backing vocals piores. Então comecei a reler uns textos antigos e percebi algo muito louco e interessante: como eu mudei de ideia. Dou meus dois braços a torcer em relação a muitas coisas que escrevi outro dia. E viva a complexidade feminina. A coisa mais legal de ser mulher é que absolutamente ninguém mais espera ver sentido em nada do que a gente pensa ou sente. Vamos aproveitar e nos contradizer muito nessa vida. Por exemplo: o que eu escrevi aqui (isso é um link para o outro texto, tá?) não faz mais sentido nenhum para mim. Soa como aqueles textos idiotas atribuídos à Clarice Lispector no Facebook. E, se meu raciocínio procede, vai ver que ela escreveu mesmo aquele monte de porcarias e depois mudou de ideia. Definitivamente não acho mais que a gente não deve ter expectativa sobre as coisas. Durante muito tempo achei que expectativa era um boicote. Que não ter e ser arrebatada pelas supresas da vida era muito mais legal. Por alguns anos fiquei catando todas as minhas, enfiando em grandes sacos e jogando no fundo do Rio Tietê. Olha o que aconteceu com o Tietê. Tudo culpa das minhas expectativas afogadas. Mas não foi de um dia para o outro que eu mudei de ideia. Foi acontecendo, fui achando que essa história de “o que vier é lucro” é muito pouco. Que é uma tristeza achar que qualquer coisa está bom. Eu quero muito, do bom e do melhor. Não ter expectativas é como não planejar uma viagem. Ir e decidir lá onde ficar e o que fazer. Às vezes funciona e pode ser genial, mas além de ser uma perda de tempo, planejar, fuçar, ficar curioso sobre o que a gente vai ver é quase tão bom quanto recordar e olhar as fotos depois. Por que abrir mão disso? Eu ando cheia de expectativas e elas são muito bem alimentadas todos os dias. Vivem no teto da minha casa, no sótão, em cima do telhado. De vez em quando algumas escapam e vão para as nuvens, mas eu deixo. Quando e se as coisas boas que eu espero que aconteçam se realizarem eu também estarei nas nuvens e encontro as danadinhas por lá.

10 de fev. de 2012

Wando

Sempre achei o Wando genial. Já escrevi sobre ele aqui mesmo, neste blog. Já fui ver show, fiz reverência na frente do palco e ganhei uma cafonérrima rosa colombiana. Mas em 2011 tive a oportunidade de conhecer e tietar muito o Wando por conta de um trabalho. E descobri que além de muito figura, ele é gente boa demais.
Quando chegou no estúdio para gravar, não era o Wando canastrão que eu tinha visto no show. Na verdade, tudo aquilo é um personagem que ele foi construindo com o tempo e que só aparece quando ele liga o microfone ou sobe no palco. Pode procurar uns vídeos antigos e reparar nas próprias letras das músicas. Ele começou fazendo samba e, só depois de cair no gosto da mulherada, começou a compor pérolas como “Vem minha safada, vem minha bandida, minha descarada, (…) vem matar o desejo desse teu animal”. Sinceramente, esta fase “obscena” é a que eu mais curto e conheço.
No estúdio ele chegou calmo, profissa, quase sério. Mas num dos corredores da produtora, passou por uma tiazinha da limpeza que, ao vê-lo, não conseguiu disfarçar a empolgação. Ele percebeu e, na hora, girou o botãozinho do personagem mode on. Falou, olhando nos olhos dela: “Quando eu acabar de gravar minha música a gente vai tirar umas fotos, eu e você. E a gente vai arrebentar”.
Nem preciso dizer que a tiazinha quase desmaiou de tanta alegria. Ele sabia exatamente quem precisava agradar como ídolo e como profissional. Gênio.
Depois, lógico, eu comecei a fazer perguntas. Ele me contou da coleção de 18 mil calcinhas. Perguntei onde ele guardava tudo isso e ele desconversou, dizendo que iria usar todas para fazer o cenário da próxima turnê. Isso nunca aconteceu. Mas seria genial (de novo). Perguntei da maçã, que ele sempre tem nos shows, e ele disse “que o nome dessa fruta deveria ser mulher” (uhuuu!!). E perguntei também sobre os pêssegos em calda, que ele distribui para as fãs no show. Ele respondeu: “Meus shows têm um ritual, são uma espécie de culto. E, por isso mesmo, têm que ter a hora da comunhão. Se na igreja elas ganham hóstia, no meu show elas ganham pêssego em calda. Mas eu me divirto: coloco logo o pêssego inteiro, com caroço e tudo. As mulheres fazem fila e eu coloco o pêssego na boquinha. E a boquinha é pequena demais pra tanto pêssego. É muito divertido ver a mulherada tentando acomodar aquele pêssego enorme na boca. Eu e a banda nos divertimos. Risos”.
Risos gerais.

2 de jan. de 2012

Um lugar mágico

Confesso que me dá um pouco nos nervos essa obrigatoriedade de ir para algum lugar cool e paradisíaco nas festas de final de ano. Mas hoje você vai me desculpar porque eu vim aqui para me vangloriar.
Não sei você, mas eu passei o Natal e quase toda a semana passada num lugar perfeito. Não lembro de ter sido mais bem tratada na vida. Depois da recepção calorosa, fui direto para uma suíte iluminada e cheia de mimos. E eu não estou falando de xampuzinho bom nem de chocolate belga, my dear. Para você ter uma ideia, tinha até um pijaminha lindo, de algodão, do jeito que eu gosto e do meu número (como eles descobriram o meu número?). De dia fez um calor super agradável e à noite era frio suficiente para dormir de cobertor. O lugar não tinha praia nem coqueiro, muito menos gente me abanando com plumas, mas era mágico de verdade. Coisa de cair o queixo. Bastava eu pensar: hummm, que vontade de comer tal coisa e a tal coisa se materializava na minha frente. Plim! Simples assim.
O café da manhã não tinha hora para acabar. Se eu quisesse acordar às 4 da tarde, tinha café feito na hora com pão caseiro (de novo: como eles adivinharam? Há muito tempo não comia pão caseiro). Quando eu pensava, por exemplo, que queria tomar um banho, não precisava dizer nenhuma palavra e uma toalha limpinha e felpuda, dessas que os rock stars exigem no camarim, se materializava nas minhas mãos. Coisa de louco.
E olha a coisa da mágica outra vez: em vez daquela depressão pós-férias que a gente costuma sentir quando sai de um paraíso e tem que voltar à realidade, desta vez eu voltei toda serelepe.
Até pensei em colocar o link para você tentar fazer uma reserva para o ano que vem. Mas este é o tipo de lugar que, se todo mundo descobrir e começar a frequentar, vai deixar de ser mágico.
E depois, a casa dos meus pais só tem mais um quarto disponível, além do meu. E eu e meus irmãos, que não somos bobos nem nada, já temos nossa reserva cativa.
Feliz 2012 para você que não troca estar na companhia de quem mais ama por nada deste mundo.

2 de nov. de 2011

Síndrome da Balada Errada

Você acorda num daqueles dias cheios de inspiração. Quer fazer alguma coisa muito legal. Dá alguns telefonemas e já encontrou companhia na mesma vibe. Eba. Todo mundo dá sugestões e vocês decidem ir para uma balada nova, que você já ouviu falar que é demais. Fechado.
Você se arruma toda, sai de casa se sentindo uma coisa de louco e vai mesmo.
Deixa o carro com o manobrista na porta e, ao entrar, realiza que não existe uma mísera alma no recinto que tenha a ver com você. A hostess pergunta se você está na lista de aniversário, você pensa "graças a deus, não" mas responde só "não". Então descobre que todas as mesas estão reservadas para os aniversariantes do dia. E eles são muitos. Beleza, vamos para outro lugar? Lógico. Agora. Cancela o cartão de consumação aí, vou pedir para o manobrista pegar meu carro de volta. Isso leva menos de 5 minutos. Mas passam-se 40 (quarenta) e o seu carro não chega. O cara responsável diz que o manobrista é novo e está perdido pelo bairro, há 40 minutos, no meu carro. O segurança fala baixinho: os manobristas daqui são muito folgados. Eu, se fosse você, chamava a polícia. Eu, que não sou louca de discordar com um segurança-armário, cato o celular e ligo, pela primeira vez, para o 190. Tiras, seguinte: o manobrista do lugar hype sumiu com meu carro. Vamos mandar uma viatura já. Antes da viatura chegar, aparece o manobrista perdido e devolve o carro. Tudo certo, exceto pelo fato de que perdemos uma hora para conseguir sair de uma balada mico. Chegam os tiras para averiguações, você se sente uma imbecil por estar ocupando o tempo da polícia com algo que já está resolvido. Mas fazer o que? Nem o segurança do local levou fé.

Na mesma semana, você sai para jantar e tomar “unas copas” com as amigas. Tudo super bacana e, quando já está batendo aquele soninho, outro grupo de amigos chega, de outro bar, e se junta a nós. E em vez de ficar tudo mais divertido, eles ficam insinuando que a gente está encalhada por não estar paquerando ninguém e apenas conversar entre amigas. O outro começa a beber tanto que engata numas histórias de infância sem fim que vão te enchendo de sono e desespero. O que era para ser uma noite despretensiosamente divertida vira uma tortura. Você deixa um cheque em branco assinado e, literalmente, foge do local.

Eu não sei você mas, quando algo assim acontece, é difícil não pensar que deve ser um sinal, que você não deveria ter saído de casa, que a idade está mesmo pegando. Eu juro que tento e que sou persistente, mas não está sendo fácil.

26 de set. de 2011

Piada pronta

Acabo de voltar do Pantanal numa viagem delicinha com a família. A caminho do hotel fazenda você já começa a ver os bichos que povoam todos os programas Globo Repórter que já assistiu na vida. Está todo mundo lá mesmo: ararinha azul, tamanduá bandeira, tuiuiu, juma marruá. De repente, a motorista do jipe chama nossa atenção: estão vendo aquelas emas? Elas estão cheias de filhotinhos. Aliás, elas não. Quem cuida dos filhotes são os machos. As emas põem os ovos e cabe ao macho protegê-los, fazer eles chocarem, os filhotes nascerem e crescerem.
Mr. Emo é pai solteiro e responsável pelos filhotes até eles serem praticamente adultos. Detalhe: várias emas diferentes podem entregar seus ovos para um único macho.
Claro que não foi, mas bem que poderia ter sido deste fato, a origem da expressão “Ema, ema, ema, cada um com os seus problemas”.

11 de set. de 2011

Procura-se

Na Augusta, perto da Galeria Ouro Fino, tinha um mendigo que vivia debaixo do toldo de uma loja. Ele e seus 2 cachorros vira-lata. Todo mundo que frequenta a região já deve ter visto o dito cujo deitado no chão, usando a barriga de um dos cães como travesseiro e lendo jornal. Todas as pessoas que trabalham nas redondezas lembram dele, que vinha pedir esmola e comida, de loja em loja, diariamente.
Ele desapareceu. E parece que sumiu das ruas porque a gerente da loja em cujo toldo ele vivia se apaixonou por ele, tirou ele da rua, deu banhinho e tosa. Nele e nos 2 cães. Reza a lenda que ele foi visto, irreconhecível, contando para todo mundo que a vida das ruas acabou. Bem apessoado, até. E do jeito que lia jornal, não deve ser um cara mal informado.
Se alguém tiver alguma informação do paradeiro, por favor, entre em contato ou deixe um comentário. Não o paradeiro do mendigo, que esse eu acabei de te contar. Quero saber onde foi parar o critério da mulherada, isso sim. A coisa não pode estar tão árida a ponto de alguém precisar ver potencial e adotar mendigo, né? Os politicamente corretos que me perdoem, mas o critério foi pra casa do chapéu. Acho preocupante.

PS: Tks, Fá!

11 de ago. de 2011

What a hell?

“Vou dar uma de advogado do diabo mas, blablablablabla”. Você já ouviu isso, sua mãe já ouviu mas, de uns tempos para cá, estamos todos ouvindo mais. No trabalho, na hora de comprar uma TV nova ou tomar qualquer tipo de decisão.
Longe de mim achar que as pessoas devem agir sem pensar. Até onde eu sei, pensar é o que nos difere dos animais. Eu não tenho atitudes idênticas às de uma ratazana ou de uma lontra justamente porque eu penso e elas não. Logo, vou pensar sempre, muito, graças a deus. Todo mundo que eu admiro pensa muito.
Mas, de vez em quando, todo mundo também pode fazer coisas instintivamente, baseadas apenas no feeling. Coisas que depois a gente vê como resolve. E é nesse momento que os tais advogados do tranca-rua se manifestam e se reproduzem como coelhos ao redor da gente. Sabe aquela sobrancelhinha levantada, que vem junto com uma tonelada pontos de interrogação e suposições inúteis?
Tira este peso dos meus ombros, meu rei. Se eu decidi me jogar, tudo o que eu não preciso é de alguém para me desencorajar, para me dizer não ouse. É o famoso “Se não vai ajudar, não atrapalha”.
Quer ser advogado do diabo, manda seu currículo para o inferno.

(A frase é agressiva, eu sei. Mas não encontrei outra melhor para fechar e mandei ver. Ando assim, agora.)

15 de jul. de 2011

Desculpe a intromissão

A foto do Dalai é para tentar me redimir. Mas eu simplesmente adoro ouvir o papo dos outros no restaurante, na padaria, no parque, no elevador. Faço isso sempre que posso.
Ontem ouvi um bom. O assunto já estava rolando animadamente mas me fisgou na hora em que uma das duas amigas falou em alto em bom som.
- Eu fui puxando e tinha uns 20 centímetros. Bem duro.
A outra disse:
- Sei como é: duro e espetado.
Ela concordou:
- Isso mesmo.
Quando eu estava achando que a coisa ia ser brilhante, com um potencial tremendo, a moça esclareceu:
- Será que eu já devia começar a pintar meus cabelos brancos agora?
A amiga.
- Não, boba. Você tem pouquinho. Arranca.

Moral da história: antes dos cabelos brancos aparecerem a vida é bem mais divertida.

8 de jul. de 2011

Perdendo pontos

Digamos que a primeira impressão que você causou em alguém tenha sido boa e agora vem a sua chance de mostrar um pouco mais sobre esta fonte inesgotável de carisma e sex appeal que você é. Nesta hora, é bom ter em mente que algumas coisas contam pontos positivos, outras, pontos ladeira abaixo. Fonte: o pessoal que eu conheço.

Evite falar “Com certeza”. Se você não tiver nada para comentar sobre um assunto, não diga nada. Falar “com certeza” é um sintoma de que você não é capaz de improvisar, de evoluir o papo. Ou seja: de que você não tem certeza de nada.

Se você tiver mais de 8 anos de idade, pense bem na hora de escolher a cor do seu esmalte e, por misericórdia, não pinte desenhos nas suas unhas. Nenhum. Nem paisagem com coqueiro nem estrelinha. Vai por mim. Se tiver menos de 8 anos, não use esmalte.

Você fez uma tatuagem, sabe que não sai mais. Ok. O que talvez você esqueça é que as pessoas podem ver as suas tatuagens. E nem sempre elas vêm acompanhadas da explicação ou do contexto que fez tanto sentido para você. Coisas escritas pelo corpo podem ser bem estranhas. Nomes de pessoas geralmente são uma grande cagada. Nem se for o nome da pessoa mais importante da sua vida, tipo sua mãe. Homem com nome da mãe tatuado, por exemplo, é motivo para terapia freudiana.

Você sabe escrever? Se sabe, você só precisa se preocupar com o conteúdo do que vai postar no Facebook ou mandar por sms. Agora, se não tem a manha, melhor ligar ou falar pessoalmente, tá? Gente que escreve errado é broxante (ou brochante?).

Não faça barulho para tomar café, cerveja ou sopa. Bebe direitinho, como sua mãe ensinou que era bonito. Se ela não ensinou, aceite o toque.

O que você gosta de assistir na TV é problema seu. Mas não saia por aí incorporando os bordões da Rede Globo nas suas frases. Nem da novela, nem dos apresentadores, nem dos quadros do Zorra Total. Acho isso “mara”, “tô pagano”, gosto do Fulano “no pessoal e no profissional”. Você pode fazer melhor do que isso. Força.

Ah, importante: não use calça saruel.

26 de jun. de 2011

Caramba, ficou tudo tão diferente.

É aqui mesmo. Você não entrou no blog errado, não. Para mim também é estranho. Eu adorava o layout de bolinhas coloridas. Tinha muito amor por ele. Mas resolvi mudar a cara do meu blog especialmente para que a carinha dos seguidores também começasse a aparecer. Achava uma sacanagem ter um blog com leitores de longa data, com uma trabalheira dos diabos para virar seguidores. Agora ficou mais fácil. Continua com bolinhas, mas achei que ficou mais phyno. Já, já a gente se acostuma com o novo petit pois. Ou não. E tudo muda de novo.

PS: Amigos designers e diretores de arte, elogiem ou puxem minha orelha, por gentileza.

17 de jun. de 2011

Rímel, eu te amo.


O melhor amigo de uma mulher é o rímel. Sem sombra de dúvidas e sem trocadilho.
Da mesma forma que é muito bom viver cercado de amigos, adoro saber que tenho 2 ou 3 rímeis (existe plural de rímel?) com efeitos diferentes para garantir. Eu sou gente que não sai de casa sem rímel nem em caso de conjuntivite. Fora de questão.
Assim como amigo de verdade, existe rímel de verdade. Se você não sabia disso, provavelmente não tem um dos bons.
Amigo você escolhe. Rímel idem. Cada um que escolha o seu mas eu posso afirmar que nada se compara a um Dior. E se você usar aquela base branquinha antes, aí é que não tem para ninguém mesmo.
Amigos verdadeiros são aqueles que abrem seus olhos, jogam você para cima e fazem você engolir o choro. Sem querer menosprezar meus amigos. Longe disso. Mas quem faz estas 3 coisas melhor do que ninguém é um rímel. Acorde cedo, com aquela cara que não se mostra nem para parente e não tenha um rímel para abrir seu olho para ver o que acontece. Enquanto você está passando num olho, já dá para ver que o outro fica diminuído, cabisbaixo. Rímel dá um up no olho e na pessoa. Se eu uso, penso duas vezes antes de abrir o berreiro. Precisa ser uma razão muito forte para eu deixar o rímel escorrer.
Mas pode acontecer de você ficar triste e os amigos são aqueles que estão lá nas horas difíceis, são os que não desaparecem. Tem alguma coisa que apareça mais quando você está mal do que rímel? Amigos ficam do seu lado, o rímel está nos dois dois, escorrendo pelas suas bochechas, misturado e diluído nas suas lágrimas. Desculpe, mas não existe proximidade maior.

27 de mai. de 2011

Sai que eu não tô boa


Ando a stressadinha do trânsito.
E, quanto mais irritada fico, mais merda acontece. Por isso, quero dividir alguns aprendizados que podem ser úteis, caso você seja acometido do mesmo mal. Aí vai:
Por mais que tudo esteja parado, prefira as grandes avenidas. Uma hora elas andam e você evita descobrir na prática que, quanto mais secundária e estreita a rua, mais velhinhos dirigem por elas e saem, do nada, de dentro de garagens.
Nada contra a terceira idade. Mesmo. Estamos todos caminhando nesta direção. Só acho que eles deveriam aproveitar seus horários mais flexíveis para fazer as coisas deles depois que os infelizes que ainda precisam trabalhar já passaram. Depois das 10 da manhã, lá pelas 4 da tarde é ótimo. Podem passear a 15 por hora à vontade, que eu não me importo. Mas eles têm insônia, acordam com as galinhas e decidem sair bem na hora da minha reunião.
Outra coisa: velhinhos no volante nunca, mas nunca mesmo, se contentam em ocupar apenas uma pista. Eles preferem passar por cima da linha pontilhada no do meio da rua. Devem achar que serve para ajudar a andar em linha reta. A nós, que temos horário a cumprir, nos resta tentar ultrapassar pela esquerda primeiro, como manda o figurino, depois pela direita, dar aquela buzinadinha simpática que é só um toquinho, para não correr o risco de matar alguém do coração. Risco baixíssimo porque a audição desse pessoal já não é das melhores.
Se você puder escolher, não fique, ou evite ao máximo, parar atrás de carros dourados. Todo mundo que tem um carro dourado é velho. Caso contrário, teria escolhido outra cor para o possante. Dono de carro dourado dirige como velho mesmo que tenha 18 anos. Na verdade, eles queriam um carro bege (desconfio de gente que gosta de qualquer coisa bege) mas isso não existe mais. Então eles vão no dourado e ficam atravancando a nossa vida todos os dias. Motorista de carro dourado faz questão de manter uma distância de segurança maior do que a necessária. Eles ficam meio quarteirão (ou mais) atrás do carro da frente. Aquela distância suficiente para que você, que está atrás, não consiga atravessar aquele farol demorado, nem virar à direita quando precisa. Comece a prestar atrenção e me diga se a culpa do trânsito parado não é sempre do dono do carro dourado.
Tá. Era isso. Stress no trânsito não tem mesmo nenhuma justificativa decente.

25 de abr. de 2011

Amigas imaginárias


Quando eu era criança tive duas amigas imaginárias.
Uma delas era a Professora Cleuza, que me dava aulas num galpão nos fundos da minha casa. Eu tinha caderno, lápis, tudo real. Mas as aulas e a professora eram imaginárias. Acho que ela surgiu porque minha mãe é professora e porque ela e meus irmãos mais velhos iam para a escola e eu ficava em casa com a empregada a tarde inteira. Queria tanto ir com eles que minha imaginação resolveu me compensar assim.
Minha segunda e mais presente amiga imaginária surgiu logo depois que minha irmã leu o livro Alice no Reino do Espelho para mim. Foi muito alucinante para a minha pequena cabeça de pudim porque, no reino do espelho, tudo é invertido. Inclusive o nome das coisas e das pessoas. O nome da minha amiga era Aivalf porque minha irmã me disse que meu nome invertido era assim. Então eu ficava no meu quarto, falando com a Aivalf por horas e horas.
Depois eu cresci e tive mais três amigas imaginárias. Mas de outra categoria.
Eu imaginava que elas eram minhas amigas e um dia descobri que não eram.

15 de abr. de 2011

Amor, o próprio.


Homens, mulheres, animais e Lady Gaga. Todo mundo quer encontrar um amor ou manter o que já encontrou. Mas por alguma razão este querer, esta busca não é das coisas mais fáceis de realizar na vida.
Muitas pessoas incríveis estão totalmente desiludidas. Outras já entraram num nível de desespero e andam apelando para os cartazes das cartomantes colados nos postes ou, mais absurdo ainda, passando por cima dos seus princípios, se anulando, fazendo merda em nome de outra pessoa. E se esquecendo que, antes de mais nada, quem a gente tem que amar e respeitar, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, é a gente mesmo.
Sem amor próprio a vida não anda, meu rei. E não tem nada de egoísmo nisso. Desde que você não ame só você mesmo e mais ninguém, se gostar é o que há. E digo mais: amor próprio é inspirador para mais amor.
Se alguém te ama é porque viu tuas qualidades, te admirou, te achou demais. Viu que você se ama. O contrário não é admirável, muito menos apaixonante para ninguém. Na minha opinião, gostar de alguém sem auto-estima é quase piedade. O limite é ali, ali.
Entender que eu sou o único responsável por todo o amor que tenho, terei e receberei na vida, que sou o principal agente da minha felicidade é quase como ter superpoderes. Ninguém no mundo pode fazer você esquecer disso. Não permita, em hipótese nenhuma.

É como diz o Mario Quintana, que eu nunca canso de citar por aqui: “Se eu amo meu semelhante? Sim. Mas onde encontrar o meu semelhante?”