
Quando eu contei para as pessoas que passaria o sábado num evento de fãs do Chaves e Chapolin com a presença do Seu Barriga e do Quico, as reações oscilaram entre inveja, admiração e desconfiança de que eu era meio doida.
Nunca neguei para ninguém que gosto de coisas pop e duvidosas como as novelas mexicanas, Chaves, Chapolin, etc. Quando soube que haveria este evento em São Paulo com a presença dos 2 atores, mais os dubladores dos episódios, tratei de garantir a minha presença. Fui acompanhada de dois amigos igualmente (ou mais) fanáticos: O Luciano e o Fuku. Chegamos lá por volta das 2 da tarde e nos deparamos com uma situação estranha. Você deve estar pensando: lógico. Mas foi mais complexo do que parece.
Pense num lugar longe. O evento foi lá. Aconteceu num pavilhão sem sistema de ar-condicionado e com saídas muito pequenas para a quantidade de pessoas presentes. Ouvi falar em 7 mil pessoas e, se elas fossem gente normal, ok. Mas eram adultos fantasiados dos personagens e estranhamente sérios. Digo isso porque se eu saísse da minha casa com bobs no cabelo, vestida de Dona Florinda, estaria pelo menos rindo da situação com as pessoas que me ollhavam. Mas eles estavam sérios. Este foi o problema: eles estavam levando tudo aquilo a sério demais.
Aí vem o Chaves, Chaves, Chaves, todos atentos olhando para a TV era entoado como se fosse um hino religioso. Quando a dubladora da Chiquinha fez o inconfundível choro no microfone eu juro que vi um princípio de ola. Um casal estranho e bem adulto chegou vestido de Chaves e Chiquinha, com um bebê no carrinho vestido de Chaves e o olhar deles me arrepiou. Eu cheguei a comentar: gente, e se alguém saca uma arma e começa a dar tiros aqui dentro? Vai ter gente sendo pisoteada porque os organizadores não tinham o menor controle sobre aquelas pessoas que se esmagavam para tirar fotos numa réplica da vila do programa ou carregando um aerolito ou a múmia do Chapolin.
Uma hora o Luciano falou: aquele cara ali até que parece com o Quico. E o Fuku respondeu irritado: Desculpa, mas aqui ninguém parece ninguém. Era verdade. Ninguém parecia com ninguém.
Enfrentamos uma fila enorme para comprar água e, em seguida, fomos informados que não tinha mais nenhuma bebida. E eram apenas 3 da tarde de um evento programado para acabar às 8 da noite. Um dos organizadores estava vestido de Chaves gritando no microfone para que as pessoas se sentassem no chão. Ele começou pedindo educadamente mas logo perdeu o controle e começou a gritar de uma forma muito estúpida, ao som das vaias da platéia, que se negava a sentar.
Eu, o Fuku e o Luciano nos olhamos com duas sensações em comum: medo e vontade de ir embora dali agora.
Seu Barriga que, veja a ironia, fez cirurgia de redução de estômago, iria chegar às 3 e meia. Mas a gente não teve coragem de esperar nem mais um minuto. Uma hora foi o que a gente suportou e decidimos vir embora antes que aquilo tudo piorasse porque a fila de pessoas chegando era interminável e o calor, cada vez maior.
Para nós, o evento foi um mico, não vimos nossos ídolos, mas demos boas gargalhadas e ganhamos mais uma história para contar para os netos. Que, se depender da gente, também serão fãs de Chaves e Chapolin. Só não a esse ponto.